Livro: Mega da Virada
Autor: Guilherme Palhares
Pseudonome: Odenkir Kholer
CAPÍTULO 1: NAMORO VIRTUAL
Na cidade de Belo Horizonte, capital de Minas
Gerais, vivia um homem bastante empenhado em seus projetos, idealizador,
revolucionário, Lúcio Bastos, nunca desistia de seus objetivos, traçava suas
metas e por isso agia sempre com motivação em busca daquilo que ele mesmo
idealizava. Lúcio acreditava em predestinação, mas quando o assunto era
relacionamento ele mesmo se sentia bastante inseguro, por que era conservador e
portanto, muito seletivo. Lúcio era mais conhecido como paranoico entre os
amigos, mas em suas conversas virtuais com sua pretendida, ele demonstrava
muito interesse em um possível relacionamento sério, preferia manter-se em
secreto para ela, mas apenas desejava a oportunidade de conhece-la pessoalmente,
pois acreditava não ter condição suficiente para firmar aquele relacionamento. A
priori mantinha seus recursos até o momento em que ele pudesse ter certeza de
que seu relacionamento pudesse firmar a longo prazo. Foi ainda no terceiro
período de psicologia que Lúcio conheceu uma linda garota, seu nome era Rose
Stefani, ele a conheceu por através do chat de namoro. Lúcio se apaixonou no
primeiro dia de conversa no chat com Rose, era etapa final de semestre, breve
estaria entrando em férias, mas uma notícia ruim acabou com seu plano de viajem
a Santa Catarina, estado onde vivia Rose Stefani.
O encontro já
estava combinado, durante um pouco mais de três meses Lúcio começou a investir
nesta viajem, ele estaria disposto a viajar no final daquele ano, mas a notícia
chegou diretamente do seu emprego. Lúcio trabalhava de analista de sistemas,
uma de suas funções desempenhadas, seria a identificação de valores e violações
dentro da rede de comunicações da empresa. A notícia tratava de sua demissão
por justa causa, ou seja, um dos funcionários incumbido na gestão da empresa
era responsável pelos procedimentos internos do sistema. E foi constatado
várias infrações ou omissões de Lúcio que acarretou sua demissão pelo simples
fato de terem os seus erros passados do limite estabelecido pela gestão e
ocasionado ainda mais três fraudes que segundo o contrato já o deferia como
demitido por justa causa.
Lúcio saiu
arrasado da empresa, não tinha outra opção, faltavam ainda mais dois meses de
estudo na faculdade até as férias e não podia contar com o fundo de garantia, pois
trabalhava na empresa a pouco tempo e este dinheiro estava destinado a quitação
de contas e dividas. Por isso aconteceu que ao passo de dois meses, Lúcio já
não tinha como pagar por seus estudos, teve que comprar remédios caros por
causa da depressão que acabou o atacando devido o cancelamento da viajem
prevista. Seu sonho de viajar a Santa Carina estava em pauta, mas isto não
passaria de um momento com Rose e nada mais além disto, e neste caso, Lúcio não
desejava passar um simples tempo com Rose, queria viver, quem sabe, até os
últimos dias com sua pretendida. No final do último mês Lúcio é despejado do
apartamento, acabou se mudando para a casa de seu amigo Ângelo, que o recebeu
de uma situação crítica, eram antigos amigos, Lúcio contribuía pelo menos com a
internet. Mas foi nesta situação em que Lúcio já se encontrava sem chance
nenhuma de se encontrar com Rose que em uma das conversas no chat, ele acaba
aumentando o grau de sua paixão por ela.
No seu quarto
individual da casa de Ângelo, onde vivia quase todo tempo preso planejando sua
vida, numa noite serena, numa total atração por Rose, que um pedido para vê-la
apenas de lingerie na webcam foi feita. Rose aceita e fica apenas de calcinha e
sutiã. Neste momento Lúcio se sentiu atormentado, pois não seria
necessariamente o que deveria estar vendo. Por um lado, isto o seduziu muito,
mas por outro, acabou o perturbando, pois se sentiu muito atraído e acabou
vendo que não daria para jogar seu plano fora, em troca do que isto poderia lhe
causar, caso passasse de apenas um encontro e nada mais. Ansioso para firmar
namoro com Rose, ensaiava tudo o que deveria dizer a ela para convencê-la do
seu relacionamento sério um dia e não se acomodava com o plano. Mas esta foi a
deixa para Lúcio reagir e tentar por um recurso que pudesse o levar ao encontro
de Rose por definitivo, mas unicamente com ela, sua paixão era intensa, ele não
tinha outra opção, não queria ter outros recursos, apenas os recursos
necessários para conquistar Rose. Foi pensando assim que Lúcio elaborou um
plano mirabolante.
Como jogador de lojas
e casas lotéricas, Lúcio, já em estado de alucinação para tentar um encontro
com Rose, começa a gastar seus míseros centavos para tentar pela sorte. Para
isto teve que evitar totalmente suas conversas com Rose, talvez isto poderia
surtir um efeito contrário caso sua intensão com ela não desse certo, ele
precisava se precaver, não podia se precipitar, todo cuidado era pouco, se
dentro de suas conversas paralelas com Rose ocorresse qualquer deslize, as
chances de conquista-la poderiam diminuir.
Logo pela manhã Lúcio
sai para as apostas, estava já a um bom tempo sem jogar nas casas lotéricas,
mas começou com números variados, até que arranjou alguns números fixos. Na
loteria o prêmio sempre acumulava, a possibilidade era de uma para mais de cinquenta
milhões, mas seu objetivo era ganhar ou ganhar. Foi nesta sua obstinação que Lúcio
passou a estudar sobre os sorteios da loteria, números mais sorteados ou
números menos sorteados por exemplo. Como assíduo aluno de psicologia, Lúcio
armazenava livros de estudos psíquicos, do subconsciente e outros relacionados
aos mecanismos da mente. E por isso pensou em usar as técnicas ensinadas para
manipular números e atrair a sorte.
Numa noite
sombria de ventos fortes e lua cheia, Lúcio olhava para cima, ele acreditava em
predestinação, nunca perdia as esperanças para conquistar Rose, já não
conversava com Rose pelo chat mais há um bom tempo, ele evitava qualquer reação
contrária, por outro lado também não recebia mensagens. Seus dias ficaram todos
voltados para as apostas, e naquela noite Lúcio decidiu mudar o rumo do jogo. A
manipulação mental era muito ensinada em um de seus livros sobre hipnose. À
princípio Lúcio calculou os números a serem sorteados, conseguiu acertar no
máximo três números, após várias apostas, precisaria de no mínimo quatro
números para conseguir pelo menos um prêmio, mas isto era pouco para o tamanho
do seu sonho. Lúcio chegou a conclusão de que não conseguiria dar conta de
todos os seis números sozinho, eram seis números para sessenta alternativas,
ele precisava de mais nove jogadores, cada um com uma função diferente no
esquema de apostas, somando-se dez com ele. Lúcio não dormiu aquela noite, por
todos os seus vinte anos de estudos ele tinha certeza que a manipulação de
números pela energia mental e cosmológica seria possível. Os bilhetes apostados
desde o início era prova de que os seus números mais mentalizados eram os que
mais apareciam, contudo, aparecia em média apenas um número sorteado para cada
bilhete apostado.
Chegou a manhã
posterior àquele dia, acreditava-se ser sua ideia inusitada, Lúcio queria logo
traçar o plano de estratégia de jogo, assentou na escrivaninha do seu quarto e
passou a escrever tudo que foi absorvido dos livros e do seu conhecimento
inerente aos jogos. No fim chegou a conclusão que se realmente conseguisse
organizar aquele plano, as chances de acertar as seis dezenas seria de 99 por
cento.
CAPÍTULO 2: A ESTRATÉGIA
Após
horas de elaboração, o plano ficou pronto, dez jogadores deveriam ostentar uma
função até o final daquele ano, data em que seria sorteada a mega da virada. À
princípio foram dadas as tarefas específicas para cada componente, contudo a
data seria absolutamente na virada do ano de 2032. Para os quatro principais
jogadores, Lúcio deveria escolher mais três, pois ele já havia assumido
antecipadamente a função do feitor daquele grupo. Sua função como feitor seria selecionar
o local da aposta a ser feita, o logradouro, a casa a ser destacada com o
morador pré-selecionado, a região desta casa, informar o valor do prêmio para
aquele sorteio, o valor do bilhete, os números menos sorteados naquele ano, a sequência
de números repetidos de um sorteio para o outro, a possibilidade de cair três
ou mais números coincidentes pelo final da numeração, a quantia acumulada, pesquisar
os perfis de cada integrante do grupo, selecionar os mais capacitados,
organizar a divisão de tarefas, acompanhar cada jogador dentro da tática de
manipulação de cosmos e acompanhar os números que mais aparecerem durante os
sorteios no ano.
Para
isto Lúcio precisaria de mais três outros principais, entre estes, o anfitrião,
a pessoa que se identificará como o vencedor, ou seja, no dia do prêmio o
anfitrião apenas comparecerá para pegar o prêmio, o endereço será revelado, em
contra partida os outros participantes estarão sempre em secreto, o anfitrião
será o responsável para prestar notícias, omitir sobre os participantes
envolvidos no jogo e falar sobre os gastos a serem feitos para a sustentação da
casa. O anfitrião deverá manter sua força de convívio social, permanecer e
cuidar da casa e fazer provas de adaptação frequentemente, pois a casa será
alugada pela contribuição de todo o grupo, bem como as viagens e compras de
bilhetes. A casa seria alugada na região mais propensa ao acerto de acordo com
a casa lotérica e conforme os cálculos do feitor. Em todos os casos funcionais
atribuídos aos quatro principais, a observação dos números mais transmitidos pela
mente a todo momento deverão ser estudos constantemente e, portanto,
adivinhados de modo suposto e individual para serem também apostados pelo
dealer.
A
função do dealer será também anotar os números mais transmitidos. O dealer
precisa ser o comprador do bilhete no dia da aposta, com horário e local
pré-selecionado pelo feitor. Também é o responsável para trazer o resultado
arrecadado após a aposta na mega da virada à sala secreta, lugar onde todos
deverão estar reunidos. O pivô, tem o dever de trazer os números dos seis
jogadores ao dealer. O pivô, deve sempre deduzir os números como todo o
restante do grupo, mas nunca saber exatamente quais serão os números escolhidos
pelos jogadores fazendo perguntas curiosas ao passar os envelopes ao dealer no
final da estratégia.
O
dealer será o único a saber a relação de números apostados, deve manter sigilo,
dentro de suas atividades, o dealer deverá manter-se sempre preservado ao
conhecimento de qualquer número possivelmente influenciado por qualquer um dos
seis jogadores. O dealer não deve perguntar ao jogador qual é o seu número, mas
deverá fazer apostas frequentes nas casas lotéricas em lugares diferentes e em
datas diferentes. O lugar a serem feitos as apostas são de orientação do
feitor, pois está incumbido ao cálculo de possível acertos em lotéricas
diferentes.
O feitor tem a
missão de fazer a relação dos lugares onde tem maior número de ganhadores e
lugares onde tem menor número de ganhadores. O dealer não deve se preocupar com
os lugares das apostas, apenas se concentrar nos números e apostar estes
números que lhe serão naturalmente captados, conforme a estratégia de
manipulação cosmológica dos jogadores é claro. Porém, ao chegar o dia da mega
da virada, os números já não serão os seus nas atividades anteriores. Os jogos
antecedentes a mega da virada deverão ser feitos sem nenhuma dúvida, os seis
jogadores estarão influenciando os números, por isso o dealer deverá apostar
por intuição e não por suposição e esta aposta cabe apenas à um bilhete, ou
seja, nenhuma outra combinação deverá ser feita.
Por
fim deverá haver o pivô, componente do grupo responsável por acompanhar cada um
dos seis jogadores em suas estratégias de jogo, assim como todos, não deverá
perguntar sobre o número influenciado por algum dos jogadores. O pivô tem a
missão de arrecadar os números de cada jogador individualmente, em papel selado,
para entregar ao dealer secretamente no dia da aposta da mega da virada. O pivô
não tem o direito de ver os números, apenas o dealer. O pivô também terá que
fazer um suposto jogo em um volante de forma natural e apresentar ao dealer,
que fará sua última comparação para a mega da virada com relação a números
sintonizados por ele e números naturalmente marcados. Neste caso será apenas a
última comparação que o dealer deverá fazer sobre os possíveis acertos a partir
da sua última sequência de jogo e do jogo instintivo do pivô.
O pivô não
poderá comparar resultados de números dos sorteios que antecedem a mega da
virada como o dealer, que deverá armar apostas da mega sena comum, em todo
momento possível. O jogo do pivô deve ser espontâneo, só deverá estimular suas
intuições por apostas baixas em micro loterias onlines, ou seja, nas lojas de
apostas de jogo lotérico não credenciadas pela Caixa Econômica. Deverá seguir
as tendencia dos números que ele cogita estar sendo influenciado por qualquer
meio de comunicação, mas para isto, deverá ter total convicção de que aquele é
o número supostamente influenciado. Por outro lado, o pivô deve manter sempre
contato com todos jogadores e ao passar os envelopes contendo os números de
cada um dos seis jogadores, junto com sua suposta sequência, deverá esperar
junto com o grupo na sala secreta para receberem o resultado final.
Os seis
jogadores deverão fazer um sorteio para definirem em qual das casas das seis
dezenas eles poderão escolher seu número. O número a ser escolhido dependerá de
uma dezena específica. Por exemplo, o jogador da sexta dezena deverá escolher
um número entre 51 ao 60, o jogador da quinta dezena deverá escolher um número
entre 41 ao 50, o jogador da quarta dezena deverá escolher um número entre 31
ao 40, o jogador da terceira dezena deverá escolher um número entre 21 ao 30, o
jogador da segunda dezena deverá escolher um número entre 11 ao 20 e o jogador
da primeira dezena deverá escolher um número entre 01 ao 10.
Lúcio pensou na
baixa possibilidade de acertar marcando um número apenas para cada dezena, além
de ser uma sequência rara, as chances se tornam remotas devido a aposta de um
bilhete só, mas para que desse certo esta estratégia deveria ser usada de
surpresa.
Para definir a
dezena de cada jogador, Lúcio elaborou um jogo de sinuca com seis bolas na mesa
para decidir a dezena de cada um através de bolas mortas. Estas bolas serão
montadas na mesa entre a bola um à bola seis. Um círculo será formado em torno
da mesa pelos seis participantes apenas, por ordem alfabética será dado o
primeiro a jogar, e após sua tacada, o próximo jogador será o que está a sua
direita, e assim por diante. Os jogadores deveram apenas prestar atenção a quem
está sucedendo e a quem está antecedendo, e esta é primeira prova de
concentração.
Após o início
do bilhar, os jogadores se movem aleatoriamente em torno da mesa, eles têm total
liberdade de armarem suas jogas ao chegar sua vez. Além disso os jogadores,
deverão pensar antecipadamente sobre qual bola matar, pois matando uma bola na
mesa esta será a sua dezena de escolha. Se o jogador porventura matar duas ou
mais bolas seguidas, segue o ciclo, e a segunda a cair será do próximo a jogar,
a terceira, por conseguinte, e assim obedecendo as regras. Se não houver como
definir qual bola caiu primeiro em caso de pancada na jogada inicial, segue
pelo número crescente de bolas mortas, dadas respectivamente aos participantes
do ciclo conforme a sua vez de jogada.
O jogador deve
matar uma bola de forma estratégica, o número a ser escolhido deverá ser
profundamente calculado, o poder de influenciar este número deverá ser como uma
radiação ultravioleta, não precisará passar das fronteiras do país, mas deve
atingir todo território brasileiro simplesmente pela força do pensamento. O
número deve ser concentrado ao máximo, vinte quatro horas por dia, em tudo
quanto possa exprimir este número. Se possível for, o número escolhido deve
entrar em contatos com raios infravermelhos da atmosfera para ser transmitido à
longa distância, ao ponto de aparecer numa mídia, num programa de televisão, no
jogo de futebol, no trânsito, na faculdade, na mente de uma pessoa importante,
até mesmo do presidente. Os números escolhidos devem fazer alusão aos fatos,
nas notícias, nos dados, nos jornais, nas datas, na internet e os jogadores tem
um prazo de vinte quatro horas após a definição na sinuca para escolherem seu
número conforme a bola morta do bilhar e poder influenciá-lo durante todo
aquele ano. Após este prazo, o jogador está proibido em alterar seu número e o
lema do grupo é, fique rico ou morra de raiva.
CAPÍTULO 3: OS CONVITES
Foram
três meses de incessante trabalho, Lúcio pesquisou em todos os cantos do país,
pessoas com perfis adequados para acreditarem na sorte, através da manipulação
numérica, claro. No fim de janeiro do ano de 2032 Lúcio já tinha uma apuração
dos melhores candidatos. O primeiro deles acabou sendo o próprio Ângelo, o
anfitrião, antigo amigo que cedeu seu lar para que Lúcio não pudesse passar
dificuldade sem moradia. No princípio Ângelo achou loucura aquele plano, mas Lúcio
conseguiu provar através da cosmologia que seria possível. Foram feitos textos,
estudos sistemáticos, fundamentos, vídeos com demonstração de resultados
assertivos no jogo, os vídeos foram editados, reeditados e divulgados
secretamente a homens selecionados e também competentes na área que concerne a
mente.
O
dealer escolhido foi um influencer muito popular da região nobre de Brasília,
para este perfil do dealer, a pessoa não precisava de se destacar com um número
extensivo de seguidores, sua função na verdade exigia que ele fosse mais
seguidor do que seguido, porque estaria por dentro das emissões dos números
mentalizados pela rede ao acompanhar os fatos. Seu nome era Vanderlei, se
interessou pelo esquema e ainda dispôs sua casa como local de encontro para o
dia em que todos seriam enviados para os respectivos estados conforme a função
de cada um no jogo. Além do mais existia um bilhar profissional em sua posse,
localizado num sítio bastante seguro nas regiões de Paranoá e ali seria feito a
divisão das dezenas a cada jogador.
O
pivô da estratégia foi um morador de Campinas, aceitou a proposta, tudo que
tinha a fazer era arrecadar os números pelos envelopes emitidos pelos correios
à sua residência, remetidas por cada um dos seis jogadores, ele mesmo não
poderia visualizar os números escolhidos para o dia do grande sorteio da mega
da virada, mas por se tratar de uma cidade bastante vigente, facilitaria para
Maicon acompanhar os dados, e como socialite, acabou por se tornar a ideia
interessante ao tratar do plano na comunicação com seus acionistas secretos,
pois sabia que tudo o que era dito, se mantinha em sigilo dentro do seu grupo
social. O quarteto foi fechado, dos quatro jogadores principais ninguém
apresentava perigo, serão atuantes fora da área de influência mental, mas sim
na área de suporte do jogo, por outro lado, a área a ser exercida
exclusivamente pelos outros seis jogadores restantes seria de indução.
Na
parte relacionada aos seis jogadores, Lúcio precisou de mais tempo, e por isto,
mais argumentos para convence-los. Realmente os seis jogadores deveriam
trabalhar mais, contudo o valor do prêmio seria dividido assim mesmo para os
dez jogadores de igual modo. A ação dos outros quatro, todavia, não seria
descartável, estes seriam como os defensores, os que dariam suporte aos números
mentalizados se expandirem em suas áreas de localização, enquanto os outros
seis deveriam ser mais ofensivos para atrair a atenção nas suas áreas de
influências. O primeiro a aceitar a proposta foi um profissional da área da
saúde mental, com um trabalho autônomo na cidade de Rio de Janeiro de
hipnoterapeuta, tinha conhecimento aprofundado na área de hipnose e um amplo
conhecimento na área da hipnocibernética, seu nome era Marcelo.
O
segundo foi um palestrante da área da saúde mental também, seu nome era Airton,
mais conhecido como Martins, seu sobrenome. Professor de medicina recentemente
aprovado pela USP como psiquiatra, Martins tinha mestrado e doutorado, no
início, assim como Ângelo, achou loucura demais aquela ideia, mas depois descobriu
que aquilo tinha tudo a ver com ele. Em seguida foi aceito o convite por
Heribert, morador de uma cidade não muito distante de Lúcio, tinha o diploma de
psicanálise, bastante conhecido em Divinópolis, possuía mais de duzentos mil
seguidores na rede social. Depois Lúcio conseguiu convencer um líder
comunitário de uma região comercial da cidade de São Paulo capital. Formado em
Relações Públicas, Cleiton era muito participativo nas plenárias paulistas e por
ser muito comunicativo, Cleiton afirmou ser a ideia mais mirabolante que já se
ouviu falar.
Por fim Lúcio
recebeu positivamente o interesse de Leandro Neto, advogado popular da cidade
de Brasília, mais conhecido como Netinho, tinha mais de trezentos mil
seguidores, pois além do seu ofício, era um influencer muito aplicado nas redes
sociais, mostrava através de suas habilidades, como ganhar dinheiro justo. Possuía uma equipe de programadores eficazes
que investiam nele para atrair maior número de pessoas possíveis às plataformas,
que eram cadastras em ações de criptomoedas. No entanto, Lúcio não conseguiu
encontrar o último jogador, era quase final das férias de janeiro do ano de
2032, como se não bastasse, todos convites eram rejeitados nesta última etapa,
alguns vídeos divulgados em particular estavam sendo vazados, o sigilo e o
anonimato estavam sendo quebrados, talvez a ideia poderia ser copiada ou
denunciada, Lúcio corria grande risco.
CAPÍTULO 4: O ÚLTIMO JOGADOR
Lúcio
estava em seu quarto visualizando o perfil de sua pretendida, a linda e amada, Rose
Stefani, quando de repente fechou o notebook, já não conseguia encontrar o
último jogador para completar a equipe, suspirou, pois o que mais motivava ele
ganhar a mega da virada, não seria nenhuma outra conquista, senão, a declaração
a ser feita à Rose, o maior prêmio significativo para ele, o que de fato
deveria acontecer para então poder conquistá-la. Logo o celular toca, era um número
desconhecido, Lúcio atende:
-Lúcio
Bastos?
-Sim,
sou eu mesmo. – estranhou.
-Conheço
seu plano para ganhar a mega da virada!
-Como
assim? – assustou – Que eu saiba todos a quem fiz os convites estão sabendo
disto, quanto a você não sei, qual é o seu nome? Te fiz o convite? Mudou de ideia?
-Meu
nome é Cristiano e você não me fez o convite, mas eu tenho uma opinião sobre o
plano.
-Impossível,
não te fiz o convite, não fiz divulgação em massa, a não ser que a informação
tenha sido violada.
-Logicamente
sim Lúcio, suas informações foram vazadas e por isto estou ciente do seu plano.
Sua informação foi usada para zombar da sua imagem, as visualizações não
chegaram a mil, quando entrei em cena e restringi seu vídeo em toda rede
social. Por estas horas você estaria sendo motivo de zombaria, mais conhecido
como o mestre mental das loterias. Mas não se preocupe, você tem todo o direito
de apostar.
-E
onde você quer chegar com isto?
-Simples, quero
chegar ao prêmio junto com sua equipe. Na verdade, programei através do meu
sistema cibernético a anulação de todos os seus vídeos enviados recentemente.
Foram várias tentativas de convidar uma pessoa com perfis semelhantes uma da
outra. No caso eu não sou da área contábil, mas tenho como expandir supostos
números pela internet. Por isto anulei seus vídeos a serem divulgados e a
propósito, não estou adequado ao perfil de sua escolha, mas a anulação destes
vídeos trará mais segurança para você e para o grupo.
-Bom, não sei
nem o que dizer. Realmente você pode ser um jogador mais apurado do que alguém
na área contábil.
Cristiano
ressalta:
-Ao assistir,
confesso que eu já tinha pensado em algo semelhante, mas não tão tático como este
plano.
-Legal, seja
bem-vindo a equipe e não foi por falta de opção, este plano na verdade é
imperdível, mas acredite, ninguém como você estaria mais apto a fechar a nossa
equipe! A sorte já está ao nosso alcance e ainda existe uma última vaga para
completar a equipe, a sorte está em voga, pois você foi o último jogador a
entrar. Mas me conte, qual é sua especialidade.
-Sou um
moderador de sistema cibernético, infiltrado da companhia mundial de internet.
Tenho acesso a deep web, uma área restrita de usuários alheios em todo mundo,
ninguém pode acessar a deep web sem autorização do sistema internacional de
comunicações. Para sua sorte consegui deletar suas informações, e já não
importa como foi vazada, só importa agora reunirmos a equipe para a fazer a
divisão de tarefas.
Dessa forma, a
equipe foi formada, todas as diretrizes e regras foram incluídas no plano, o
mês chegou ao fim, Lúcio sentia confiança, na verdade, as chances de ganhar,
seguindo todo o planejamento redigido, seria de noventa e nove por cento. A
casa de Vanderlei foi escolhida como o ponto de encontro dos jogadores da mega
da virada.
Na verdade, o
local era um sítio de luxuoso, localizado em Paranoá, o sítio tinha um imenso
salão revestido de mármore, contendo unicamente no centro uma mesa de sinuca
profissional. Naquele sítio o encontro dos dez jogadores foi feito, era o
último dia de janeiro. Aquele mês foi o tempo ideal para os primeiros
participantes selecionados na categoria de indução mental pensarem em seu
número a ser conquistado pelo número da dezena, representado pela bola de
sinuca morta na hora da divisão. No total de tempo seriam cerca de dez meses e
meio de trabalho intenso, de todos os jogadores, até o grande prêmio.
Após uma roda
de conversa na sala de estar, para apresentação de todos os componentes e
apreciação de drinques, todos foram direcionados ao salão, local onde estava
situada a mesa de sinuca. As regras foram relembradas por Lúcio, no caso seriam
apenas seis jogadores na mesa a jogar pelo seu número, os outros quatro da
categoria de sustentação de jogo, permaneceriam apenas observando. À medida que
um jogador fosse matando uma bola, este se retiraria da mesa, memorizando o
número da sua dezena conforme a bola eliminada, podendo escolher qualquer
número da respectiva dezena indicada até vinte quatro horas após aquela
divisão. Isto seria feito por todos, afim de induzir o número escolhido, se
destacar pelo poder do subconsciente, em todo o momento, até o final do trabalho.
Consequentemente este número cairia, inegavelmente, no sorteio final da mega da
virada.
CAPÍTULO 5: A DIVISÃO
Na
sala de estar da casa de Vanderlei o grupo se reunia para as apresentações
pessoais, nada além do nome e atividade poderiam ser dito, pois qualquer
informação poderia desmantelar sobre a opção do jogador na escolha do número.
Após as apresentações Lúcio explica sobre a última regra.
-
Companheiros...
-
Sobre o último sorteio antes da mega da vira existe uma estratégia importante a
ser feita, ou seja, os sorteios são paralisados durante um tempo antes da mega
da virada, que é um mês de suspensão, a estratégia para que os números
manipulados, durante todo o decurso do ano, sejam os números finais é preciso
que todo o exercício de indução seja feito neste intervalo de tempo. Isto
porque talvez com a manipulação, estes números sejam decorrentes em todo o
decurso das apostas no ano, isto é, pelo menos um número dos nossos seis
escolhidos cairia frequentemente no resultado. O segredo para que todos os
números caiam no resultado está neste um mês de suspensão da loteria. Neste
último mês todos deverão focar nos números na base de concentração, ou seja, já
não deverão ser estimulados, ninguém entre nós deverá mais apostar neste
período, este último mês será decisivo. Para abranger esta concentração,
conversei com o Cristiano, que se dispôs a acessar a deep web para transmitir
estes números em dados criptografados. Então nestes dez meses de fevereiro à
novembro, os números ficam por exercício dos jogadores, no último mês, apenas o
Cristiano estimula os números conscientemente e junto com dealer saberá da
aposta antecipadamente.
Em
seguida todos são direcionados ao salão de jogos do sítio de Vanderlei
localizado em Paranoá, Distrito Federal, numa noite de céu aberto e lua-cheia,
a divisão das dezenas estava prestes a ser feita, através do jogo de sinuca.
Vanderlei se aproxima do canto inferior da mesa, ajusta apenas seis bolas de um
ao seis, no formato de um triângulo. Em seguida Vanderlei posiciona a bola
branca sobre a parte superior da mesa, o círculo dos seis jogadores estava
formado em torno da mesa, e o primeiro a jogar seria o jogador cujo nome
tivesse sua inicial mais próxima pela ordem alfabética.
-Todos
prontos? – perguntou Lúcio, o feitor, enquanto os seis passavam giz nos tacos.
O
grupo responde positivamente, enquanto alguns ainda procuravam se decidirem
pela escolha do taco.
-Ok.
Vocês sabem sobre a ordem de jogo, após o início da primeira tacada segue o
jogador da direita de quem realizou esta jogada e assim por diante, no sentido
anti-horário. É preciso que vocês decorem o jogador anterior e o posterior para
não perderem a sua vez de jogada. Dessa forma vocês poderão se posicionar
aleatoriamente na mesa depois.
-Porém vocês
ainda não sabiam, mas antes de escolher o primeiro a dar partida no jogo,
deixei claro para nós quatro da base de sustentação que o primeiro a dar esta
partida seria o jogador cujo nome tivesse sua inicial mais próxima pela ordem
alfabética. E portanto, Airton será o jogador a dar a primeira tacada.
Airton se
aproxima da bola branca, desejava muito que matasse a bola dois, pois neste ano
ele faria dezessete anos de casado com sua esposa. A tacada é feita, as bolas
se espalham, nenhuma bola morta. Em seguida ao seu lado direito se posiciona
Heribert, desejava apenas a referência da bola para poder escolher seu número e
como a bola três estava rente a caçapa, não foi difícil garantir sua dezena.
-Ok Heribert,
sua bola é dois, você já pode sair do jogo com sua referência.
Heribert coloca
o taco sobre o suporte e logo se aproximou Cleiton.
Este jogador desejava
que a bola um ou cinco fossem mortas, a bola um para que o número sete fosse
escolhido. Devido suas influências políticas, Cleiton poderia dar destaque ao
número, criando eventos comemorativos, referente ao dia sete de setembro. E a
bola cinco para que o número quarenta e cinco fosse escolhido, pois era filiado
ao partido PSDB, cujo número é quarenta e cinco, e por isto facilitaria nos
momentos de manipulação ao criar campanhas políticas das eleições naquele ano.
No entanto as
bolas pretendidas não estavam fáceis, a bola quatro estava numa posição não
muito difícil, bastava apenas um corte e ela estaria morta. Mas Cleiton
insistiu para a bola cinco, seguia a estratégia do jogo, visto que a bola um
estava mais difícil ainda.
-Acreditem
amigos que eu poderia eliminar esta bola quatro agora, não seria muita
inabilidade da minha parte para não tentar, mas por questão de ética, vou
arriscar a bola cinco.
O grupo acaba
sorrindo com a decisão de Cleiton.
-Estratégia de
jogo. – cochichou Marcelo ao companheiro ao lado, os únicos que ainda
permaneciam sérios e atentos.
Naquela roda sabiam apenas as funções de cada
um, local de morada, idade e disposição para o jogo, estas informações foram
dadas nas apresentações antes da divisão. Porém não sabiam mais detalhes destas
informações, tudo era confidencial. Como político poderiam achar que Cleiton
estava arriscando um número partidário, porém de fato era, mas a bola cinco
passa longe da caçapa.
Então foi a vez
de Neto que acertou a bola seis e se ausentou da mesa, o próximo de acordo com
a sequência do primeiro ciclo era Cristiano, matou a bola um, também se
despediu do jogo. O último a jogar antes de reiniciar o ciclo foi Marcelo, não
matou nenhuma. Dessa forma Airton foi para sua segunda tentativa, desejava tão
somente a bola dois, como Cleiton deixou de matar uma bola semimorta para
tentar seu número pretendido, apesar da menor chance de matar, a bola dois
acabou cedendo e Airton Martins dá licença ao jogo.
-Tem objetivo
nessa tacada! – comentou Neto, que também estava pensando em números
aleatórios.
Cleiton se
aproxima para sua tacada, desta vez a bola cinco estava fácil de enterrar e
nada obstante, sem muita medida ou muito cálculo, Cleiton garante a bola cinco
e se afasta da mesa. Restaram Marcelo e Neto, sobre a mesa ainda permaneciam as
bolas quatro e seis, ambos estavam tensos, pensavam sobre quais números
poderiam ser escolhidos daquelas bolas, deveria ser um número forte, claro, mas
eram bolas que estavam fora de cogitação para Neto, o próximo a jogar.
-Uma bola roxa
e uma bola verde. – ele pensou – Não... não! As cores não influenciaram nada
nestes números.
Aguardou alguns
segundos pensando com as mãos apoias por cima do taco e finalmente lembrou.
-Cinquenta e
três. É isso! – pensou - O número por cento que passei em sociologia em dois
meses antes de atingir o limite mínimo de sessenta por cento em apenas três
meses. Nesta matéria descobri que não eram apenas números e sim a manipulação
de dados. Com certeza este número é inesquecível, acabei fazendo a prova sem
estudar, apenas chutando as perguntas de múltipla escolha, faltando apenas sete
por cento.
Apesar de ambas
as bolas estarem situadas no centro da mesa e não muito próximas a qualquer
caçapa, Neto arrisca pela seis. O jogador mirou atentamente, já estava
transpirando, a tacada foi feita, a bola pega no bico da caçapa, não caiu, mas
a bola percorreu batendo em vários cantos da mesa, até que inacreditavelmente a
bola cai.
O grupo
comemora, os últimos jogadores da mesa levantam os tacos em sinal de desfecho,
era o fim da divisão. Consequentemente Marcelo fica com a bola quatro, a sorteio
dos números estava feito, a bola um ficou com Cristiano, a dois com Airton, a
três com Heribert, a quatro com Marcelo, a cinco com Cleiton e a seis com Neto.
O grupo se cumprimenta entre si pela a divisão dos números sorteados para as
apostas, Vanderlei de modo bastante surpreso admira a execução do plano e como
aquilo foi minuciosamente elaborado, de braços cruzados e numa grande
expectativa, apenas admirava. Porém todos sabiam que ainda havia mais para se
fazer, na realidade, o prêmio estava estimado à novecentos milhões e meio,
segundo cálculo do feitor, por época de prêmios anteriores e o ano vigente.
-Legal pessoal.
– Lúcio levantou a voz a favor do
silêncio que por um pouco não era absoluto. Segurava em sua mão a taça do
champagne que era servido.
-Agora nós
somos definitivamente uma equipe. Não existirá desistência, todos deverão
assoprar os números a serem escolhidos, para serem respirados na atmosfera,
inspirado pelo público e transmitidos pelos meios de comunicações. Praticamente
vocês terão que bater punheta pensando na sua dezena de referência e gozar o
seu número escolhido. Não haverá mais dúvidas, temos todo este ano para
fazermos estes números se destacarem, de todas as formas possíveis, até mesmo
na televisão, na voz de um locutor, na imagem de dados mais decorrentes na
internet no painel de imagens do programa recreativo das manhãs dos dias úteis
da semana nas telas da emissora nacional, este número tem que estar lá
frequentemente, de uma forma ou outra. – Lúcio falava enquanto andava e olhava
fixamente no rosto de cada integrante.
Por um instante
parou, respirou e finalmente ordenou.
-Fica uma ordem
à todos vocês. Mas é uma ordem, expressamente uma ordem. - apontou o dedo um por um.
-Façam o
presidente da república brasileira sonhar com o seu número, porque aquele que
conseguir fazer o presidente verbalizar este número, através da decorrência
deste número no sonho dele, eu, da minha parte, passarei meio milhão de
recompensa ao jogador.
-E para
finalizar, agora vocês não serão mais identificados pelos seus nomes, como
forma de sigilo serão chamados pela sua bola de referência.
-Cristiano,
você é o bola um, Airton, você é o bola dois, Heribert o bola três, Marcelo o
bola quatro, Cleiton o bola cinco e Neto o bola seis.
No fim Lúcio
ofereceu um brinde:
-Um brinde à
todos pelo prêmio inexorável da mega da virada!
CAPÍTULO 6: AÇÃO
Após
a divisão de números para cada integrante, iniciou-se fevereiro, o prazo de
vinte e quatro horas para a escolha do número passou, todos confirmaram a sua
escolha e deram início as atividades. Os jogadores iniciaram com as técnicas de
influência mental, todas as formas de se concentrarem nos seus respectivos
números eram feitas, o subconsciente apenas se tornou a certeza de todos.
O bola um,
passou o primeiro semestre organizando um evento no dia sete de julho,
convenceu um amigo a mudar o nome do seu bar para bola sete, pois o bilhar era
o atrativo do bar, todo dia sete de cada mês Cristiano realizava um evento,
procurou entre seus contatos quem poderia ter um filho fazendo sete anos, e ao
invés de ser convidado, se oferecia a convite para participar das festas, onde
por três vezes conseguiu estar presente naquele semestre. Cristiano conseguiu
fazer voluntariamente as decorações das festas com muitos números sete e os
seus presentes dados aos aniversariantes eram sempre camisas de futebol com o
número sete atrás, dos seus respectivos times, em todos as festas em que ia uma
blusa sete era dada.
Se dispôs a
despertar todos os dias as sete da manhã, programou sua geladeira para gelar
bebidas sempre a sete graus abaixo de zero, seu celular também era programado para
alamar sempre as sete da noite, apenas para cumprir tarefas, destinadas a
refletir no número sete. Fazia esteira na academia sempre em sete minutos, seus
movimentos para malhar em todos os equipamentos da academia eram sete, pediu ao
seu personal trainer para que não fossem orientados dez movimentos, mas sete,
em todos os exercícios. Passou a ler livros cujos títulos mostravam sete, bem
como os livros: As Sete Torres, Os Sete Anões, As Sete Chaves da Oração e os
Sete Pecados Capitais.
Em sua igreja
de escolha, Cristiano convenceu o pastor a passar um sermão falando do número
sete, pois o número sete aparece diversas vezes na bíblia. O pastor aceitou a
sugestão e Cristiano engajado naquela missão se dispôs a fazer os convites pela
internet, para àquele culto, mencionando o número sete como tema e destaque
daquele culto. Conversou tanto com o pastor e realizou uma divulgação em massa,
que aquele culto acabou se tornando um evento nacional, tendo que ser realizado
no estádio principal da cidade, simplesmente com a mensagem do número sete da
bíblia. No final do semestre acabou viajando para Belo Horizonte, onde
organizou um sarau poético e teve divulgação em massa também, o local foi
justamente na Praça Sete, onde o tema do encontro foi Os Sete Mitos Poéticos
com adesão de sete escritores famosos, falando de sete obras de cada autor.
Em contra
partida Airton, o bola dois, se empenhava em se concentrar no número dezessete
pela fixação de imagens. No relógio as dezessete horas, nas placas de carros
com números dezessete, nos números de telefones com dezessete, nas senhas de
banco com dezessete e além disso fazia compras separadas, sempre as dezessete
horas, cujo valor atingia sempre dezessete reais, chegava a fazer trinta
compras assim por mês e sempre pagava suas contas no dia dezessete, quando o
prazo assim o permitia. Nos bares, restaurantes ou lanchonetes, procurava
sempre os itens em dezessete reais, também abastecia sempre em dezessete reais,
de posto em posto, sempre era dezessete de combustível. Finalmente chegou o dia
dos seus dezessete anos de casamento, fez antecipadamente, numa data
aproximada, fora da data exata, uma comemoração de arromba, no dia dezessete de
abril e nunca enfeitou a festa com o número dezessete como na comemoração de
dez anos de casamento.
Heribert, o
bola três, apostava no número vinte e três, comprou blusas da NBA cujo número
representava o vinte três, tais como blusas do Jordan e James. Tatuou em seu
braço esquerdo o número vinte e três, fazia séries de flexões braçais sempre em
vinte e três vezes, isto por várias vezes. Também programava-se para tomar seu
remédio noturno sempre as vinte e três horas, criou a hashtag vinte três em
todas as suas postagens, todo dia vinte e três fazia palestras de psicanalise
em pequenos eventos online. Apreciava todos com a idade vinte e três,
parabenizando-os sempre por esta idade, dando honras e homenagens com
figurinhas exibindo o número vinte e três. Todas as vezes que via um número
vinte e três na imprensa, rádio ou propaganda, fazia questão de tirar foto como
forma de falar algo sobre a imagem na internet, tal como temperatura a vinte e
três graus, preços à vinte e três reais, anúncios constando o número vinte e
três. Divulgava sempre o salmo vinte e três na internet e lia este salmo todos
os dias às vinte e três horas após tomar o remédio naquele mesmo horário. No
final daquele semestre, Heribert se tornou membro do partido cidadania, cujo
número é vinte e três.
Marcelo, o bola
quatro, escolheu o número trinta e dois, selecionou em sua agenda um grupo
separado cujos membros aos trinta e um anos participavam apenas, o grupo
atingiu o total de trinta e dois membros e foi restrito. Marcelo pulava corda,
fazia polichinelo, agachamento de pernas todos os dias por trinta e dois
movimentos e à medida que um membro do grupo fazia trinta e dois anos, Marcelo os
convidava a participar, pois nos grupos o que mais se falava era das festas a
serem feitas. O grupo se tornou o local onde Marcelo investia em tudo que
poderia exibir o número trinta e dois, decorações, velas, painéis, cartazes,
adesivos e convites. Como técnico em hipnose, fazia testes ou introspecções
usando o número trinta e dois aos seus pacientes, mesmo quando na técnica era
sugerido falar-se o número trinta e três. Costumava sair ao jockey nos finais
de semana, apostava sempre no número trinta e dois.
Cleiton, o bola
cinco, escolheu o número quarenta e cinco, naquele primeiro semestre se uniu
com políticos do partido PSDB, cujo número é quarenta e cinco, prometeu fazer a
campanha daquele ano para prefeito e vereadores e com motivação se candidatou a
vereador, com o número quarenta e cinco, zero, quarenta e cinco e não deixava
de usar seu boton número quarenta e cinco. Procurou investir em jogadores
profissionais com o número quarenta e cinco inscritos nas blusas, que era muito
raro, mas fazia com que estes jogadores fossem convidados a eventos importantes
na área da política, onde divulgava fotos de blusas doadas por estes jogadores
a políticos importantes do Congresso Nacional sempre exibindo o número quarenta
e cinco.
Finalmente
Neto, o bola seis, se tornou o maior jogador de micro loterias onlines
apostando os números cinquenta e três e cinquenta e três, todos os dias fazia
pelo menos uma milhar deste jogo com estes números e acabou que conseguiu
arrecadar um prêmio. Também se tornou o maior jogador da bet53, onde conseguiu
se tornar um jogador vip e patrocinado pelos programadores. Neste jogo só
apostava com cinquenta e três de bônus, o volume do som sempre ao cinquenta e
três por cento, aliou com jogadores de Pelotas, Rio Grande, Bagé e São Lourenço
do Sul, que estão localizados no Rio Grande do Sul, cujo prefixo é o cinquenta
e três. Se dispôs a sair a qualquer lugar que fosse sempre com o total de
cinquenta e três reais, procurou alugar um apartamento cujo número do
condomínio fosse cinquenta e três. Dava sempre ofertas a sua igreja no valor de
cinquenta e três reais, mudou a placa do seu carro para cinquenta e três no
final, também o número do celular onde incluiu cinquenta e três por duas vezes
e tudo quanto era cinquenta e três estava sendo gravado em sua memória.
CAPÍTULO 7
Por
outro lado, na categoria de base da equipe, se encontravam os quatro principais
componentes, os articuladores de tudo. Lúcio já havia selecionado a suposta
casa a receber o grande prêmio da virada. De acordo com cálculos, a casa em
Porto Velho, Rondônia, estava muito mais em conta, mas não poderia ter sido
escolhida nunca se não fosse a probabilidade do acertador cair nesta cidade na
próxima mega sena da virada. O cálculo foi muito minucioso Lúcio descobriu que
nesta região é a que tem menos acertadores em sorteios diferentes, mas por
outro lado já conseguiu três megas da virada, de três em três anos para ser
mais exato, com base nessa informação Lúcio entendeu que já se haviam passados
três anos após a última conquista, e levanto em conta a cidade menos ganhadora
dos sorteios e preço do aluguel, este seria o lugar ideal, devido a grande
disputa das grandes metrópoles.
A viajem foi feita por Ângelo, que passou a
morar na casa para cuidar dos pagamentos a partir do mês de maio. Também
cuidava em sair e fazer amizades para demonstrar no dia do acerto que de fato
houve um ganhador naquela cidade. A intensão seria mesmo se apresentar ao público
e a mídia como o grande ganhador, mas sem dizer nada sobre a estratégia e os
cooperadores por trás do resultado.
Vanderlei, que
atuava como o dealer também pesquisou sobre as loterias daquela cidade de Porto
Velho, neste caso ele escolheu a loteria que mais dava prêmios à mega sena, e a
loteria se chamava “Vale Tudo”. O dealer fazia apostas decorrentes, sempre
observando os números mais sintonizados. O pivô também fazendo apostas, mas na
sua área de atuação em São Paulo, tudo que tinha que fazer era dar ênfase aos
números sorteados, pelos números sintonizados por ele mesmo e não calculados de
forma nenhuma. Todo número sorteado era praticado desta forma, ainda mais
quando estes números vinham se repetindo três ou mais vezes nos acertos.
CAPÍTULO 8
Finalmente
o dia do grande acerto havia chegado, era a hora de dez minutos para as seis horas
da tarde do último dia antes do encerramento das apostas para a mega da virada.
A data e horário foram calculados pelo dealer. Primeiro, porém, Maicon recebeu
os números de cada jogador por correspondência, a orientação foi que cada um
imprimisse seu número num papel tamanho A4, com o número escolhido, na fonte
Calibri, tamanho trezentos. Assim Maicon recebeu os envelopes em sua casa, no
total seis envelopes. Apostou seu último jogo para comparação do dealer e
viajou para Porto Velho onde entregou a Vanderlei, o dealer, que abriu
secretamente e assinalou todos no volante.
Na
loteria “Vale Tudo”, Vanderlei computou
a aposta de um bilhete à sete reais, guardou a aposta de Maicon, os números já
estavam comparados. Dessa forma se apresentou ao feitor Lúcio que convocou toda
a equipe para o horário do sorteio, às dez horas da noite em rede nacional.
Numa sala secreta Ângelo aguardava pelo resultado sozinho, foi escolhido para
anotar os números e repassou a Lúcio. À meia-noite, como combinado, todos
saberiam do prêmio.
Numa
sala escura com dez cadeiras de frente a um quadro branco, todos os participantes
receberiam o resultado. Antes de entrarem naquela sala, primeiro, conforme os
procedimentos, entraria Lúcio com o número do resultado entregue por Ângelo.
Então ele escreveu os números no quadro e abaixou a cortina preta por cima do
quadro deixando a parte de baixo para Vanderlei, entrar em seguida. Dessa forma
Lúcio se retira da sala e Vanderlei escreve os números apostados e tampa tudo
com a cortina preta em cujo quadro já não se podia visualizar nada.
Então
entra todos os participantes, se assentam, fazem um minuto de reflexão, a luz
de uma lanterna é mirada exclusivamente na cortina preta do quadro, a sala
permanecia escura. Após um minuto de silêncio, Lúcio se levanta, chama a
atenção de todos e faz um discurso:
_Muito
bem senhores, vocês chegaram até aqui, definitivamente para se tornarem grandes
milionários, sabemos que o resultado é real, não existem falhas, a estratégia
foi criada como nunca antes havia sido feita. Portanto peço a seu amigo do lado
que o parabenize pelo prêmio, finalmente estamos ricos, os anos de miséria e
solidão acabaram. – ele faz uma pausa, e em seguida suspira fundo, enquanto os
jogadores cumprimentavam um ao outro.
_Todos
prontos? – segurou a corda que abria cortina.
O
grupo responde em sinal de positivo, as luzes são acesas, logo a cortina é
aberta. O grupo se surpreende, ficaram atônitos, abismados, não acreditavam no
que estavam vendo, todo o ano sonhado com os números e... pelos acertos nos
números, o grupo tinha direito apenas a quadra, ou seja, apenas foram acertados
quatro números.
CAPÍTULO 9
_O que
significa isto Lúcio? – questionou Airton que ergue os braços com raiva - você
nos deu total garantia do acerto, isto é impossível, acertamos apenas a quadra,
dividido pra nós daria apenas mil reais pra cada um.
Arrasado
Cleiton pega pela gola de Lúcio e reclama:
_Eu gastei uma
fortuna para a candidatura a vereador, perdi com orgulho, pois o número que
mais se destacou foi o quarenta e cinco.
Nos fundos
surge uma voz pedindo calma:
_Acalmem-se
companheiros, - levantou Vanderlei que permanecia assentado assistindo tudo e
muito calmo por sinal – largue ele Cleiton. Nós fomos os vencedores da mega da
virada!
Cleiton solta
Lúcio e diz:
_Como assim? Da
quadra, mil reais pra cada um, não paga nem o aluguel da casa em Rondônia.
_Não se
preocupe, estamos milionários, com direito ao prêmio da quadra. Aqui está o
verdadeiro bilhete premiado. – levantou o bilhete.
_Deixe-me ver.
– se apressou Cleiton e tomou o bilhete das mãos de Vanderlei.
Então comparou
com o resultado anotados por Ângelo na sala vazia pelo sorteio das dez horas,
escritas no quadro.
_Não pode ser!
– o grupo se assusta ao reparar a reação de Cleiton.
_Estamos
milionários! – começou a abraçar.
Heribert pega o
bilhete e confere:
_É verdade,
acertamos os seis números.
O grupo começa
a comemorar, Lúcio fica sem entender, logo Neto pergunta a Vanderlei como
aquilo foi possível:
_Senhores! –
todos prestam atenção, queriam a explicação daquilo – Tive que tomar minha
iniciativa.
_Reparem que os
números apostados foram um para cada dezena, que foram os números, sete,
dezessete, vinte e três, trinta e dois, quarenta e cinco e cinquenta e três.
Mas como o dealer do esquema, apostava em média duas vezes por semana, reparei
que raramente caia um número para cada dezena, às vezes uma dezena repete dois
números.
_A sintonia
estava boa, eu acertava muitos números emitidos por vocês, mas o que menos caia
era o sete. Não sei porquê, talvez o número da sorte e portanto o mais
concorrido, mas a dezena tendia cair sempre para o número seis. Por outro lado
não tinha a sintonia do quarenta e cinco, muito raro, desculpa Cleiton, mas é
um ótimo partido, mas quando muito transmitido parece que tende ao contrário. O
que mais observava nesta hora era o trinta e cinco. Foi pensando nisto que
apostei os seis números recebidos, mas por uma mera intuição, alterei estes
dois números, eles caiam sempre neste formado, o seis no lugar do sete e o
trinta e cinco no lugar do quarenta e cinco. Dessa forma conseguimos o prêmio
repetindo dois números da quarta dezena e parabéns Marcelo, pela dose dupla.
Estamos milionários.
O grupo urra,
um plano mirabolante, para Lúcio, tudo para apenas viver com Rose.
Em Rondônia
Ângelo dava entrevista aos repórteres após alguns dias da mega da virada:
_Como foi sua
estratégia Ângelo? – ergueu o microfone pressionada por um grupo de repórteres.
_Não faço a
mínima ideia, chutei esses números, não sei como pôde isso.
_E quantas
apostas foram feitos para obter esse resultado?
Ângelo fica
pensativo, tenta disfarçar das emoções, mira o olhar para a câmera e responde:
_Apenas um!
CAPÍTULO 9
Tudo estava
pronto, Lúcio se preparava para uma viajem a Florianópolis, já estava com um
encontro marcado com sua pretendida Rose Stefani. Todavia, Rose não sabia que
era ele, Lúcia mantinha segredo, tinha se apresentado como um olheiro de
possíveis modelos de uma agencia de modelos criada por ele mesmo. A agência não
existia, foi tudo criação de Lúcio, ele estava sendo apresentado como o
responsável pelas fotos que seriam tiradas para uma suposta propaganda de
revista da Natura. Para Rose várias fotos seriam tiradas, mas apenas uma seria
selecionada para aparecer na revista, mas não na capa, apenas numa intenção de
atrair clientes daquela área de cosméticos, de acordo com Lúcio, tudo estaria
em sigilo.
Lúcio
desembarca do avião, após uma corrida de taxi chega ao restaurante onde tinha
marcado com Rose, logo ela chega na recepção, ele a observa atentamente, não
tinha dúvidas, era ela.
A mesa já
estava reservada, Rose se aproxima:
_Licença! –
Rose estende a mão para o cumprimentar - você que é o Leon?
_Não!
_Como assim?
Esta mesa estava reservada, olhou para os lados a procura do garçom.
_Acalme-se
Rose.
_Como sabe meu
nome?
_Esta mesa
estava marcada pra nós.
_Mas você não é
o Leon?
_Não! Prazer,
meu nome é Lúcio Bastos.
Imediatamente
Rose se assusta, realmente lembrou do rosto dele pelas conversas no chat ano
passado.
_Não acredito!
Lúcio, você desapareceu. Mas como assim? Eu estou para fazer uma sessão de
fotos.
_Eu criei tudo
Rose, na verdade vim fazer uma declaração de amor para você. Não se preocupe,
tudo que foi proposto no cachê eu te pagarei em dobro, mas além disso te
convido a sair comigo esta noite e ser a mulher da minha área da vida amorosa.
Rose sorri.
_Claro, vamos
conversando, afinal, a gente já nos conhece.
Ambos sorriem,
tocam as mãos um do outro, olhando face a face, pela primeira vez pessoalmente.
A história de
Lúcio nunca mais foi a mesma, conseguiu concluir seu curso de psicologia,
exerceu função de palestrante, falando muito sobre o poder do subconsciente,
lançou livros de autoajuda e casou-se com Rose Stefani.
FIM