quarta-feira, 12 de agosto de 2026

O Código Da Vinci 2 - Odenkir Kholer

 

 

 


CAPÍTULO 1

 

 

    

     Cemitério du Père-Lachaise, situado no vigésimo arrondissement da capital francesa, local onde muitos insignes presentes agora contemplam a lápide de mármore negro em cuja superfície se inseria o nome cifrado em prata do honorário falecido, Jacques Saunière. Um dia estável de céu nublado, cobria a luz de uma manhã coincidentemente neutralizada pelo acontecimento. O curador de arte era um homem decrépito de influente popularidade e conhecimento, atuava como um dos mais autênticos comissários incluídos na sigla administrativa do aparatoso museu do Louvre na França. Embora um alvor de pelos lhe cobrisse o cabelo entre a mandíbula e o maxilar, o curador possuía uma convalescença incrível, agora desvanecida por um misterioso assassinato não solucionado. Nada se sabe sobre o principal criminoso, ainda se suspeitam, inclusive, entre os presentes àquela cerimônia.

     Um dos maiores cemitério de Paris, de aproximadamente quarenta e três hectares, em toda sua amplitude, se destaca por uma natureza exótica e mística. Talvez seja um dos mais afamados do mundo, responsável por zelar sepulcros de muitos famosos, o local agora testemunha a presença de vários jornalistas. Recebeu a denominação no século dezessete, em homenagem ao padre D'la Chaise, confessor do rei Lúiz XIV da França. Parte da exuberante concepção artística do cemitério foi confiada ao arquiteto neoclássico Alexandre Brongniart em 1803.  Um longo gramado verde escasso, traçado entre as alas de inumação, de acesso aos túmulos e relíquias monumentais, conduzia à muitos outros corredores de extensos arvoredos mortíferos de folha vinhedo secas removidas ao chão, pareciam  forrar os caminhos restritos da necrópole como tapetes corais. Esquifes de valores milionários e projetados, de modo muito espantador, por esculturas góticas moldadas por mãos de afamados mestres, surgiam como monumentos honoríficos. O corredor seguia até passar por rente à uma estreita praça de mármore cinzento. Um pequeno aluvial entre o pequeno cerco sinuoso em torno do grande monumento exótico, criava uma composição de pedras de cascalhos brancos e pequenos cristais misturados às folhas secas dos arvoredos de carvalhos, que atingiam aproximadamente dez metros. Duas escadas separavam o limiar da torre principal formada por pedras obscuras de cor marrom viscoso.

     De frente do monumento conseguia-se ver pouco do ponto de inumação referênte à honra do monumento à esquerda. Avistando-se por trás, havia a continuação do corredor que levava ao vasto campo aberto de gramado escasso, totalmente imune de arvoredos e sepulcros. Por este caminho também levava ao funeral de Jacques Saunière. E foi a partir deste ponto, desde ao sul do cemitério entre o muro dos Federados, de modo bastante discreto, que o então asqueroso Rèmy Legaludec seguia com sua íntima pistola Medusa chassi Jay de baixo calibre prateada, que por sua espessura cabia sobre a palma da mão. Sua aparência era obscura, seu rosto frisado seguia pouco inclinado ao marchar os passos lienados. Deixara enterrado sua benevolência em se compadecer de alguém que ousasse impedí-lo.  Seu terno escuro, escolhido especialmente pelo tamanho alongado da manga, tampava a borda do pulso de uma camisa social branca interna. A manga, com três botões de pulso, tampava inclusive, a pistola carregada sobre a mão.

     No local, muitos que estavam presentes, consentiam com as últimas palavras do bispo italiano, que usava uma túnica negra desde as mangas dos braços até as pernas. O manto se envolvia, desde a cintura, por um cinturão também negro e até o contorno do pescoço aos pés, por uma batina também de veludo negro em detalhes dourados. Em cerimonialismo fúnebre acenava com as mãos em três consecutivos sinais religioso em forma cruzada, realizava o desfecho de uma oração sacramental em língua latina desencadeando-se com o lançamento da água benta sobre a lápide e em um espaço já coberto pelos funcionários. Algumas pessoas importantes, como o sous-préfet e o prefeito do departamento ocupavam a parte livre à esquerda da lápide junto à outros religiosos, alguns provavelmente, membros de uma associação secreta. Outros tais como o professor de criptografia, Robert Langdon, e a agente judiciária, Sophie Neveu ocupavam a parte do lado direito entre a coluna do túmulo. Acompanhados pelos secretários da rede DCPJ de Paris assistiam a cerimônia consentidos e ao mesmo tempo, em sinal de alarme à qualquer suspeita.

     A maioria dos confraternos usavam roupas negras, próprias para o cerimonial. Cada semblante demonstrava enternecimento ao lamentável incidente no Louvre, local onde o falecido teria sido assassinado. Outros agentes transmitiam o afeto que tinham ao curador através de olhares tristes, mas às vezes, os olhos eram cobertos por óculos ou véus negros. Tudo parecia mitigar a real relação de cada personagem no crime, um clima de suspense e mistério se dissolvia com os ventos passageiros daquela manhã fresca de clima árido. Leigh Teabing, após uma surra dos policiais, sendo um dos principais suspeito do crime e apesar de ter sido inocentado, deveria depôr e andar sob a escolta da polícia. Usava um valioso óculos de quartzo negro e agia de modo muito discreto, apoiava as duas mãos sobre sua bengala escondendo-a sobre as pernas para não ser reconhecido facilmente. Um de seus punhos era então destacado por uma  valiosa pulseira de prata Roscoe. Muitos poderiam rejeitá-lo em sinal de protesto, estavam prestes a revidar a incriminação através da busca pelo principal suspeito.

     Todos ainda permaneciam perplexos após a oração do bispo. Querendo se aproveitar do momento de distração do público, em um local afastado de todos, sobre o esvoaçar da roupa sucedido por um vento passageiro e sombrio, entre os arvoredos de um insignificante sepulcro de mármore cinzento de um cidadão francês qualquer, surgia a imagem de um homem meticuloso. De longe, uma pessoa pouco reconhecível aos que estavam próximo ao funeral, talvez um simples convidado incomum. Mas de perto, um dos mais procurados pela polícia após o assassinato, o assombroso e temível, Rémy Legaludec.

     O bispo possuía uma barba frisada desde a mandíbula superior até a borda do queixo. O bigode seguia o contorno dos lábios, a barba parecia um traçado comum usado pelos abades italianos. As pessoas que se reuniam eram muitas, o mistério havia envolvido vários curiosos públicos, inclusive a mídia e o jornal de imprensa. O bispo, após um minuto de silêncio, apoiou sua bíblia sobre o peito e se reclinou com o tronco virando-se para baixo paralelo ao chão em sinal de respeito. O público começou a se locomover aos poucos, as fotos foram sendo tiradas pelos mais modestos jornalistas. Os suspeitos presentes no local eram apontados com rejeição, estes ainda permaneciam no local e, após o desfecho da oração, eram procurados com maior interesse pelos entrevistadores que em pequenos aglomerados apontavam rádios-gravadores de inúmeras operadoras contra os personagens do crime.

     O bispo, após citar uma mensagem de paz através de uma entrevista à uma jornalista de imprensa religiosa. Começou se locomover em direção ao caminho de ida ao vestuário interno do saguão à um quilômetro adiante. Conseguiu mover dois passos, e novamente continuou inerte, muitos secretários e agentes ainda continuavam paralisados no local, o bispo passou a ignorar outros pedidos como graças e bênçãos, a jornalista parecia assustada com a atitude do padre. Neste exato momento de um razoável clima de conversação, quando tudo parecia solucionado, pelo menos para Leigh Teabing e os demais. Algo mudou drasticamente a reação do público, dois tiros disparado em vão, sem nenhuma destino, fez ressoar um estonido estranho, no mesmo instante os pássaros dos arvoredos rente à um estreito bosque começaram à voar espantados. Um alvoroço entre a imprensa e os convidados generalizou-se, muitos que iam viraram-se para trás espantados. Para quem reconhecia o som do tiro de pistola sabia que aquilo seria uma ameaça vindoura, estes e a maioria dos idosos se agacharam pasmados. Alguns acreditavam que os disparos poderiam fazer parte do cerimonialismo. Mas muitos agentes da polícia sabiam que não haviam programado o cortejo com tiros, de fato se tratava de uma ameaça iminente.

     De modo absoluto e extraordinário o bispo retirou imediatamente o manto com a batina e todo o acessório. A roupa parecia ser uma mera fantasia, os botões da frente foram desprendidos facilmente, pareciam pregadores sintéticos, assim também era o cinturão, parecia não ser um pano avulso, mas algo empregado ao vestido. Aquilo verdadeiramente, não se passava de um estranho disfarce. Por baixo do manto revelou-se um terno comum de cor preto e uma blusa branca em cujo bolso pregava-se o seu dinstitivo, um pequeno brasão da Interpol. Logo em seguida, o suposto bispo, saca sua pistola do seu coldre de neopone, e aponta ao público à procura de suspeitos.

     _Todos abaixados, Interpol, agente secreto! - Ordenou em um tom de voz alto apontando com a mão esquerda a carteira de couro negro escancarada, com um brasão de identificação como agente procurador da Interpol. - Mãos para o alto – ordenou.

     Uma cor dourada se destacou sobre a carteira, todos, repentinamente se abaixaram como ordenado pelo então agente procurador. O agente disfarçado tentava localizar algum vestígio, alguma fumaça de pólvora talvez. Teabing já não estava mais presente, Robert Langdon e Sophie se surpreenderam ao notar o disfarce, todo o público incluindo os jornalistas de impressa obedeceu, exceto cinco outros agentes da Interpol também disfarçados. O capitão Fache da Diretoria Central da Polícia Judiciária, DCPJ, companhia responsável pela investigação do crime, alarmado moveu-se em direção dos agentes. Todo o grupo sacou as pistolas à procura do suspeito, destemidos miravam em várias direções diferentes. Usavam coletes especiais feitos para proteção de bala por baixo dos ternos negros. Nenhum suspeito havia aparecido.

     _Monsieur Carpeggian. Confesso que por pouco não lhe cobraria uma graça. - o tenente DCPJ estendeu a mão em sinal de saudação ao agente da Interpol acompanhado de seu agente auxiliar - Realmente não havia o reconhecido.

     Logo atrás da dupla as pessoas iam se levantando aos poucos depois do susto. Fache averiguava em outros lugares próximo aos sepulcros laterais possíveis rastros do ocorrido. Os agentes da Interpol auxiliavam-lhes dando assistência aos mais velhos que se abaixaram com o decorrer do susto. Um barulho de voz se espalhava entre os convidados presentes, os comentários se dissolviam, os jornalistas aproveitavam-se para absorver novas informações e as fotos novamente emitiam seus flash's em busca de novas pistas.

     _Tenente, encontrei algo.

     Collet rapidamente se vira para o lado onde Fache se encontrava.

     _Vamos! - Carpeggian o acompanhava atencioso, ao mesmo tempo recolocava sua pistola novamente sobre a cintura pelas costas. O movimento demonstrava maior parte da sua blusa social de cor branco, inclusive o pequeno emblema da polícia no bolso direito -

     Jèrome Collet, tenente do DCPJ, ocupava uma das camadas mais importantes da polícia judiciária de Paris, era o responsável pela comissão de outros agentes internos da Diretoria Regional da Polícia Judicial, DRPJ, uma corporação interligada. Interessado em saber sobre o que seria o sinal dado pelo capitão, retira de seu bolso um pequeno pincel de quatro centímetros ao notar uma pequena ruptura no canto de um túmulo de mármore quadrangular indicado por Fache. Ele se agachou poucos centímetros afastados entre o canto da tampa e a base de aproximadamente um metro.

     _Realmente foi algum destes disparos. - constatou espalhando os fragmentos com o pincel movendo-o de um lado ao outro.

      De pé Carpeggian observava-o com as mãos apoiadas sobre a cintura demonstrando boa parte da sua blusa branca.

     _Pela perfuração do buraco, o criminoso não deve estar muito distante. - comentou após tocar o buraco e esfregar o tendão com o dedo médio sobre a pequena curva.

     Logo em seguida, Collet se levanta e se aproxima da lápide para limpá-la com o uso do mesmo pincel. Pequenas partículas de poeira se acumulavam no pequeno letreiro gravado. Ao devolver o pincel sobre o bolso interno de um palitó castanho-viscoso, retira em seguida, uma lanterna para visualizar as inscrições, de modo que, as sombras das árvores não permitiam observar nitidamente. A luz florescente refletia sobre as letra.

     _Reconhece algo? - perguntou ao agente Carpeggian

     _Nenhuma. Nunca ouvi falar desta pessoa. - não reconheceu pelo nome, mas anotou as informações em uma agenda.

     De longe a agente Neveu se aproximava, demorou alguns minutos após uma entrevista ao jornal comunitário. Havia se despedido de Langdon pouco tempo antes. Muitos secretários da acessoria jornalista já haviam saído, nada fora elucidado, outros saíram em seguida junto com outros policiais que caminhavam em direção ao saguão após receberem uma devida ordem do agente Carpeggian por um walk-talking.

     _Sigam as pessoas até o saguão principal. Protejam-nas e aguardem pelo meu sinal de retorno. Todo cuidado é pouco. - avisou aos agentes através do rádio-transmissor enquanto Collet analisava as pistas.

     Três ou quatro pessoas ainda permaneceram próximo ao túmulo de Saunière, talvez fossem parentes, mas não pranteavam a causa, tão-somente contemplavam enternecidas.

     _Alguma pista? - perguntou Sophie ao tenente.

     _Não. Apenas uma marca de bala neste túmulo. - apontou o local - Pela simetria do buraco posso deduzir que o tiro veio do lado oposto, próximo ao funeral em curta distância.

     _A pessoa talvez estivesse participado do funeral.

     _Provavelmente. Nada se sabe. A polícia não tem permissão para revistá-los.

     Fache afagou o queixo e fez um breve esforço para se recordar das pessoas que se apontavam na direção oposta em relação ao disparo do tiro. Havia duas classes em todo público. Pela esquerda, na direção oposta ao canteiro aonde se identificava a marca, estavam alguns membros da Opus Day.

     _São os enviados do bispo Aringarosa.

     _Como?

     O tenente permaneceu sem entender, tudo fazia sentido. O bispo Manuel Aringarosa que sofrera um atentado, quase não sobrevivera ao disparo. Este fazia parte da comissão filantrópica da Opus Day. Trabalhava quase como tesoureiro em uma central de Nova York.

     _Tenho quase certeza. - mudou o tenor do comentário - Alguns homens que se posicionavam em contra-posição, seguindo a possível reta vindo pela mesma direção do disparo, provavelmente fazem parte da coligação Opus-Day-Paris. Fui responsável pela detenção do bispo. Aringarosa foi detido como principal suspeito do crime. Porém se encontra em regime semi-aberto, o seu julgamento será ainda nesta semana.

     _O que isto significa?

     _Aringarosa ainda tem o direito de realizar ligações diretas com seus sócios. Estas pessoas seriam essenciais para representá-lo no funeral enquanto ainda se encontra em estado de recuperação no hospital. Estas pessoas sempre estão atentas à muitos fatos com respeito ao grupo, consequentemente, foram responsáveis por atrair outros criminosos interessados nas pistas de Saunière. - explicou Fache.

     O agente da Interpol o olhou surpreso.

     _O capitão tem razão. O motivo pelo qual compareci com minha equipe disfarçado, teria sido novas denúncias anônimas sobre o suspeito do crime. Tudo que sabemos é que o criminoso ainda insiste em conquistar alguma pista entre os depósitos de Saunière, segundo relatos, trata-se de uma mensagem em papiros. A procura por pessoas ligadas à vitima é um dos objetivos do criminoso. Uma peça-chave está em jogo.

     _Esta peça provavelmente seja a ampulheta de Saunière recuperada próximo ao parque público Saint-James, na entrada da abadia de Westminster em londres. Conseguimos, atráves do capitão Bezu Fache, capturar a peça, que mais parecia um críptex encadeado, e detemos Leigh Teabing, preso imediatamente como suspeito do crime.

     _Teabing! - comentou Sophie - Consegui avistá-lo em relance quando se encerrou a cerimônia. Logo antes dos disparos não o avistei mais.

     _Ele não está atrás do depósito do banco, a peça não se encontra mais no cofre de Saunière? - indagou Fache.

     _O criminoso pode estar imaginando que a ampulheta esteja com alguém ligado ao Priorado de Sião. Esta entidade, como nos informaram, também é responsável pela proteção da mensagem. - comentou o auxiliar de Carpeggian.

     _Parece que esta realmente é a peça-chave do crime. Mas se existe algo, além da ampulheta, que Saunière quizesse esconder, com certeza ele deve ter mantido preservado em seu cofre. À menos que alguém entre o público saiba decorado o teor da mensagem. O que esteja escrito dentro da ampulheta. Se isto de fato for possível e se o responsável pelos disparos o reconhece, então é evidente que a intenção não seria assassinato, mas um meio de intimidar as pessoas envolvidas neste caso avisando sobre seu iminente ataque.

     _Se isto se evidenciar, então sabemos que o autor dos disparos é o mesmo assassino de Saunière. A intenção de matá-lo e colher informações de uma pessoa menos zeladora, faria com que o criminoso conseguisse informações com mais precisão. - comentou Sophie -

     _Será que temos um conhecedor da menssagem, um sucessor?

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 2

 

 

 

     Rue des Saussais, centro de supervisão da Diretoria Central da Polícia Judiciária de Paris, a DCPJ. Em um gabinete particular, de aproximadamente vinte metros quadrados, situado em local restrito para investigações especiais, demonstrava-se um painel decorativo diferente dos outros setores. Um ambiente de delicado trabalho, devido à muitas qualidades internas, deveria ser usado sempre em casos jurídicos. Um grande armário de ferro maciço banhado à bronze embutido na parede ao lado oposto da porta de entrada, era composto por várias gavetas que continham documentos secretos. Alguns espaços eram referentes à pessoas em processo de julgamento, e outros, específicos para armazenamento de relatórios e objetos de crimes. Foi em uma destas gavetas que o tenente Collet havia pego a peça-chave do crime no museu de arte moderna, o salão do Louvre,  cuja vítima teria sido o então ilustre Jacques Saunière. Sobre uma mesa retângular de cinco metros, estava a peça-chave, em um espaço entre o pequeno abajur preto de ponta côncava junto à um aparelho de telefone do século XIV e um empilhamento de arquivos em pastas de couro negro, junto à um microscópio pronto para análise criminal, Collet preparava-se para averiguação do objeto.

     _Não deveria ter usado o disfarce tão afinco senhorita Neveu. - comentou com a agente Sophie que estava assentada junto à mesa para acompanhá-lo na análise - Langdon se apoderou do depósito de Saunière em decorrência de grande perigo.

     Sophie havia usado uma falsa versão parentesca em relação à vítima para conquistar a confiança de Langdon levando-o ao exato local, que seria o objetivo do papiro no interior do criptéx, através da sua técnica de simbologia e criptografia. Antes de saberem a senha, muitas pistas deixadas por Saunière revelavam a real intenção da mensagem no papiro, que seria a busca pelo Graal. Nada se soube à respeito do que poderia ser tal coisa que foi denominada por aquela estranha palavra. Um epiceno ou talvez uma ambigüidade, se seria algo abstrato ou concreto, existente ou não, ainda era um estigma. Mas tudo indicava que o próximo passo após a revelação da mensagem seria a conquista desta existência.

      _Mesmo assim não consegui informações plausíveis para deteriorar a investigação.

     Virando-se atento sobre o objeto, Collet muda de assunto e indaga:

     _O que sabe à respeito deste criptéx?

     _A montagem do modelo parece ser atribuído à Da Vinci, ou pelos pioneiros da ciência criptológica. - disse ao tocar o objeto que estava posto sobre o centro da mesa em cima de um tapete de escrínio aveludado preto-avermelhado, dentro de uma caixa de um pequeno estofado maciço obtida pelo departamento - A idéia de que o críptex havia sido projetado pelo artista, ex Grão-Mestre da Ordem do Priorado de Sião, é um indício tentador de que isto esteja relacionado à um protetorado de Roma. Entre os Grão-Mestre do Priorado, achavam-se além de Leonardo da Vinci, o artista Botticelli, Sir Issac Newton, Victor Hugo e mais recentemente, Jean Cocteu, famoso artista parisiense. Provavelmente isto possa ser um dos segredos mais bem guardados da maçonaria desde o seu primórdio.

     O tenente curvou os lábios ao queixo em sinal de suspense, tomou o objeto das mãos de Sophie, e em seguida retirou uma lupa oito por quatro de 10,5 graus do bolso de blusa entre o suspensório. O invólucro continha cinco anéis de porcelana branca enfileirados paralelamente em uma espessura de aproximadamente dois centímetros. O conjunto formava quase doze centímetros, além das partes polares divididas entre um eixo ao outro por uma armação de bronze dourado em forma de cone achatado com uma miniatura circular na ponta. Uma outra pedra central, em formato de cunha, mantinha as outras estruturas bem sustentadas ao modelo. Os anéis possuíam uma seqüência de letras em ordem alfabética divididas em pequenos ladrilhos brancos. Na parte interior entre o eixo, o papiro era inserido em torno de uma delicada ampola de vidro.

     _O modelo interno funciona como uma catraca de bicicleta, possuí uma senha programável.

     _Interessante. - disse quando abriu uma das pontas revelando-se algumas armações de ferros em torno do eixo central que passava de uma ponta a outra servindo como suporte do papiro.

     _Os discos são precisos. - comentou -

     Cinco discos internos demarcavam as cinco seqüências que deveriam ser elaboradas em uma espécie de palavras cruzadas na ordem de cinco linhas e cinco colunas.

     _Estes discos permitem a abertura do objeto sem danificá-lo quando são alinhados na posição correta, desta forma a tranca se abre imediatamente.

     _O que havia dentro desta armação de ferro? - perguntou ao apontar uma armação de quatro pequenos ferros paralelos, o molde evidenciava o armazenamento de alguma outra coisa por dentro.

     _Um cilíndro de vidro delicado. - respondeu - O papiro é enrolado neste vidro afim de proteger a mensagem contra algum rompimento.

     _Não entendi?

     _O cilíndro possuía um líquido, um tipo de vinagre armazenado dentro do vidro. Se alguém tentasse abrir o cilíndro à força, a ampola se romperia imediatamente e o vinagre dissolveria todo o conteúdo do papiro. Isto impediu que conseguíssemos identificar o teor da mensagem. Nenhuma palavra pôde se identificar. - explicou após retirar o papiro completamente manchado devido a vazão do vinagre e postá-lo sobre a mesa -

     O tenente pegou o papiro atentamente e iniciou uma rápida checada com a lupa, movimentando-a precisamente de um lado ao outro tentava identificar algo que poderia estar nítido, mas nada pode ser detectado senão:

     _F-R-U-T-O? - no papiro notava-se excepcionalmente a palavra apple, embora um pouco rasurada, ainda era identificável.

     _Justamente. Um tipo de grampo de quase oito centímetros pregado na base do vidro, separado da estrutura por apenas alguns milímetros, protegeu a palavra enquanto os dados se dissolviam. O cilíndro possuía estes grampos para reter o papiro ao vidro, era uma espécie de alfinete, na verdade eram dois, um oposto ao outro, de modo que o papiro era inicialmente pregado no primeiro grampo da borda onde, obviamente, não havia nada escrito. Após quatro centímetros ao enrolar do papiro, novamente pregava-se sobre o grampo oposto, onde agora deduzimos ser a parte onde se conservou a palavra. Todo o tamanho do papiro em relação ao ângulo do pequeno tubo permitiu apenas uma volta de 360 graus.

     _Boa observação, a palavra se encontra quase no epicentro do papiro. Se tratando de uma senha, talvez esta palavra seja uma das medianas.

     _Havia cogitado na idéia de que a mensagem poderia representar um tipo de mapa. De acordo com a tradição, a fraternidade responsável havia criado um mapa que revelava o local exato onde se encontraria a última morada do maior segredo da fraternidade. Esta é uma das principais informações que consegui quanto à proteção do segredo do monasteiro. Esta proteção é um importante motivo da existência da fraternidade. Mas tratando de código, é provável que haja ainda um obstáculo, em que as palavras desta mensagem serviria como acesso, antes ou até encontrarmos a última morada.

     _A coincidência é muita, temos que investigar mais afinco este enigma.

     Após a observação, o tenente se desvia um pouco do assunto e inicia uma movimentação suave em busca da demarcação exata dos anéis. O primeiro anel alfabético foi movido lentamente até atingir o ladrilho compatível ao primeiro disco. As cinco palavras do alfabeto que foram adequadas aos cinco discos foram P-Q-R-S-T.

     _Cheque! - mostrou o objeto à Sophie - esta é a primeira seqüência da senha. - os discos possuíam cinco pontas finas de poucos milímetros em formato de alfinete. A medida que as colunas iam sendo acertadas os discos iam diminuindo a tranca de abertura.

     Empolgado começou a mover os anéis até quando o alfinete conseguisse subtrair um disco e surpreendentemente as colunas foram se formando. A segunda ordem seria A-B-C-D-E, a terceira P-Q-R-S-T, a quarta L-M-N-O-P, a quinta N-O-P-Q-R.

     _Impressionante, as seqüências do criptéx podem formar milhares de possibilidades. Estranho que as cinco colunas e as cinco linhas, tanto na diagonal quanto ao contrário, não parece evidenciar nenhuma palavra. A questão é, o que Saunière poderia ter usado como pistas para transmitir a senha correta?

     _Tudo que sei é que suas últimas mensagens foram escritas afim de encontra a clef de voûte, chave principal para abertura do cofre de Jacques Saunière, como lhe disse a vítima queria transferir a responsabilidade para o Priorado de Sião. Porém havia uma outra pista, com referência ao local onde se encontra o segredo, ou talvez, o local da última morada que também pode ser o mesmo lugar onde esteja o procurado Graal. Encontrei a primeira pista na caixa marchetada que continha o críptex e a outra, após a ruptura do cilíndro envolvida separada da mensagem principal. De modo que esta mensagem não estava posta ao vidro como o papiro. Ela foi exatamente inserida por fora para ser propositalmente preservada.

     Nada fora elucidado, as palavras surgiam de forma ambíguas e enigmáticas. A viajem à Londres operada pelo departamento na tentativa de encontra o lugar vendado pelas mensagens não parecia oferecer recursos para se efetuar a senha e nada que poderia revelar o segredo do críptex. As pistas através de símbolos místicos foram surgindo no decorrer da missão. Mas ainda um estigma perpetrava a sala de investigação da DCPJ.

     _Temos que saber o que Saunière queria transmitir com esta mensagem, novas vítimas poderão surgir. No dia do assassinato O diretor do Louvre e Jacques Saunière, tinham marcado um encontro com Langdon para um breve diálogo após a palestra. A reunião foi interrompida devido o ocorrido. Talvez Saunière tivesse a intenção em passar alguma informação importante.

     Sabendo-se que Langdon não fazia parte do priorado, ambos investigadores chegaram a conclusão de que a intenção em auxiliá-lo ao decifrar alguma mensagem codificada seria uma das principais causas do convite.

     _À propósito, onde se encontra a chave da conta de Saunière? - o tenente perguntou a Sophie.

     _Sinto muito tenente, não está comigo. Após conseguir o críptex permaneci todo momento apreensiva aos códigos, não conseguia destinar meus pensamentos senão ao objeto, o professor Langdon me auxiliva na análise da chave, a flor-de-liz, e acabei me desconcentrando sobre sua segurança. Agora ela se encontra sob o cuidado do professor, mas posso garantir que ela está em segurança.

     _Francamente Sophie, esta chave tem sido um dos principais motivos do crime, não podemos deixá-la nas mãos de alguém como o professor, ele pode correr risco de vida. A chave tem que ser devolvida ao banco até que consigamos através da emissão dos promotores o atestado de posse assinado por Jacques Saunière, deste modo saberemos quem tem o direito à posse do depósito.  

      O tenente um pouco incomodado com o que havia ocorrido rapidamente retira de sua cintura um walk-talking para acionar um guarda em um dos setores do departamento. Em seguida ordena:

     _Por favor oficial da guarda administrativa, chame o capitão Fache no interrogatório, quero que compareça à sala de análises.

     Rapidamente o guarda obedece a ordem. Na sala Sophie ainda explica:

     _Afinal, a mensagem marcado por Saunière ao seu lado antes de morrer ordena ao Priorado para que procurassem o professor Robert Langdon.

     _Langdon seria uma peça fundamental para interpretar os códigos, outras pistas deveriam haver neste jogo. Receio que ainda haja e talvez possa nos conduzir ao próximo local. Os outros enigmas para encontrar a provável localidade do Graal, é algo secundário, talvez seja pouco relevante para os interessados e não possuí tanto prestígio à estes procuradores. Isto é o motivo pelo qual os enigmas foram mais fáceis de serem encontrados, visto que para a descoberta do local haver algum sentido, esta mensagem do críptex deveria ser primeiramente revelada.

     Agora, tudo parecia fazer sentido. As primeiras mensagens deixadas por Saunière na forma de anagramas e a mensagem encontrada no invólucro, construía aos poucos um conflito entre o Priorado e a Opus-Day.

 

 

 

 

CAPÍTULO 3

 

 

Capitão Bezu Fache, homem de postura vigorosa, olhos frisados. Impressionava uma argilosa conduta moral pelo seu olhar inimigo. Estava pronto para admitir uma nova investigação policial em uma das salas do DCPJ. Inteiramente incumbido em concluir o relatório da equipe da Polícia Técnica e Científica relacionado à um misterioso crime que havia abalado as estruturas do departamento, um estigma que aderiu em risco a vida do criptográfico e professor de simbologia sistemática da Universidade de Harvad, Robert Langdon.

O capitão Bezu Fache em uma sala de vinte metros quadrados de paredes revestidas por um tecido aveludado cinzento em textura rústica. aguardava a vinda do réu ainda assentado sobre sua escrivaninha cromada de dois metros de largura iluminada por dois plafons de parede ao lado esquerdo acompanhado pela luz intensiva de duas luminárias no forro de teto. Um típico acessório instalado normalmente em todos os compartimentos administrativos. As lâmpadas do teto eram separadas exclusivamente por um ventilador de três lâminas que assoprava um brando vento refrescante, fazendo mover algumas alças dos documentos secretos postos sobre a mesa, tão-somente sustentados pelo peso de um insignificante grampeador compacto.

     Os principais documentos da investigação estavam reunidos entre outros envelopes sobre a mesa que continha as fotografias capturadas em diversos ângulos do local do crime. Ao lado esquerdo um pequeno abajur prateado com uma alça ponte-aguda em forma de cone envergado era usado para iluminar as principais pistas do crime escritas em uma mini-agenda. Poucos metros à seguir, na parede ao lado esquerdo, vindo pela porta de acesso à sala e do lado direito, conforme a posição frontal do capitão rumo à porta central, um guarda uniformizado com quepe, coldre e todo tipo de acessório militar, cruzava seus braços para traz e dirigia seu olhar fixo à uma parede lisa em sua frente onde estava posto um mural de um metro e trinta centímetros de altura por dois de largura. O acessório servia comumente para destacar o agendamento de investigação e consultas, alguns relatórios eram exibidos à medida que novos casos surgiam. O segurança em todo momento alarmado, permanecia imóvel à espera do réu. Do lado direito da porta em que se encostava, rente a alça de abertura, obstruía a entrada contra outros funcionários. Sobre a abóbada superior da porta uma plaqueta branco-transparente descrevia em francês sobre o ambiente de trabalho. Um outro militar procedia do mesmo modo na porta de acesso central, permanecia encostado na parede do lado direito da armação. A porta estava exatamente localizada à frente do capitão.

     O antigo assoalho áspero, possuía algumas rachadura em alguns cantos. Estranhas marcas que reverberava as lembranças de prisioneiros rebeldes na época da tirania fascista. Episódios decorrentes de militares cruéis. Usavam torturas para obrigarem os suspeitos a revelar seus segredos. Agora o assoalho era completamente revestido por um imenso tapete negro sintético. As duas portas eram, esquematicamente, idênticas. Entre a alça da porta e a parte superior, uma placa látex transparente com auto-relevos salpicantes possibilitava avistar-se, pelo lado externo, apenas um terço do que existia no interior do interrogatório em vice-verso. Da mesma forma Fache observava a placa em busca do militar incumbido em trazer a pessoa intimada, o suspeito seria o presidente do Banco de Custódia de Zurique, André Vernet.

     Localizado na rua Haxo, a filial é também um departamento suntuoso. As paredes externas, em quase todo local, consistia em uma arquitetura retângular desprovida de janelas. O metal maciço que forjava os limites do prédio dava destaque. Os ladrilhos eram forrados por uma cruz cintilante de quatro metros no frontispício de acesso principal. O Banco de Custódia funcionava 24 horas, conforme a tradição das contas numeradas suíças. Os cofres guardavam fortunas com toda série moderna de produtos anônimos. O local estaria envolvido na investigação de Fache, devido a atuação do professor Langdon e da aluna de criptografia, Sophie Neveu.

     Inicialmente ambos saíram em busca de um depósito armazenado por Jacques Saunière, o assassinado. Este contraste coincidiu com a saída inesperada da dupla em um dos principais museus de arte moderna da França, o Louvre. Sem receber explicações à respeito da busca, Fache manteve a razão em procurá-los e irredutivelmente incriminá-los como suspeitos do crime. Em todo percurso da dupla, Fache se manteve insistente, os perseguiu em vários caminhos, que para os investigadores criptográficos, representavam importantes pistas dirigidas pelo então falecido Saunière na busca do Graau. Não desistiu facilmente, embora o casal houvesse se inocentado à respeito do crime, Fache conseguiu provas legítimas e naquele momento, o sufíciente para concluir as investigações do caso no Louvre.

     Na sala de interrogatório, finalmente os primeiros vestígios começaram a surgir na placa transparente da porta. Uma penumbra se movia lentamente em direção à sala. Fache juntou os dedos das mãos postos sobre a escrivaninha e se moveu para frente à espera de Vernet. Seu olhar arteiro aguçava-se em direção à porta, seu queixo rente ao peito lhe dava uma aparência sombria. O militar se aproximou, abriu a porta com cuidado.

     _Monsieur, permisso. - pediu permissão ao mesmo tempo em que escancarava a porta para a entrada do réu.

     _Assente-se por favor, - direcionou a mão extendida para a cadeira posta em frente a escrivaninha.

     O presidente do Banco de Custódia, vestia blaizer preto e uma blusa de seda social lisa desabotoada, portava normalmente seus objetos valiosos, não estava detido, porém foi intimado pela polícia à poucas horas atrás. Andou livremente alguns passos em direção a cadeira e se acomodou.

     _Em que posso ser útil?

     O capitão com olhar obliquo realizou uma pausa, sua boca parecia inquieta, os nervos se removiam. Colocou uma nota de 20 dólares na mesa e prosseguiu:

     _Pelo Rolex! - ofereceu ao retirar a nota do bolso e colocá-la sobre a mesa.

     O Rolex era a marca ofícial do relógio prateado usado por Vernet naquele momento. O motivo por terem o suspeitado seria uma eventual fulga do Banco de Custódia, local onde o réu possuía o posto de presidente. Dois dias atrás, Vernet havia saído do banco em um carro-forte com Langdon e Shophie a bordo na carroceria. Antes de serem inocentados, a polícia estava posicionada no local de saída em sinal de apreensão para detê-los. O presidente queria, de certa forma, ajudá-los à saírem sem serem notados. Preferiu encontrar espaço adequado para ouvir os argumentos para se justificarem do bloqueio policial. Ambos não aparentavam ser culpados, Vernet já conhecia o professor através da mídia.

     Naquela noite, Vernet assumiu o dever em oferecer transporte seguro que era um dos serviços privilegiado do Banco. Quando chegaram ao acesso de carga e descarga nos fundos do prédio, tendo visto as luzes dos carros de polícia refletidas pelo lado de fora, próximo a garagem subterrânea, e completamente impedido de sair livremente pela rampa devido o Bloqueio, Vernet atravessou o terminal de cargas e retornou ao seu escritório para vestir um disfarce. Estava realmente convencido de que o casal era inocente. De fato o disfarce foi útil para saírem sem serem notados, todavia, o relógio Rolex pode ser lembrado pelo tenente Collet.

     _Sinceramente, não sei do que está falando. - Vernet se espantou pela proposta, rejeitou por um momento sua lembrança inesperada na saída do Banco de Custódia, mas sabia que àquela altura o detetive já tinha o conhecimento sobre sua responsabilidade, quando transportou Langdon e Sophie na carroceria do carro-forte para fora do banco.

     _Sabemos que usou o carro-forte para acobertar os fugitivos, e que o carro foi roubado após transportar o casal.

     _Quanto à saída do Banco pelo carro-forte, não posso mudar meu dever. A ordem é sempre zelar pela saída de qualquer objeto valioso depositado nos cofres junto ao seu responsável. - se justificou apreensivo.

     _Mesmo sabendo que eram suspeitos do crime no Louvre?

     _Escute capitão Fache, - disse ao admirar uma pequena placa preta de letras brancas de identificação pessoal posta sobre a mesa - Saunière era muito meu amigo, sei que se trata de uma pessoa muito diligente, não entregaria as chaves da sua conta no banco nas mãos de qualquer pessoa. O professor Robert Langdon, se identificou precisamente com legítima carteira de identificação pessoal. Embora um dos vigilantes houvesse acionado a Interpol, preferi manter o casal sob meu cuidado. Não soube como conseguiram a retirada do objeto no cofre, estava ausente no momento, mas sabia que o código estava em mãos inocente. Estava seguro pela identificação da agente Sophie Neveu como criptóloga da polícia judiciária, confiei mais em seu perfíl investigatívo do que em sua relação familiar com Saunière.

     _Sobre como o cofre foi aberto posso lhe dizer que Saunière informou o código antes de morrer. – explicou Fache - Estava livremente escrito ao lado do seu corpo jazido junto com outras mensagens codificadas - deduziu ao relacionar o saque do depósito daquela noite com os números deixados pelo curador antes de morre - Os números seriam uma espécie de progressão aritimética conhecida como seqüência de Fibonacce, continha oito unidades. Certamente Saunière queria informar sua senha à alguém especialista. Esta foi uma das razões pelo qual o professor foi inocentado.

     _O cofre permite somente dez dígitos. – indagou.

     _Mas havia duas dezena, portanto, dez números. À princípio anotei os números e a mensagem, porém não imaginava que se tratava da senha do seu cofre. - declarou ele, indicando o papel na mão.

     _Um dos seguranças do Louvre, Grouard, antes da fulga do casal, afirmou ter observado algum objeto metálico com um dos fugitivos. O segurança supôs que o objeto seria uma espécie de chave arcáica, evidentemente, a mesma do cofre. Ao relatar sobre a chave da conta, presumo literalmente que este objeto seja a principal peça do jogo.

     _Sem dúvida capitão. O primeiro passo para se efetuar a senha é a chave do cofre. O objeto se parece com um crucifixo, é tecnicamente trabalhado a laser, possui uma haste na ponta de forma triangular que sai de modo prismático, impossível de ser decodificado para muitos. O modelo se parece com a flor-de-liz, mas é uma figura moldada similar à um dos signos francês. Os hexágonos são lidos por um sensor óptico e o computador imediatamente faz a transcrição infra-vermelha.

     Vernet não conseguia assimilar a intimação com a interrogação do capitão, algo parecia ainda incriminá-lo. A chave era uma conta numerada suíça que costuma passar em testamento por gerações. O depósito podia estar em patrimônio único durante cinquenta anos, após este período sempre ocorria a transferência. Ainda que não houvesse acreditado afinco na versão de Sophie, assegurou-se da intenção de Saunière em passar o código para a proteção da polícia. E agora a senha emitida em código evidenciava a interpretação de Vernet.

     _Não sei porque ainda insiste, Saunière parecia não possuir herdeiros, o que ainda o preocupa? - perguntou Vernet.

     _Naquela noite em que saiu disfarçado persuadiu o tenente Collet de que seguiria ao St. Thurial, de que as chaves do compartimento do carro já estavam encaminhadas e de que comprara o relógio em St. Germain-des-Près em uma camelô barato. Todos estes argumentos serviram para acobertar-los na saída. Entretanto não temos conhecimentos esclarecidos sobre o pertence de Saunière, como permitiu escapar?

     _Não queria trazer problemas ao meu banco, segui ao St. Thurial afim de encontrar conveniência aos dois para esclarecerem sobre o incidente. Não tive tempo em identificar que tipo de objeto seria o depósito de Saunière que foi levado por Langdon. Estava ciente do perigo em acobertá-los, mas preocupado em sair sem ser importunado pela polícia. Por um certo tempo acabei me esquecendo do objeto. Porém, em alguns quilômetros adiante escutei as notícias emitidas pelo rádio sobre três crimes ocorridos naquela noite, me alarmei ao ser notificado sobre a procuração da polícia, senti um mau pressentimento, me recordei do saque no cofre, deduzi a preeminente ameaça ao protegê-los, tinha que resgatar o pertence de Saunière.

     _Como permitiu que escapassem?

     _No mesmo momento estacionei o carro tomei minha pistola para recuperar o objeto. Ainda que o crime não estivesse relacionado aos dois, continuei pensando em proteger o pertence do meu cliente. Antes que arranjassem explicações retomei o objeto, não o recordo nitidamente, bem sabia que era um pequeno tubo dourado de aproximadamente cinquenta centímetros, no primeiro momento pensei que fosse uma espécie de cadeado, muitos códigos haviam sobre os anéis que o contornava.

     _Qual era a cor principal? – interrompeu.

     _Branco.

     _Prossiga. - ao mesmo tempo fazia algumas anotações na agenda ao lado, era o objeto que Langdon portava, pensou -

     _Não sabia como a chave e a senha da conta teria sido descoberta, mas parecia evidente que algum dos dois estava incumbido em uma eventual investigação. O crime coincidiu com os princípios das minhas reflexões. A autêntica identificação da agente Neveu era compatível à minha proteção e sabia que Langdon jamais usaria suas técnicas criptográficas com relação ao crime. Antes que recuperasse a ampulheta tive que disparar um tiro alheio para intimidá-los, pareciam inquietos com a investigação. Mas fui surpreendido quando Langdon reagiu. Não consegui trancar as portas traseiras, isto permitiu tempo para que o professor reagisse. As portas se abriram instantaneamente contra meu corpo, a arma foi lançada ao esmo. Permaneci em estado de choque, a reação da dupla parecia desconsiderar a confiança que lhes oferecia. Em seguida fugiram com o carro, isto não alterou meu ponto de vista, fiquei espantado, mas sabia que aquilo se tratava de uma literal ambição enigmática de Langdon, contudo, informei a polícia sobre o incidente. O transponder como tecnologia de rastreamento digital instalado nos chassis dos carros permitiu que a localização dos fugitivos fosse feita acerca de 40 km do Banco.

     O capitão aos poucos conseguia abrir caminhos para uma investigação colateral.

     _Diga-me mais à respeito do serviço bancário.

     _O serviço de custódia por código-fontes são operados pelo sistema computadorizado, fazemos backup digitalizado para anônimos. Os clientes que desejam depositar qualquer objeto de valor, desde ações e peças valiosas, podem fazê-lo anonimamente através de uma série progressiva de privacidade de alta tecnologia. Isto permite o saque em qualquer tempo.

     _Deveria ter permitido o acesso da polícia, os assassinatos estão diretamente apontados ao depósito de Saunière. Tenho relatos de que um grupo secreto ainda insiste em conquistar este depósito. À princípio imaginei que fosse algo ligado à ações, dinheiro, algum tipo de pacote financeiro. A polícia conseguiu recuperar esta ampulheta, foi reconhecida pelos meus agentes como ampulheta ou críptex, ainda não conseguiram identificar o que havia no interior dos códigos, estava completamente vazia.

     _Sinto muito. Os depósitos são inteiramente protegidos da inspeção da polícia segundo as leis de privacidade.

     Aquele argumento parecia surgir de uma nobreza ignorante do serviço do Banco de Custódia de Zurique, de fato o ocorrido não podia estar relacionado ao crime. Antes disto, o casal havia se justificado quando Leigh Teabeing, um dos principais suspeitos e mandantes do crime, fora detido em uma insignificante tentativa em conquistar o objeto.

     _Quero ainda lhe fazer a última pergunta. Sabe o que poderia conter o interior do criptéx, se é que havia algo?

     _O críptex, é um recipiente portátil capaz de proteger documentos de qualquer espécie, só o indivíduo portador da senha é capaz de acessá-las, não tenho certeza se havia algo, mas com as pistas de Saunière é provável que haja algo importante ainda intácto. Se o rompimento do lacre se deu por conta de um acidente talvez haja algum registro, penso que Langdon não intentaria abri-lo à força.

     O criptéx não poderia estar vazio, Fache concordou. 

     _Bem, como sabe, o carro-forte roubado já foi recuperado e se encontra na garagem da delegacia. O casal pagará multa por violação. Nossos agentes o acompanhará até o local. Realmente estava com a razão. Nada do que havia na carga foi roubado. - levantou-se imediatamente com as mãos estendidas em sinal de despedida - Obrigado senhor Vernet. - despediu-o.

     O segundo guarda que havia acompanhado o réu rapidamente se move em direção a porta para abri-la, o primeiro guarda apoiado sobre o lado esquerdo da porta se retira primeiro, Vernet o acompanha após receber o sinal de ida feito com a mão pelo guarda que ao se despedir fechou a porta. O último guarda protegendo a porta de acesso aos corredores do departamento interno se retira em seguida ao se despedir. Por alguns segundos o capitão permaneceu inquieto, com sua mão apoiada sobre a fronte tentava refletir sobre as palavras de Vernet. Talvez o crimonoso pense que o críptex esteja sob o cuidado do professor, Idangou. Alguns toques na porta o levou à um sobressalto, o capitão ordena a entrada, era o guarda de segurança interna.

     _O que deseja?

     _Monsieur permisso, o tenente Collet urgente lhe ordena à comparecer à sala de análises. - o guarda rapidamente se retira, Fache indagou sobre o que poderia ser, mas se sobressaiu por imediato.

     O capitão andava sobre o corredor principal rumo à sala de análise. Muitos escritórios aos lados eram ocupados por policiais, detetives, investigadores e toda equipe do departamento judiciário. Um som intermitente de telefone vibrava pelo interior da extensa sala em cuja parede se estendiam as principais luminárias de luzes fluorescentes, em alguns cantos, as arandelas, nos arredores as imensas janelas de quase três metros de armação cromada. Algumas abertas, outras fechadas por cortinas-persianas, a maioria de vidro fumê, todo o departamento parecia esconder incríveis mistérios. Os escritórios semi-abertos eram ocupados pelos agentes, nas mesas, pilhagens de jornais, notas e documentos, o som das vozes se alastrava por toda parte, os guardas fardados da segurança interna transitavam de um lado ao outro, ativos em todos instantes. Pouco antes de chegar, o capitão Fache é despertado por uma voz feminina.

     _Capitão Fache! - Sophie o chamou ao passar por um corredor próximo sem percebê-la

     _Pois não. - o capitão parou a procura do alvo, moveu o rosto com o semblante intimador e distraído, a observou com um olhar fixo.

     _Péssima tentativa em envolver a polícia ao meu encalço, me perseguiram medíocres, como tolos.

     _Não Sophie. Como abutres atrás da carniça... Neveu Saunière. - se afobou movendo-se para mais perto de sua companheira de trabalho dizendo palavras em um tom relativamente baixo. Encarou-a com olhar petulante demonstrando que sua atitude em relação ao disfarce teria sido repugnante e retornou em sua postura inicial. Naquele momento queria dizer indiretamente à respeito da atitude de Sophie ao relatar sobre sua falsa relação com Saunière - Como eu poderia permitir que encontrasse o local sem a presença de um representante? - Fache havia permitido que o tenente acionasse a polícia atrás do casal.

     _Este criminoso é muito ágil capitão Fache. - Shophie franziu o rosto - Eu sou representante.- afirmou.

     _Definitivamente, estou admirado com sua tentativa em conseguir um... cachê? - comentou ao mover o olho esquerdo com o semblante aparentemente simpático ao provar sobre a real intenção da agente em conseguir uma promoção financeira ou um cargo policial de nível superior pela honra da investigação.

     _Tudo é valido capitão. - confirmou-se com a idéia captada.    

     O capitão a encarou por alguns seguntos e logo partiu para a sala de análises, Sophie lançou um sorriso sarcástico. Ambos faziam uma competição indireta ao se dedicarem à investigação.

 

 

 

 

CAPÍTULO 4     

 

 

     Dentro da sala interior estava o tenente ainda perplexo com o objeto encontrado após as procurações. O barulho dos toques sobre a porta o faz esconder rapidamente o objeto dentro de uma gaveta posta ao lado da mesa, em seguida ele ordena:

     _Entre! - era o seu convidado, o capitão.

     _Monseiur permisso, mandou chamar-me?

     _Sim, tenho uma missão. Assente-se por favor. - estendeu sua mão lhe oferecendo lugar.

     _Pois não. - replicou -

     _O professor Robert Langdon corre perigo. A chave do cofre de Saunière se encontra em sua posse, temos que reter a chave no departamento e devolvê-la ao proprietário do Banco.

     _Acabei de interrogá-lo, a polícia não tem permissão para averiguar o local.

     _E nem se tivéssemos capitão. Primeiro temos que saber sobre a ordem dos promotores em examinarmos os dossiês de possessão de Jacques Saunière. Entre estes arquivos podemos encontrar o atestado hereditário que nos permitirá encontrar o sucessor legítimo para se apoderar do depósito. Mandei imprimir uma procuração, estabeleço um prazo de setenta e duas horas para o entregar esta intimação. - Ele o transfere uma carta branca.

     _Às suas ordens tenente, estarei precavido à qualquer pista. - Ele se levanta disposto e se despede.

     À tarde em seu apartamento, Fache, que já havia sido dispensado do seu ofício no departamento algumas horas antes, agora tentava encontrar espaço para realizar sob sua própria base, algum método para acompanhar a investigação do caso ordenado pelo tenente operacional. Alguma pista poderia ser desencadeada por intermédio do professor de criptologia, que por sinal, enquadrava-se exatamente em um dos principais personagens relacionados ao crime. Sua inocência, ainda pendente, parecia apontar com predominância, à um ato justo em auxiliar a investigação por parte da agente Neveu, que por outra instância, se encontrava em posição distinta aos outros agentes envolvidos, alguns oriundos do próprio departamento judíciario, outros, como a agente Neveu, pertinente ao setor de investigação homicida, e poucos da diretoria regional. Porém todos, agora se dissolviam em um único alvo, o indutor e responsável pelos assassinatos em busca do depósito guardado ou em busca de algum tipo de revelação ligado aos símbolos secretos. À técnica de Langdon e sua perícia, contribuiria com muitos na atividade de busca. Este definitivamente tornou-se um dos alvos principais.

     Em sua sala, Fache toma o último gole de água, posto sobre um copo de vidro cristalino maciço impresso na forma de uma figura decalcada branca. A imagem exibia uma das principais paisagens de paris, a torre Eiffel e o seu arredor. Ao lado da mesa posta sobre o centro da sala de estar estava um móvel de aço exportado em tom prateado com estantes de vidros paralelos. Em uma delas, ao lado de um arranjo de flores-orquídeas artificiais, em um tom vinhedo-seco postas sobre uma aspiral de Versalhes, estava a chave da viatura de polícia fornecida pelo departamento, prioritariamente usado pelo capitão em suas missões secundárias. Do lado do móvel forrado à uma placa de madeira celada por um acrílico mogno encontrava-se o principal aparelho que seria útil ao agente.

Uma bolsa sansonight preta sustentada por uma correia posta de lado possuía três bolsos de zipper's largos. Apressadamente o agente toma a carta para pôr sobre o primeiro bolso. Os movimentos eram rápidos, o endereço que indicava o local onde o professor provavelmente estaria, pôde ser conquistado sem muitas dificuldades. A presença do professor no local era incerto, não havia contato pelo telefone, Fache queria captar todo a transição de saída e entrada no hotel onde o indicado estava hospedado. Uma observação seria feita antes de lhe entregar a carta de intimação. Alguma peça importante poderia surgir com esta procuração dirigida pelo tenente. Algo que completasse os indícios, ao revés de toda situação, uma pista poderia ser letal.

Quase desatento o capitão fecha o segundo zipper, tudo estava aparentemente pronto, olhando para todo o ambiente tentava se assegurar da saída, era quase por do sol, a noite era breve. Quando mirou seus olhos ao móvel, ao lado de uma aparelho de rádio sob cinco caixas inferiores de som acústico, finalmente identificou seu binóculo para visão noturna RD30 rednight, ele se aproxima do móvel rapidamente e o põe sobre o último bolso ao lado de alguns artigos de jornal que dizia à respeito do crime. Ele se retira sorrateiramente em direção ao afamado e imperativo, Hotel Ritz.

    

 

 

 

CAPÍTULO 5

 

 

 

 

      Robert Langdon despertou sobressaltado, tivera um estranho sonho. No roupão de banho ao lado de sua cama estava bordado o monograma Hotel Ritz Paris. Saindo da cama, foi até o boxe de mármore. Ao entrar, deixou os potentes jatos de água massagearem-lhe os ombros. Mesmo assim, o pensamento ainda o fascinava.

#Do lado de fora a viatura da polícia se aproximava à uns quinhentos metros de distância, no banco do motorista o capitão Fache aproveita a luz vermelha sinalizado pelo semáforo para conferir o endereço do hotel em um bloco de anotações posto em um dos quatro bolsos externos do paletó de tecido Jeans pardo de tom claro, é a próxima rua, pensou. Novamente engata a marcha rumo à rua principal, em pouco tempo o carro alcançou o quarteirão onde estava localizado o prédio. Poucos metros de distância e o capitão decide estacionar, sua intenção em não ser percebido por alguém poderia abrir uma nova oportunidade para conseguir flagrar algum tipo de movimento suspeito.

Provavelmente Langdon estivesse sendo perseguido, ou possuísse algum informante anônimo como pensava o capitão, mas a prevenção de Fache em agir de modo discreto não poderia coincidir com a suposta acusação. Preferiu esperar pelo pôr-do-sol, e acomodou-se no local como se não estivesse em serviço. A noite estava perto em chegar, não demoraria por mais de trinta minutos. Fache ainda recebia informações pelo rádio-transmissor do departamento de polícia, isto era sempre uma obrigação dos oficiais quando em serviço. Talvez Langdon não o tenha dado motivo suficiente para muita desconfiança, mas Fache preferiu desligar o rádio-transmissor após escutar as principais informações transmitidas das áreas adjacentes, realmente não queria causar nenhum impacto suspeito.

     Tudo parecia normal, as pessoas iam e vinham pela entrada principal do prédio. A entrada do hall social, em cujo teto havia um enorme côncavo de vidros amarelos e transparentes sustentados por uma armação de ferro, exibia uma fachada atraente formada pelos contornos verdes dos pequenos jardins ao redor. A bela vista emoldurada pelo painel revestido de nogueira, deixava a primeira impressão do luxo interno. Embora ainda houvesse uma pequena camada caótica de reflexo da luz crepuscular, o capitão aciona o binóculo de visão noturna, mirando ao hall. Começou a admirar a fachada central. O prédio exercia um modelo sofisticado, totalmente decorado por uma cultura genuína, própria dos franceses. A arquitetura de cada sacada triangular fazia empilhamentos artísticos. 

     Fache novamente retira do seu bolso o bloco, um tipo de agenda onde havia anotado as principais pistas do caso. Ele observa o número do apartamento, e apontando o dedo ao prédio tentava identificar qual seria o apartamento onde Langdon estaria hospedado. Quando a noite chegasse, sua decisão seria ir em busca de mais informações à respeito das atividades de Langdon através da recepcionista, mas antes, queria flagrar os movimentos no quarto interno. A contagem dos números do prédio relacionado ao número anotado no bloco não se coincidiam, o quarto estava definitivamente desocupado. Não pode ser, pensou o capitão com absoluta certeza de que o professor ainda estava hospedado e que não havia saído naquele intervalo. Uma ligação à recepcionista fora feita antes da sua saída do Departamento Judiciário, era quase impossível não encontrá-lo. Apesar de não ter absorvido informações mais precisa, conseguiu assegurar-se de que aquele era o local.

     Os minutos passaram rápidos, a noite chega em um clima agradável de céu aberto. Fache toma seu binóculo e atentamente começa a observar o quarto, realmente não havia nenhum sinal de hospedes. Receoso conferiu mais uma vez o número do quarto, mas nada fora detectado, instintivamente, ele inicia uma contagem incluindo o piso onde estaria localizado o lobby bar e o foyer, além da recepção. A contagem desde o primeiro terraço agora foi convertida pela localização direta do quarto de Langdon, o capitão se move com mais precisão, o professor parecia trocar de roupa, o red-night do binóculo para visão noturna é ativado. As imagens eram precisas, Langdon parecia estar de saída à algum lugar especial, talvez um restaurante, indagou Fache. #

     Vinte minutos depois, Langdon saiu do hotel Hitz para a Place Vendôme. Caía a noite. Prometera a si mesmo que pararia no restaurante do hotel e tomaria um café com leite para clarear as idéias, mas em vez disso, suas pernas o levaram direto pela porta da frente até a noite de Paris que se avizinhava. Caminhando para o leste na Rua des Petits Champs, Langdon sentiu uma animação cada vez maior. Dobrou para o sul, na Rue Richelieu, onde o ar ficava adocicado devido ao aroma de flores de jasmim dos imponentes jardins do Palais Royal.

     Continuou rumo ao sul até avistar o que procurava, a famosa arcada real, um espaço reluzente de lustroso mármore negro. Subindo nela, Langdon examinou a superfície sob seus pés. Observou vários medalhões de bronze engastados no chão, em uma linha perfeitamente reta. Virou para o sul, deixando os olhos traçarem a extensão da linha formada pelos medalhões. Começou a andar outra vez, seguindo a trilha, observando a calçada enquanto se deslocava. Quando atravessou a esquina da Comédie-Française, mais uma peça passou sob seus pés. As ruas de Paris, como Langdon descobrira anos antes, eram adornadas por 135 desses marcadores de bronze, engastados nas calçadas, pátios e ruas, formando um eixo norte-sul através da cidade. Uma vez, ele seguira a linha de Sacré-Coeur para o norte através do Sena, até chegar ao Observatório de Paris. Ali, descobriu a importância do caminho sagrado que a linha demarcava.

     O primeiro meridiano original da Terra, a primeira longitude zero do mundo, a antiga Linha Rosa de Paris. Agora, Langdon, atravessando apressado a Rue de Rivoli, sabia que seu destino estava próximo. A menos de um quarteirão de distância.

     Abaixo da antiga Roslin ' stá o Graal.

     As revelações agora chegavam em ondas.

     _Será por isso que Saunière queria falar comigo? Será que eu, sem querer, descobri a verdade?

     Começou a correr, sentindo a Linha Rosa sob seus pés guiando-o, para seu destino. Quando entrou no longo túnel da Passagem Richelieu, os cabelos de sua nuca começaram a arrepiar-se de ansiedade. Sabia que no fim daquele túnel ficava o mais misterioso dos monumentos de Paris, concebido e encomendado na década de 1980 pela própria Esfinge, François Mitterrand, um homem que, segundo se dizia, freqüentava sociedades secretas, um homem cujo legado final a Paris foi o local que Langdon visitara apenas alguns dias antes.

     Com um último assomo de energia, Langdon passou do túnel para o pátio conhecido e parou. Sem fôlego, ergueu o olhar, lentamente, incrédulo, para a estrutura reluzente que tinha diante de si, a pirâmide do Louvre. Cintilando na escuridão.

     Admirou-a apenas um momento. Estava mais interessado no que se encontrava à sua direita. Nessa direção, sentiu seus pés voltarem a trilhar o caminho invisível da antiga Linha Rosa, que o levava através do pátio até o Carrousel du Louvre, o enorme círculo de grama cercado por uma moldura de sebes muito bem podadas e que antes havia sido o local dos festivais primitivos de Paris em louvor da natureza, ritos entusiásticos para comemorar a fertilidade e a deusa.

     Langdon sentiu-se como se estivesse entrando em outro mundo quando passou sobre os arbustos e pisou na grama do interior do círculo. Esse chão sagrado agora se encontrava por um dos monumentos mais originais da cidade. Ali no centro, mergulhando na terra como um abismo de cristal, abria-se a gigantesca pirâmide invertida de vidro que ele havia visto algumas noites antes ao entrar no mezanino subterrâneo do Louvre.

     Trêmulo, Langdon Caminhou até a borda do abismo de vidro e espiou lá embaixo o complexo subterrâneo do Louvre, inundado por uma luz amarelo-âmbar. Seus olhos examinaram não só a gigantesca pirâmide invertida, mas o que ficava imediatamente abaixo dela. Ali, no piso da câmara inferior, havia uma minúscula estrutura.

     Langdon estava inteiramente desperto agora, tomado por calafrios diante da impensável possibilidade. Erguendo seus olhos outra vez para o Louvre, sentiu que as imensas asas do museu o envolviam, corredores repletos das mais belas obras de arte do mundo.

     Da vinci, Bollitelli...

     Pela arte dos grandes mestres velada jaz.

     Maravilhado, tornou a examinar o subsolo através do vidro, concentrando-se na minúscula estrutura de dentro. Saindo do círculo, atravessou correndo o pátio rumo à entrada da pirâmide gigantesca do Louvre. Os últimos visitantes do dia estavam saindo pouco a pouco do museu. Passando pela porta giratória, Langdon desceu a escadaria curva, penetrando na pirâmide. Sentiu o ar ficar mais frio. Quando chegou ao fundo, entrou no longo túnel que se estendia sob o pátio do Louvre, voltando até a Pirâmide Invertida. Ao fim do túnel, saiu em uma câmara maior. Diretamente diante dele, pendente, cintilava a pirâmide invertida moldado em vidro, o cálice, pensou.

     Os olhos de Langdon acompanharam os lados do vê até o ápice da pirâmide, suspenso a apenas um metro e oitenta acima do assoalho. Ali, diretamente abaixo dela, encontrava-se a minúscula estrutura. Uma pirâmide em miniatura. Com apenas noventa centímetros de altura. A única estrutura naquele complexo colossal que havia sido construída em pequena escala. Enquanto debatia o complexo acervo do Louvre que tinha como tema a deusa, havia feito uma observação de passagem sobre essa modesta pirâmide. "A minúscula estrutura brota do assoalho como se fosse a ponta de um iceberg, o ápice de uma cripta imensa, piramidal, submersa sob ela como uma câmara oculta".

     Iluminadas pelas suaves luzes do mezanino deserto, as duas pirâmides apontavam uma para a outra, seus corpos perfeitamente alinhados, seus ápices quase se tocando.

     Lâm'na e cálice guardam-lhe o portal.

     Ele estava de pé sob a antiga Linha Rosa, cercado pelas obras de mestres. Que lugar seria melhor para Saunière vigiá-lo?, pensou. Agora, por fim, entendia o verdadeiro significado do poema do Grão-Mestre. Erguendo os olhos para o alto, contemplou, através do vidro, um céu noturno glorioso, todo estrelado.

     Sob estrelado céu descansa em paz.

 

    

CAPÍTULO 6

 

 

Toda a repercussão havia lhe entregado uma breve certeza de que aquele era o lugar exato. Apesar de sua resistência, nada que realçasse a busca poderia surgir em prol de sua esperança. Todos os sinais pareciam se restringir ao mesmo lugar de onde conseguira as primeiras pistas, no interior do museu onde houve o assassinato e do lado de fora, onde repousava o grande monumento. O caso parecia redundante, sua conclusão quanto a real influência do Graal estava perto em se limitar sobre aquele regimento demarcado próximo a grande pirâmide. O trabalho de Saunière poderia ser um dos motivos incógnitos à respeito da proteção do Graal.

     Como os murmúrios de espíritos na escuridão, palavras esquecidas ecoaram. A busca pelo Santo Graal é a busca para se ajoelhar diante dos ossos de Maria Madalena. Uma jornada para orar aos pés da exilada. Com um súbito transbordamento de reverência, Robert Langdon caiu de joelhos. Por um momento, pensou ter ouvido uma voz feminina sussurrando, vindo do seio da terra. #

     _Robert Langdon!

     O professor retornou de um êxtase passageiro. Agora, uma voz surgia de repente, à medida que sua consciência retornava ao seu estado natural, a voz se convertia em um sussurro de tom grave.

     _Langdon...

     Em fim, ele assimila a voz masculina com a presença de alguém inesperada. Ainda ajoelhado virou-se lentamente para trás de de onde veio a súbita imagem do assombroso capitão Bezu Fache. Em compostura inerte o apontava tão-somente um distintivo gravado sobre sua carteira de couro negro que exibia o brasão do Departamento Judiciário.

     _Capitão? - No mesmo instante apoiou sua mão sobre o joelho curvado pronto para se destacar e virou-se lentamente contra o agente e estendeu sua mão para o cumprimentá-lo.

     _Boa noite capitão Fache, em que posso serví-lo? - o capitão ainda calado lhe fixou com um rude olhar e no mesmo instante colocou a carteira de volta ao bolso da calça.

      Fache retira rapidamente do bolso interno o mandado. Um envelope branco selado armazenava a intimação contra o professor para um importante depoimento requerido pelos promotores. Em seguida coloca sobre as mãos de Langdon ainda com o braço estendido ignorando a saudação.

     _Deverá comparecer ao departamento para esclarecimento do caso em um prazo de setenta e duas horas.

     Langdon pega a carta surpreso.

     _Posso saber sobre o que se trata?

     _Sobre sua relação com Jacques Saunière e o Priorado de Sião.

     Se aliviou ao receber o aviso, talvez tratasse de uma acusação séria ou sobre algum outro incidente constrangedor. Ele pega o envelope para o pôr no bolso, mas preferiu se silenciar quanto aos argumentos de defesa, queria guardar suas palavras justificativas para o próximo depoimento. O capitão permanecia imóvel admirando-o com um olhar austero, Langdon permaneceu durante alguns segundos, sua pouca preocupação não o impeliu à redargüir sobre os detalhes da promotoria. A aparição de Fache lhe pareceu estranha, mas deduziu por si mesmo que ele estava sendo vigiado desde o momento de sua saída. Nada estava concreto para um eventual debate entre ambos, muita dúvida permanecia pendente, a reação do capitão parecia provar que ainda havia algo à relatar, um revés além da intimação ou uma pergunta particular. O professou se manifesta:

_Obrigado capitão, estarei disponível. – ainda sem entender moveu sua mão ao esmo como estivesse a concluir o encontro, mas pensando em saber sobre como o capitão havia surgido Langdon pergunta:

_À propósito, como me encontrou aqui?

_O acompanhei com a viatura enquanto andava pelas ruas. Apenas facilitou meu ingresso ao seu apartamento. Esta carta foi uma ordem do tenente.

Nada agora o parecia preocupante, em seguida se moveu em direção ao local do estacionamento do carro.

     Alguns passos e Langdon então passava pelo lado direito do capitão, que ainda permanecia em sua posição imóvel. Antes de terminar o trajeto, Langdon é pego de maneira estranha, de repente o capitão o segura com a mão direita sobre o braço impedindo-o de prosseguir.

     _Tenho algo em particular à perguntá-lo. É sobre a chave do cofre de Saunière - Langdon que já o suspeitava, prestou atenção - Quero que seja sincero, tenho informações exclusivas que possa o interessar.

_Diga? - Confirmou Langdon.

O capitão dominou o assunto ao colocar em jogo uma nova informação, talvez fosse algo precisamente compatível à busca do Graal, aquilo passou a despertar o interesse do professor.

     _Como a chave pode ser alcançada por você e pela agente Neveu ao adquirirem o críptex no depósito de Sauniére? - perguntou-lhe quanto a individualidade da agente ao se ausentar das investigações para se unir ao professor.

     _Primeiro preciso saber o que sabe à respeito?

     _Em primeiro lugar, devo o revelar sobre a falsa relação da agente Neveu com o senhor Jacques Saunière. Todos os seus argumentos foram usados para conquistar sua confiança, devido a amplitude de seu conhecimento na área criptográfica.

     _Muito estranho, - se espantou Langdon - me senti seguramente persuadido por sua conduta.

_E depois, também havia uma mensagem à mais do que eu havia lhe mostrado. P.S. encontre Robert Langdon, isto era o que Saunière havia escrito.

_Sophie revelou-me nos primeiros momentos da investigação.

_As iniciais P.S., ao contrário, se referem ao Priorado de Sião, apaguei a mensagem antes de sua vinda.

     _A agente Neveu disse que significava Princesa Sophie, com isto consegui liberalidade para zelar pelo objeto e investigar à respeito do código e da base onde provavelmente me encontraria com os principais guardiões. Portanto, tenho todo direito em não revelar sobre o enigma de Saunière.

     _Tem certeza? - retirou uma nota, dos quatro bolsos do palitó, onde também se encontrava a agenda de anotações com o enredo do crime - Tenho algo surpreendente!

     _O que é isto?

     _É a continuação da mensagem de Saunière. Antes de apagar a mensagem que o inseria na investigação, enviei algumas cópias para o Departamento Judiciário, motivo pelo qual a agente pode acioná-lo. Mas antes, havia ainda uma outra mensagem... - o entregou a nota – São duas frase similares as outras duas, algo incompreensível. Apaguei junto com a outra antes do início das investigações, preciso que descubra o enigma.

     A notícia conseguiu motivar Langdon que pegou a nota bastante interessado e agora sentia que a busca estava novamente abrindo oportunidade para um novo roteiro. A mensagem poderia ser a saída do limite estabelecido pela interpretação da pirâmide. Ele observa atentamente:

     O, lame chieng!

     Magdona Moessina!

     _Incrível, novamente a mensagem se trata de um anagrama.

     _Como?

     _São palavras formadas pela transposição das letras embaralhadas na formação de novos paradigmas. A primeira mensagem encontrada no assoalho:    

     O, Draconian devil!

     Oh, lame saint!

     _As duas mensagem foram as únicas pistas que o departamento conseguiu identificar. A primeira significava em forma invertida:

     Leonardo da Vinci!

The Mona Lisa!

_A Monalisa.

     _Este seria o primeiro passo para encontrarmos a chave. Mas havia outras pistas como aquelas palavras roxas e fosforescentes escritas sobre os tacos do assoalho. Logo após decifrarmos o anagrama, seguimos para a Salle des États após o vestíbulo Denon, no primeiro piso, local onde se conserva o quadro da Mona Lisa. Ali havia um novo anagrama:

     So dark the con of man.

     Tão sombria a traição do homem.

     _Que no sentido inverso significa, A madona das rochas. Novamente se formou uma pista, e de modo literal, transmitia uma mensagem de crítica à arte. Seguimos para o local do quadro é foi exatamente neste local que identificamos a chave do cofre de Saunière.

     _Incrível, o curador queria mesmo que a chave fosse zelada, isto é um ótimo indício para aceitarmos a idéia de que estamos ameaçados por ambiciosos procuradores.

     O professor torna a observar o papel, alguns segundos transcorrem, a tentativa em assimilar as palavras parecia suspensa pela dificuldade das letras.

_Realmente estas letras são muito difíceis. Talvez revele um outro artista como o primeiro anagrama.

As últimas tentativas foram feitas e finalmente:

     _Consegui! - vibrou Langdon.

     _O que significa?

     _Michelangelo! – respondeu.

_E a outra?

_Moisés a god Man ?

     O capitão ficou espantado, não fazia a menor idéia do que se tratava. Langdon permaneceu impressionado. Finalmente uma pista extraordinária surgira, realmente seria um novo caminho em busca do Graal.

     _Confesso que estou inteiramente espantado. Essa mensagem cumpre exatamente com o hábito de Sauniére em transmitir palavras indiretas no sentido literal.

_Devo admitir que nunca tenho ouvido este título referente às obras de Michelangelo.

_O título ‘Moisés a god Man’, não é a intenção direta da interpretação. Talvez se não houvesse a menção do autor, jamais conseguiria encontrar a pista, esta epígrafe é reconhecida por alguns eruditos da idade média, contudo, qualquer professor de criptografia reconheceria este título como um pseudo-nome dado pela interpretação incógnita.

_Talvez fosse este o motivo da procura por sua consulta.

_Sabendo-se que se trata de Michelangelo, afirmo que a próxima pista é o famoso afresco artístico localizado no teto da Capella Sistina em Roma. Se existem lugares em que a arte se aproxima dos cosmos de Deus, um deles é esta capela. Esta dependência do Palácio do Vaticano, em Roma, atinge o absoluto graças aos magníficos afrescos pintados por Michelangelo, Perugino, Ghirlandaio e Botticelli, entre outros artistas do Renascimento.

     _E qual seria a obra em cujo título se enquadra o pseudo-nome?

     _‘A criação do Homem’.

     _Ainda não consegui compreender qual é o sentido incógnito entre os títulos? - retomou o papel para pô-lo no bolso.

     _Muitos religiosos após a idade média interpretavam o quadro em analogia à doutrina de Moisés. Alguns poderiam ser adeptos fanáticos, mas poucos sabiam que se tratava de uma vã idolatria. - suspirou impactado com a revelação - Agora a frase inserida na mensagem trata-se de uma interpretação mais detalhada. Inicialmente não teremos a compreensão direta, mas a frase, Magdona Moessina!, no sentido literal, faz alusão à região dos partos, território muitas vezes ocupado por persianos, antiga mésia, para muitos o estreito mediterrâneo, a divisão entre o oriente e ocidente, o bósforo de anatólia. Essa interpretação de fato existe, e Saunière conseguiu relacionar as palavras do anagrama precisamente, de forma que a escrita literal nos levasse à compreensão desta segunda interpretação.

     _Realmente Langdon, em toda minha carreira como investigador nunca havia encontrado algo tão enigmático. Mas o que tenho a lhe dizer espantará não somente á mim.

     _O que foi capitão? - perguntou motivado.

     _À principio, de fato, não consegui entender, mas tratando-se desta obra, posso lhe assegurar de que existe uma cópia deste modelo em uma das salas do Louvre. A revelação sobre os enigmas de Saunière agora o faz meu primeiro convidado à investigação. Tenho o cartão magnético do Louvre e com minha credencial poderei entrar a qualquer momento.

     _Magnífico, - Langdon deixou escapar um discreto sorriso - estamos diante de uma nova investigação.

     A caneta de luz negra usado por Saunière, era um tipo de caneta d'água, um marcador especializado com uma ponta de feltro, projetado para usos especiais e também em demarcações de quadros em  museus, vidros, restauradores e investigações especificas. Servia algumas vezes para cobrir marcas invisíveis nas obras expostas no Louvre. São facilmente removidas à alcool, e as palavras escritas pela caneta só podem ser visíveis sob luz negra, o mesmo aparelho usado pelos agentes, no primeiro caso.

     _Vamos, não temos tempo a perder.

     Ambos seguiram rumo à entrada do museu, acessaram o subsolo após a permissão do interlocutor da primeira portaria, a conexão foi feita pelo ativamento do rádio quando o capitão retirou de sua carteira o cartão magnético do museu para conectá-lo à máquina, e logo, desciam pela suntuosa escadaria de mármore, entrada que permitia atravessar o átrio subterrâneo sob a pirâmide de vidro. Alguns seguranças noturnos ainda estavam de plantão, um deles, incumbido na vigilância interna e recepção de visitas, conseguiu notá-los ainda de longe, em seguida o seu walk-talking é acionado conforme a transmissão de segurança interna emitida pelos seguranças das cabines técnicas informando-lhe sobre a vinda dos visitantes.

     _São agentes da DCPJ, por favor confirmar. - ordenou -   

     Antes de se aproximarem o segurança reforçou a emissão da luz interna de modo que, a passagem pelo corredor possuía um foco de luz escasso, um tipo de atmosfera quase fúnebre, auxiliada rara vezes pelas luzes embutidas em alguns degraus da escadaria principal. As luzes se ascenderam. Ainda distantes os investigadores conseguiram observar o segurança, que até então, parecia quase imperceptível. Fache entendeu e rapidamente começou a se preparar para lhe apresentar a credencial.

     _Agente secreto do Departamento Judiciário, - o apresentou a carteira ao se aproximar da entrada.

O segurança os interceptou antes da passagem principal entre as roletas, questionou à respeito do motivo da entrada, e foi devidamente orientado pelo capitão. Após escutar a intenção da dupla, o segurança conferiu a documentação, e em seguida o agente passa o cartão magnético posto sobre o pescoço permitindo-lhe a entrada. Á proporção que iam se distanciando, mais o corredor de longas paredes à aproximadamente nove metros os conduzia ao saguão principal. Fache se lembrou dos momentos em que esteve com sua equipe da Polícia Técnica e Científica.

Naquele local, conforme o processo da investigação, Langdon observava pelo alto no teto de vidro uma estrutura de névoa iluminada pelos chafarizes externos desaparecerem do outro lado do teto transparente.  Construído em mármore fosco as alas surgiam bem ornamentadas. A primeira passagem seria pela Scalier Mollien, um tipo de caminho moldado por salas de esculturas geralmente italianas. Passando pela ala Denon dado pela ala Daru, um tipo de galeria paralela surgia, e se infiltrando em um dos corredores obscuros, a dupla agora estava perto em chegar ao Salon Carré após a Grande Galerie. Apresentava geralmente obras do típico italiano entre os séculos doze ao quinze. Esta seria exatamente a sala onde se encontraria a obra procurada pelos pesquisadores.

     _Estamos perto da galeria onde se encontra a obra. Poucos metros e acessaremos a ala.

     Um momento antes, um certo segurança do Louvre, conhecido como Grouard, talvez um dos mais honrados da equipe, traçou o corredor segundo à ordem dada pela equipe interna para oferece-los algum tipo de assistência. O momento também foi ideal para que o capitão confirmasse à respeito da direção certa ao salão intencionado. O segurança parou por alguns segundos afim de comunicar-lhes algumas normas do museu. Langdon se lembrou da lanterna, um tipo de luminária de luz negra para análise de alguma suposta mensagem. Concordando em evitar um eventual transtorno ao identificarem algum tipo de registro marcado pela mesma caneta d'água de luz negra usado por Saunière ao informar-lhes as mensagens secretas antes da morte. Após um breve comunicado advertido pelo segurança, o capitão exige o empréstimo do aparelho que ficava comumente armazenado na dispensa de equipamentos auxiliares do Louvre. O segurança, que portava o uniforme obrigatório era um dos poucos que portava arma em casos emergentes. Ao terminar a relação das normas, apontou para o Salon Carré confirmando o acesso à sala e seguiu rumo ao gabinete técnico para pegar a lanterna recomendada pelos visitantes.

 

 

CAPÍTULO 7

 

 

 

     A caminhada se iniciou e a dupla enfrentava poucos metros até o átrio da sala, o chão de mármore em tom navarro-escuro seguia polido como um assoalho de madeira esmerada, as paredes pintadas por um frescor de tinta salmon-suave era clariado pela mesma luz escassa do corredor de acesso à galeria principal. Os feches de reflexos sombrios iluminavam em baixa intensidade os quadros que eram expostos no corredor principal por onde andavam. O capitão andava afoito e pensativo, esperava que aquela antiga pista, mantida em sigilo até o auge da investigação, poderia ser um novo rumo para decifrarem o enigma de Saunière. O professor parecia incrédulo, até aquele momento acreditava que a projeção da pirâmide investida era definitivamente o principal alvo das pistas.  Pouco tempo depois a dupla de investigação já se encontrava à porta de acesso ao Salon Carré. Ambos observaram com relutância a sala que era semi-dividida por dois compartimentos idênticos em relação ao espaço dimensional. Um tipo de câmara retângular com uma entrada liberal e acessível de um outro antro retângular revestido por pedras de mármore em quase sessenta centímetros de largura à aproximadamente dois metros de altura, semelhante à uma porta de armação comum, expunha vários quadros italianos. Impressionados com o ostentoso ambiente interno rapidamente se movem à procura do quadro pretendido. Fache ativou uma pequena lanterna do palitó para melhor visualizar as pinturas.

     _Vamos nos separar! - Langdon se antecipou pelo lado esquerdo.

     Embora houvesse uma escassa iluminação interna refletida por plafons comuns, o agente preferiu ativar as lanternas para melhor visualização dos quadros. Algumas partes escuras da sala não permitiam a visibilidade completa. O primeiro compartimento foi totalmente vistoriado, o quadro ainda não fora identificado. Em uma das paredes laterais havia uma outra porta, próximo à sua entrada, a dupla se preparava para acessá-la. A divisão das salas se dava por um pequeno corredor de aproximadamente cinco metros de largura feito entre uma parede à outra de ambas as salas. O corredor livre ligava uma passagem à outra por armações idênticas ao da entrada principal, porém em largura inferior.

     A dupla entra e novamente iniciam a procura pelo quadro. Um local mais obscuro, totalmente isento de claridade, não permitia nenhuma visibilidade dos quadros. As partes laterais, desprovidas de divisórias, permitiam acesso à uma sala improvisada com capacidade para vínculo de dois observadores opostos em toda circulação interna e cinco outros observadores para cada respectivo quadro acerca de dez metros quadrados. As paredes revestidas de madeira escura expunham os quadros italianos mais primitivos.

     Muitos quadros compunham o ambiente, as luzes estavam apagadas. Uma das normas transmitida pelo segurança seria a isenção completa dos refletores de luz nos ambientes internos como nas salas e galerias. Para a dupla isto não seria problema, visto que para identificar as supostas palavras deixadas como pistas por Saunière, se necessitaria unicamente da obscuridade do local, conforme a técnica do uso da caneta d'água.

     Novamente ambos saem sem êxito, o quadro parecia quase inexistente naquele local. De um lado, Langdon ainda à procura do quadro, utilizava a lanterna de modo perspicaz e do outro, o capitão, que já se preparava para acessar a próxima sala devido o espaço de quatro metros quadrados pelo lado direito. Uma rápida miragem da luz em direção aos poucos quadros expostos fez com que o investigador constatasse a ausência do quadro. Um pouco frustrado, Langdon sai em seguida e também sem alguma pista, ambos se separam como combinado.       A projeção da luz nas salas mais abrangentes ainda era precária, as investigações nas salas internas deveriam ser feitas obrigatoriamente com uso de lanternas, mas nada interferia nas observações. Como o agente havia se preparado com a aquisição de duas lanternas comuns antes da investigação, não necessitou de que o segurança o emprestasse, mas o capitão já suspeitava de que sua vinda com o aparelho de luz negra deveria ser breve, pensava estar perto em encontrar o quadro.  Rapidamente se movia em direção aos fundos as luzes refletiam sobre as obras. Um modelo famoso por sua textura excêntrica e pelas imagens alegóricas não poderia ser dificilmente identificado. O capitão ainda registrava algumas curiosidades de alguns outros quadros italianos quando Langdon vibrou:

     _Por aqui. Encontrei o quadro. - disse em um tom de voz agudo.

     No mesmo instante o capitão se vira surpreso. Apesar de conservar em seu rosto um mero suspense parcial, ainda era motivado pela busca do enigma. Seguiu em direção à Langdon do outro lado da sala e em poucos metros de distância contemplava o quadro atônito. Ambos permaneceram perplexados.

     _Realmente isto é muito estranho. - comentou Langdon ao lembrar de que a interpretação do quadro estava diretamente ligado à outra narrativa.

     _Um modelo épico. - imaginou o capitão.

     Poucos segundos se passam após encontrarem a cópia do quadro, e quase no mesmo instante o segurança finalmente surge com a luz negra exigida pelo capitão.

     _Aqui está. - lhe entregou o objeto similar à uma lanterna, porém, possuía uma luz diferenciada pela adaptação fosforescente da lâmpada que permitiria a visualização da marca d'água escrita pela caneta e a claridade total naquele ambiente semi-obscuro.

     _Obrigado. - Agradeceu Fache.

     O segurança sai rapidamente com a intenção de deixá-los em privacidade, não havia comentado sobre algum imprevisto e os agentes, logo, retornaram à análise.

     _Tem certeza de que este é o quadro que Saunière queria nos revelar. - perguntou Fache que ainda não conseguia conciliar a dica incógnita da mensagem com a interpretação direta.

     _Não tenha dúvidas capitão.

 

 

 

 

 

 

 

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CAPITULO 8

 

 

 

     Naquele mesmo horário, em uma famosa região da Itália, o bispo Aringarosa se preparava para um confortável banho em uma banheira de mármore moldurada à bronze posta em uma das suítes executivas do quarto do magnificente hotel, Pantheon. O hotel situa-se paralelo a Via dei Pastini, uma rua pitoresca cercada de atrações culturais, tal como restaurantes e trattories, que são ambientes comumente freqüentados pelos turistas naquela região. Afastado do trânsito caótico e ao mesmo tempo no centro comercial da cidade, o hotel se ergue próximo ao esplendoroso Panteon, testemunho da Roma antiga, conservava-se praticamente intacto.

      À frente, o Albergo del Sole. Do lado oposto, na Piazza di Pietra, se encontrava o que restara de uma outra construção da época imperial, a imponente coluna que outrora constituía a entrada do Templo de Adriano. Estava paralelamente integrada à fachada de um edifício adjacente. O interior do hotel era composto por vários quartos muito amplos e luxuosos. Mobiliados com móveis em madeira de carvalho, tapetes de veludo carmesim e tecidoS preciosos, não poderia oferecer desconfortos aos menores nobres hospedes do hotel. Cada detalhe fora acrescentado em vista à criar um ambiente aprazível entre os elementos tradicionais tal como as traves de bronze nas ornamentações superiores da entrada principal. A armação combinava com a molduração esmerada posta sobre cada abóbada do saguão principal. As janelas de vidro das principais paredes fomentavam a influência modernista. A lustrosa decoração cativada por uma imensa luminária em forma de cascada causava uma admiração afável.

Ainda andando pela feira antes de sua próxima partida a bordo, um estranho cidadão fazia a compra de algumas fotografias três por quatro. As primeiras tiras saiam consecutivas de uma pequena máquina automática. O fotografo o entregava uma pequena luneta para observação da foto após ajustá-la sobre a lente. O comprador movendo o objeto junto ao seu olho direito fazia uma rápida análise da foto. Em seguida, moveu o objeto de volta ao fotografo.

_Como cortesia. – recusou dizendo em um sotaque italiano.

Uma nota de cem euros é entregue para o acerto:

_Alto valor. – locomovia as mãos sobre o jaleco branco de modo a lamentar pela ausência do troco ao mesmo tempo em que se demonstrava preocupado pela quantia recebida – Perdón, tenho que trocar? – disse enquanto ameaçava os primeiros passos para a saída costeira. O comprador parecia apressado, antes que o fotografo se retirasse sua mão é estendida:

_Aguarde! Dê-me uma máquina automática em troca. – acenou à um dos aparelhos exibidos na vitrine. – Não tenho muito tempo.

Uma pequena máquina fotográfica de tiras instantâneas é entregue ao comprador junto ao troco. O cliente saia as pressas, ainda precisava realizar outro plano. A compra das fotos era o principal objetivo, porém uma cola e uma tesoura foram adquiridas com certo vendedor em uma barraca posterior.

Observando os passageiros pelo desembarque do comboio e outros transeuntes que embarcavam pelas partes remotas da condução, o sujeito aguardava pelo momento certo. Sua pressa limitou-se ao longo período de observação que não poderia exceder o entardecer do dia. A noite estava próxima, e o principal objetivo estava para ser executado. Finalmente o esperado acontece, um dos passageiros retorna revoltoso do embarque após ser recusado pela invalidez do cartão de transporte. O estranho observador, notando o ocorrido, se aproximou do rapaz em passos apertados até pegá-lo pelo braço.

_Pelo cartão? – apresentou as irrecusáveis notas de euro pelo cartão inválido, após presenciar o fato.

A troca foi feita, o rapaz talvez não se interessasse mais pelo cartão invalido. De comboio, na estação da metrópole, o estranho passageiro estava abordo, seu semblante maligno e frisado causava assombros a todos que ousasse lhe observar. Talvez estivesse prestes a cometer um homicídio. Conforme a concepção de dois terço que o encontrava pelas ruas, sua intenção não era nada amigável. Assim também fora para o agente de bordo que o observou durante parte do trajeto de ida, seu cartão de identificação apresentado no embarque em alguns quilômetros atrás não se assemelhava ao cartão de passaporte original. Algo lhe parecia estranho e o agente de bordo permaneceu continuamente em alerta. O observava de relance em uma cadeira discreta à alguns metros de distância. Enquanto muitos passageiros desciam da linha em direção à Battistini, o agente se comunica com o auxiliar de pilotagem.

     _Veja. - apontou em direção ao o indivíduo que esperava uma pequena fila para descer ao terminal.

     _Não me parece nada confiável. - comentou o agente de bordo.

     O auxiliar olhou desatento, tentou captar o alvo, seus olhos agora o aguçava, ele se movia devagar, não parecia suspeito, porém usava um óculos escuro à noite e vestia um valioso terno sócial escuro, estranho para um dia comum em uma semana de clima quente e intenso. De repente parou sobre a saída do veículo antes da linha de acesso à estação, esperou que o último passageiro à sua frente passasse e desceu em seguida, seu vulto se sobressaltou à vista do auxiliar, aquilo agora lhe parecia estranho, ele olha em direção ao espelho do lado de fora e o indivíduo se dissolvia entre a multidão. O auxiliar consultou a lista de procurados pela polícia italiana, nada fora constatado.

_Não tivemos nenhuma reclamação de passageiro, não me parece suspeito. – comentou. – tente a lista de procurados pela polícia francesa, pode consiguir melhor resultado.

Porém o agente ainda permaneceu incompreendido, apesar de feito a consulta de seu cartão de passagem.

     _Talvez não tenha consultado direito. - o auxiliar de pilotagem rapidamente acessou o computador de bordo posto ao lado do painel de controle para verificar a relação de passageiros.

     Após um clique na tecla de chek-up automático uma lista referente à validez do cartão de passaporte e embarcação diária no veículo, surgiu aleatoriamente sob uma rápida voltagem de vários números. Em poucos segundos o monitor acusava a relação de passageiros daquele dia.

     _Realmente você não percebeu algum passageiro irregular à bordo - disse ao apontar para um dos números, cuja a referência acusava invalidez do cartão de passaporte. As letras se destacavam em um tom vermelho.

     Em seguida o auxiliar de pilotagem ativa outro botão fazendo apagar a luz vermelha numa espécie de refletor alojado discretamente no canto superior do teto junto à linha das luminárias laterais. Aquela luz acesa acusava a invalidez do cartão.

     _Deveria ter observado a luz vermelha. - advertiu o auxiliar de pilotagem.

     Após confirmar à respeito da irregularidade de certo passageiro à bordo, o agente conseguiu descobrir a origem de sua cisma com aquele tal passageiro, mas não conseguia assimilar sua preocupação quanto ao homem vestido de um terno preto excentricamente social.

 

CAPÍTULO 9

 

     O sujeito agora andava em passos longos rumo a saída principal do terminal. Sua pretensão era alcançar a rua Battistini e descer pela paragem Barberini, uma das partes mais conhecidas da região. Antes de acessar a rua, o sujeito se aproxima próximo à uma lixeira pública posta na pavimentação do lado de fora. Do bolso interno do palitó retirou um tipo de tesoura móvel. Da sua carteira de bolso, retirou o cartão de passaporte. Em seguida, com a ponta daquela pequena tesoura despregou a sua fotografia três por quatro que estava pregada no cartão, de fato a passagem não se passava de um truque, o passageiro estava irregular. Mas finalmente, após várias tentativas fracassadas para conseguir percorrer cerca de 20 km com o uso de um cartão inválido, aquele sujeito estranho finalmente consegue alcançar o local pretendido. O cartão foi lançado à lixeira, aquilo poderia ser um flagrante irremessível. O jovem que havia vendido o cartão, não recusou a quantia oferecida, o seu cartão inválido parecia não lhe fazer falta, vendeu sem remorsos.

     _Um cartão inválido por cinquenta euros. - queixou após conferir as cédulas da carteira - Pelo menos me sobrou para o táxi.

     Na paragem permaneceu um longo tempo à espera de um táxi. Nada obstante o carro surge, o passageiro lhe oferece todo o dinheiro.

     _Até aonde o valor do frete permitir. - propôs após lhe apresentar certa quantia em euros.   

     O motorista concordou, breve ambos percorriam pela Via del Tritone. O passageiro assentado no banco de trás consultava um pequeno papel, onde provavelmente estava o trajeto de seu alvo.

     _Por ali. - ordenou o motorista apontando à uma direção entre as pistas rumo à Piazza di Pietra.

     Após alguns minutos o carro atingiu a Fontana di Trevi, sua busca não parecia incerta. Ele realmente preparava algum plano malicioso neste lugar, o objetivo estava em sua mente e pronto para ser executado. Poucos metros e o motorista verifica no pequeno visor de rotação os números vermelhos que acusava o valor do dinheiro comparado ao frete.

     _Sinto muito senhor, mas o valor pago é insuficiente para cumprir o trajeto ao destino pretendido.

    

CAPÍTULO 10

 

 

Era noite, o limite do frete chegava ao fim. O passageiro desceu do carro frustrado. Embora portasse um revólver Medusa, um tipo de pistola de bolso, não ousou forçar o motorista, mas prosseguiu andando. O caminho poderia ser feito sem dificuldades, uma breve caminhada causaria um desgaste maior, mas preferiu evitar o saque de seu depósito em um banco 24 horas, certamente sua arma faria soar os alarmes e os detectores de metais. Sua transpiração rudimentar acompanhado por seus passos vorazes, fazia esvoaçar as roupas de outros pedestres que lhe cruzavam pelo caminho. Um longo trajeto foi desempenhado. Poucos passos adiante e o sujeito realizou um corte pela Via del Corso.

     Embora o agente de bordo no terminal tivesse o suspeitado, ainda ninguém parecia completamente desconfiado para o perseguir. Sua pistola poderia incriminá-lo instantaneamente, sua atitude moral, de fato não parecia nada parcial, sua roupa não o descriminava. Chegando à Piazza di Pietra o sujeito continuava inflexível, algumas entradas para locais agradáveis se passavam pelos lados na pavimentação percorrida, nada lhe parecia viável, o trajeto era idêntico ao endereço do grande hotel. Naquele momento se entrasse pela Via dei Pastini, rodovia exclusiva de acesso à uma região nobre e rodovia exclusiva de acesso ao hotel Pantheon, muito provavelmente aquele estranho personagem se interessaria por uma hospedagem no hotel, visto que, seu traje extravagante denotava uma certa nobreza de sua conduta étnica.

     Aquele aparente italiano agora observava o pequeno papel retirado do bolso. A descrição poderia ser a mesma do hotel Pantheon. Alguns metros antes da entrada e o endereço do papel é novamente observado. Seus olhos tentavam conciliar o número do endereço escrito. Na porta de acesso ao hall do recinto, notava-se uma entrada ilustre, receptiva e admirável. O sujeito para em direção à grande porta de entrada. Os números do endereço de fato eram idênticos ao número do hotel. Aquele estranho sujeito passa pelas portas recebendo um suave frescor emitido pela ventilação interna, sem demonstrar muita preocupação se assenta em um dos sofares da recepção, não parecia suspeito. O sujeito pela última vez olha o papel, os outros números eram referentes à algum quarto de hospede do hotel, e por sinal, idênticos ao número do quarto do bispo Aringarosa.

     Em uma pequena mesa de vidro moldada por uma armação de aço maciço, acerca de dez metros à frente do ambiente de visitas, havia um casal dialogando, vestiam trajes extravagantes. Sobre a mesa, um exuberante arranjo de rosa-escarlate revestidas por uma folhagem verde que se compatibilizava com muitos pormenores da decoração interna. Um vaso de vidro versalhes em aspiral era comum em muitos pontos do saguão, algumas flores implementavam a arte excepcional dada pela ornamentação do teto, quadros, molduras de bronze e luminárias, também em aspiral. Um outro homem solteiro sentava ao lado oposto, tomavam um drinque acompanhado de uma leitura de jornal, ao seu lado, um porta-revista preenchido por vários artigos e almanaques. Nos sofáres do saguão aos fundo, à cinco metros da recepção, próximo à um pequeno bar particular do hotel, outros três hospedes conversavam ao lado de um porta-taças superior sob um móvel cromado escuro. Do outro lado algumas banquetas longas de madeira rústica negras, permaneciam vazias à espera do próximo cliente do hotel à se declinar com as iguarias oferecidas. Um garçom posto à frente do balcão, vestindo um traje comum de um funcionário do Pantheon, usava um colarinho branco-ondulado cortêz acompanhado por uma gravata borboleta preta. O seu bigóde penteado de pontas finas lhe dava um caráter gentil, observava distraído a movimentação da rua pelo vidro fumê aclopado à moldura de aço maciço da janela central.

     O falso hóspede observava atento a movimentação do hotel, uma classe nobre transigia sobre o principal tapete do hall, outros garçons, uns dois ou três, também faziam o serviço no saguão se movimentando com alguns transportadores de alumínio de um metro e meio de altura. O transporte possuía algumas prateleiras, também de alumínio, empilheradas. Eram bandejas para sustentar os valiosos talheres e as valiosas taças de cristal fino. Na parte inferior uma pequena gaveta para armazenação de alimentos. O apoio para direcionar o transportador era totalmente redesenhado por traços elípticos que destacava um ornato de cultura modernista. Um longo bastão era sustentado pelas mãos vestidas de luvas brancas dos garçons que geralmente realizavam o serviço interno. Um dos aspectos no uniforme dos garçons que se diferenciava dos funcionários dos bares seria apenas o colarinho e o palitó cortêz. A maioria dos garçons em movimento no hall usavam um terno comum preto e branco de gravata longa. E um dos aspectos neste uniforme que se diferenciava da roupa daquele estranho sujeito sentado, cativo, ansioso por uma oportunidade, seria apenas as luvas brancas.

     Até aquele instante o falso hóspede não havia encontrado o que pretendia, estava incomodado, não manifestava. Seus olhos aguçavam os ângulos do teto moldurado aos fundos, notava-se as câmeras, se estranhou. Até aquele momento nenhum segurança havia o interceptado. Além dos garçons, outros funcionários andavam de mãos livres, portavam cinturões com o coldre ocupado por um revólve e um chapéu quadrado do tipo militar, alguns detalhes dourados no cinturão e no chapéu junto com o brasão do hotel caracterizavam os seguranças do hotel. O que se observava era o longo cano de metal escuro, do outro lado do cinturão, o cacetete, todos estes acessórios se diferiam do uniforme usado pelos garçons.

     Ao que se identificava no aspecto hostil do sujeito, uma mera indiferença parecia sustentá-lo fora de uma ameaça ou um ataque preeminente. O revólver em sua cintura esfriava sua pele pelo bolso esquerdo, talvez não tivesse munição suficiente para reagir, a maioria que o observasse talvez pensasse que alguém estaria à sua espera. Outro segurança surge, as chances de um suposto ataque se minimiza, um assalto àquela instância se findaria em uma morte súbita ou uma prisão imediata. Um segurança finalmente se aproxima e o recebe:

     _Boa noite senhor. Talvez queira se acomodar no bar exclusivo do hotel Pantheon? - estendeu as mãos de modo gentil em direção ao bar para lhe oferecer a comodidade.

     _Não, obrigado. - sinalizou com a mão em sinal de recusa -

     _Ou talvez...

     _Não sou hospede do hotel. – frisou de modo direto.

     _Está à espera de algum de nossos hospedes?

     O estranho indivíduo parou por um instante inibido com a pergunta, um gaguejo imperceptível surgiu no primeiro tom da fala, pensou por algum momento dizer que sim, mas logo em seguida admite:

     _Não... já estou de saída.

     Em seguida o aparente hospede se levanta e passa pelo segurança em direção à porta. Em alguns metros de distância, perto da saída, outro segurança agora se posicionava ao lado da entrada. Podia ser visto pelo lado externo do vidro da porta, talvez aqueles dois fossem os únicos do saguão. Do lado de fora o clima se esfriava, havia pouca movimentação de pedestres, alguns carros modernos estacionados a beira das pavimentações e muitas sinalizações comerciais. Um vento brando transigia naquele momento, sua roupa se movia. O óculos já estava posto no seu bolso, seus pensamentos lhe pesava. O sujeito parecia não conseguir absorver alguma idéia para o seu propósito, seu incomodo demonstrava sua preocupação. Com as mãos no bolso andava de um lado ao outro, algumas pessoas saiam constantes do hotel sempre dotadas de trajes rigorosos, o frio à noite estava por chegar. Em todo momento seus olhos espionavam os hospedes que se movimentavam pela entrada. Sua reação definitivamente revelava sua expectativa por alguma pessoa supostamente hospedada no hotel.

     Ao conferir o bolso interno do palitó o sujeito se lembrou que havia tirado algumas fotos três por quatro em um terminal antes da Battistini ainda no crepúsculo daquele dia. Teria comprado as fotos para colar no cartão de passaporte inválido que havia negociado com um cidadão qualquer. Cinco fotos ainda restavam, e somando com a outra foto guardada no bolso da frente da calça que foi instintivamente preservada do cartão de passaporte lançado fora, completavam-se seis. As fotos três por quarto foram conseguidas conforme a compra em uma banca próximo ao terminal, em seguida, foram reunidas no mesmo bolso interno do palitó. Mas a maior lembrança do sujeito seria o troco que, quase esquecido, fora guardado no mesmo bolso interno onde também havia uma pequena lupa de quatro centímetros para visualização das pequenas fotografias, um brinde do banqueiro, uma lembrança comumente dada pelos fotográficos. Nada obstante o sujeito retirou o troco, cinco cédulas somavam exatamente quarenta e cinco euros. Talvez se o estrangeiro tivesse lembrado deste dinheiro, poderia ter cumprido com o percurso no táxi quando o frete se exigia mais ao que se pretendia chegar. Porém o dinheiro poderia ser a saída do que o então estrangeiro esperava.

     _O troco das fotos. – cogitou.

     Rapidamente o sujeito se move em direção a porta de entrada, sua idéia parecia merabolante, sua atitude se alterou de maneira estranha ao constatar o troco no bolso, novamente ele entraria no hotel, talvez ele quisesse experimentar algum drinque no bar particular. Andava passos rápidos, aproveitou para conferir o outro bolso interno, lembrou-se também que havia comprado um pequeno bastão de cola plástica de uns cinco centímetros para a colagem da foto no cartão de passaporte. Além do bastão de cola, havia sua chave do carro desprovida de chaveiro e a pequena tesoura móvel, prateada, de poucos centímetros, comprada para recortar a borda da foto proporcionalmente à medida do cartão de passaporte.

     Uma hospede saia no momento, o sujeito atravessava o tapete interno, em seguida, cruza com o segurança da porta, sua postura era rígida, usava as roupas semelhantes aos dos garçons, mantinha seu olhar fixo, observava apenas o rumo central, usava as mãos cruzadas para frente. Seu traje alve-negro cortêz com detalhes dourados fomentava a crucial regalia dada pelo hotel afim de transmitir cordialidade aos seus hospedes. O estranho entra, como antes, o outro segurança não estava presente, talvez estivesse arremetido periodicamente à vistoria do saguão, porém, não parecia permanente. Sua ausência parecia ser favorável ao plano do falso hospede, ele ajusta seu terno, sua roupa seria essencial. Antes de se assentar, ele se disfarça ao observar algumas relíquias expostas no ambiente de visitas. Ao seu lado uma grande janela de vidro fumê moldada por aço maciço. Ele aguardava pela passagem de algum garçom por aquele corredor, como haviam passado das outras vezes.

     Naquela área entre a recepção e o ambiente de visitas era comum a transição dos garçons, um corredor aos fundos, de pouca iluminação, parecia possuir uma cozinha improvisada. Os transportadores de alumínio eram sempre alçados por aqueles homens. O funcionário que permanecia na recepção não conseguia visualizar a área de visitas, de modo que havia uma relativa distância entre os espaços. Porém da entrada ao caminho para a recepção, todas as pessoas eram facilmente observadas por aqueles funcionários que trabalhavam em atender os clientes e visitantes. A movimentação das pessoas indo e vindo e o corredor que bloqueava a visão da recepção, propiciou para que o sujeito não fosse percebido facilmente.

     Um garçom finalmente se aproxima em direção ao corredor nos fundos à sua direita, o sujeito à espera se move em sua direção e o pede para parar sinalizando com a mão. Talvez ele quisesse alguma informação do hotel sem ser percebido pela recepção, em nenhuma hipótese ousou se identificar ao funcionário. O garçom lhe obedece e no mesmo instante para carregando o transportador.

     _Sou cliente do hotel. - ousou de modo bastante convincente - Preciso de um favor urgênte, - lhe apontou sua chave do carro retirada imediatamente do bolso.

     O garçom não questionou sobre seu quarto, realmente foi persuadido pelo falso hospede, aquele pedido lhe parecia, de fato, urgênte, instintivamente reagiu em disposição pronto para servi-lo.

     _O meu carro... - tonalizou a voz apontando com a mão que segurava a chave do veículo para a janela de vidro fume.  

     Seus olhos tentavam captar o principal carro estacionado rente a pavimentação do hotel antes de dizer a respeito. O sujeito tentava escolher aquele que realmente estivesse em condições de um favor. O pedido obviamente não poderia ser um serviço breve. Em frações de segundos seus olhos conseguiu absorver o carro, sua marca, as placas de sinalização. E novamente ele torna a frisar o garçom e bastante perspicaz o ordena:

     _O meu carro é o Peugeot A4 preto, estacionei em local proibido. - o serviço agora parecia possível de se realizar - Estou atrasado para me vestir, preciso que encontre estacionamento livre para o meu veículo. - lhe apontou a sua própria chave que mantinha no bolso, uma chave simples e desprovida de chaveiro.

     _Sinto muito senhor, não posso. Estou em serviço, tenho que mover este transportador à cozinha. - disse ao colocar novamente as mãos sobre o apoio do transportador.

     _Espere. Tenho uma gorjeta irrevogável. - lhe ofereceu os quarenta e cinco euros que tinha no bolso.

     O garçom se sentiu mais interessado ao observar as cédulas, suas mãos se soltam do apoio lentas, prestes a aceitar a oferta, antes que o funcionário tomasse qualquer decisão ele escuta as palavras ainda mais convincentes.

     _Vamos, deixe que eu conduza o transportador até a cozinha.

     O sujeito coloca sua chave e o dinheiro sobre as mãos do garçom que quase sem reação aceita a gorjeta. Totalmente persuadido o garçom coloca a oferta no bolso, retira suas luvas brancas do uniforme e as coloca sobre a gaveta metálica do transportador.

     _Tudo bem, voltarei em breve. - o garçom concorda.

     No mesmo instante o sujeito segura o transportador metálico e começa a se mover em direção à cozinha. Ainda andando ele acrescenta virando-se para o lado:

     _Por favor. Deixe a chave na recepção.

     O garçom rapidamente se move em direção à saída para servir o suposto cliente do hotel. O sujeito se movia de vagar em direção à cozinha. As roupas quase idênticas pareciam confundi-lo como um dos funcionários do hotel. Ele olha para trás novamente, o jovem havia saído. Antes de entrar pelo corredor de acesso a cozinha o sujeito interrompe os passos e rapidamente abre a gaveta para vestir as luvas. Seu plano realmente parecia malévolo, em seguida ele vira o transportador em direção à recepção mudando completamente seu destino. Seu objetivo parecia estar em prática, de fato aquela invenção seria uma ótima tática para conseguir passar pela recepção sem ser identificado pelos funcionários da recepção.

     No caminho o sujeito ainda coloca sobre seu braço esquerdo um pano branco médio que era comumente usado pelos garçons para forrar as bandejas. No bolso do palitó ele dobra um pequeno lenço de papel, o que poderia ainda se assemelhar ao lenço de pano usado pelos garçons. Sua aparência era idêntica à um garçom do hotel. Poucos passos e sua presença já podia ser notada pela recepção, ninguém o desconfiava, sua reação era normal, sua postura era perfeitamente figurada ao perfil de um funcionário do hotel. A adrenalina aumentava à medida que seus passos passavam em frente a recepção. Desde o primeiro momento dentro do hotel o sujeito já imaginava a impossibilidade de se infiltrar no hotel sem ser identificado, ele conhecia o sistema da recepção que por um simples toque em um dos walk-talking's poderia acionar um destes seguranças que se posicionavam em frente ao elevador.

     Seus pensamentos agora se concentravam quanto a entrada no elevador, aquele segurança transitório do saguão poderia ser, provavelmente, o mesmo segurança das portas automáticas. O sujeito passa pela recepção, seu disfarce foi infalível, ele se alivia da maior preocupação de ser percebido. Logo à frente, antes do bar e do salão interno, à esquerda, havia o acesso para dois elevadores, sendo que um era social e o outro particular. Como previsto, o segurança estava posicionado à frente dos elevadores, na parede ao lado de um ao outro acesso. O segurança olhava fixo em direção ao salão principal, seu uniforme era similar aos outros demais, porém, não aparentava ser o mesmo que o interceptava no início. O sujeito identifica a pequena plaqueta preta escrita com letras brancas em italiano e outras traduções estrangeiras. Ele entende que o esquerdo era o particular, comumente usado pelos garçons para conduzirem os transportadores metálicos.

     Do lado de fora o segurança ainda pensava fazer uma boa ação seguindo o pedido do falso hospede. Seus olhos procuravam atentos pelo carro Peugeot A4 preto entre a fileira de carros estacionados na mesma posição indicada. O garçom finalmente consegue identificá-lo após alguns segundo em captura, ele se move apressadamente em direção ao carro estacionado ao mesmo tempo em que retirava a chave entregue em seu bolso. Do lado do motorista, próximo a pista de asfalto a chave do carro é encaixada sobre a fechadura, ele move a chave para o lado em seguida, a porta parecia emperrada, ele retira e coloca pela segunda vez, sua mão passa a vibrar a procura do encaixe, a porta está com defeito? - imaginou. Após algumas tentativas o garçom tenta encontrar o erro, ele analisa a chave de cabo azul-escuro atentamente ao virá-la do lado avesso, um pequeno escrito gravado sobre o cabo parecia esclarecer o incidente, ele se espanta, mal sabia que estava sendo vítima de uma cilada.

     A palavra FAKE impulsionou-lhe os nervos, o garçom se assusta, ele não tinha dúvidas de que fora enganado, aquele de fato, era um falso hospede. No salão principal o elevador finalmente chega, o impostor entra normalmente, o segurança não havia desconfiado, um outro funcionário que se assentava sobre a cadeira do elevador para auxiliar os cliente o pergunta:

     _Piso?

     O impostor retira apressadamente o papel do bolso para conferir o quarto, os números eram compatíveis aos números do quarto onde o bispo Aringarosa estava hospedado.

     _Quatrocentos e treze, por favor. – ordenou.

     O elevador subia lentamente, a tensão era reprimida pelo ótimo disfarce do impostor. No quarto, o bispo Aringarosa acabava de sair de seu delicioso banho na suíte executiva. Uma toalha alvejante de lã fino estava enrolada sobre sua cintura. Uma mesa de madeira mógno redonda de setenta centímetros circular possuía uma bandeja com duas alças de bronze. Sobre a bandeja onde havia um pano de veludo escarlate estava posto um valioso wisk alemão ao lado de uma cuba de gelo prateada, seria uma das regalias comuns do hotel oferecidas aos seus clientes. Aringarosa se aproxima para retirar duas pedras de gelo e servir seu valioso wisk. Uma cama de casal forrada por uma coxa trigo-claro de laicra posicionada entre dois móveis criados e dois plafons acesos, possuía uma pasta preta que armazenava documentos particulares do bispo. No mesmo instante o seu celular ao lado da pasta preta toca. Aringarosa deixa o copo sobre a mesa e se aproxima do aparelho:

     _Aringarosa? - o bispo atende.

     _O tempo esta próximo. - uma voz sussurrada e meio estridente soa pelo fone do celular.

     _Quem está falando? - se estranhou o bispo, suspeitando de que se tratasse do mesmo assunto quanto ao segredo que envolvera alguns assassinatos - Mestre? – replicou.

     _A declinação, a latitude, a linha do equador, os trópicos, não está esquecendo de nada Bispo?

     Aringarosa sabia que a revelação do segredo se dava em dia marcado, ou seja, havia um código que somente seria desvendado pela ação do sol.

     _Eu sei. O soltício de verão.

     O soltício é um fenômeno natural em que os raios solares incidem verticalmente alterando a dinâmica do dia em relação a posição da terra em comparação ao sol, o raios atingem a menor elevação  no meio-dia local. Existe um dia específico para que o fenômeno ocorra geralmente ocorrem em junho, quando se trata do soltício de verão. Os momentos exatos dos solstícios, que também marcam as mudanças de estação, são obtidos por cálculos de astronomia. Devido à órbita elíptica da Terra, as datas nas quais ocorrem os solstícios não permite que o ano seja dividido em um número igual de dias. Isto ocorre porque quando a Terra está mais próxima do Astro solar viaja mais velozmente do que quando está mais longe.

     _Muito bem. Quero que o código seja descoberto antes do dia, não quero perder esta oportunidade. Antecipe-se, se não pagará com a própria vida.

     Imediatamente o celular é desligado, o bispo permanece em estado de choque, uma ameaça lhe fora enviada, e ninguém poderia ser se não o Mestre, um dos envolvidos quanto ao conhecimento do último segredo.

     Do lado de fora o elevador se abre, de um lado o funcionário ferido no peito estava morbidamente encostado sobre os botões dos quartos do hotel, nos fundo o transportador permanecia imóvel, sobre a tampa prateada uma mensagem havia sido escrita sobre o lenço de papel retirado do bolso do impostor. Regards by Master, Lembranças do Mestre, era a mensagem escrita pelo atirador ao pegar a caneta do bolso do funcionário do hotel no elevador. O sujeito sai em seguida com um olhar calculista, as portas do elevador se fecham, ele se move em direção à porta do hospede procurado. Quatrocentos e treze, ele confere o papel, os números eram os mesmos, a hora era tardia.

     Lembrando dos objetos que ele trazia no bolso preferiu não alarmar o bispo pelo toque da campanhia, possivelmente a porta não seria aberta quando o suspeito fosse identificado pelo olho-de-vidro da porta. Um estreito corredor não permitia que sua imagem se escapasse, certamente a polícia seria acionaria. Um aparelho fotográfico moderno foi comprado pelo sujeito quando retirou as fotos três por quatro. O vendedor negociou o aparelho fotográfico usado para retirar as fotografias por um preço mais acessível. Após insistir, o estranho foi persuadido pelo banqueiro à comprar aquela máquina digitalizada. O aparelho fazia a revelação das fotos instantaneamente por meio de folhas especiais aclopadas no interior da máquina. Uma fotografia inteira poderia ser imprimida em uma pequena folha especial de dez centímetros por cinco.

     O impostor observa a máquina atentamente e em seguida ativa a segunda opção oferecida pelo aparelho. Com isto, as fotografias poderiam ser imprimidas repartidamente em seis espaços. Ao contrário de uma impressão inteira sobre a folha, dez por cinco, seis fotografias poderiam ser impressas repartidamente sobre aquela única folha. Sua intenção não era fazer uma repartição de seis fotografias, mas reduzir o tamanho da foto para quatro centímetros por dois e meio de largura, não queria incômodo, a privacidade fora sintetizada com um disparo ao funcionário, sua identidade até agora era mantida em sigilo.

     Ele move a máquina lentamente para o olho-de-vidro da porta, o aparelho é posicionado ao contrário para fotografar o mesmo espaço visto pelo olho-de-vidro. As lentes se alinharam, a fotografia seria idêntica à imagem vista pela porta. O botão é ativado, um flash instantâneo é refletido, novamente o sujeito pressiona o botão, com esta opção a foto seria revelada sem a necessidade das outras. A foto sai imprimida, o primeiro entre os seis é revelado pela fotografia da imagem em quatro centímetros por dois e meio de largura, de modo que todo o ambiente externo parecesse estar vazio, a imagem era idêntica ao local externo.

     Conforme a posição do sujeito ao lado da porta em proporção à visão pelo olho-de-vidro, sua presença poderia ser facilmente identificada na hipótese do hóspede olhar pela lente. Mas a fotografia realmente deixaria sua presença oculta ao exibir uma imagem poucos centímetros à frente do normal. A pequena tesoura móvel foi retirada do bolso, o anel em torno do olho-de-vidro da porta é arrancado pela ponta da tesoura que foi desdobrada naquele momento. Em seguida o sujeito recorta a fotografia para se alinhar à luneta, no bolso interno, ele pega o pequeno presente dado pelo fotográfico na banca em um terminal antes de sua chegada. Uma pequena lupa preta em forma de cone de quatro centímetros que possuía uma lente cristalina côncava para a visualização das fotos. A lente ampliava a imagem, talvez seria o mesmo modelo da porta. A tampa é retirada para se colocar a pequena fotografia, a lente é recolocada, ele visualiza a lupa, a imagem era perfeita.

     No mesmo bolso ele toma seu último objeto. Um pequeno bastão de cola plástica comprada para a colagem da fotografia três por quatro no cartão de passaporte inválido que havia comprado, agora seria usado para fixar a lupa em torno do local do anel retirado. A cola é despejada sobre a borda da lupa, o objeto foi pregado em torno da lente na porta, certamente o hospede não desconfiaria do sujeito ao notar a imagem do espaço vazio que simplesmente tratava de uma fotografia quatro por dois centímetros e meio na lupa.

Quando tudo pronto, o sujeito finalmente resolve tocar a campanhia. O barulho surpreende Aringarosa que distraído, não aguardava por visitas. Ele se estranha, lentamente se movia em direção à porta,

_Quem será a esta hora? - indagou.

Seus olhos se aproximavam atentos à lente do olho-de-vidro. Do outro lado o indivíduo retirava sua pistola Medusa que era polida por uma luva branca retirada no momento em que trabalhava com as fotografias. Despreocupado, ele agora lustrava a pistola de modo sarcástico. Aringarosa se estranha, não havia ninguém do outro lado, ele retorna os passos, mas novamente a campanhia toca. Ele se assombra, não enxergava nenhuma pessoa. O sujeito se posicionava em frente a lupa sem se preocupar em ser percebido, talvez, se a cola falhasse, o hóspede conseguisse o avistar, porém a pequena lupa-fotográfica estava sobre a lente e novamente Aringarosa não enxergava ninguém.

     Seu nervo se avulsa, desorientado ele retira a primeira corrente prateada da fechadura que sustentava a parte superior da porta, ele abre a porta petulante. Quase que arrancando a maçaneta ele questiona em um tom de voz indignado:

     _Mas quem é o miserável que...

     Antes de terminar as palavras a arma lhe foi apontada sobre a face. Seu rosto pasmo se congelou ao perceber a emboscada. Sua voz sussurrou desprendida:

     _Remy Legaludec? – gaguejou.

     Finalmente o criminoso havia se revelado ao bispo, os olhos arregalados foram induzidos pela ponta do revolver que se suspendia em direção ao seu nariz achatado, quebrado por uma punhalada na Espanha quando em uma de suas campanhas missionárias. Remy Legaludec, autor dos disparos no cemitério du Père-Lachaise e principal suspeito do crime era o misterioso cidadão que chegou ao seu objetivo, sua intenção era unicamente se encontrar com o bispo, seu rosto alongado e sombrio o dominava, dois passos à frente e o bispo se desajeitava andando para trás a procura de um apoio.

     _O dinheiro bispo. Quero a fortuna imediatamente! – ordenou.

     _Sinto muito Remy, mas não posso lhe pagar agora.

     _Sei que falhou ao perder os códigos do criptéx de Saunière. Lhe paguei dois milhões de dólares e o segredo foi perdido.

     O jogo parecia claro, Remy o falso secretário de Teabing, havia subornado o bispo para conseguir o código. Certamente descobriu sobre o ponto onde se encontraria o segredo quando usou seu disfarce na mansão de Teabing, um antigo historiador religioso, um dos poucos que sabia sobre o monasteiro secreto, conhecidos por muitos como, a última morada, morava próximo à Versailles em um residencial suntuoso.

     _Ainda não terminei minhas buscas, preciso de mais tempo. Acredite, providenciarei o código antes da data.

     _Não acredito em fábulas Aringarosa. Afinal, sei que tem a chave do monasteiro secreto.

     A pulsação do bispo se vulnerou, ele se estranhou com o palpite de Remy e de como este conhecimento poderia ter chegado ao seu ouvido.

     _Do quê está falando Remy? - tentou disfarçar.

     _Se o dinheiro não pode ser pago, dê-me a chave. Não tenho tempo à perder.

     A chave de fato existia, uma peça redonda de poucos centímetros parecia um escaravelho. Um círculo oval dourado possuía uma estufa moldurada na ponta para o apoio das mãos. Um segundo círculo dourado fino em forma de anel, contornava a peça oval. O anel fino se separava do núcleo por vários traços em forma de triângulos e seguiam consecutivos. O preenchimento dos ferros criavam um zigue-zague entre o núcleo e o anel, quase dois centímetros de separação. Certamente a porta possuía uma espécie de anatomia conforme a estrutura dos triângulos que por formalidade eram feitos desproporcionais um ao outro. A peça redonda e dourada provavelmente estava com o bispo naquele momento.

     _Não possuo a chave. – estremeceu.

     Um disparo saiu rumo ao canto da parede da sala fazendo espalhar alguns fragmentos da pintura, Aringarosa se rendeu, agora era intimidado pela fumaça que saia do cano da pistola.

     _Busque a chave se não o matarei aqui mesmo.

     _Tudo bem. - gaguejou - O bispo se levantou e seguiu em direção ao quarto.

     Remy o seguia com a pistola apontada, sobre a cama do quarto havia uma pasta preta. No interior da mala estava a chave, o bispo retira a peça e o entrega estremecido, Remy permanecia ansioso, provavelmente na portaria havia se acionado a polícia, em seguida o barulho da círene no carro de polícia soava sobre a rua, o fato conciliou com o reflexo da sua indagação. Remy se aproxima da janela para constatar a cilada. Sua mão ainda mirava sobre o bispo enquanto lentamente ele movia a cortina de seda para conferir os carros da viatura sobre o asfalto em frente à entrada do hotel.

     _Vamos. - tomou a peça de suas mãos em frações de segundos e colocou-a no bolso.

     No mesmo instante Remy o toma pelos braços para o fazer refém. Sobre a mira do cano da pistola, Aringarosa permanecia quieto e sem palavras, suas mãos estavam livres, porém usava tão-somente uma toalha branca de lã sobre a cintura. Ambos descem à portaria pelo elevador, no saguão principal, os policiais se posicionavam esquematicamente para vasculhar os quartos, o garçom que havia sido enganado estava sem entender o ocorrido, foi tapeado sorrateiramente com uma cópia de chave. Os para-médicos acabavam de sair do local com a vítima em côma. O funcionário ferido que foi baleado por Remy era posto sobre a maca com toda assistência, a área é evacuada em poucos minutos. Quase no mesmo instante, pouco tempo depois da retirada do socorro. Remy surge repentino, petulânte e cruel, seus olhos latentes e ameaçadores encaravam os policiais que se posicionavam pelas extremidades do salão. Seu traje alve-negro dava-lhe um caráter sombrio e asqueroso, sua pequena pistola Medusa sobre o cenho do bispo impedia qualquer reação contrária. Os agentes se alarmaram com a chegada inesperada do criminoso, todas as armas dos sete policiais que incluíam o capitão Bezu Fache e o tenente Collet foram apontadas repentinas contra Remy.

     _Ninguém se mova se não ele morre. - exigiu Remy.

     Aos poucos o criminoso ia andando em direção a porta de saída. Seus passos eram minuciosos, sua atenção era recobrada, qualquer cilada lhe faria popular nas camadas criminais. Antes de sair o tenente interprete do grupo, que foi acionado após certificarem de que o criminoso falava inglês, ameaça

     _Não conseguirá fugir, todas as viaturas estão posicionadas à sua espera.

     _Exijo um carro particular para sair, caso contrário, este homem não sobreviverá – ameaçou.

     Um detetive disfarçado a beira da porta de entrada, não possuía farda. De estatura baixa, usava um colete de couro marrom e uma blusa de ceda social listrada, também conversava em inglês, estava junto à outros três agentes policiai. Segurando sua arma contra o criminoso, instintivamente propõe:

     _Eu tenho o carro, mas preciso que solte o refém. - estendeu as chaves da mesma forma que segurava o gatilho da pistola.

     Remy não poderia confiar em sair sem a companhia de algum refém, Aringarosa já parecia impróprio para ser o piloto do carro. Aquela atitude foi decisiva para o criminoso que percebeu a pessoa ideal para ser o seu novo refém. Aquele interprete de cavanhaque, nativo e popular certamente seria mais valorizado entre os policiais do que o bispo que, à vista dos agentes, seria um simples hóspede afamado. Remy o encarou interessado na proposta, imediatamente ele retira a toalha branca de lã do bispo, todos se surpreendem. De modo desajeitado o bispo se atropeça, os hópedes que presenciavam a cena ficaram espantados, muitos curiosos gozavam do homem nú ao mesmo tempo que temiam o ocorrido. Aringarosa se tampa com as mãos, a toalha voa em direção a arma do detetive. O impacto fez com que o detetive perdesse a concentração ao mesmo tempo em que se atrapalhava com a mira da arma. Em fração de segundos Remy lança um chute cruzado em um giro de 360 graus e lança a arma do detetive ao chão, antes que os outros policiais conseguisse reagir, Remy toma o detetive como refém.

     _Quieto, você será o piloto. - sussurrou em seu ouvido ao pegá-lo pelo pescoço apontando-lhe a pistola.

     A atitude intimidou todos os policiais presentes. O detetive era um dos poucos agentes que faziam a proteção da porta de saída. O criminoso andava passos lentos.

     _Afastem, se não atiro. - ameaçou os dois policiais que obstruíam a porta.

     Os policiais se afastaram, do lado de fora Remy finalmente consegue escapar rumo ao terminal usando o detetive como refém. Fache ordenava as buscas pelo rádio, quando se aproximou do bispo Aringarosa assentado em um dos divãs do hotel, auxiliado por um dos garçons que lhe oferecia um copo d’água.

     _Capitão Fache? – seu anel de ametista com uma gravação de uma mitra eclesiástica recebida pelo próprio capitão Fache após o atentado, ainda estava exposto sobre seu dedo menor, acompanhado de seu outro anel episcopal de ouro quatorze quilates com ametista roxa e alguns brilhantes confeccionados à mão de uma mitra e um báculo clerical. – Como econtrou-me? – perguntou em seguida após tomar um gole d’água.

     _Fomos acionados por um dos motoristas do metrô na estação Battistini sobre o criminoso. Enviamos algumas fotografias de Remy Legaludec, afim de encontra-lo por aqui.

     _Tranqüilize-se estará seguro. – consolou Collet ao realizar a comunicação pelo rádio.

    

    

      

    

 

 

CAPÍTULO 10

 

 

     No Salon Carré do museu do Louvre, a dupla de investigadores ainda permanecia atônitos ao contemplarem o quadro de Michelangelo encontrado após decifrarem as pistas. Ornado por uma moldura de ferro engastado, o quadro era talvez a única cópia presente entre os afrescos do teto da capela em Roma que faziam as feituras das tapeçarias com cenas baseadas no gênese bíblico. O local de muitas obras de Michelangelo, inclusive 'A criação do homem', é a lendária Capela Sistina dependência do Palácio do Vaticano em Roma que reúne obras magistrais da pintura do Renascimento e do patrimônio artístico da humanidade e uma cópia do quadro no museu do Louvre fazia toda descrição da obra.

     O quadro exibia um primeiro homem de cabelos curtos, rosto liso e pele clara, apoiado sobre um tipo de relevo forrado por um gramado verde-úmido, apresentava-se totalmente nú. Sua projeção corporal demonstrava uma pessoa jovem e robusta. Do outro lado, um homem apoiado sobre uma grande nuvem pintada em tom carmesim, em cujo o espaço, se dividiam outros personagens de sexos diferentes e de aparência jovem, permaneciam unidos como que conduzidos pela grande nuvem ou manto vermelho. O segundo homem possuia uma barba grisalha em tom cinza escuro, usava um vestido rosa claro esvoaçante e era sustentado pelos braços do restante dos personagens.

     _Para mim isto não passa de uma analogia à criação do homem. - comentou o capitão conforme sua interpretação direta - O primeiro personagem, do lado esquerdo, representa o homem, o segundo personagem, envolvido pelos anjos apoiados sobre a nuvem, obviamente, representa Deus. As mãos foram pintadas em detalhes especiais, como se fossem o principal segredo da pintura, parecem ser condutores de eletricidade. Remete-nos à referencia bíblica, definitivamente não consigo encontrar outro argumento, mas vejo o relacionamento do homem e o milagre de dar e receber.

     Langdon acrescenta:

_Assim como outras obras renascentistas, o tema presente é a questão religiosa, bem como o ideal humanista e o conhecimento científico. A pintura é feita em contrastes de cores raras, sugerindo uma textura típica. O jogo de contrastes também é responsável pela sugestão de volume dos corpos, permite destacar na obra os elementos mais importantes da arte e obscurecem os elementos secundários. As principais pinturas representam as linhas verticais, horizontais e diagonais sido copiadas da realidade humana, assumindo verdadeiramente, as características do período.

     A Criação de Adão é um afresco de 280 centímetros de altura por 570 de largura, pintado por Michelangelo Buonarroti por volta de 1511. Está exposto no teto da Capela Sistina ao lado de outras cenas concebidas na época do Renascimento. Por essas enigmáticas coincidências em que a vida imita a arte, um dos maiores representantes da arte italiana é exatamente um auxiliar de Michelangelo. O talentoso artista, ficou mais conhecido como Caravaggio, nome da aldeia de onde a sua família era originária. Mestre das luzes e também talentoso com as formas como o seu hormônimo, Caravaggio expunha em suas telas uma agônia de existir e uma turbulência capaz de gerar obras de arte simples. Nessa ótica, Michelangelo e Caravaggio levaram o fluído dos seus trabalhos, sejam esculturas ou pinturas, à transcendência.

     O estudo do corpo e do caráter humano são características da época. Deus é representado como um ancião barbudo envolvido por um manto dividindo-o com alguns anjos. Seu braço esquerdo está abraçado à uma figura feminina. O braço direito de Deus está esticado para criar uma relação de vida com o seu próprio dedo estendido ao homem, o qual está com o braço esquerdo estendido em contraposição ao do criador. Ambos os dedos estão separados por uma pequena distância.

_Existem várias teorias sobre o significado da composição original de 'A Criação de Adão', levantadas principalmente por causa do amplo conhecimento que Michelangelo possuía em Anatomia. – Langdon prossegue - Abordada por vários autores em muitas teses ideológicas e uma das obras mais famosas de Michelangelo, o quadro recebe destaque pelo conjunto de fatores que se apresenta. Evidência o volume delineando dos músculos com arte no traçado das linhas e com o uso da perspectiva sacramental. A técnica renascentista cujos artistas conseguiam reproduzir os espaços reais sobre uma superfície plana, dando a noção de profundidade e de volume foi também muito usada por outros artistas empenhados na ornamentação geral.

Ambos seguem em direção ao quadro mais interessados em verificar os pormenores.

      _Realmente, as duas mãos que se esforçam em se encontrarem, em atitudes férteis de poder incomensurável e aceitação suspeitosa, demonstram uma dignidade única. O estudo do corpo e do caráter humano eram características do século XVI. Perceba que se compararmos as questões contemporâneas do estudo humano, - Langdon gira a luz em torno da imagem do homem - veremos que, ao traçar o corpo, Michelangelo conseguiu refletir seu conhecimento sobre anatomia de modo bastante sintético. Mas tenho que confessar que existe um outro enigma por trás desta misteriosa obra, uma interpretação indireta, pouco conhecida entre muitos simbolistas.

     O capitão embora houvesse sido informado pelo professor à respeito da relação mediana na península turca ainda pensava ter o conhecimento de alguma mensagem oculta no quadro. Procurando absorver seus pensamentos quanto as lembranças das interpretações científicas com base ao seu conhecimento geral o capitão arrisca um palpite:

     _Certa vez li um jornal que recebi de uma encomenda domiciliar. O assunto principal relatava algumas curiosidades sobre as dimensões paralelas dos mais famosos quadros artísticos do século XVI.  Em 1990, um médico chamado Frank Lynn Mesberger, neste artigo que li do 'Journal of the American Medical Association', afirmava que a figura em que Deus está apoiado sobre a nuvem tem o formato anatômico de um cérebro, incluindo a simetria frontal, nervo ótico, glândula plasmática e o cerebelo. - disse ao mirar a luz da lanterna sobre a imagem ao lado direito onde se posicionava Deus.

     O professor demonstrou que sabia do assunto:

     _Estudei sobre essa interpretação em uma aula particular na universidade de Harvad. O ensino é conhecido como o módulo A.A.A. a sigla abreviada significa Anthropology Analytic Artistic, o estudo é bastante eficaz no âmbito analítico. Observe que o manto vermelho de Deus tem o formato de um útero, e que o véu verde que sai de seu ventre pode ser provavelmente o cordão umbilical um tipo de bulbo. Todavia, esta ainda não é a interpretação secundária.

     Os investigadores ainda permaneciam alguns centímetros de distância do quadro antes de uma interseção feita com algumas fitas de náilon. As fitas eram separadas por placas de vidro de sessenta centímetros de altura sobre o apoio de suportes prateados que faziam a separação consecutiva à cada metro de largura das placas de vidro. A proteção era necessária contra o toque de visitantes aos quadros expostos. Embora a luz escassa no interior do salão conseguisse iluminar boa parte das obras, as lanternas ainda eram bastante necessárias para melhor a visualização dos detalhes.

Naquele mesmo instante alguém parecia surgir, talvez fosse Grouard, o segurança. Um pequeno feixe de luz de uma lanterna se aproximava lentamente da entrada pelo corredor de acesso ao primeiro salão, alguns toques repartidos no assoalho aumentavam substancialmente. O som tornou-se nítido, os toques vinham de um calçado feminino, Langdon tenta emoldurar a imagem indescritível que vinha da penumbra entre o corredor e o salão adjacente. A pessoa surge inesperadamente, os investigadores olham de relance curiosos em saber quem seria. Finalmente, após a identificação daquela inesperada visita, a dupla parecia se contentar mais aliviados com sua presença. Uma pessoa também investigadora, versátil e perspicaz não poderia ser motivo de inconveniência. Um sorriso discreto se soltou de sua boca que mostrava o brilho prestigioso da cor esclarecida de um suave batom, uma mulher ainda jovial, apesar de seus, aproximadamente, trinta anos se protegia das luzes refletidas pelas lanternas. Seu cabelo liso-crespo exprimia ainda mais a bela feição de seu rosto, sua lanterna elétrica foi um recurso auxiliar próprio para a investigação. Seu suéter verde-musgo de manga longa com detalhes preto, em um conjunto social de roupa escura, acrescentava-lhe ainda mais o caráter executivo. Langdon a observa espantado ao mesmo tempo em que se contenta:

     _Sophie?

     _Parece que eu não sou a única que está em busca de uma promoção no departamento. - comentou ao observar Fache - Pelo visto o capitão também se empenha em desvendar o mistério do Louvre? - disse ao mirar a luz sobre o rosto que tentava se desviar com a mão.

     _Agente Neveu?

     Após dizer as palavras em tom amistoso e sem demonstrar alguma aversão à Fache, a agente se aproxima lentamente em direção à dupla.

     _Resolvi segui-lo após receber do tenente o mandato de intimação ao professor Langdon. Fui ao hotel Ritz aonde consegui a informação de que Langdon acabara de partir rumo ao museu do Louvre. Na portaria interna, me infiltrei após apresentar minhas credenciais e finalmente fui direcionada por um segurança sobre sua localidade.

     _Temos uma nova pista, - replicou Langdon - o capitão Fache mostrou-me uma nova mensagem de Saunière antes de seu falecimento. Um outro anagrama que estava escrito no assoalho da galeria seguido pelo restante da mensagem anterior. Um anagrama idêntico e muito surpreendente, talvez este seja um dos motivos pelo qual fomos impedidos de encontrar o paradeiro real, o lugar secreto ou alguma nova pista relacionada ao Graal.

     Sophie encarou Fache apática:

     _Por que razão não me comunicou sobre esta outra mensagem?

     _Pelo visto, a senhorita Neveu já conseguiu perceber minha intenção em ganhar uma promoção no departamento. - disse de modo sarcástico - como se não bastasse, lhe comuniquei apenas sobre a frase que dizia para que procurassem o professor Langdon. Porém havia conservado o restante em minhas próprias mãos.

     Ao todo, o capitão havia apagado três frases das cinco, enviou somente uma frase à agente Neveu que a revelou ao professor Langdon, este por fim, havia sido informado apenas das duas primeiras frases. A primeira frase revelada entre as três apagadas pelo capitão era uma simples ordem de Saunière para procurarem Langdon, no entanto, o restante revelava enigmas extraordinários. No momento das investigações Fache tentou se responsabilizar das mensagens escritas no assoalho, mas a agente teve maior vantagem ao atrair a atenção de Langdon, um excelente professor de criptografia, ambos conseguiram importantes pistas ao desvendarem os enigmas. No decorrer das investigações conseguiram a própria chave do cofre de Saunière, e pareciam mais próximos à finalizar o enigma do que o capitão Fache. Porém agora algo parecia mudar o percurso do crime. Um novo mistério estava para ser desvendado e um novo destino seria traçado pelo grupo.

      _Bom, o assunto seria uma ótima matéria para o documentário em uma entrevista na B.B.C. international. Não é nenhum tipo de promoção como no departamento de polícia, mas com isto conseguiria enrijecer meu currículo investigativo trazendo-me eventuais contratações profissionais. Confesso que sinto-me honrado ao participar da investigação, ainda mais quando se trata da busca pelo santo Graal, uma das principais polêmicas da igreja medieval.

     Ambos pareciam gozar daquelas palavras do professor.

     _Estas investigações sempre nos trazem valiosas recompensas Langdon e como um documentarista, podemos exercer influência superior no âmbito publicitário. - comentou Sophie.

_Tenho que advertir sobre a procura pelo santo Graal. A busca sempre resultou em investigações intermitentes, poucos conseguem êxito ao encontrarem o paradeiro real. A minha intenção também está ligada à preservação do segredo. Uma vez conhecedores do mistério, jamais poderemos revelá-lo à mídia, à outrem. Porém tenho que admitir que o Graal trata-se de uma grande força de influência cósmica capaz de reunir os principais conselheiros da igreja e os seus respectivos adeptos em uma única esfera.

     _Afinal, qual é a mensagem? - perguntou Sophie.

     _O, lame chieng! Magdona Moessina! - respondeu Langdon.

     Shophie franziu o cenho estranhamente pasmada com a frase. A similaridade entre as frases era quase incontestável, aquilo não poderia ser uma simples meticulosidade de Fache, e cada vez mais a agente se sentia atraída pelo que ouvia. Bastava apenas saber se o sentido incógnito faria algum sentindo em proporção às pistas do Graal.

     _Esta frase é bastante similar à outra. O, Draconian devil!     Oh, lame saint! - se recordou Sophie - o termo lame nas duas mensagens foi usado com prioridade por Saunière, talvez isto possa ter algum sentido direto.

     _Não tenha dúvidas, a frase Magdona Moessina possuí uma etimologia muito singular, o significado dos dois termos pode se referir à uma dignidade pontífica da antiga Mésia, região costeira de Constantinopla, uma autoridade de uma ou outra parte, antepassada ou atual, clériga ou política. Estas possibilidades podem ser devidamente aceitas, a singularidade é muito inerente, visto que, entre ambas as regiões existe um ponto de entroncamento que sapara as duas principais esferas políticas entre o Mar Negro ao norte e o Mar Eugeu ao sul. Mas Magdona em referência à Moessina também pode fazer alusão à própria região no estreito da antiga Thrácia, atualmente conhecida como o estreito de Istambul. Esta possibilidade pode ser aceita sem necessariamente insinuarmos a localidade, a região engloba as duas esferas, neste caso nos referimos à geografia do bósforo. A denominação matrimonial da região vária entre muitos aspectos. Posso citar, por exemplo, algumas antigas civilizações congênitas estabelecidas na região dos lagos, no litoral pelo lado oriental, constituíram pequenas repartições distintas às culturas turcas, o que também contribui com a variação da denominação no bósforo. A geopolítica atual define os habitantes como oriundos da antiga península da Criméia. Por estes povos a região era comumente aceita como o estreito de Kerch. A denominação, segundo a linguagem vulgar e a definição geopolítica, transporta-se geralmente para, o Bósforo de Criméia ou Cimeriano, com maior aceitação pelo lado ocidental. Todavia, esta é a provável área evidenciada pelo anagrama, o bósforo de Istambu, como é conhecido pelos demagogos. Tenho que frisar a observação de um caráter relativamente pejorativo, tendo em visto o termo Moessina que possui uma linguagem diminutiva, aumentando ainda as chances com intenções repreensivas.

_Algumas vezes encontrava esta linguagem no vocabulário bíblico, e o sentido de fato constitui a intenção repreensiva à respectiva civilização antecedida geralmente por um pronome de tratamento. – disse Sophie.

_Muitos enigmas são geralmente elaborados a fim de facilitar a interpretação das palavras. O, Draconian devil, Oh, lame saint, escritas na primeira mensagem por exemplo, nos remete à uma certa condição direta da palavra quando decifrarmos o anagrama. A consideração pode ser observada até mesmo antes da interpretação. Prova disso foi a primeira tentativa em desvendar as duas primeiras frases do anagrama na investigação anterior, tive de fato à impressão de estar envolvido com registros da idade medieval ao constatar as palavras Draconian devil, e a elaboração das palavras culminou com a confirmação do quadro da Mona Lisa, definitivamente confirmado pelos termos lame saint. Embora Sophie houvesse observado a presença de um anagrama entre as palavras desfechando com o enigma que nos remetia à tais suposições, ainda assim conseguia identificar muitas pistas referentes à Mona lisa.

     Para aumentar a confusão quanto as denominações também se chamava uma área perto do estreito pelo nome de Chersonesus Trácio, conhecido nos dia de hoje como Gallipoli, talvez um pequeno porto do lado ocidental e o Chersonesus Cimeriano, que corresponde à península da Crimeia, em contraposição pelo lado oriental. Dada a importância do estreito na defesa de Istambul, os sultões otomanos construíram uma fortificação em cada lado dele, os nomes Anadoluhisari em 1393 e Rumelihisari em 1451 foram provavelmente modificados, mas provavelmente o antigo nome do porto de Gallipoli ainda permanece intacto pelo lado ocidental. A importância estratégica do ponto ainda continua alta, diversos tratados internacionais mantêm navios na área, incluindo a Convenção de Montreux para o Regime dos estreitos turcos, assinada em 1936.

     Existem registros históricos que confirmam as inúmeras batalhas navais travas no estreito deste bósforo, geralmente entre cristãos e turcos. Uma das batalhas mais importantes foi disputada entre os gregos e os otomanos. Algumas batalhas houve também em que o bósforo foi aproveitado para ataques cruzados na idade média contra os árabes e também dos bizantinos contra supostos otomanos.

     _Este habito realmente é uma alcunha de Saunière. - comentou Fache ao apagar a lanterna - O termo lame é usado nas duas mensagens tal como a expressão Oh. Este termo me parece ser algo ambíguo, que pode fomentar certa relação contrária ao elogio, à vanglória e ironia ou talvez uma exaltação ao substantivo presente. Mas realmente estou surpreso com a junção das letras criadas por Saunière para forma os anagramas.

     _Afinal, qual é o sentido secreto do anagrama? - perguntou Sophie curiosamente.

     _Moisés a god man. É o sentido da primeira frase, que à principio, não nos revelava a obra à ser abordada. Mas quando deciframos a segunda frase, cujo sentido dizia sobre o ilustre autor Michelangelo, tive a imediata lembrança à respeito da segunda interpretação de uma das principais obras do artista, 'A criação do homem'.

     _Incrível. - a agente se surpreendeu - E como é esta interpretação? - perguntou em seguida.

     O capitão já permanecia em estado de agonia ao mover seu rosto atento à obra para saber sobre a interpretação indireta do professor Langdon.

     _A surpresa maior ainda pode estar vendada. - o professor fazia um certo suspense - Como disse, existe uma outra interpretação através do sentido direto dada por muito eruditos analíticos. É concebível de que a parte entre os dedos opostos possa emitir significados transgênicos. Ao conciliarmos o primeiro sentido do anagrama com o segundo sentido da mensagem oculta, o qual nos arremeteu à identificação do quadro, chego a irredutível conclusão que proponho. - Langdon mirou a luz da lanterna sobre o ponto de circunferência entre os dedos reforçando a escassa luz emitida ao quadro pelos plafons internos - Observando os dedos indicadores quase unidos enxergamos a firme analogia dada pelo ponto de interjeição entre a antiga Mésia, atual Turquia. Separada pelo bósforo de Istambul e separada por duas regiões distintas como a antiga Thrácia e a antiga Nicéia pelo lado oriental, a região foi cenário de muitas passagens políticas, cívis e bélicas como as cruzadas. Os quatros dedos restantes das duas mãos representam as quatro maiores potências do século I. A França, Inglaterra, Alemanha e Itália pelo lado ocidente e Turquia, Iraque, Irã e Israel pelo lado oriente.

     _As leis escrita na bíblia segundo a doutrina de Moisés, foram expandidas pelo lado oriental ganhando muitos lideres adeptos que se basearam nos costume fazendo surgir outras religiões similares. Devido a doutrina escassa dos povos primitivos muitos chegaram ao ponto de exaltá-lo como um tipo de deus, por isto a interpretação geralmente possui este título. Mas a evolução doutrinária levou vários embarcadores a expandir a mensagem para o lado ocidental. Este período ficou marcado por muitos conflitos, tal símbolo é a transmissão dada pela mão direita. No lado ocidente não foi diferente, muitos já tinham o costume de honrar os heróis como deuses, mas o regramento foi eficiente ao trazer as revoluções pragmáticas, porém, a aceitação da doutrina seria estabelecida apenas no século IV, com o decreto de Constantino I. Após disciplinar muitas civilizações, a doutrina atingia seu auge. O homem nú como demonstra o quadro já não parecia primitivo quanto as regras morais. Os eruditos foram mais além, muitos afirmavam que pelo lado ocidente existia um tipo de doutrina diferente, uma ideologia também disciplinar e eficaz a ser expandida. Esta transmissão se cumpriu, e Egito e Israel também foram anexados ao poderoso domínio de Roma, contudo, um tratado que estava à ser firmado à todo o oriente não entrou em vigor. Como no concílio de Nicéia, para a adesão das leis religiosas, o império bizantino planejava um concílio para adesão do poder ocidental. Os registros de relatos históricos à respeito deste domínio nunca foram encontrados, isto explica porque somente algumas partes do oriente sofreram com o poder de Roma. Finalmente, nos dias atuais temos o equilíbrio entre os dois hemisférios e o reconhecimento de muitas nações ancestrais em todo o globo atual, que segundo estes eruditos, trata-se dessa relação polícia representada de modo metafórico no quadro.

     _Interessante professor, - o capitão elogiou de modo rude - mas temos pouco tempo para concluir a investigação, anotarei as premissas em minha agenda.

     Apesar de sua real sinceridade, o capitão se moveu em direção ao quadro saltando a placa de vidro que cercava os quadros contra a aproximação dos visitantes demonstrando certo desinteresse ao assunto. O capitão se vira contra Sophie e ordena:

     _Quero que desligue as luzes dos refletores nesta parede pelo painel de força eletrônica instalado antes da entrada do salão pelo corredor de acesso a direita. - apontou ao caminho à ser percorrido - As luzes deveram estar totalmente apagadas como no modo anterior.

     O segurança havia permitido que os investigadores acessassem o painel ao destravá-lo. Em seguida o professor Langdon realiza o mesmo procedimento. Após apagar as luzes daquela parede, a agente Neveu o acompanha saltando de modo desajeitado. Com a lanterna de luz negra acesa o capitão averiguava primeiro o vidro do quadro movendo lentamente sua mão de um lado ao outro. A ordem do segurança era para que não saltassem os locais que não fizessem parte da investigação.

     _Interroguei Grouard, o segurança do museu, e fui informado sobre os vestígios de sangue no corredor antes da entrada ao Salon Carré. - dizia enquanto movia a lanterna - Embora eu tivesse realizado a vistoria pelas paredes do corredor próximo aos vestígios com o uso do mesmo aparelho de luz negra e inclusive na sala onde se encontra o quadro da Madonna of Rocks, nunca poderia imaginava que Saunière houvesse deixado alguma mensagem neste salão. - comentou o capitão.

     _E você conseguiu encontrar alguma outra mensagem? - perguntou Sophie.

     _Infelizmente não, em nenhum destes locais.

     _Realmente você foi induzido pelos vestígios de sangue, porém ao decifrarmos a primeira mensagem, eu e o professor fomos orientados ao local exato onde se encontra o quadro da Mona Lisa, neste local também encontramos um outro anagrama na parede.

     O capitão se ergue devagar curioso para observá-la após analisar a superfície inferior do vidro sem nenhum registro.

     _E o que estava escrito? - perguntou atento.

     _So dark the con of man. O sentido secreto é ‘Madonna of Rocks’, nos destinou ao quadro de Da Vinci onde encontramos a chave do cofre de Saunière.

     _Então a mensagem pode estar provavelmente na parede ao lado.

     O capitão iniciou uma nova procura pelo lado esquerdo. Movendo a lanterna devagar, em alguns centímetros afastados do quadro, sua mão passava cuidadosa, algo parecia evidenciar o comentário da agente Neveu. Em frações de segundos uma surpreendente mensagem foi se revelando. Uma ortografia fluorescente incandecida, mostrava as letras que o curador havia deixado, um tom rubro-violeta, aparentemente roxo, formavam as palavras pelo reflexo do aparelho. O brilho das letras produzido pela luz-negra foram se destacando aos poucos, Langdon permanecia pulsante, seus olhos perplexos não se desviavam da frase. 

     _Incrível! - a agente pasmou curiosa e se aproximou ainda mais das letras para analisar a mensagem.

     A frase formava uma seqüência de três orações simultâneas, uma seguida pela outra em forma de escala, não parecia ser um novo anagrama e cada período da frase se ordenava de acordo com o propósito.

     I'm a epic history, I'm going against the title, I'm going beyond from the last point.

     Eu sou uma história épica, eu vou contra o título, eu vou além do ponto final.    

     _Esta frase de fato é muito misteriosa. - comentou o capitão - Trata-se de uma metáfora arcaica, cujo adjetivo do personagem narrador não se aperfeiçoa ao adjetivo de uma pessoa simples. Isto reflete a imagem de um ser de competência peculiar, não tenho dúvidas, mas se o professor preferir, pode começar a elaborar as letras. - lhe transferiu o aparelho de luz-negra descartando a possibilidade em tratar-se de um novo anagrama.

     Langdon analisava atento concordando com o capitão.

     _Finalmente o sentido direto da frase. A região que o professor nos detalhou em relação ao quadro se enquadra perfeitamente nesta mensagem. De acordo com o que foi dito, o personagem pode se referir à uma entidade partidária, política ou religiosa. Ou talvez Saunière tivesse tratado de si mesmo. Não é de se estranhar que uma pessoa como o curador quisesse se manifestar com intimas filosofias antes de sua morte, encontramos registros de sua relação com o Priorado e a confirmação de sua categoria como Grão-Mestre, mas nada ainda pode ser elucidado. - comentou Sophie.

     _Eu prefiro pensar que o falecido procurou se expor de modo a revelar sua verdadeira moral quanto à sua morte medíocre. Uma inspiração momentânea que lhe surgiu de sua penosa resistência em sobreviver ao disparo. Imagino que sua vaga angústia quanto a ausente razão do crime tivesse o levado à uma suposta culpa de irresponsabilidade.

     No mesmo instante Sophie fotografava o local onde estava escrito a mensagem, alguns flash's saiam disparados contra a parede. O capitão registrava a frase em suas anotações. A mensagem não era muito relevante à Fache que procurava por pistas mais precisas quanto ao paradeiro do criminoso. Para a agente Neveu isto significava uma nova pista rumo ao caminho do santo Graal. Mas para todos, tratava-se de uma frase sistemática e assustadora, um privilégio, uma simples passagem para o fim da investigação e mais uma complexa descrição do então enigmático Sauniére.

     _O assunto está muito bom, mas tenho que partir, estou atrasado, tenho que terminar um relatório para a próxima audiência. Muito obrigado Mounseiur Langdon. - o estendeu as mãos satisfeito com as pistas encontradas.
     Ele se despede da agente Neveu e em seguida salta a placa de vidro.

     _Capitão! - chamou Langdon.

     Fache que já iniciava os passos de partida à saída principal do salão se vira inesperado em direção ao professor. Seus olhos observaram distraídos ao alvo, Langdon parecia segurar algum objeto, o capitão não imaginava, ele finalmente focaliza a peça espantado.

     _A chave do cofre de Saunière! - relembrou Langdon ao estender o braço segurando-a com as pontas do dedo.

     A investigação havia o deixado bastante impactado, o capitão quase se esqueceu de que seu encontro com Langdon seria recuperar a chave e entregá-la ao tenente. O professor segurava a chave dourada que brilhava com os reflexos da iluminação restante no salão.

     _Ah sim, obrigado. - Fache retornou os passos em direção à Langdon.

     Em seguida ele estende a mão para pegar o objeto, seu braço movia lentamente em direção à chave. Poucos centímetros para pegá-la e Sophie o interrompe no mesmo instante. Um salto inesperado e um ágil movimento com as mãos conseguiu tomar a chave da mão do professor.

     _Langdon! - exclamou estranhamente - A chave nos levará à eventuais pistas no cofre de Saunière.

     Fache pegou sua carteira de couro preto e lhe apresentou o distintivo da polícia.

     _Devolva a chave Sophie, este objeto está sob minha jurisdição. - disse ao mover os dedos sinalizando o pedido.

     O instintivo da polícia sempre é entregado aos agentes incumbidos em alguma suposta missão antes da saída. Embora as credenciais concedesse a liberalidade de entrada ao museu, privilégios cívicos, detenção, aplicações de multas e defesa moral. O instintivo, todavia, era somente usado em casos especiais como em investigações, intimações e apreensões concedidas pelo tenente. Sophie entendeu e o devolveu a chave um pouco frustrada.

     O capitão colocou a chave no bolso interno do palitó, guardou sua carteira e despediu em seguida:

     _Nos veremos em breve. - saiu pela porta central.

     Ambos se viram contra o quadro, o aparelho estava sobre a mão de Langdon.

     _Pegue. Passe a luz enquanto eu anoto. - ordenou à Sophie para que passasse novamente a luz.

     Enquanto a agente novamente emitia a luz-negra sobre as letras o professor comenta:

     _Se esta mensagem de fato faz referência a mesma região do quadro, chego a conclusão de que o santo Graal possa estar sob a custódia de alguma entidade autêntica no estreito de Constantinópla.

     Langdon rapidamente anota a frase, a agente já havia desligado sua câmera fotográfica que estava suspendida sobre seu pescoço por uma corda de fibra apropriada, o número de fotografias era suficiente para encerrar a investigação. O professor agradece, o aparelho é desligado, ambos saem pela saída no corredor interno onde ao lado deveriam novamente reativar a luz na força-elétrica que clareava o quadro exposto na parede marcada. Na cabine interna dos seguranças, Grouard armazenava o aparelho e foi devidamente ordenado para apagar a mensagem.

     _Tem certeza de que não foi encontrado nenhum outro vestígio no dia do crime? - perguntou Sophie.

     _Definitivamente não senhorita. - o segurança parecia receoso, não ousou observá-la, respondeu com certa ignorância em tom de vóz aguda, próprio de sua fala enquanto movia os objetos.

     _Deveria ter sido preso por ter deixado o criminoso entrar.

     Grouard que já suspeitava de sua intenção em tocar no assunto retruca:

     _Pior seria a pena para alguém como você, que tentou destruir a Madona das Rochas. - disse o segurança se recordando perfeitamente da agente em uma das salas do museu no dia do crime.

     No dia do crime, através da bruma avermelhada do quadro da Madona das Rochas Sophie intentava destruir a tela com o joelho, se caso o segurança não permitisse a fulga. O segurança vendo que a agente havia erguido a enorme pintura, de um metro e cinquenta ao tamanho da tela, retirando-a dos cabos de sustentação e do alarme de ativação e apoiando-a no chão diante de si, não teve outra escolha, permitiu a fulga dos investigadores.

 

 

 

 

CAPÍTULO 11

 

 

 

     Na manhã seguinte, Sophie se apressava entre os corredores do departamento judiciário. Seguia à seu escritório em passos avulsos. No primeiro corredor os telefones já soavam em tons intermitentes, algumas vozes surgiam pelas cabines. A agente portava algumas pastas em suas mãos, sua pressa fez com que um de seus agentes de serviço não recebesse a saudação do dia. Sua reação não era nada comum, algo em sua mente estava para ser realizado, uma idéia relacionada à alguma solicitação. Um documento bancário foi imediatamente impresso, o arquivo estava armazenado em um dos documentos digitais no computador, tratava-se de um pequeno atestado da conta financeira de Saunière no banco de custódia de Zurique. A folha sai pela abertura da impressora, algumas referências seriam essenciais para que a agente conseguisse desenvolver a sua investigação quanto ao crime.

     A solicitação teria sido preservada durante os últimos dois dias, o documento seria uma espécie de 'carta guardada' na manga de Sophie. A emissão da folha foi feita diretamente pela diretoria central do banco de custódia. Seu remetente visivelmente expresso sobre o cabeçalho, confirmava a ação indispensável do sub-secretário do diretor geral André Vernet, pessoa à quem foi encaminhado o pedido. Embora a promotoria possuísse os termos da transição bancária do testamento hereditário para o legítimo sucessor pendente, a permissão para investigações aparte diretamente ao cofre interno, pôde ser resolutamente outorgada pelo diretor. Um carimbo de autentificação selado em uma carta distinta dos papeis testamentais, concedia a deliberação do acesso ao cofre sob responsabilidade da agente.

     A folha impressa foi pega e posta em uma das pastas de serviço, a agente sai da sala rapidamente em direção à uma sala específica à poucos passos de distancia. Uma autorização foi dada pelo correspondente de serviço secreto em um setor próximo ao escritório de Sophie. Novamente apressada, seguiu em direção ao gabinete do tenente Collet, sua última tentativa em conseguir alguma pista pelo cofre de Saunière, agora dependia da confirmação do tenente. A chave não teria sido entregue pelo capitão que a recusou em prol do serviço de proteção à posse alheia, o tempo era curto, alguma pista poderia haver no cofre, a última visita ao banco não foi nada peculiar, a perseguição da polícia contra os investigadores acusados do crime teria culminado com uma rápida inspeção ao cofre. Este fato acarretou com a saída exasperada dos investigadores do banco com a posse do críptex no dia do crime. A atenção da agente voltada ao objeto permitiu que tão-somente isto fosse vistoriado. Algo em sua mente lhe conduzia a convicção de que uma pista estava a ser encontrada no banco.

     Os toques ressoavam sobre a porta do tenente, era Sophie.

     _Permisso. - pediu licença ao entrar.

     _Entre. - ordenou.

     _Tenho algo importante à lhe informar.

     _Assente-se. - Lhe ofereceu lugar.

     Sophie se assenta sobre uma cadeira móvel de estofado azul-escuro posicionado à frente do escrínio. Algumas folhas foram sendo retiradas da pasta logo em seguida.

     _Sobre o que vem a tratar?

     _Um documento proveniente do banco de custódia de Zurique.

     O capitão recebe as folhas atento, seu óculos ao lado foi colocado em seguida para análise das cláusulas. Antes de sua leitura Sophie comenta:

     _É a respeito da conta bancária da vítima Jacques Saunière.

     Um pequeno trecho pode ser rapidamente lido pelo tenente, o primeiro artigo atribuía o pedido autônomo de Sophie para uma eventual inspeção ao cofre de Saunière. A investigação ao cofre talvez seria uma da últimas alternativas para o desfecho do crime. Collet já parecia informado sobre o assunto, uma ordem do banco compatível ao pedido presente teria sido anteriormente analisado por um dos seus subordinados, o testamento de fato permitia a investigação ao cofre pelos agentes policiais e por supostos parentescos. O documento foi um objeto responsável pela inocência da agente que havia feito um saque irregular no banco. Talvez o tenente negasse a autorização, a irresponsabilidade de Sophie em sacar um pertence alheio lhe parecia recomendável. Mas sua expressão denotava uma condição favorável.

     _Preciso da autorização do correspondente. - exigiu.

     A permissão estava prestes a ser confirmada, a folha foi retirada da mesma pasta e entregue à Collet. O tenente pega o documento atento, os carimbos, a autorização e a assinatura do correspondente estavam autênticos. Uma caneta posta sobre um fino caxepô de bronze usado como porta-canetas foi retirada, Collet parecia disposto à assinar o pedido, mas algo estava à ser advertido.

     _Quero que o tempo da investigação seja feito de acordo com o tempo estabelecido, todas as normas deverão ser cumpridas e as pistas deverão ser encaminhadas ao meu escritório para que sejam devidamente depositadas ao armário restrito. Quero acompanhar a ivestigação, todo cuidado é pouco.

No mesmo instante o tenente assina o documento, a autorização permitia que Sophie investigasse o cofre da vítima. As folhas são entregues, seu semblante modificou-se para uma satisfação maior.

     _Não quero que o mesmo fato torne a se repetir. - advertiu.

     A agente agradece aliviada, Collet se levanta após assinalar o pedido. Conduziu-a para um armário metálico embutido em uma das paredes da sala. Situado próximo ao escrínio, o armário possuía compartimentos exclusivos. Muitos documentos eram depositados, divididos e vigiados nas gavetas. Os objetos criminais encontrados pela equipe de Collet eram comumente armazenados nestes espaços. O tenente movia o dedo devagar em direção à gaveta principal procurando identificar a plaqueta que informava sobre objetos da vítima. Em poucos segundos a porta foi destrancada, de seu interior foi retirado a chave do cofre de Saunière, uma peça dourada similar à flor-de-lis.

     Sophie recebe a chave contente, seus olhos artudidos agora se viram contra o tenente, um outro pedido foi solicitado:

     _Tenho mais um pedido. - informou.

     _Estou à seu dispor Sophie. - atendeu com gentileza - Mas não posso cumprir com algo muito pesaroso à ser efetuado, tudo deve ser de acordo com meus limites.

     _Não se preocupe tenente. - consolou - O que tenho à solicitá-lo não será pesaroso.

     _Solicite.

     _Preciso do críptex em cujo interior havia o papiro. Este objeto será essencial para a conclusão da investigação, posso assegurá-lo de que o objeto estará em todo cuidado.

     O tenente parecia preocupado, mas seu dedo novamente se move à procura da plaqueta que dizia sobre os objetos do crime. Uma outra porta metálica foi aberta, alguns vestígios criminais se acumulavam em torno do estranho críptex que teria sido a causa de muitas perseguições. O objeto é entregue com cuidado à agente que o recebe agraciada.

     _Devolverei em breve.

     Novamente Sophie atravessa os corredores apressadamente. Seus últimos desejos foram realizados. A autorização para acessar o cofre de Saunière estava em suas mãos, o críptex que guardava o segredo poderia ser uma peça fundamental em relação aos códigos. Preciso de encontrar Langdon, pensou enquanto andava pelos corredores. O telefone do escritório é acionado para uma conexão ao professor. Langdon atende, era Sophie.

     _O que devo a honra da ligação? - perguntou surpreso.

     _Preciso de sua companhia urgente.

     O impulso de sua comoção pôde ser transmitido pela entonação de sua voz. Langdon entendeu que algo importante estava para ser dito, uma pista talvez. Seu interesse voltou-se ao pedido:

     _Fale.

     _Consegui uma permissão para uma eventual investigação no cofre, devemos novamente enfrentar este estigma, tenho um breve pressentimento de que algo importante esteja no cofre.

     _Ótimo, realmente não tivemos tempo suficiente para averiguar os detalhes do cofre, a polícia nos pressionou o bastante para tomar o tempo de vistoria. Existe uma grande probabilidade em encontrarmos alguma pista.

     _Esteja pronto na portaria, estarei em frente ao hotel em poucos minutos. O informarei quando chegar.

    

 

 

 

CAPÍTULO 12

 

 

    

     Em uma quadra próxima à Cidade do Vaticano, ligado ao mesmo conjunto, estava localizado um pequeno palacete condecorado em cultura bizantina nos montes albanos, local onde também o papa acostumava realizar reuniões. O Castel Gandolfo, propriedade da Cidade do Vaticano, incluía a famosa biblioteca cronológica e eclesiástica de Roma. O área como parte de toda a propriedade se assemelha à uma mansão onde o pontífice e a camada clériga costumam passar as férias de verão. O antigo vilarejo do século XVI onde abrigava-se a Spécula Vaticana, era um tipo de observatório astronômico. Talvez, um dos mais modernos observatórios da Europa medieval, agora é parte da ornamentação da suprema igreja de Roma. A cidadela do século XVI lembrava um imenso castelo, impressionante exemplo de arquitetura defensiva.

             Uma longa estrada de pedras antes do acesso principal à parte alta do ornamento, formava o único caminho de entrada ao palacete pela parte de trás, um acesso privilegiado dos membros da igreja. Pendurado à beira de um penhasco, o castelo debruçava-se sobre o berço da civilização italiana, o vale onde os clãs Curiazi e Orazi lutaram muito antes da fundação de Roma. Da estrada de acesso, Gandolfo lembrava um imenso emaranhado de pedras refletindo as melhores de suas qualidades.

Por esta estrada se aproximava um Voyage 1.7 preto, era o secretário de estado do Vaticano, responsável pelos assuntos jurídicos da Cidade do Vaticano. Ao seu lado estava seu motorista particular. Uma congregação clériga o aguardava ansiosa, todos se reunira em uma das sala de reuniões, um ambiente arejado e prestigioso, altamente iluminado por valiosas luminárias, estava em prontidão para a recepção do bispo. O assunto à ser discutido seria sobre o código para acessarem um dos segredos preservados pela igreja aos principais protetores de Roma ao longo dos séculos. O corredor do andar superior era amplo, ricamente mobiliado, e levava apenas a uma direção, um imenso conjunto de portas de carvalho com uma placa de bronze, biblioteca astronômica, a biblioteca de Astronomia do Vaticano, diziam conter mais de 25 mil volumes, inclusive obras raras dos antigos mestres.

Três homens, ocupavam a lateral da mesa comprida posicionada ao outro lado do salão. O secretário de Estado do Vaticano, senhor de todos os assuntos jurídicos dentro da Cidade do Vaticano. Usava uma silhueta, era Giuseppe Boanergo, cardeal da igreja e um dos lideres da congregação de outros cinco componentes presentes à reunião. Estava posto em pé sob uma extensa mesa de madeira cedro envernizado em cuja superfície cobria-se um vidro de dois centímetros de espessura. Um candelabro dourado de sete pontas de origem judaíca estava posto sobre o centro da mesa. Na mesma altura uma arandela em forma de cascada descia sobre a mesa reluzente pelo reflexo dos pontos cristalinos. Cada cardeal possuía sobre a mesa livros arcáicos de assuntos religiosos em capas de couro duro e uma pequena bíblia auxiliar. Muitas informações sobre acontecimentos históricos eram estudados pelos integrantes, que por sinal, faziam parte do Priorado de Sião.

     Os passos da sapatilha de palmilhas metálicas soavam pelo corredor principal, houve um silêncio em todo o salão central, o barulho surgia devagar, era o bispo Berlúcio Kalabrasas acompanhado de seu assistente. Sua chegada foi pontual, um horário estava previsto, sua conduta foi amena. Se aproximou do cardeal Boanergo que o aguardava perto ao centro da mesa entre os assentos e o salão. O bispo o cumprimenta em palavras latinas e estende a mão direcionando-lhe as pontas dos dedos. Como de costume o secretário recebe um ósculo sobre seu precioso anel Rubi reluzente.

     _Seja bem-vindo Reverendíssimo. - convidou o cardel.  

     O bispo, trajando um manto negro de manga cumprida e uma batina redonda de couro sobre a cabeça acenava com as mãos enfeitadas por quatro anéis preciosos em sinal da oração. A atitude do bispo dava início à reunião, muitos permaneciam de pé com os braços cruzados entre os pulsos em sinal de reverência. Logo após uma breve oração predita em língua latina, todos se assentam. Um cinto rubro-negro em torno do tronco, relativamente largo em comparação à um cordel dourado com pequenas tranças de bodas desfiadas em cinco centímetros de largura, era usado especialmente pelo bispo que possuía uma posição superior na camada clerical. Assentou-se em contraposição ao cardeal Boanergo que se posicionava à direita, segundo o acesso pelo salão principal.

     _A busca pelo Graau se intensificou exponêncialmente. - iniciou o discursso - Temos notícia de alguns assassinatos durante à última década e dentre estes, o nosso notável Jacques Saunière, o último Grão-Mestre. Um dos guardiões do Graal. O segredo tem que ser descoberto o quanto antes, se falharmos, não teremos a chance em desvendar a mensagem aos nossos sucessores, e isto somente após doze anos a seguir.

     O padre jesuíta, padre Mangano, um jovem de estatura média, cabelo preto liso, astrônomo e membro do Priorado, se aproxima do bispo com um calendário.

     _Obrigado. - agradeceu.

     Em seguida o bispo revela as descrições.

     _O soltício de verão está próximo, o dia previsto é 21 de junho à 24, temos pouco tempo até decifrarmos o código no monasteiro secreto. Setenta e duas horas estão relacionadas.

     Tudo parecia evidenciar a presença de um local em que se necessitaria de códigos para se desfrutar de certa mensagem secreta.

     _Somente o monasteiro preserva a verdadeira mensagem. Temos que obter a senha antes do dia em que nos reuniremos para conhecermos o segredo.

     Como Sophie havia presumido, de fato existia um local desconhecido e sigiloso, de sorte, preservava uma importante mensagem. Como no regulamento de um banco comum, esta mensagem poderia estar mantida sob a proteção de uma senha eletrônica. A revelação do bispo confirmava a dedução de Langdon que conjeturava a presença de um outro código no papiro do críptex quebrado.

     _Ainda não temos a senha para adquirirmos a mensagem, Saunière foi atacado por conspiradores ligados à um suposto grupo terrorista francês. A polícia local recebeu permissão para investigarem o cofre do falecido, porém falharam na tentativa de manterem a senha do críptex intácta.

     Todos se surpreendem, a notícia era frustrante, uma rápida discussão se disseminou entre os membros que comentavam em voz baixa à respeito do código. A real certeza de que o críptex possuía uma outra senha no papiro interno esclarecia a dúvida quanto ao conteúdo daquele estranho objeto procurado. Uma mensagem secreta dependia desta senha, o tempo parece curto para os demais envolvidos e todos permaneciam influenciados por um tenso suspense decorrido dos fatos.

     _Infelizmente a senha se dissolveu sob à tentativa de violação da pedra-chave por Leigh Teabing, um antigo conhecido nas minhas relações exteriores, uma ilustre pessoa que também está envolvida na busca pelo Santo-Graal. Por muitas vezes esteve na biblioteca do Vaticano à procura de informações secretas, juntos desenvolvemos muitas interpretações ligadas à este mistério.

     A notícia apavorou o padre Mangano que havia recebido algumas pistas sobre a senha da mensagem. O silêncio tomou as cadeiras do salão, Kalabrasas se lamentava ao saber que um de seus conhecidos, havia destruído o sonho dos guardiões.

     _Podemos subornar os guardiões da Capela com os dois milhões filantrópicos doados pelo bispo Aringarosa. - sugeriu o padre.

     Kalabrasas achou interessante a idéia, mas descartou:

     _Mesmo se pagássemos, não seria suficiente. Para se conhecer a mensagem precisamos do código. Os guardiões não possuem conhecimento sobre a senha da mensagem, muitos já foram perseguidos por este motivo, porém, nunca a senha pôde ser revelada à pessoas alheias. Além do mais, os dois milhões de dólares foram depositados em uma conta especial para a reforma deste conjunto, o financiamento também servirá na construção de uma sede particular no local próximo onde será encontrado o Graal, isto se for de fácil acesso.

     _A sede em Jerusalém parece omitir sua idéia? - comentou um dos cardeais.

     _A crença de que o Graal possa estar nesta região foi desmantelada alguns anos atrás, assim como no museu do Louvre, conforme muitos pesquisadores acreditavam estar. Este fato explica porque esta mensagem está guardada na ampola-dos-segredos, comumente conhecida como, criptogamo-do-sol, criada por Leonardo Da Vinci no século XVI.

     Algo estranho dito pelo bispo parecia ser o armazenador da mensagem, um tipo de aparelho eletrônico talvez. Como um caixa eletrônico de um banco que se necessite de uma senha responsável pela emissão das cédulas, assim o criptogamo-do-sol poderia ser o principal objeto do mistério, responsável pela emissão imediata da mensagem, um aparelho situado em um lugar secreto à ser encontrado, uma nova referência aos pesquisados na busca pela mensagem que supostamente revela o paradeiro real do santo-Graal.

     Um padre romano que atuava como presidente do conselho interno na Sicília interrompe para um breve comentário:

     _À respeito do legado ao cargo de Grão-Mestre, sabemos que existe algumas concessões em transição, o Reverendíssimo como vice-presidente pode estar cotado ao posto atual, muitos entre nós também poderão estar cotados à comissão de Saunière, suponho que ainda não temos liberalidade para acessar à mensagem, ainda que descobrimos o código precisamos de nos certificar do atestado de Saunière ao legítimo sucessor.

     Uma pergunta surge em seguida por um dos convidados, um novato entre o grupo e que não pertencia à congregação:

     _Afinal, quem realmente é o legítimo sucessor de Jacques Saunière para o cargo de Grão-Mestre?

     _Ainda não tenho informações concretas, os promotores de Paris mantém o testamento pendente, mas solicitei meu advogado para apurar o caso. Antes do eventual dia, já teremos a confirmação de todos incluídos na comissão formada pela constituição do priorado. Não tenho dúvidas de que estou incluído na lista. - alguns olhavam apáticos duvidando de que isto poderia acontecer -  Esta comissão é responsável por zelar pelos segredos do Priorado de Sião, apenas o Grão-Mestre possuí os privilégios da igreja, embora muitos entre nós podemos saber sobre o segredo, apenas um tem acesso aos códigos, tão-somente um é incumbido de zelar pelo código da mensagem. - o bispo tentava explicar à um convidado que não era incluído ao grupo.

     _No entanto, temos algumas pistas. - Kalabrasas acenou para que o padre Mangano lhe entregasse algumas folhas que continham interpretações dos códigos secretos.

     O bispo observava atentamente o documento;

     _Ao todo são quatorze códigos, cada um possuí um significado diferente, não tenho conhecimento sobre a seqüência correta, e pelo que parece ser, existe uma outra relação de códigos diferentes do que adquirimos, esta relação é a seqüência exata que está gravada em um dos anéis bronzeados do criptogramo-do-sol, todavia, cada símbolo é similar aos códigos exatos, basta apenas deciframos. Antes, contudo, temos que relacionar a seqüência real, a senha trata dos principais códigos para a formulação de uma mensagem secreta. Por muitas vezes as vítimas das perseguições mantiveram o véu de sigilo coberto.

     _O conhecimento teológico e a sensibilidade se conjugam em mística, misteriosa e sagrada harmonia referente aos códigos. – disse o cardeal Boanergo - As religiões, comparável ao paganismo, se dissociaram, com efeito, se desestabeleceu o paganismo como a religião oficial do império romano e dos seus exércitos. Este ocorrido trata-se do símbolo do cálice, e assim como outros fazem parâmetros à seqüência real.

_Sendo os códigos separados por geometrias, suponho que o triângulo com a ponta superior, representando o reinado, seja o primeiro símbolo do código. – comentou um dos membros.

_Acalme-se, não devemos nos antecipar, antes do reino, temos que considerar a escravidão que é a cruz invertida, depois as leis, e agora provavelmente, as guerra. Mas prefiro deixar em branco, vamos abordar outros símbolos em prioridade, os temas serão incumbidos por outros representantes enviados por Saunière.

Ainda faltavam mais seis espaços para que o grupo conseguisse reposicionar os símbolos.

_O reino, claro! - o rapaz finalmente acertou.

_O triângulo em forma de tripé tetraédrico, com a reta na ponta superior, apesar de fazer sentido à um tubo de ensaio científico, podendo estar após a modernidade, tenho quase certeza de que vem a seguir tratando da revolução científica. – disse Mangado.

_A base representa a liberdade, lembre-se da torre. – disse Boanergo.

_O triângulo com a reta na ponta inferior ao contrário, por fim a aliança?

_Não adiante, a liberdade e a aliança podem ser elucidadas por vários motivos, dos quais não podemos afirmar. – interrompeu Kalabrasas.

_Se estivermos certos quanto a prata, o segundo elemento avistado no papiro. - o rapaz preferiu guardar em sigilo - Talvez os triângulos posicionados horizontalmente não faça sentido à modernidade, embora se pareça à uma gravata borboleta. Podemos considerar a aliança neste aspecto. Deste modo, a prata poderá fazer outro sentido, considerando a fase em branco antecessora ao reino. Mas a cruz, que provavelmente serão as leis, não se enquadraria à esta altura. Isto pode fazer outros sentidos. – concluíu.

     _Não deveremos entrar nestes detalhes, sabendo que os símbolos correspondem aos fatos e considerando a geometria dos símbolos, teremos um fato relativo ao outro. O principal objetivo será a antiga lenda, que diz sobre as navegações dos asiáticos para a América Central e para a costa sul pelo oceano Pacífico. O orbi é a palavra chave, foi levado junto aos asiáticos afim de prosperarem. Ao decifrarmos o enigma do globo criptográfico. Devemos estar preparados quanto a tradição.

 

    

 

 

CAPÍTULO 13

 

 

     Após alguns quilômetros do departamento judiciário, a viatura da polícia finalmente alcança o Banco de Custódia de Zurique. Shophie e seu convidado à investigação se reencontram com André Vernet, diretor do banco, que se encontrava em seu gabinete particular. A permissão da entrada é concedida pelo segurança, ambos acessam a sala pelos corredores internos. Um compartimento exclusivo acomodava em torno da mesa principal de madeira negra fosca, poltronas gôndolas de veludo verde-escuro. Sobre o alpendre de gesso saliente uma lâmpada fluorescente compacta emoldurava o ambiente.

     _Sejam bem-vindos. - permanecia assentado sobre o escritório.

     _Por favor acomodem-se. - indicou-lhes o local.

     _Temos um mandato de investigação ao cofre de Jacques Saunière. - informou ao colocar o envelope sobre a mesa.

     vernet retira o documento e o analisava apreensivo. Uma gaveta do armário embutido é aberta para verificação dos principais dados do cliente.

     _Por favor acompanhem-me. - levantou em seguida para guiá-los à entrada do corredor em cujo cofre se encontrava o último depósito de Sauniére.

     _Imaginava que o criptéx fosse suficiente, embora não tiveram a curiosidade para averiguar o restante da caixa.

     A entrada da esteira que se movia do cofre ficava à direita do corredor. Após ser acionada por Vernet, por um dos botões automáticos, a esteira saia por uma porta retrátil sustentada por uma fenda metálica.

_Este é o código certo! – afirmou ao passar o cartão magnético do cliente.

Uma caixa preta de fechos metálicos, possuía um código de barras no alto e uma alça emoldurada e resistente.

_Fiquem a vontade.

Entregou-lhes a maleta. As observações foram feitas, por dentro do objeto havia uma bolsa interna, o fecho é aberto, uma inesperada carta poderia mudar a situação da investigação.

_Veja. - comentou Langdon ao pegar a pequena carta.

A investigadora pega a carta para recitá-la:

_O Atbash enfim revelará a verdade guardada.

     O criptograma atbash havia de fato sido constatado pelo curso de criptologia de Sophie. Era usado comumente como modelo simétrico de substituição, era similar à um anagrama.

     _O código do criptéx também é um anagrama. - comentou Langdon.

     A leitura novamente é feita:

     _O código é a seqüência cronológica dos principais reinos da antiguidade. – disse a primeira pista – A primeira linha é N-A-M-P-P  – Sophie lia o segundo verso - Para saber o código, transfira as letras e encontrarão a seqüência:

 

Q

T

N

P

C

D

L

E

I

U

A

B

L

R

 

     _O código do criptéx. Pegue-o!

     Lembrando-se das anotações feitas referentes à codificação da senha no alinhamento do críptex, Shophie ressalta:

_As letras P-Q-R-S-T se alinhavam ao primeiro disco. A-B-C-D-E ao segundo, P-Q-R-S-T, M-N-O-P-Q e N-O-P-Q-R concluía a seqüência.

_O Atbash enfim revelará a verdade guardada. – repetiu Langdon – Tenho certeza que esta pista está diretamente ligado à um anagrama, veja que a configuração das letras pode nos revelar uma palavra de origem hebraica, ou seja, Sabath que traduzido significa sábado. Nos tempos remotos o dia era atribuído ao repouso dos judeus, conforme a lei antiga.  Esta mesma regra se aplica à primeira linha, observe que pela ordem certa temos, P-A-P-M-N. Devemos alinhas as palavras corretamente.

Sophie arrisca a primeira conjunção:

     _Sendo 'p' igual à 'a', 'q' igual à 'e' e 't' igual à 'i', no primeiro conjunto de letras da senha, temos Aersi?

     _Neste caso devemos manter a letra p, assim teremos Persi, ou seja um dos principais reinos da antiguidade. – corrigiu.

     _Pensei que se tratava de um anagrama?

     _Talvez se aplique no próximo anel? – sugeriu Langdon.

     _Ainda penso que não, Persia não foi um dos primeiros reinos da antiguidade, veja que a ordem é cronológica. Tente outra palavra.

     Langdon ainda permanecia pensativo.

     _Persi? Pelo visto as palavras serão formadas em sentido indireto aos nomes. – pausou por um rápido instante – Bom, se mantermos o ‘a’ ao invés do ‘p’ encontraremos Sirea, é a única palavra que se adapta à substituição. Não tenho dúvidas, deduzimos que seja o reino da Síria. Faça o segundo anel.

     _Sendo 'c' igual à 'b' e 'd' igual à 'l' temos Abble. Capaz! – Sophie retorna seu olhar à Langdon:

     _Será que a senha se limita apenas aos reinos?

     _É o que nos diz a pista, siga as regra do Atbash. O conjunto das letras?

     A conjunção é feita:

_Babel. Uma das principais regiões da Mesopotâmia na antiguidade.

_Perfeito. Os conjuntos seguem corretos pela ordem cronológica.

     A substituição das letras P-Q-R-S-T no terceiro disco, ora, surgia Persi. Que foi indicada pela palavra Persia, reino forte da antiguidade.

     _Analise o quarto.

     _L-M-N-O-P, sendo ‘l’ igual à ‘r’, ‘n’ igual à ‘u’ e ‘p’ igual à ‘a’, temos Rmuoa no sentido direto.

_Não precisamos de muito esforço para entendermos o nome. A palavra Romua é a principal. Deduzimos que se trate de Roma.

_N-O-P-Q-R, sendo ‘q’ igual à ‘e’ temos Uoper. Europ, este é o último, finalizamos o enigma!

_Sirea, Babel, Persi, Romua, Europ. – recitou os reinos - Jamais encontraríamos a senha sem o auxílio desta carta. - comentou Langdon.

_A ordem não parece exata. Grécia surgiu sob grande influência pelo oriente com o apoio dos macedônios, incluindo as conquistas do rei Alexandre, o grande, antes do terrível império romano.

_Talvez as letras do alfabeto não tenham sido eficazes.

_Porém não é o bastante, as próximas frases da carta nos diz à respeito de alguém conhecido por Saunière. Diz sobre um dos responsáveis pela senha. Seu nome é Anna Videl, aqui tem o endereço da Itália onde deveremos encontrá-la para maiores informações sobre o criptéx e sobre seu conteúdo interno.

_Não temos tempo à perder.

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 14

 

 

 

 

 

Agradecidos a dupla se despede do gerente. Estavam prontos para comprarem as passagens à Itália.

_Vamos à mansão de Sir Leigh Teabing. Devemos incluí-lo ao plano. - sugeriu Langdon - Leigh é um importante perscrutor na busca pelo Graal, certamente nos auxiliará com a interpretação do enigma de Michelangelo e com a última mensagem deixada por Saunière.

_Embora tivesse identificado Leigh no funeral, pensei que estivesse preso após o atentado na Abadia de Westminster em Londres. Leigh agiu de maneira muito obstinada ao se apoderar do criptéx, não deveria ter ameaçado nossa integridade com seu revólver afim de zelar pelo segredo.

_Leigh é um homem de forte influência, foi justificado após o depoimento, contudo, sabe-se que muitas chantagens foram feitas antes de sua liberdade. - explicou Langdon.

Leigh possuía uma fortuna exorbitante, foi descendente dos primeiros duques de Lancaster na Grã-Bretanha, conquistou a maior parte de sua propriedade através de concessões hereditárias.

_Vamos ao Villette, - disse Sophie - Sir Leigh Teabing será um personagem fundamental nas próximas investigações.

 A viatura se convergia por uma outra rota rumo ao subúrbio de Paris onde, um palácio de patrimônio histórico do século XVII com dois lagos artificiais numa área de vinte hectar, se ostentava por sir Leigh Teabing. Uma longa viajem foi realizada, algumas horas se passam, a viatura se aproxima do grande portão. Sophie parou o carro no início da estrada de acesso acerca de meio quilômetro da entrada principal da mansão. Um intercomunicador pelo lado do passageiro estava posicionado entre o flandre de estanho que constituía a dobradiça do portão e o jardim de entrada. Uma pequena cabine metálica similar à um porta-correios protegia o aparelho eletrônico que era ativado por Langdon.

O Châteal Villette, uma vasta propriedade acerca de setenta hectares, situava-se a sudoeste de Paris, nos arredores de Versailles. Projetado por François Mansard, em 1668, para o conde de Aufflay, era um dos mais importantes castelos históricos de Paris. Com jardins criados por Le Nôtre, o Château era mais um modesto casto do que uma mansão. A residência de sir Leigh Teabing se erguia em uma planície verde. Era dia de muita claridade, Leigh andava pelos corredores após ouvir o som do intercomunicador. O reflexo do sol pelas janelas emparelhava a luz sobre o chão, o som dos toques produzidos pela bengala de Leigh surgia intermitente. Seu aspecto era rude, usava uma tampa preta no olho direito depois de uma surra dos policiais. Habitava sozinho com a desleal separação de Remy Legaludec, seu antigo mordomo impostor.

_Sir Leigh Teabing, em que posso ser útil? - a vóz chiada saia pelo fone transmissor.

_Espero que sua psicopatia tenha sido curada após a desventura pela busca do Santo Graal.

_Não hesite, ainda estou disposto à troca-de-tiros pelo Graal.

_Então sei que estará disposto em me atender.

_Desculpe, mas com quem eu falo?

_Professor Robert Langdon seu fiel escudeiro, fui um dos responsáveis pela sua inocentação, embora tivesse nos ameaçado com sua Heckler e koch engatilhada.

Uma risada forçada saiu pelo intercomunicador.

_Pensei que não me perdoaria pela ambição. Sempre fui leal ao Santo Graal. Porém antes, devo lhe servir café ou chá?

_Chá.

Os britânicos usavam o chá como bebida preferencial em ocasiões especiais.

_Devo admitir que minha vinda será excepcional no tocante a busca pelo Graal.

_Leite ou açucar?

_Gelo. Gosto de chá gelado.

_Muito bem. - Teabing agora sorria - Quando um alpinista de Harvard conseguiu atingir o pico do Himálaia de um alpinista de Oxford nas temporadas de inverno?

Langdon sabendo que Leigh era um inglês salvaguardado responde:

_Quando um holandês finalmente cravou sua bandeira de cabeça para baixo.

_Entre companheiro. - Sophie lhe chama atenção com o braço.

Os portões automáticos do Château Villett se abrem, a viatura entrava pela margem de arbustos verdes com detalhes vermelhos dos crisântemos. A fachada rústica fazia um enorme contraste com os jardins pela vereda central. A parte frontal da ornamentação se concluía após três andares de granito cinzento e sucumbia por quatro outros resistores autênticos nas laterais.  A vereda entre o caminho principal era dividida por pedras redondas e paralelas ajustadas aleatoriamente à modo inglesa. A trilha levava a uma porta trabalhada de carvalho com uma pesada aldrava de bronze.

_Os visitantes entravam após a permissão do proprietário.

_Sejam bem-vindos!

Os convidados foram conduzidos através de um salão destacado pelo mármore carrara em direção a uma sala de visitas decorada indiretamente por abajures de opalina inglesa. A residência, que já havia sofrido uma reforma profissional, recebia as cores fortes de granito presentes em detalhes importantes como almofadas e telas combinando com o assoalho de madeira. Os detalhes no canto da sala situada próxima a varanda do frontispício, exibia um antigo baú por onde Sir Leigh armazenava seus principais documentos pelas paredes revestidas de madeira escura onde pendiam alguns quadros dos grandes mestres ingleses. O sofá de couro rústico em tons de tabaco, separava os divãs de veludo renascentista. De frente ao conjunto, uma cadeira de balanço com símbolos de águias sobre as extremidades separava o par de bancos de pedra. A lareira oposta à varanda incluía uma escultura artística e duas gárgulas de pedras superiores que serviam de apoio para as hastes.

Os convidados se assentam no divã aveludado. Sir Leigh andava trôpego em direção aos investigadores, tivera poliomielite na infância, usava amuletas e por algumas vezes precisava usar aparelhos ortopédicos nas pernas. Leigh se assenta ao lado dos convidados, Langdon curioso pelo tampa-olho pergunta:

_O que houve com o seu olho direito?

_Não é difícil de adivinhar quando se trata de um interrogatório de policiais franceses. - disse ao se acomodava na poltrona ao lado -  Bezu Fache criou um questionário equivoco quanto as minhas intenções. Talvez ele tivesse conseguido traduzir meus impropérios ditos em inglês. Afinal, o que devo-lhes a honra da visita.

_É sobre o Santo Graal, temos novas pistas, sabemos que você é um ardil perscrutador e decidimos incluí-lo nas futuras investigações. Eu e Sophie encontramos uma última mensagem deixada por Jacques Saunière em um dos salões do Louvre. Uma das frases escritas no assoalho ao lado de Sauniére foi restringida por Fache que apagou a mensagem antes das investigações. Contudo, o enigma foi revelado, se referia à um outro anagrama, este seria o primeiro antes de encontrarmos a chave do cofre, o anagrama nos encaminhou ao salão Carré do Louvre.

_E o que dizia o anagrama?

     _O, lame chieng! Magdona Moessina! - respondeu ao pegar a agenda onde estavam anotadas as pistas das primeiras investigações - Desembaralhando as palavras encontramos o local da última mensagem. Michelangelo! _Moisés a god Man!. Um enigma difícil de ser interpretado, Michelangelo não possui obras com este título autenticado. Esta epígrafe refere-se à uma interpretação indireta dos antigos eruditos iluministas após a Idade Média sobre o quadro "A criação do homem" com analogias simbólicas da antiga região da Moesia, atual Istambul. Logo deduzi sobre qual obra seria. Fomos equipados com as lanternas de luz-negra para analisar sobre supostas mensagens ocultas como no assoalho e identificamos a última mensagem.

     _Um novo anagrama?

     _Não. Desta vez a frase surgiu nítida, no entanto, foi escrita de forma figurativa:

     I'm a epic history, I'm going against the title, I'm going beyond from the last point.

Eu sou uma história épica, eu vou contra o título, eu vou além do ponto final.

_Por mil canhões de Elizabet I. - balbuciou Leigh se ajustando sobre a poltrona - Conheço esta frase. Refere-se à uma extraordinária filosofia italiana escrita por um templário que lutou pelos direitos cívis nas cruzadas. E por incrível que pareça, este enredo culminou exatamente no bósforo de Istambul. A história do império romano, e da igreja ortodoxa, a cultura neo-clássica e o calendário ocidental foi o objetivo central dos cruzados para anexar seus domínios no oriente.

_É exatamente sobre este episódio que o quadro de Michelangelo revela.

_Conheço este quadro, a interjeição dos quatros respectivos reinos de cada hemisfério. Não é difícil encontrar mensagens subliminares sobre este evento, as relações do ocidente e do oriente muitas vezes atravessavam o bósforo de Istambul. - Leigh se levanta e se aproxima de um baú rústico onde havia uma pequena bíblia de capa dura preta em alto relevo - No capítulo oito do livro de Daniel, por exemplo, existe uma mensagem similar, uma metáfora de dois animais representando os dois lados.

Seus dedos foliavam as páginas e o capítulo logo é identificado:

"Eis que estava de pé diante de uma lagoa um carneiro, que tinha cornos levantados, um era mais alto do que o outro e crescia pouco-a-pouco. O carneiro dava cornadas contra o ocidente e contra o meio-dia. Nenhum animal lhe podia resistir. Eis que um bode vinha do ocidente sobre sua face para a terra e tinha um corno insigne entre os seus dois olhos, veio até àquele carneiro que tinha cornos ao qual estava de pé diante da porta e correu para ele com todo ímpeto de sua força. E tendo chegado perto do carneiro, arremeteu com fúria e feriu o tal carneiro,  lhe quebrou os seus dois cornos, sem que o carneiro lhe pudesse resistir. Tendo-o lançado por terra o pisou e não houve quem pudesse livrar o carneiro do seu poder. Tendo crescido quebrou-se o seu grande corno e formaram-se por baixo dele quatro cornos para os quatro ventos do mundo. De um destes cornos saiu um pequeno, e ele se fez grande contra o meio-dia, e contra o oriente".

_Um certo carneiro de dois cornos que atacava contra o ocidente, representa a Pérsia em seu apogeu desde os tempos de Ciro. E um certo bode que vinha do ocidente com um corno insigne entre os seus olhos representa a Grécia nos tempos de Alexandre, o Grande. Isto será confirmado em alguns versículos seguintes. - Leigh vira a página e prossegue:

     "O carneiro que tinha cornos, é o rei dos medos e dos persas. O bode porém é o rei dos gregos, e o grande corno que ele tinha entre os seus dois olhos, é o primeiro dos seus reis. E quanto aos quatro cornos, que depois de quebrado se levantaram em seu lugar, são os quatro reis que se levantarão".

_Muitas interpretações apontam o pequeno corno que se levantou do conflito como o Islamismo. Por outro lado existe também uma mesma mensagem sobre a vinda da Igreja ortodoxa, quando Alemanha, Inglaterra, França e Itália tomaram o apogeu do mundo antigo, está no capítulo sete de Daniel. - as páginas tornam a ser folhiadas:

     "Eis que os quatro ventos do céu pelejavam uns contra os outro num grande mar. E quatro grandes animais diferentes uns dos outros subiam do mar. O primeiro era como uma leoa, tinha asas de águia. Depois disto apareceu em pé um outro animal, se assemelhava a um urso, tinha três ordens de dentes na sua bôca. O outro era como um leopardo, tinha em cima de si quatro asas, como asas de um pássaro, e o mesmo animal tinha quatro cabeças.

Eis que o outro animal era terrível e espantoso, tinha grandes dentes de ferro comendo com eles, e fazendo tudo em miúdos pedaços, e pisava aos seus pés tudo que sobejava, era diferente dos outros animais avistados e tinha dez cornos. Eis que outro pequeno corno nasceu sobre eles e três dos primeiros cornos foram arrancados de diante dele. e havia neste corno olhos como de homem, e uma boca, que falava com insolência".

     _Algumas interpretações apontam a leoa como a região da antiga Mesopotâmia, não é difícil afirmar sobre tal reino quando no século VI ocorre a grande preponderância babilônica. O urso como a antiga Pérsia, o leopardo como a Grécia, e o quarto animal como a região da antiga Europa, cujo poder foi outorgado ao vasto império romano. O pequeno corno que nasceu entre os dez cornos relata sobre o surgimento da Igreja ortodoxa romana e os conflitos decorrentes da cultura da Itália. Não é de se estranhar que a mensagem venha primeiro. O domínio, por conseguinte, surgiu da própria Roma. Em 313 o imperador Constantino atraído pela idéia de uma religião teocrática e monoteísta, promulga o Edito de Milão legalizando a prática católica e permitindo os ensinamentos ligados a igreja. Por volta do ano 380 se oficializa a religião ao império, cumprindo com a profecia dada ao antigo profeta.

     _É importante frisar no capítulo dois do mesmo livro uma outra mensagem que relata sobre a mesma profecia.

     "Eis que uma grande estátua foi revelada, sua cabeça era de um ouro finíssimo, porém o peito e os braços eram de prata, já o ventre e as coxas eram de cobre, e as pernas eram de ferro, uma parte dos pés era de ferro e outra de barro".

     _Cada parte da estátua representa as quatro regiões citadas seguindo a mesma seqüência cronológica que tenho lhes afirmado.

O rei babilônico foi confirmado pela profecia como representante do primeiro reino descrito pela cabeça de ouro. No capítulo trinta e nove está a conclusão:

     _E depois de ti se levantará outro reino menor que o teu, que será a prata, e outro terceiro reino que será de cobre, o qual mandará em tôda a terra. E o quarto reino será como ferro, assim ele quebrará e fará todos estes em migalhas.

     _No capítulo treze do livro de Apocalipse existe uma última semelhança:

     "E levantou-se do mar uma besta, que tinha sete cabeças e dez cornos, e sobre os seus cornos dez diademas. Esta besta era semelhante à um leopardo, seus pés como de urso sua boca como de leão, e o dragão lhe deu a seu a força e o seu poder".

     _Muito estranho. - comentou Langdon - Após descobrirmos a senha do criptéx rompido deixado por Saniére descobrimos um conjunto de letras também representando os antigos reinos. - Sophie pega a agenda para mostrar-lhe - A sequência P-Q-R-S-T é um anagrama, seguimos as instruções de Saunière e conseguimos identificar a primeira palavra.

     _SIREA?

     _Sim, um dos principais reinos da antiguidade.

     _BABEL, PERSI, ROMUA e EUROP, formam um entendimento indireto dos reinos. - explicou Langdon.

     Ao analisar as palavras da senha Leigh questiona:

     _Porém Grécia precedeu Roma?

     _O alfabeto não permitiu que o anagrama da palavra se formasse, - explicou Langdon - mas Saunière elaborou as palavras de modo muito significativo ao enigma de Michelangelo com a última mensagem encontrada, sabendo que estes detalhes auxiliariam como pistas. Seria incorreto conjugar os reinos se a senha seguisse a ordem da profética.

     _Sem dúvida. – concordou Leigh - A relação crônica é irredutível, ambos os caminhos nos leva à um único ponto. Tendo esta última filosofia em mãos, chego a mera convicção de que a Itália surgirá como o objetivo central das pistas. Veja que no capítulo dezessete do mesmo livro do Apocalipse, – foliou algumas folhas à frente – versículo nove temos: E aqui há o sentido que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes. Não é de se estranhar que os antigos povoados locais eram circundados por sete montes diferentes, entre os quais posso citar o monte Captólio.

     _O lugar parece ser realmente o objetivo central, mas pensei que a profecia trata-se do surgimento da bêsta? – Sophie refuta.

     _Devemos abordar a mensagem, tendo em foco o limite desempenhado à encontrar o protagonista com relação ao último monasteiro. Podemos assimilar o paradeiro do graal quando desconsideramos o personagem malévolo. Ambos os personagens surgem em um único e mesmo cenário, Europa.

 

 

 

CAPÍTULO 15

 

 

 

     _Ainda não entendi como o conflito entre os hemisférios leste e oeste pode ser enquadrado à mensagem.

     _Ah sim, após o surgimento do Islamismo e da Igreja ortodoxa, muitos conflitos deflagrariam dando origem às cruzadas. Antes porém, devemos observar sobre as missões dos mais insignes representantes dos hemisférios e das classes culturais com a intenção de disseminar suas ideologias. Uma destas classes foram o judaísmo e o cristianismo, ambos pelo lado oriental lutaram e se consagraram para difundirem uma das mais importantes doutrinas éticas pelo mundo europeu.

 _Este fato explica as interpretações dos antigos erúditos medievais, - sugeriu Langdon - que concederam um novo título ao quadro de Michelangelo ao reconhecerem a forte devoção dos judeus aos ensinamentos bíblicos e pela vulgar idolatria de algumas classes, ou seja, Moisés a god Man. - entregou-lhe uma das fotografias do quadro retirada no museu - Considerando a cultura religiosa, notamos que a figura do homem vestido pelo lado direito retrata a cobertura dada pela doutrina ética, moral e cívica. Enquanto por outro lado, uma região ainda assolada pelo império romano, parecia necessitada do apóio moral quando vista pelo homem nú. As migrações judaícas nos primeiros séculos, e o concílio de Milão no século III, confirmam as relações vindas pelo lado oriental. Mas isto não foi o bastante, pelo lado ocidental se desenvolvia os mais sofisticados métodos científicos, muitos recursos materiais superavam a cultura oriental e o sistema político possuía uma forte competência. A mesma intenção de difundir a cultura ocidental foi empenhada pelo governo italiano ao embarcar um discreto veleiro, o Bergantim. Partiu junto com as principais embarcações tendo a missão de levar as leis a serem aprovadas em Nicéia para a expansão da cultura e migração judaíca. A principal embarcação marítima era comandada pelo marquês Bonifácio de Montferrat durante o governo do rei Aleixo de Constantinopla. Tinha a companhia de Elício Siracuza que conduzia este veleiro particular, utilizado comumente no início do século XVIII para o comércio e transporte em pequenas rotas. Este seria talvez um dos primeiros passos para a imposição da influência ocidental se não fosse o estranho naufrágio do comandante subalterno de Henrique VI. Temendo eclodir uma guerra civil entre os hemisférios e com as batalhas da terceira cruzada no início do século XIII, o comandante do veleiro desiste da batalha marítima e o abandona após uma luta contra as embarcações arábicas antes de alcançar Istambul. Henrrique VI e o rei Aleixo IV retornam à Constantinópla após a batalha, no entanto, o concílio foi arruinado pela inesperada cilada.

_Terrível história. - Sophie permanecia apreensiva.

_O ocidente conseguiria maior alcance oriental nos séculos vindouros, e exerceria a amplitude em algumas regiões orientais principalmente pela cultura e pelo calendário romano. Muitos pesquisadores acreditam que entre os documentos estão os textos sangreais e as pistas fundamentais para a descoberta do Santo Graal.

_Então é por isto que a frase afirma que a história vai além do ponto final.

_De certa forma sim, o bósforo tornou-se um ponto de bloqueio por onde os adeptos da igreja ortodoxa desejavam passar ao impor seus domínios criados pela influência romana. Desde os primórdios da formação do Sacro-império até o seu auge com a cruzada de 1096, a igreja tentava manter suas relações. A queda do império no século V não parecia aceita. Porém muitas legiões de cruzados europeus conseguiram ultrapassar o ponto pelas navegações e por muitas vezes Jerusalém foi conquistada. Muitas intenções havia pela conquista oriental, e esta seria uma ideologia elementar, fundamentada, à princípio, por um cavaleiro templário.

_Cavaleiro Templário?

_Sim. Em 1189, alguns séculos após o fim do império e no início da terceira cruzada, uma comitiva formada pelos templários romanos, foi enviada à Síria por Frederico do Sacro Império, com as primeiras tentativas em difundir o poderio ocidental. Uma linha de embarcações marítimas foram dirigidas por dois comandantes principais, o sultão Saladino e o comandante Richard da Inglaterra. Em uma destas embarcações estava o Bergantim, embarcação comandada por Elício Siracuza, incluía Ostório Círax general dos chacais, Edgar, cruzado romano de Nápoles e Palácios, líder dos templários romanos enviados à restabelecer o Edito de Roma no oriente. A Europa caminhava para uma nova ordem consolidativa oriental, recebeu adesão política e os primeiros acordos chegaram até as delimitações políticas da Armênia. Os templários saíram triunfantes após a promulgação do Edito e com apoio de políticos arianos cumpriram com a escolta ocidental ao oriente. Lutaram contra os opositores da embaixada e se alinharam à Saladino nos limites de Jerusalém. O líder dos Templários gravou esta mesma frase no braço com uma lâmina de aresta e toda conjuntura do sangue foi marcada em um papiro, que na época seria uma espécie de relatório usado pelo comandante. Muitos documentos secretos considerados heréticos foram recuperados em Jerusalém após as invasões, a ordem política monárquica e as letras escritas junto com o relatório, chegaram à Constantinopla após o retorno do Bergantim sob o comando de Elício Siracuza, passando pelo Bósforo Adriático.

_Estes fatos foram preservados por Constantinópla? - perguntou Langdon.

_De certa forma. Os templários ainda lutaram por consolidar a política no concílio de Nicéia preparado por Henrique VI, como disse, a embarcação foi naufragada por um inesperado conflito e tudo que restou foi o relatório resguardado por Elício Siracuza, que retornou à Roma com sua embarcação. Os documentos sangreais trancados ao cofre, não puderam ser recuperados... Apenas em 1975 um submarino resgata os destroços do veleiro. Foram encontrados os principais documentos que seriam promulgados no fracassado concílio de Nicéia.

_De fato, os documentos haviam sido muito tempo antes confiados aos templários, o Priorado de Sião, cujo véu de sigilo os mantivera imunes ao ataque do vaticano, foram antecedentes ao caminho desenvolvidos pelos antigos ancestrais. À medida que o vaticano fechava o cerco, o priorado tratava de retirar os documentos de uma preceptora de Paris. Durante a noite, levando-os às escondidas para navios templários em La Rochelle sangreal tão-somente o priorado tem a resposta.

 

 

_Sempre tive a mera impressão de que os documentos sangreais ainda existissem, assim como os documentos recuperados. - disse Sophie suspeitando de que os documentos ainda fossem possíveis de serem vistos, se ajustando para pegar uma outra pista no bolso de seus suéter.

_O submarino de 1975 conseguiu resgatar os documentos ainda intáctos. Porém, poucas pessoas têm acesso aos documentos originais. Provavelmente esteja na própria Irlanda, ou talvez, na Itália.

Sophie lhe entrega o papel:

"An ancient word of wisdom frees this scroll. and heps us keep her scatter'd family whole. a headstone praised by templars is the key. and atbash will reveal the thruth to thee".

     _Palavra antiga e sábia este precioso rolo dissera. Com o poder de unir sua família dispersa na terra. A chave é a pétrea cabeça pelos templários louvada? - leu Leigh - À princípio, quando vocês seguiram as pistas deste poema chegamos a Temple Church em Londres. Local onde fui detido em uma limusine Jaguar. Este poema está muito mais próximo à Moisés, o líder espiritual dos judeus, louvados por muitos templários. Sem dúvidas, o orbe de Moisés realiza uma conjuntura similar com o enigma da chave.

     A antiga Temple Church, em Londres, foi construída inteiramente de pedra calcária. Um edifício circular com fachada intimidadora, torre central e uma nave saliente em um dos lados. A igreja parecia-se mais com uma fortaleza. Consagrada em 1185 por Heráclio, patriarca de Jerusalém, a Temple Church sobreviveu a oito séculos de conturbações políticas, à incêndios e à Primeira Guerra Mundial, porém acabou sendo seriamente danificada pelas bombas incendiárias da aviação alemã em 1940. Depois da Segunda Guerra, foi restaurada e recuperou sua austeridade. A Temple Church foi o local em que Leigh havia sido detido pelo capitão Fache em uma eventual disputa pelo críptex.

     _Ao saber sobre este enigma e pela interpretação do quadro, torno a aceitar a teoria de que o Graal diz sobre o cálice sagrado na Itália. Os templários saiam para escoltar o exército, a tripulação e a comitiva política levavam o cálice como escudo espiritual.

     _Já dissemos sobre isto, - advertiu Langdon - embora o cálice da Capela Sistina faça alusão ao Santo Graal, não há nada além do seu aspecto que possa nos revelar sobre seu verdadeiro mistério.

     O cálice transportado pelos Templários era uma relíquia considerada sagrada. Banhado à ouro formava duas pirâmides assimétricas e opostas, sendo a inferior menor que a outra. Uma armação similar a torre Eiffel passava pela base até a ornamentação superior. Pelo centro, a haste formava uma interjeição de ferro entre a borda. O objeto representava o Graal, que para os Templários, era o foco da influência nas relações exteriores. Com aproximadamente cinquenta centímetros de altura, o cálice costuma ser exibido sobre a mesa central da Capela Sistina. Segundo Sophie pensava, o objeto seria mais o cálice em que os apóstolos beberam o vinho na última ceia e com qual José de Arimatéia depois recolheu o sangue de Cristo no momento da morte.

     Langdon replica:

     _Os principais membros do Priorado de Sião afirmam que a lenda do Graal não é o cálice da capela em Roma. Na verdade é uma alegoria muito engenhosa das legiões de Trindad, uma organização secreta que mantém vínculos com a igreja e com os principais enigmas de Roma. Foi criado ainda no final do século IX. O cálice não possui outra evidência senão sua mera simetria. Jonas Kaufman, meu editor, redargüiu a tese de que este não seria o fim, contudo, minhas provas iconográficas que encontrei para sustentar minhas teses foram publicadas com êxito. O mistério do Santo Graal não se limita ao cálice.

Muitos anos antes, Langdon havia comparecido à um evento no Fogg Museum de Harvard. Bill Gates, regressou de Harvard, havia voltado a sua ex-universidade para emprestar ao museu uma de suas aquisições inestimáveis. Dezoito páginas de papel que adquirira recentemente em um leilão do espólio na Armand Hammer.

 

     _Se eu não soubesse Langdon, não teria os acompanhado à Temple Church em Londres, mas este enigma novamente nos conduz à Roma e provavelmente à Capela Sistina.

     _Leigh... - disse Sophie frisando-lhe o olhar tendo algo em comum a proposição - viemos porque as evidências são compatíveis à sua interpretação. Eu e Robert realizamos as últimas investigações e conseguimos encontrar o endereço de um parentesco legítimo de Jacques Saunière. Mora na Itália e possui informações precisas sobre a última morada, seu nome é Anna Videl.

     _Como neta de Saunière, não a conhecia antes?

     _Na verdade não sou neta de Saunière. Usei a sigla P.S. que se referia ao Priorado de Sião, para me identificar como Princesa Sophie e parentesco próximo da vítima. Elaborei este tratamento nominal para atrair a atenção de Robert Langdon, que por ser um professor de Harvard e perito em criptografia, corria risco de vida. A tentativa de encontrá-lo reforçaria as chances de decifrar o criptéx, antes que os oponentes associados à Opus-day lhe roubasse a chave do cofre, ou seja, a flor-de-lis.

     _Qual é o endereço?

     _Rue de Rivoli, posso fazer o pedido das passagens por telefone. As agências disponibilizam passagens mais acessíveis nestes dias. De avião chegaremos vindo do aeroporto de Roma "Leonardo da Vinci" ou do aeroporto Ciampino até a Estação Termini, se conseguirmos um comboio. Posso reservar um táxi particular?

     _Não se preocupe irei acompanhá-los nesta aventura. Faça os pedidos ainda hoje.

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capítulo 16

 

As três passagens foram reservadas naquele mesmo dia à tarde. As investigações se desencadeavam aos poucos, uma mensagem seguia uma instrução precedente cujas pistas apontavam para um único paradeiro do enigma e similar ao local onde se encontrava o cálice sagrado da antiga igreja ortodoxa, e nenhum outro lugar poderia ser escolhido para a próxima investigação, senão, Roma.

     No aeroporto a equipe de pesquisadores se preparava para o embarque, faltavam ainda algumas horas para o pôr-do-sol e os três aventureiros esperavam pelo momento do pouso. Sophie levava sobre seu coldre uma pistola semi-automática acompanhado do seu distintivo. Uma viajem exaustiva foi realizada, em pouco tempo a equipe desembarca ao Aeroporto Internacional Leonardo D'Vinci na Itália. Como previsto, o táxi recomendado surge após uma longa espera pela chegada do grupo. A rua de Rivoli é informada, o motorista prossegue, as marchas são manejadas, em pouco tempo o local é alcançado. Langdon observava o número residencial anotado na agenda enquanto o carro reduzia a velocidade entrando pela última conversão na interligação com a via principal. Do vidro pela metade, os números eram comparados ao local. Alguns metros se passaram quando a prestigiosa casa é identificada.

     _É esta a casa. - afirmou Langdon após certificar-se do número.

     Os minutos decorrentes do trajeto não lhes acarretaram com o frete, o dinheiro é pago e a equipe, em fim, desembarcava com as malas sob os suportes.

Um grande portão, cercado por muros de alvenaria é aberto após a identificação da agente Neveu como investigadora judiciária do assassinato de Saunière.

     _Entrem por favor. - ordenou Anna Videl ao abrir o portão automático.

     A equipe acessa uma entrada formada por uma vereda contígua precedida por um jardim coberto por caramanchas crespas revestidas de trepadeiras. No solário, as pérgulas feitas de madeira ressurgiam formando cascatas de plantas tropicais. Assim como na entrada, entre a área externa do recinto e a garagem. O solário propriamente usado para o café-da-manhã, também possuía sua decoração natural. O grupo entra por uma porta de ferro polido entre os umbrais após a recepção de Videl.

     _Sejam bem-vindos. - convidou.

     _Este é o professor de criptografia, Robert Langdon e este é nosso convidado às investigações, Sir Leigh Teabing.

     _Por favor acomodem-se.

     Videl direciona-os aos quatro estofados individuais escarlates pelos cantos do living. Uma sala de aproximadamente quarenta metros quadrados, possuía em torno do grande tapete pêssego redondo estampado, uma decoração excêntrica. O tapete de plumas acompanhava o ângulo interno formado pelo contorno dos estofados agregando o canto da sala ao espaço integrado onde se suspendiam algumas hortaliças e outras helicônias em vasos venezianas pela parte inferior aos mais famosos quadros italianos. Nas estantes de madeira, pela divisa feita entre o aparador de granito e os corredores, algumas caixas de tábuas pareciam armazenar documentos pessoais quando, por outro lado, surgiam coletâneas de livros diversos. Ao lado do recinto, bancos de peroba, e na parte superior, os nichos de madeira.

     _Estou preparando um saboroso chá-da-tarde. Alguma preferência?

     _Pouco adoçante, por favor. - disse Sophie.

     Videl retorna e coloca sobre a mesa uma bandeja retrátil metálica onde se apoiavam a jarra de porcelana italiana com o chá e os aperitivos.

     _Temos informações importantes sobre o assassinato de Jacques Saunière. - introduziu Sophie - Fomos os responsáveis pela investigação no cofre de Saunière, local onde encontramos um criptéx codificado, e posteriormente, o endereço deste estabelecimento. Sabemos sobre o envolvimento da vítima com o Priorado de Sião, os promotores ainda não sabem a relação hereditária quanto a possessão do depósito, mas parece que o objeto era uma das últimas coisas armazenadas no cofre.

     _Este objeto, de fato, era uma relíquia muito pessoal de Saunière. No entanto, o criptéx não foi sua possessão legítima, talvez não saibam, mas uma ligação secreta com o Priorado de Sião o tornou responsável e Grão-mestre pela posse em um período determinado.

     _Isto significa que ele tinha um período para devolvê-lo? - perguntou Langdon.

     _Sim, o tempo estava próximo e por isto muitos desejavam obter o criptéx, o que ocasionou o tal assassinato.

     _Podemos saber sobre o que definia o tempo de entrega?

     _Antes preciso de me certificar sobre algumas pistas. Saunière sempre usa estes artifícios para nos garantir segurança.

     Sophie retira a agenda para exibir-lhes as pistas:

     _No cofre havia uma caixa de madeira marchetada em cuja superfície se cobria um orifício oval de bronze. Sobre a mesma placa se gravava uma das pistas que possuímos neste relatório.

"In london lies a knight a pope interred.

his labor's fruit a Holy wrath incurred.

you seek the orb that ought be on his tomb.

It speaks of Rosy flesh and seeded womb". 

     _Cavaleiro em Londres um Papa enterrou. Quira santa o fruto de sua obra gerou. Busca o orbe da sua tumba ausente. Fala de Rósea carne e semeado ventre. - recitou Videl - Perfeito, farei a interpretação do primeiro verso, e quero que me digam o que entendem, a proporção que o entendimento se compatibilizar com a mensagem, outra frase será decifrada.

     _Tudo bem. - concordou Sophie.

     _A primeira frase se trata do primeiro local onde o criptéx esteve antes ser depositado ao cofre. Roslyn é a cidade onde habitou um antigo parentesco de Saunière, sua atuação como curador no museu do Louvre poderia atrair perigos iminentes devido a importância da peça como o criptéx, mantido sem segurança rígida. O grão-mestre antecessor foi enterrado em Londres, onde outra pista encaminharia o pesquisador ao local mais próximo. Saunière mudou-se para França e com a abertura do cofre pela autorização do Priorado de Sião, o objeto finalmente se manteve seguro.

     _Bom, estivemos em Londres e procuramos por uma pessoa que se identificou, de fato, como conhecida de Saunière. Encontramos uma caixa de madeira rosa envernizada semelhante à que se depositava o criptéx, mesma rosa marchetada.   

No mesmo dia em que a dupla esteve na capela em Rosly, seguida por um guia, Neveu se despedia discretamente da investigação a fim de se encontrar com uma mulher ao lado de fora em uma casa próxima de pedra rústica semelhante à uma pensão. Segundo dizia Videl, o recinto era o antigo lar de Saunière. Antes que Langdon e o guia se retirassem pelo lado de fora a seguir, ela teria simulado a versão evasiva de seu parentesco e comprado daquela senhora a estadia junto a sua confirmação, o que realmente manteve a confiança de Langdon.

O guia afirmou ser neto da pessoa que cuidava da casa paroquial da capela, e disse sobre a morte de sua família, inclusive a de seu avô. Uma versão quase idêntica, porém contraditória. Tendo ouvido o relato desproporcional daquela senhora. Langdon, embora tivesse percebido a dissonância, preferiu acreditar que Sophie permaneceria no local como familiar, mas tinha certeza que ela seguiria outro rumo e que, bem provavelmente, aquela história não se passava de um mero disfarce da agente.

_Ao ouvir sua história, senti certo receio, agora entendo porque preferiu permanecer no local. – recordou Langdon.

_Mas não consegui identificar outras pistas senão o pentagrama sobre a porta de entrada de acesso ao local.

_O pentagrama faz parte dos códigos e a caixa marchetada era mantida por uma antiga prima para armazenamento de jóias. As placas de bronze no orifício superior eram especiais para se gravar mensagens pessoais, foi por uma destas que Saunière conseguiu transmitir maior parte das características do Graal. Antes de terminar os versos precisarei de mais informações.

     Uma das mensagens encontradas no museu do Louvre é retirada da agenda. Sophie recita:

     _Sou uma história épica, vou contra o título, vou além do ponto final. Foi escrita em um dos salões do museu por Saunière antes de sua morte. Fomos ao encontro Sir Leigh e conseguimos a interpretação da frase. Descobrimos sobre a relação da igreja com os antigos templários e sobre o naufrágio da embarcação romana no bósforo de Istambul.

     _Incrível, esta mensagem aumenta a minha segurança ao dizer-lhes sobre o enigma, poucos a conhece. A história é a igreja na tentativa de manter intáctos os documentos Sangreais e a antiga cultura herdada pelo império. Com a queda do império em 476, muitos cardeais foram incumbidos nesta missão, o bispo Leão I, foi um dos primeiros responsáveis. A queda do império não seria aceita pela igreja como o fim da dinastia epsicopal, os limites estabelecidos pela política externa seriam os obstáculos à vencer. Os documentos foram perdidos com a tentativa de enviar a mensagem romana ao concílio de Nicéia. Embora esta mensagem seja conhecida por muitos, assim como por Leigh, ao contrário, os documentos perdidos permitem acesso exclusivo, ou seja, somente alguns guardiões possuem liberdade.

     _Então ainda é possível sabermos sobre os documentos? - perguntou Leigh.

     _Mais do que você imagina. Como Grão-mestre e responsável pela guarda dos códigos, Saunière tinha o direito de escolher um guardião secundário. Sendo eu seu parentesco próximo, tive o privilégio de exercer uma das chaves secretas do Priorado de Sião. Possuo acesso à Biblioteca Apostólica Vaticana, no conjunto arquitetônico onde também se inclui a capela Sistina. No entanto, ainda que eu obtenha acesso aos documentos Sangreais recuperados em 1975, existe ainda uma mensagem decisiva, guardada com um sistema de segurança jamais visto. Somente os sucessores de Saunère tem acesso à esta mensagem.

     _Afinal, você é sucessora de Saunière para saber a mensagem secreta?

     _Sim, como responsável por uma das chaves do monasteiro, tenho o direito de saber a mensagem. Soube da morte de Saunière em contatos com os promotores da França, fui informada da perca do criptéx, e a única coisa que devo decifrar é o código que havia neste criptéx. Podemos entrar em detalhes sobre o código, sobre o tempo de entrega do criptéx e sobre o local onde se situa o monasteiro secreto. Porém preciso terminar o enigma, devo confessar-lhes que o santo-Graal possui várias características e uma delas é o cálice da capela Sistina.

     _Disso sabemos. – afirmou Sophie - Como conhecedores dos outros aspectos simbólicos do graal decidimos iniciar novas investigações.

     _A outra característica do graal diz sobre o resto mortal do profeta Moisés. Quira santa o fruto da sua obra gerou. - Videl recita a segunda frase - Refere-se aos estatutos dados ao profeta e os dez mandamentos. Busca a orbe da sua tumba ausente. - a terceira frase é lançada - Diz sobre o paradeiro dos restos mortais de Moisés, o que provavelmente nos revelará a mensagem secreta. Fala de Rósea carne e semeado ventre - a última frase é recitada - Muitos diziam que sua origem se deu pelas águas. E a frase refere-se à família nobre em que Moisés foi criado, embora nascido da simplicidade e da cultura judaíca.

     _Ainda não consegui compreender sobre o assassinato quando se trata do graal.

     _Inicialmente, pensava que os perseguidores seriam os próprios Palestinos com a intenção de restaurar a orbe de Moisés, em cuja tumba se firmou o Templo de Jerusalém. Porém descobri que para os Palestinos e Judeus a mensagem não se passava de uma mera heresia, por conseguinte, soube que outras mensagens secretas revelavam sobre locais afortunados onde estão armazenados os tesouros da igreja ortodoxa e as mais valiosas relíquias doadas pelos reis, fidalgos, cardeis e toda população. A Opus-Day, por exemplo, é um dos maiores procuradores. Estas mensagens, assim como os mandamentos sagrados e outras não são relevantes.

     _Um dos membros da Opus-Day foi responsável pelo assassinato. - afirmou Leigh - Seu nome é Remy Legaludec, disfarçou como meu empregado, mas se revelou obstinado pelo segredo e está foragido.

     _Fui informada de alguns detalhes, contudo, ainda existe o tempo de entrega dos códigos. Na verdade o monasteiro secreto está situado na própria Capela Sistina. A mensagem é revelada em cada soltício de verão pelo hemisfério norte. O sol é o responsável por formar a mensagem. Nas linhas dos trópicos de Câncer e Capricórnio, os solstícios de verão respectivos a cada hemisfério da Terra, coincidem com um único dia do ano em que os raios solares incidem verticalmente e a data deste ano quanto a entrega dos códigos está prevista para o dia vinte e quatro de junho. O responsável permanece durante quatro anos com a mensagem até a sucessão do cargo ou permanência, de modo que, três mensagens apenas é dita em cada ano, sendo quatro anos até a próxima mensagem. Chegamos ao total de doze mensagens secretas.

     A idéia de que o tempo estava próximo dita pelos conhecedores mais próximos do segredo, não havia referências, agora Langdon se surpreende ao saber que as perseguições estavam relacionadas ao tempo referente ao dia vinte e quatro.

     _Hoje é dia vinte e três de junho! - alarmou - Amanhã será o esperado dia.

     _Para isto precisamos desvendar os códigos. Cada responsável pelo segredo tem direito de incluir seus respectivos convidados desde que jurem sigilo. Posso incluí-los à reunião, desde que me ajudem com os códigos. Devemos desvendar os símbolos e nada menos se trata das referencias diretamente relacionadas ao império romano.

     _Isto será um privilégio. - motivou Leigh.

     _Antes quero que conheçam sobre uma coisa importante entre os documentos Sangreais. Pela manhã do próximo dia acessaremos a biblioteca em busca de mais informações. Desejo, portanto, que se hospedem em meu recinto.

     _Permaneceremos com grande prazer. - replicou Sophie - Estou curiosa em saber sobre o monasteiro.

     _Quanto ao código, como poderemos relacionar os fatos? - perguntou Leigh.

     _Esperei até este momento para lhes revelar. Sigam-me por favor.

     Um escritório de trinta e cinco metros quadrados ocupado por equipamentos sofisticados e livros de diferente gêneros é aberto por Videl. Um retro-projetor é acionado.

     _Como sabem, este é o cálice da Capela Sistina. - uma primeira imagem exibia a imagem completa da peça - De modo que o cálice é feito em várias geometrias diferentes. Cada formato representa um código da mensagem. Este, porém, é o primeiro passo para descobrir a senha. Tudo que posso dizer a respeito dos fatos é que, os sete primeiros correspondem à história de Roma e os outros sete, correspondem à história da Europa. Em seguida, deveremos analisar os fatos do império aos tempos modernos. - Videl ativa a segunda imagem - Este é o primeiro formato da peça.

     Uma lâmina quadrada que se posicionava por cima do cálice é exibida.

     _Está é a lâmina que tampa a borda do cálice, uma segunda probabilidade geométrica nos permite encontrar o quadrado invertido. - a segunda imagem surgia como um naipe de ouros do baralho e a terceira como um círculo.

     _O círculo claro não possui outras simetrias, refere-se à borda do cálice.

     A próxima figura é ativada.

     _Esta é a parte superior do cálice onde introduz o vinho, forma um triângulo de ponta para baixo, como uma pirâmide invertida. Assim também é a parte inferior, serve como base do cálice, forma um triângulo de ponta para cima. - O slide produzia o efeito ao focar o contorno do objeto em traços - Os dois triângulos são capazes de forma simetrias iguais. Quando modificado, o triângulo surge com a ponta virada para a esquerda, e ao contrário, surge com a ponta virada para a direita, como setas direcionais. - os slides são ativados, as imagens eram semelhantes à setas quando se invertiam os triângulos pelas diagonais - Porém não devemos descartar a idéia de que um é diferente do outro. Veja que no próximo slide identificaremos o pentagrama, que é a interligação de um triângulo sobre o outro. - a imagem similar à uma estrela de seis pontas é exibida.

     A nona imagem surgia com um triângulo sobre o outro. A posição oposta era formava pelo diâmetro completo do cálice, sua conjuntura se assemelhava à um relógio antigo à base de areia. A segunda simetria invertida da imagem formava uma espécie de gravata. O pedestal do cálice surgia, a figura formava uma simetria tetraédrica semelhante à um tripé.

     _Este pedestal é semelhante à Torre Eiffel, foi criada em homenagem ao cartão postal de Paris. A forma é um triângulo interno quando desconsideramos um dos apoios, a base termina com uma reta longa no meio.

     _O homem triunvirano – interrompeu Sophie - representa exatamente este modelo quando consideramos as duas pernas unidas ao terceiro pedestal. Os braços são representados pelas hastes cruzadas e apoiadas à borda. Esta imagem foi decididamente figurada por Saunière, que se posicionou ao chão após o crime de modo idêntico ao homem trunvirano.

     _Quanto ao significado do símbolo, diz sobre a liberdade política na França, que pode ser representada no início do reinado ou pelos posteriores movimentos civis.

     _O pedestal posto ao contrário formará um triângulo com uma reta para baixo, esta é a décima imagem. – ativou a figura - Simboliza a liberdade religiosa. Muitas vezes é representada pela letra ‘p’ em cuja ponta se encontra as hastes cruzadas. A décima terceira imagem é a cruz, está desenhada sobre o lenço que cobre a lâmina. - a imagem do lenço surge no formato de um túnel semelhante à um umbral de porta - O lenço em sua posição refere-se ao portal, que significa a vida-longa. É importante frisar que sobre o lenço há uma gravura estampada e este formado é similar à uma cruz.

     O aparelho é desligado:

     _Estes são os símbolos que representam o segredo. Cada símbolo possui seu respectivo nome e cada nome possui seu significado, conforme disse, cada significado revela um momento histórico. Embora estas geometrias sejam conhecidas através do cálice da Capela Sistina, ainda resta saber sobre a seqüência real.    

     Mesmo não sendo a primeira biblioteca Papal, a Biblioteca Apostólica Vaticana é a mais antiga da Europa. Foi o primeiro núcleo de coleções pontifícias e religiosas, fundada por Nicolau V em 1450, com a herança das velhas bibliotecas dos Papas. Atualmente possui mais de oito mil incunábulos, que foram livros impressos nos primórdios da imprensa italiana por volta do século XV, e quase vinte mil objetos de valor artístico.

    

 

 

 

 

 

CAPÍTULO 18

 

 

No outro dia pela manhã, Videl e seus convidados se preparavam para acessarem a Biblioteca Apostólica Vaticana. A biblioteca do Vaticano está situada no Vatican City, uma reserva cercada pelo estado cujo território consiste de uma área privada, dentro da própria cidade de Roma. À aproximadamente 44 hectares, e com uma pequena população, é o menor estado em ambos os aspectos. Geralmente é procurada para pesquisas de história, leis, filosofia, ciência e teologia. Entre os mais famosos livros está o Codex do Vaticano. O mais velho artigo conhecido por sua aproximidade com a bíblia.

Como uma silhueta, A Biblioteca Vaticana era impressionante exemplo vigoroso de arquitetura defensiva, com a mesma imponência do magnífico cenário planisférico.  O Vaticano havia estragado o edifício ao construir no telhado duas imensas cúpulas de alumínio para abrigar os telescópios, de forma que o castelo, antes de sua aparência fidedigna, parecia agora mais com uma simples entrada monumental do que o próprio palácio, outrora constituído sobre os alicerces do conjunto.

A biblioteca pelos corredores internos era um salão enorme e quadrado, com madeira escura do assoalho ao teto. Em todos os lados, estantes altas repletas de volumes. O assoalho de mármore âmbar com contornos em basalto negro, uma lembrança bonita de que o prédio havia sido antes um palácio. Um espaço amplo cuja decoração era uma mistura isônoma da arte renascentista e imagens astronômicas, seguia acompanhado por uma escadaria de mármore transvertido. 

 A chave redonda de poucos centímetros similar à um escaravelho, formava um círculo oval dourado com uma estufa moldurada na ponta do núcleo para o apoio das mãos. O anel que se dividia do núcleo era formado por vários traços em triângulos e os triângulos entre os dois anéis seguiam consecutivos.

     As travas para acessar o local interno da biblioteca foram abertas após as identificações. Videl seguia em direção ao corredor onde se encontrava as escrituras e os documentos secretos.

     _Uma coisa muito importante deve ser revisada antes de sabermos a mensagem. - disse enquanto caminhava.

     O corredor é acessado, a prateleira poderia ser fácil de ser encontrada por Videl, que por outras vezes esteve no local em busca de algumas informações inerentes. O livro, assim como a porta de acesso à sala secreta possuía uma anatomia semelhante à chave, de modo que Videl aclopou a chave sobre a estrutura e conseguiu destravar a fechadura.

     _Aqui está, - o grupo se acomodava em uma das mesas de estudos.

     As folhas foram sendo passadas, a curiosidade era mantida pela apatia do grupo. O texto logo é identificado.

     _O orbi de Moisés foi tomado pelos asiáticos do extremo oriente, nos conflitos do século II contra os arianos. Os chinêses foram responsáveis pela proteção do orbi que foi conduzido ao império Chin, atravessando a Rússia pelas rotas do comércio de seda durante três anos e chegando ao império às margens do rio Chang. Muitos dizem que o domínio do império Chin em meados do século II foi conquistado com abastança através da influência do orbi e culminou com o apogeu da dinastia Chang em 220 com a divisão do domínio Han. A orbi permaneceu durante cinco séculos na região de Chiang.

     _Chiang? - questionou Sophie.

     _Sim, analisei a região no mapa para recordar melhor da mensagem.

     _Esta foi a mesma frase revelada por Saunière antes de morrer. O, lame chieng, Magdona Moessina. Quando descobrimos sobre o naufrágio na antiga região conhecida como Moesia, entendemos que o sentido da palavra foi diretamente elaborada para causar uma relação similar com a idéia encobertada pelo quadro. Agora entendo o mistério do paradigma e porque Chiang também foi elaborada para causar esta relação direta.

     _Vamos analisar algumas fases históricas. O parâmetro será essencial para descobrirmos o código. Os códigos foram expostos de forma indefinida:

 

uvumrsYfWY`id

 

     _Antes, queria dizer sobre uma das palavras que havia restado da senha inscrita no criptéx. - disse Sophie - No momento em que o cilindro foi rompido, o vinagre por consequência, dissolveu sobre o papiro desmanchando as letras. Mas foi possível observar uma das palavras, Isto ocorreu devido à um pequeno grampo entre o papiro e o vidro.

     _E o que dizia

     _FRUTO?

     _É evidente. Cada símbolo possui um nome com características muito próximas às simetrias do cálice. Como o círculo formado pela borda do cálice é inteiramente redondo, podemos concluir que a fruta é aceitável como uma referência.

     _Admirável, Saunière de modo bastante audacioso conseguiu emparelhar vários elementos incógnitos com as referências geométricas. - elogiou Langdon.

     _Outros nomes tais como OURO, PRATA, COROA, CRUZ, PORTAL, fazem referencias idênticas aos símbolos. Isto nos facilitaria com a ordem exata do código.

     _Em nossa visita à Leigh, chegamos à suposição de que o triângulo invertido com a ponta para baixo, diz sobre a mulher e ao contrário, o homem.

     _Negativo. Um diz sobre o rei e o outro, a igreja. Dos nomes que guardo em minha memória, posso dizer que coroa e flor representam estes dois símbolos.

     _Flor? – perguntou.

     _Sim, a Tulipa, em seu formato cônico e crescente é expressamente relacionada ao nome. O significado pode dizer sobre o desenvolvimento dado pela diligência oferecida através da antiga igreja, que outrora fechada, se abria à um novo progresso ideológico.

     Langdon tomando uma das imagens sobre a mesa para uma rápida análise, sugere:

     _Conforme o formato geométrico e pela assimilação à igreja, diria que a palavra ‘taça’ seria o termo mais apropriado para caracterizar o símbolo, talvez este nome esteja relacionado aos códigos?

     _A palavra taça, de fato, está relacionada aos códigos e assim como a flor, faz ligações à igreja, os dois nomes competem à uma mesma referência. O pedestal invertido porém, surge como o segundo formato em alusão à um destes nomes. Penso que a taça seja representante deste símbolo.

     Langdon tomando o formato do pedestal invertido, move a imagem e analisa:

     _Um outro formato geométrico, ou seja, desconsiderando-se o formato cônico da base, teremos o modelo similar à taça. Ainda penso que a taça não se figura à este símbolo. – observava enquanto seu dedo remodelava a imagem do pedestal invertido - Porém o formato mais idêntico à este, sem dúvidas, é a Tulipa.

     _Considerável, não é errado dizer que a taça venha ser a própria dissertação da igreja. – concordou Leigh – Enquanto a flor é explanada pelo desenvolvimento da igreja, ou pela liberdade religiosa, afirmo que a taça será o representante da pirâmide invertida, surgindo como o símbolo da aliança pontificial marcado pelos tempos remotos.

     _Isto fica mais evidente, quando a flor, representado a liberdade religiosa, surge como o símbolo inverso da torre representando a liberdade política. – comparou Sophie a concordância inversa das duas geometrias em consideração aos fatos históricos - Os símbolos devem estar relacionados à geometria e aos fatos, sendo a torre a liberdade política, expressamente marcado pelo fim do império, e a coroa representando o rei. Taça e flor, sem dúvida, deverão seguir seus respectivos períodos. A flor representando a liberdade religiosa, portanto, deverá seguir o período em que a torre se encontra, ou seja, os sete fatos na Europa.

     _Tratando da aliança católica nos tempos remotos, realmente comprovada pela adesão da igreja no século IV, não fica difícil dizer sobre a concordância da taça com a coroa representados nos sete momentos históricos do império. – concordou Langdon.

     _É importante frisar sobre a taça, - acrescentou Leigh - que literalmente representou a aliança sacristônica ao império. Porém não temos provas de que a coroa esteja relacionado aos sete momentos históricos do império, senão pela concordância geométrica de Sophie. Sabemos que na Europa existiram muitos reis. – concluiu.

     _Porém nenhum outro poderia ser rei absoluto, senão, o próprio imperador. – refutou Langdon.

_A coroa sendo o rei e tratando-se do imperador, posso sugerir como um dos primeiros símbolos do código e o antecessor do triângulo invertido.

_A concordância de taça e coroa, portanto, serão expressos como os primeiros símbolos. – advertiu Videl – Mas ainda não é o bastante. Antes de dizer sobre o triângulo invertido, é importante citar a declaração monárquica de Odoácro após a queda do império. – foliou algumas páginas – A coroa representa o rei em termos literais. Não podemos mencionar o imperador como referencia à este símbolo.

_Talvez haja um equivoco. – interrompeu Langdon - Os sete primeiros símbolos estão relacionados aos momentos históricos do império. Não seria possível mencionar literalmente um rei senão após a queda da dinastia.

_Embora o império tenha sucumbido com a deposição do último imperador, ainda suas vertigens foram mantidas até o início do século VII. Fato que será relacionado à um símbolo posterior. Portanto, é correto afirmar sobre a supremacia de um rei, concluímos com isto que o triângulo em forma de pirâmide representando o reinado, virá primeiro. – a página é encontrada sobre o livro epistológrafo, Videl ressalta:

_Odoácro, de origem latina, levantou um exercito italiano com o qual ele derrotou os vândalos na Sicília, se aliou a Teodorico, da tribo dos herúlos e foi capaz de conquistar toda a ilha por volta de 477. Foi aclamado rei e conquistou a batalha de Izonso em 489, a batalha de Milão em 489 e a batalha de Benevento em 490. O exército preponderou sobre toda a península Itálica em 493. Por conseguinte, os territórios foram declarados anexados ao regime, os últimos patrícios da tribuna foram anistiados, a cúria propôs o Estatuto Italiano, que entre outras medidas, manteve a capital em Roma.

     _Sendo o reinado primeiro que a assunção da igreja, descarto a hipótese de que a taça exemplifique a adesão católica dada no século IV. – desconciderou Leigh.

     _Esta suposição será essencial para tratarmos de um outro símbolo. A igreja porém, nunca será antecessora ao reinado quando abordarmos o império. Contudo, temos algo que poderá esclarecer sobre o fato. – duas ou três páginas foram passadas, Videl destaca:

_O bispo retomou o título de Pontífice, que muitas vezes foi estagnado pelo despotismo imperial, pela obstinação dos imperadores aos protetorados romanos e pela intransigência do pontificado na política interna de Roma. Os bispos Teodósio e Honório, por exemplo, declamaram o poder da igreja sobre Roma como legítimos imperadores. O bispo Félix IV foi sucessor ao cargo de Leão I em 482, atuou em um período marcado pela divisão política entre bispo e rei, obteve maior aderência pragmática aliando-se ao exército italiano em 524, quando terminou sua campanha política. Junto com o exército italiano comandado por Teodorico, o bispo reconquistou igrejas importantes em Neápoles, Cápua em 499 e Palermo na Sicília em 523. As campanhas internas na Itália foram motivos de inspiração para o surgimento do futuro Sacro-império na Europa e para os primeiros planos da construção da sede no Vaticano. Este período portanto, é conhecido como o início do governo paralelo efetuado por Teodorico, que dividiu reinado junto ao bispo aclamado pontífice absoluto.

     _O terceiro momento, como disse, trata de uma forma de governo teocrática, talvez seja por este motivo que muitos judeus usam este símbolo como insígnia política ao introduzirem regimentos ideológicos às leis cívicas, unindo as duas ideologias em um único partido. Este não poderia ser, senão o pentagrama. Para os romanos não foi diferente, a dinastia de Teodorico conseguiu prevalecer somente até o reinado de seu filho Teodomiro. Por volta de 590, Gregório I finalmente recebeu o título monárquico e pontífico resignado pelo rei. A lei lhe concedia o direito supremo sobre tod reino italiano. O evento acarretou com a unificação definitiva clerical com a teocracia política interna. As demais formas de governo imperial foram abolidas, e os últimos vestígios do império foram sendo anistiados. Este fato coincide com o domínio pontifico. – Videl ressalta:

_É importante frisar sobre a outra ideologia dos Templários, que diferente da igreja, desejavam manter o vigor político prestigiado pelo império, então abolido pela monarquia, mas revigorado pelo Sacro-império.

     _Então temos coroa, taça e pentagrama? – anotou Langdon.

     _Estrela. – corrigiu - Este símbolo é denominado por este nome, devido às seis pontas. Pode ser considerado o último entre os sete fatos do império.

     _Fica evidente a queda do império como símbolo antecessor à coroa.

_Porém o símbolo ainda é desconhecido.

_Talvez seja representado pela geometria do portal, segundo o modelo do lenço sobre o cálice. – sugeriu Leigh.

     _Não. – corrigiu - O portal, nome atribuído ao símbolo, não seria adequado à esta conjuntura. Seu significado ainda me parece desconhecido, mas muitas traduções apontam para a vida-longa.

     _Não tenho dúvidas que o fruto seja referente a queda do império. – interrompeu Sophie – Como disse, este foi o último nome encontrado no papiro do criptéx, devido o grampo interno do invólucro. Pela sua posição no papiro parecia estar relacionada aos quatro primeiros símbolos, exatamente ao epicentro do primeiro complexo.

     _Aceitável, o fruto já foi responsável pelo fim do reinado de um rei de outrora, quando envenenado pelo então usurpador. Anote. – ordenou Videl enquanto procurava pela página concernente ao episódio.

     _Embora a igreja tenha ganhado força com a adesão clériga, por outro lado, faltava ainda recursos políticos para que o representante conseguisse maior influência administrativa, portanto, o círculo é o código antecessor. - disse ao se lembrar do círculo codificado pelo fruto - As constantes invasões políticas na Europa culminariam com a renúncia do último imperador romano do oriente, Nepos, marido da sobrinha do bispo Leão I. A conquista das últimas batalhas em Toulousse pelo rei franco Merovel em 475, a ocupação dos Hunos ao norte, o avanço dos ordovicos de origem latina e a deposição do cônsul Rômulo Augusto na província de toscana pelo rei Odoácro, causou a queda definitiva do império em 476.

     _Impressionante, os nomes atribuídos aos símbolos parecem ainda mais reforçar o significado representativo formado pelo fato correspondente. – observou Leigh.

     _Nem todos.

     _Ainda restam três símbolos e se tratando do significado expressivo da geometria no símbolo, suponho que o quadrado seja o primeiro dos códigos representando o início do império. – dissecou Sophie - Veja que as partes contornando a área interna do cubo, podem elucidar as delimitações empenhadas em torno das regiões conquistadas pelo imperador.

     _O quadrado ainda é um símbolo bastante delicado, não sei o nome atribuído. Sei que os três primeiros códigos cumprem com a seqüência respectiva de ouro, prata e bronze. Assim como o quadrado inverso, pode ser um símbolo candidato à ocupar o primeiro código recebendo a denominação do ouro. Porém um ou outro extraviará da sua teoria. Embora prata e bronze respeitem a teoria dos símbolos invertidos no mesmo período, o ouro contudo, sendo o quadrado ou o símbolo inverso do quadrado, não corresponderá ao mesmo período dos tempos do outro.

     _Tratando-se de um fato histórico nos sete posteriores momentos na Europa, e cujo símbolo restante deverá representá-lo. Tenho a mera convicção de que o quadrado será primordial para representar este código, quando nada menos dizemos sobre a unificação dos reinos. – Langdon aconselha ao exemplificar uma figura - As quatro pontas dão sentido às quatro principais potências, Itália, Alemanhã, Inglaterra e França.

     _Bom, sendo o quadrado inverso pela diagonal o código representando o ouro, cumprirá obviamente com o fato precursor ao império. Otávio Augusto sucedeu o último cônsul de Roma, Júlio César, que foi impedido de declarar o império por um golpe militar. Otávio foi nomeado imperador pela côrte romana vinte e sete anos antes de anexar as províncias ao império, estabelecer as leis e o calendário romano, fato que também coincide com o início do calendário cristão. Incorporou ao seu nome o título de César, marchou sobre Roma e administrou os protetorados cumprindo com a instituição do seu antecessor. Uma comissão formada pelos descendentes da dinastia Marco Aurélio, incluía, Marco Antônio como cônsul e governador da Hispânia.

     _Obtendo o primeiro código, não fica difícil encontrar o próximo símbolo em cuja companhia está o inverso. – disse Leigh ao mover a figura dos triângulos em forma de setas e dos triângulos opostos sobre as pontas – Dos símbolos inversos restam apenas as pirâmides opostas e a pirâmide pela diagonal.

     _Não conheço os nomes atribuídos às pirâmides opostas, tudo parece indicar o equilíbrio como o principal significado do símbolo quando pela vertical. O que dificilmente poderia acontecer com os antigos reinos quando dominados pela extensão imperial.

     _O inverso do símbolo pela horizontal, se assemelha à uma gravata borboleta, talvez represente os tempos modernos na Europa? – observou Sophie.

     _Não devemos considerar a característica direta do símbolo, como disse, nem todos são significantes, mas se tratando de modernidade o que supostamente pode ser o significado, descartamos a possibilidade de que este seja o símbolo inserido aos sete primeiros fatos do império.

     Algumas observações são feitas, Langdon conclui:

     _Pela lógica o triângulo direcionado pela ponta à esquerda em forma de seta virá a seguir, estão opostos pelas pontas, ao contrário, podem se assemelhar às duas pirâmides unidas pela ponta na horizontal.

_Representará as ações políticas do império. Esta atitude foi primeiro tomada com maior destaque pelo imperador Trajano. Atingiu seu apogeu em 117 destacou-se por respeitar as instituições políticas estabelecidas no governo anterior. Tomou várias medidas importantes. - um pequeno texto é recitado - Introduziu benefícios aos agricultores, enrijeceu o sistema de protetoração romana. As áreas neutras além do rio Danúbio foram sendo povoadas pela aprovação da côrte inicialmente pelas colônias romanas. Os burgúndios ganharam estadanias. Habitaram o leste da província de Gália e foram civilizados às leis romanas. Evoluíam a medida que trabalhavam e conquistaram prosperidades, foram chamados de burgos pelo imperador. O território além do rio Danúbio, no entanto, não seria incluído ao império.

_Importante introdutor da burguesia.

     _O triângulo virado com a ponta pela direita, ao contrário, diz sobre as ações religiosas do império. Constantino I tomou destaque ao oficializar as religiões apuradas e o estatuto de legitimidade, a nova ordem religiosa ao império aderida pelo imperador em 313 foi aprovada pelo Edito de Milão. Uma das regras do acordo autorizava a prática católica permitindo os ensinamentos ligados à igreja, o cristianismo ganhou adeptos e em 380 foi oficializa por Teodósio. Sob a influência de Ambrósio, o imperador proibiu as cerimônias pagãs em Roma, mas recusou levar o título de Pontífece por considerar-se incompatível ao cargo. Esta foi uma das primeiras tentativas do cátolicismo em unir o império à igreja romana ortodoxa. Teodósio retirou o Altar Vitoriano da Casa Senatorial em Roma, e ignorou os protestos dos membros pagãos da Corte. Confiscou as suas rendas, proibiu as doações de propriedades à peble e aboliu outros privilégios que possuíam os sacerdotes e sacerdotisas pagãos.

     _Os sete primeiros códigos estão feitos. Os próximos símbolos dizem de fatos decorrentes das principais regiões na Europa.

     _Os significados restantes são, liberdade política e religiosa, equilíbrio, leis e reinos. – disse Langdon.

_O tripé, que representa a liberdade, não poderia fazer outra menção, senão para as conquistas dos territórios dominados pelo império romano. Os Francos tomaram partida em Gália por volta de 450. Simultâneas invasões conseguiram dispensar as tropas nas margens do rio Meuse. A pressão dos francos se intensificou quando o episódio tornou a se repetir em Lutécia. O crescimento populacional dos hunos, as guerras na costa sul da península gaulesa, a transferência dos militares estrangeiros à hispânia enfraqueceria o poder militar do império romano, e em 460, com a sucessão interditada pela convulsão política e militar, o exército franco dominaria definitivamente Liége. A ocupação obteve maior êxito em 486, quando Merovel derrotou Siágrio, último oficial romano ao norte das colônias de Toulousse. Merovel, como o primeiro rei que começou a conquista da Gália tomando a capital, venceu um pequeno grupo de turíngios à leste de seus territórios em 491 e depois, com a ajuda dos francos-sálicos, derrotaria definitivamente os alamanos na Batalha de Tolbiac. Casou previamente com uma princesa burgúndia em 493. A vitória ampliou o domínio franco para a maior parte da região ao centro oeste do Loire, foi um dos responsáveis pela unificação dos francos em 511. A conquista confirma então, a liberdade política proclamada pelo reino.  O símbolo expressado pela mesma simetria da torre Eiffel, sem dúvidas marcou a liberdade política no início do século VI e a primazia de um dos primeiros reinos antigos.

     _Porém, uma vez tratando dos eventos na Europa, é importante destacar outras investidas dos reinos contra o domínio do império. Na Inglaterra, por exemplo, os ingleses, oriundos das tribos dos anglos, conseguiram alojamentos entre o rio Reno até as colônias de Hamburgo após alianças com os saxões. Construíram um imponente exército nas regiões da Frísia. Em 440, ocuparam as áreas costeiras do leste e sul do Reino Unido, libertaram os bretões do domínio romano instalado pelos principais generais nos primórdios da expansão do império.   

_Os germanos inicialmente conquistaram vilarejos em Worms na Alemanhã, dominaram as fronteiras do Reno ao norte em 406 e conquistaram a Boêmia durante três anos. Após a fragmentação do exército titular romano enviados às batalhas nos Alpes e o enfraquecimento das tropas em Dunberg, os germânos com o apoio do comandante Genserico, finalmente guerreiam contra os romanos em 413. Se estabeleceram com maior impacto na Suábia, sul da Germânia. Em 430 os germânos venceram o exército romano da Baviera nas fronteiras germânicas pelo rio Reno após se aliarem com alamanos infiltrados no exército romano em Lechfeld. Esta conspiração debilitou o exército romano com a derrota dos lombardos até as fronteiras de Estenberg às margens do rio Danúbio. Os invasores conquistaram o reino germânico em 443, alteraram a dinâmica social dos povos nativos, muitas colônias se submeteram à autoridade de uma nova elite, e aos poucos, as colônias romanas ao norte perdiam as propriedades transformadas pela cultura alemã. Os hunos também formaram exércitos, constituíram a liberdade política italiana e espanhola e entre as demais colônias se destacavam os helvécios e ordovicos. Assim também ocorreu com os eslavos, se dividiram e formaram tribos de húngaros, búlgaros e croátas com a assunção do rei Mieszko I em 960. Os germânos, belgas, gépidas e turíngios se estabeleceram entre a Polônia e Germânia. No séculos IX, os sarracenos, magiares e viquingues, se expandiram por toda Europa. Cumprindo assim com a liberdade política dos reinos.

_O próximo símbolo não poderia ser outro senão, os reinos.

_De certa forma sim, com a conquista territorial, restava tão-somente a consolidação política das grandes monarquias.

_O império carolíngio havia restaurado uma espécie de ordem política na maior parte da Europa ocidental, que antes pertencera ao império romano, culminando com a formação dos Estados ao norte e leste da Europa. Expedições militares saíram em busca de metais preciosos cobrados como tributo. Na Inglaterra, as terras sob jurisdição dos dinamarqueses, danelaw, foram aos poucos conquistadas. Os reis de Wessex, contaram com o apoio de Eduardo I entre 899 à 920, e Athelsan 924 à 939. Homens livres se submetiam aos senhores em troca de proteção, o último rei escandinavo de York, Eric Blodaxe em 954, manteve a colonização das terras, permitiu caminhos para a unificação da Inglaterra e pelas reformas políticas e religiosas introduzidas por Edgar em 960, estabeleceram Inglaterra Noruega e Dinamarca.

_Na França, os governantes francos efetivaram a monarquia deixando a defesa nas mãos dos nobres locais, lavradores perderam status para os cavaleiros que formaram uma nova ordem em 1050. Henrique II em 1154 à 1189 validou as leis em todo o reino. Procurou submeter a igreja à legislação real. Nomeou juízes para percorrerem os condados, presidirem os tribunais e aplicarem as leis. Aprovou o direito de convocar os homens livres ao exército. O resultado nas duas regiões foi a fragmentação da autoridade pública e o fortalecimento do poder militar dos líderes. Na Alemanha o poder passou para os duques e margraves que guardavam as fronteiras. Desde o início do século X, o poder dos sarracenos, magiares e viquingues na Europa ocidental tornou-se um entrelaço de condados, comunidades, principados e senhorios, confinados pela relação da aristocracia aos reinos. Em 1180 a Sérvia buscava independência. A Hungria e Bulgária anexaram os territórios e entre 850 a 1050 estados escandinavos e eslavos surgiram como entidades organizadas.

_Dublin e Irlanda flutuavam por causa das guerras, mas a cunhagem das primeiras moedas irlandesas em 990 nas principais cidades escandinavas monopolizou o comércio.  O poder econômico e as conexões internacionais aumentaram. A riqueza da Inglaterra logo voltou a atrair os escandinavos.

_As principais terras da Escócia e o extremo norte foram conquistadas pelos escoceses. Em 1050 a influência se estendeu até os condados ao norte da Inglaterra de hoje. A fronteira definitiva foi traçada em 1237. A Dinamarca sob três marqueses, Gorm, Harald, e Svir, tornou-se no século X um poderoso reino. Após a batalha de Hafrysford, em 890, parte do sul da Noruega estava sob o domínio de Harald. Uma nova fase de consolidação política iniciou com a campanha alemã de Henrique I. Ao leste na Polônia, surgiu um importante Estado eslavo. Mieszko I em 991 uniu as tribos ao norte da Polônia e seu filho Boleslau Chrobry em 1025 estendeu o controle ao sul. Os magiares ocuparam a planície húngara onde se estabeleceu o reino do duque Geisa 997 e seu filho, o rei Estêvão em 1038. A boêmia, situada entre Alemanha e Polônia, também surgiu como unidade política, época de Boleslau I. A Dinamarca foi o primeiro reino escandinavo a tornar-se estado na concepção cristã. Três reis foram responsáveis Harald, 958 à 986, Svir 986 à 1014 e Kanuto, 1014 à 1035, ano em que Noruega, conseguiu sua unificação. Em 1261 auxiliados por Gênova, rival de Veneza, os gregos expulsaram os ocidentais. A conquista do reino normando, em 1194, tornou Houhenstaufen um dos mais ricos governantes da Europa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

_Os fatos realmente se compatibilizam aos símbolos, o ocorrido segue sua conjuntura e entre os significados restantes, não rejeito a hipótese de que a flor seja o próximo. – arriscou Langdon - A liberdade religiosa elucidada pela flor, evidencia o próprio movimento reformista ocorrido com maior impacto no século XVI.

     _Sem dúvida, o triângulo com a ponta reta invertida em forma de flor representa, ao contrário, a liberdade religiosa sucedida contra o despotismo do Sacro-império.

_Os conflitos começaram entre os reformadores da igreja e o mundo secular, acabou por destruir os princípios morais. Chegou ao ápice com Gregório VII em 1073-85, que excomungou e depôs o rei Henrique em 1076. A Primeira cruzada por Urbano II 1088-99 confirmou o rápido avanço da autoridade papal e o descontentamento da população urbana, inconformada com a guerra obrigatória. A disputa foi resolvida em 1122 pela concordata de Worms. O conflito entre o governo e papado se deteriorou e passou de uma questão de princípios à luta pelo controle da Itália.

_O envolvimento político do papado ficou claro quando os alemães da lombardia conseguiram apoios políticos, a fim de acobertar as investidas de Frederich 1152-90 para restaurar a autoridade governamental na Itália. O papado não conseguiu impedir Hohenstaufen de adquirir o reino normando ao norte da Itália. A morte do filho de Frederich 1190-7 e a guerra civil na Alemanha permitiram a Inocêncio III 1198-1216 resgatar o poder a igreja. O pontificado de Inocêncio III foi um ponto alto do papado. Fundou um estado papal no centro da Itália para proteger Roma. E venceu o anticlerialismo. Os hereges do sul da França foram reprimidos pela cruzada albigense 1208. Inocêncio incentivou a igreja pelas novas ordens de frades, franciscanos e dominicanos, reformando a conduta eclesiástica. Assim, Inocêncio IV 1243-54 aliou-se as cidades italianas para enfrentar o governo. Henrique VIII, rei inglês, rompe as relações com o papado com a reforma anglicana. Em 1377 o papado retornaria a Roma. O fim da opressão do sacro império ocorre por volta de 1420, com o Concílio de Constança os reinos se libertariam dos impostos do Sacro-império.  A igreja se limita ao Vaticano em Roma. Na Europa os países adotam religiões independentes.

_Os revolucionários Jhon Huss e Jerônimo de Praga foram protagonistas na revolta de 1420, lideraram um movimento reformista na Boêmia, e denunciaram a ambição do clero por prestígio político e bens materiais. Em 1429 a camponesa Joana d'Arc, comandou um pequeno exército enviado por Carlos VII, libertou Orléans, sitiada pelos bispos ingleses. Com a vitória sobre os ingleses, Carlos VII passou a governar a França com poderes absolutos. Surge com a reforma protestante do século XVI, Martin Lutero de Wittenberg, conseguiu apoio dos príncipes alemães. As idéias de Calvino foram fundamentais ao movimento. Os principais liderem foram, Thomas Muntzer em 1525 e Zwinglio de Zurique. As idéias foram assimiladas pelo francês Calvino em 1534.

_Realmente, não tenho como contestar. Este sem dúvidas é o próximo símbolo.

_O conflito entre a população e o papado foi um ponto crucial na história, afetou profundamente a vida política na Europa, marcada por constantes guerras entre os partidários pontífices e os membros da revolta contra a ofensiva do papado principalmente na Itália.

_Ainda nos restam cinco símbolos. – comentou Langdon enquanto analisava as imagens.

_A cruz e o portal são menos importantes.  Os triângulos opostos, porém, representam o equilíbrio revelado muitas vezes pelas guerras. Este símbolo, cujo nome não me recordo, pode ser alusivo, com maior destaque, às duas principais Guerras Mundiais. Os triângulos opostos posicionados pela horizontal, ao mesmo tempo em que poderão representar a modernidade também relatam sobre a relação política entre os países, expressamente revelada pela então União Européia.

_Os fatos parecem ser coincidentes à seqüência das pirâmides opostas pela vertical e horizontal, mesmo quando se tratam de outros momentos. Veja que se substituirmos a organização política por outra entidade tal como a antiga CEE, a Comunidade Econômica Européia, formada por países da Europa Ocidental criada em 1957, ou pela Organização do Tratado do Atlântico Norte, a OTAN, criado logo após a Segunda Guerra Mundial em 1949, não encontraremos desvios quanto à ordem dos fatos.

_Plausível. – concordou Leigh – E mesmo se substituirmos a Segunda Guerra Mundial pela Revolução Francesa, ainda assim teremos a ordem cronológica dos fatos.

_Ainda penso que a cruz seja representada pelas leis desenvolvidas após a Primeira Guerra Mundial, tais como o tratado de Versalhes e as leis complementares estabelecidas na Europa, resultando com a sobressaída de alguns países da esfera de influência alemã, austríaca e russa, para se tornarem mercados privilegiados das demais potências capitalistas européias. – especulou Langdon - E como coincidência conjuntural, posso citar a Conferência de Teerã, de Potsdam e outras leis políticas estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial, que entre outras medidas, propunham o fim da guerra na Europa, a divisão territorial, a indenização e o surgimento do tribunal de Nuremberg.

 

_Os tratados foram criados com o objetivo de proporcionar a segurança social aos países membros. Um fato não se coincide ao outro em momentos diferentes, ambos devem representar um único período. – observou Leigh - Estas leis tratam da mesma definição dada pelo significado do símbolo, estão incluídas em um único momento, ou seja, o equilíbrio.

_Acalmem-se, a cruz é o último símbolo significativo em cuja tradução está o último fato a ser definido. Não devemos associa-lo à leis conseqüentes de fatos preliminares e intermitentes, se limitando à um período breve. – interrompeu Videl – Tenho algo que possa fazer alusão ao símbolo. – foliou algumas páginas – E nenhum fato jurídico esteve incluído à um período longo como o próprio absolutismo.

_Iniciou por volta do século XVI, quando as primeiras manifestações do renascimento comercial e monetário despertaram a economia medieval. Atingiu seu apogeu durante o século XVII. Contribuiu para a formação de uma entidade funcional submetida à critérios racionais de eficiência mútua e organizada segundo a hierarquia submetida à uma autoridade única. Durante a Idade Média, o rei era apenas um representante monarca entre os senhores feudais. A nobreza lhe devia o voto de vassalagem. Dentro do feudo, porém, cada nobre dispunha de seu próprio poder político e jurídico com a mesma jurisdição de um monarca. Aos nobres pertenciam os meios materiais de administração, incluindo a formação do exército autônomo, bem como a capacidade de cunhar moedas e estabelecer impostos. Os príncipes começaram por destruir a grande variedade dos poderes independentes da nobreza e expropriou seus meios administrativos ao liquidar os exércitos particulares.

_Aceitável. – concordou Leigh.

     _Assim, nos sete momentos seguintes, temos...

Langdon observa o bloco e recita:

TORRE, QUADRADO, FLOR, CRUZ, TRIÂNGULOS OPOSTOS VERTICAL, HORIZONTAL e... PORTAL?

Langdon ergue a cabeça retornando os olhos à Videl quase por esquecido do último símbolo da seqüência e pergunta:

_À propósito, qual é o significado do portal? Talvez haja algum equivoco quanto a seqüência.

_Ah o portal! Realmente está incluído no último campo, é o símbolo crucial dos códigos, os fatos culminam em um único significado, e nenhum outro significado poderia estar expresso senão ao portal, logo, este é o símbolo cujo significado é inexpressivo. O portal é capaz de reunir a história em uma esfera imaginária, muitos dizem tratar do santo-Graal, alguns pesquisadores apontam à um lugar existente, moldado pela mesma forma do símbolo e conforme minha própria expectativa quanto ao segredo, receio que seja algo muito aproximado.

 

 

 

 

CAPÍTULO 19

 

 

 

     A discussão sobre os fatos coincidentes aos símbolos se prolongava e estava perto em terminar. Faltavam ainda algumas definições quanto a relação dos códigos e a seqüência. Langdon comentava sobre o horário em que deveriam comparecer à sala secreta, mais conhecida como, o último monasteiro.

     _Falta pouco menos de uma hora para o meio-dia. - o professor comenta após observar o relógio – Devemos nos apressar.

     De acordo com a tradição, a luz do meio-dia no período de uma hora, seria essencial para a construção da mensagem. Um orifício circular feito no teto do salão possibilitava a entrada dos reflexos ao espelho central do aparelho.

A equipe se apressa pelos corredores, a chave trabalhada sob a posse de Videl abriria a primeira porta de acesso ao local secreto. Antes de entrarem à reunião, o grupo se depara inicialmente com o salão principal da Capela Sistina. Antes da entrada estava posicionado um dos auxiliares da comissão. Usava cabelo curto e uma longa túnica em tom pardo escuro, sobre a borda dos ombros descia o capuz que se apoiava pelas costas e pela cintura o seu cordão.

_Em que posso servi-los. – atendeu o padre dizendo em italiano.

Videl, que conhecia o idioma falado, se aproxima:

_Sou um dos representantes da convenção e membro do Priorado de Sião. - Apresentou-lhe sua carteira de identificação que estampava sobre a capa plastificada, nada menos que seus dados pessoais junto ao brasão em tons azul e branco do conselho mencionado. – Estes são os meus convidados à reunião preeminente. Estou à procura dos responsáveis pela comissão constituída por Jacques Saunière. – disse em sotaque italiano.

O padre ao ouvir a respeito, segue em direção à um outro auxiliar, e  tomando-o pelo ombro direcionou o comunicado em secreto, quase que por ocultar a voz, ao dizer em seu ouvido a discrição da pessoa que o direcionou. O padre observando Videl, a reconheceu como membro do conselho e parentesco de Saunière quando em suas atividades internas no Priorado.

_Obrigado.

Agradeceu e poucos passos o conduziria para próximo da equipe.

Langdon passeava os olhos pelo magnífico teto do salão, repleto de querubins, profetas e síbilas, permaneceu paralisado diante do sexto painel do vão central, O Pecado Original. A pintura mostrava uma artéria disfarçada de tronco seco atrás de Eva. Em seguida, visualizou a estrutura de uma escápula entre o osso do ombro escondida sob as vestimentas de um dos antepassados de Jesus, numa área lateral.

_Certa vez, ao dissecar um cadáver e deparar com um corte de arco aórtico em meus estudos anatômicos, consegui constatar a simetria idêntica ao que vira nos quadros demonstrativos da Capela Sistina, na sala de arte de um Museu associado pela Harvard, inclusive com as artérias coronárias esquerda e direita. – Langdon comentava enquanto contemplava algumas pinturas.

_Imagino que Michelangelo houvesse usado a peça anatômica como evocação figurativa. – interpelou Leigh - Afinal, os renascentistas eram fascinados pela anatomia humana e brincavam com as formas.

     A Capela Sistina reúne obras magistrais da pintura do Renascimento e do patrimônio artístico da humanidade. Além disso, a temática abordada, seja no teto, no Juízo Final ou nas pinturas laterais, propunha aos observadores uma visão bíblica do mundo com ampla significação em uma dimensão física e simbólica até então nunca atingida e, sob certos aspectos, insuperável. A faixa central da abóbada famosa por seus afrescos metafóricos e, segundo o projeto original, estava decorada em partes idênticas ao desenho geométrico que Michelângelo se propôs a realizar e conseguiu a permissão do papa para modelar sua idéia. Para Sophie tudo indicava que as dimensões pareciam ter sido inspiradas pelas dimensões do templo de Salomão.

_O teto abobadado, originariamente desprovido de qualquer adorno pictórico, formando a estufa interna ocupado por uma composição unitária realmente traz-me a impressão das estruturas do templo de Salomão.     Quarenta metros de comprimento e treze metros de largura subdividiam as nove áreas centrais. O ambiente exibia uma decoração emblemática em que a arte mais se aproximava de Deus.

O padre finalmente se aproxima:

_Senhorita Videl?

_Padre Mangano, - Videl o saúda ao direcionar-lhe a mão para receber o ósculo santo. O restante do grupo é apresentado, Videl prossegue:

_Como tem andado o bispo Aringarosa?

_Nada bem. Foi impedido em comparecer à reunião pela suspeita do crime, retornou alguns dias dos tribunais franceses, ainda está inconformado com o cargo ocupado por Saunière cedido ainda à outra pessoa, também responsável pela guarda do segredo.

_Posso saber sobre quem se refere?

_Bispo Kalabrasas, homem de vigor e estatus, possui um imponente poder aquisitivo, exerce também poderosas atividades na Alemanha. Um ótimo conselheiro.

_Acompanhem-me, os conduzirei à entrada secreta.

_Ainda falta tempo, - interrompeu Videl - gostaria que nos dissesse mais a respeito das obras e da Capela.

_Será um enorme prazer!

 

Em uma outra parte do salão Mangano dizia:

     _Esta dependência do Palácio do Vaticano, em Roma, atinge o absoluto esplendor aos magníficos afrescos pintados por Michelangelo, Perugino, Ghirlandaio e Botticelli, entre outros artistas do Renascimento. Os temas do Antigo e do Novo Testamento foram o ponto de partida das imagens imortais da Capela. Seu nome é uma homenagem ao Papa Sisto IV, que ordenou a sua construção em 1475. Os trabalhos se prolongaram até 1483 e, atualmente, a Capela é usada para as reuniões do Colégio dos Cardeais destinadas a eleger os novos Papas.

O edifício parecia uma fortaleza, deixando evidente que a função da Capela seria apenas a de uso interno dos moradores do Palácio do Vaticano, principalmente do Papa.

_Ainda sob o papado de Sisto IV, começaram as decorações das paredes. Perugino, Cosimo Roselli, Sandro Botticelli, Domenico Ghirlandaio e Luca Signorelli pintaram quadros da vida de Moisés e de Jesus Cristo, além de uma série de Papas entre as janelas, seis no alto de cada parede lateral. Em 1508, o Papa Júlio II, sobrinho de Sisto IV, encomendou a Michelangelo o afresco que hoje decora o teto da Capela, inclusive, A criação do homem, quadro abordado nas investigações de Langdon e Fache no museu do Louvre. O artista aceitou o desafio pleno de dúvidas, pois considerava-se mais um escultor do que pintor, preferindo os blocos de mármore carrara aos pincéis. A obra foi terminada em 1512, sendo o resultado de um processo muito minucioso e difícil.

_No plano físico, a posição incômoda em que o artista tinha que pintar sobre andaimes, todo retorcido e com o odor de tintas prejudicando-lhe a visão, causava cansaço. Além disso, segundo alguns historiadores e críticos de arte, Michelangelo recebeu a companhia do jovem pintor Rafael, então em ascensão. – acrescentou o professor.

     _Mas o resultado foi magnífico, superando qualquer expectativa. Michelangelo representou, seguindo uma ordenação teológica, desde a Criação do Universo até a Embriaguez de Noé, incluindo mais sete episódios do Gênesis, além de sete profetas, cinco síbilas, que teriam anunciado a vinda de Cristo, e quatro cenas nos cantos representando façanhas de heróis do povo de Israel tais como, Davi vencendo Golias, Judite matando Holofernes, Ester denunciando as perseguições de Amã aos judeus e o episódio em que, picados por serpentes venenosas, aqueles que tivessem fé poderiam se curar olhando para uma serpente de bronze, colocada no alto de uma vara por Moisés. O primeiro projeto que começou a ser pintado por Michelangelo, contudo, era bem mais modesto, limitando-se a representações dos 12 Apóstolos. Porém, não demorou muito para o artista perceber que o espaço a ser preenchido exigia uma obra colossal. Com liberdade de criação e assessoria teológica do próprio Júlio II, Michelangelo conseguiu realizar o seu intento, pintando uma síntese da Origem do Universo e do Homem.

     O grupo se aproximava das paredes finais do salão, Mangano procegue:

_Quanto às paredes da Capela, Leão X ordenou a feitura de tapeçarias com cenas envolvendo os Apóstolos. Os desenhos foram realizados por Rafael e o resultado final está hoje conservado na Pinacoteca do Vaticano, tendo sido exposto pela primeira vez na Capela em 1519. Não se pode deixar ainda de referir ao talento de Michelangelo na execução do Juízo Final. Em 1533, vinte e um anos após a decoração do teto da Capela, Clemente VII, da família Médicis, tradicional pelo poder em Florença e pela prática do mecenato, fez a encomenda ao artista. A responsabilidade era imensa para um artista que, já com 60 anos, via-se mais uma vez obrigado a deixar o cinzel e o martelo de suas amadas esculturas pelos pincéis abandonados há 20 anos. Ao contrário do que ocorreu com o teto da Capela, a escolha do tema não foi problemática. Desde o início da Idade Média, o tema do Juízo Final ocupava as paredes de entradas das Igrejas. A dificuldade é que o espaço a ser pintado era a parede dos fundos. Isto obrigou Michelangelo a cobrir duas janelas da arquitetura original.

     Agora pelas paredes dos fundos Mangano termina:

_Com essas modificações, a parede ficou 200 m2, vazio preenchido por 391 figuras, muitas em tamanho superior ao natural. Iniciada em 1535, a obra foi concluída 1541. No mesmo dia, Paulo III ordenou a rápida retirada dos andaimes para celebrar um Ofício aos pés do extraordinário trabalho.

     Langdon ressalta:

_De fato estas obras levaram ao elogio, de um dos principais críticos do Renascimento, Vasari, que ao olhar aquelas figuras com formas e rostos distorcidos, viu pensamentos e emoções que, melhor do que ninguém, Michelangelo soube pintar.

_De fato, a obra fugiu dos padrões clássicos da Renascença, apontando para o modelo italiano, cuja expressão estilística de seres humanos cada vez mais se dilacerava entre o sagrado e o profano. – disse Leigh.

     Sophie conclui:

_Pelo que foi dito até aqui, fica evidente que a Capela Sistina reúne obras magistrais da pintura do Renascimento e do patrimônio artístico da humanidade. Além disso, a temática abordada, seja no teto, no Juízo Final ou nas pinturas laterais, propõe ao observador uma visão cristã do mundo com ampla significação em uma dimensão física e simbólica até então nunca atingida e, sob certos aspectos, insuperável mesmo em nossos dias.

 

 

 

CAPÍTULO 20

 

 

     Os pesquisadores se aproximavam do grande altar da capela onde sobre a superfície da mesa principal se exibia o cálice sagrado, conhecido por muitos como o original cálice do santo-Graal. Os detalhes da moldura foliada à ouro pela base do cálice se assemelhava à arquitetura da torre Eiffel. As dimensões do cálice foram calculados e transferidos aos códigos secretos. Por muitas décadas no apogeu das cruzadas, o cálice servia como proteção aos templários. Assim como os artifícios, as vezes similares, usados pelo Sacro-império. Raras vezes permanecia exposto no salão, e devido a ocasião o cálice ainda permanecia sobre uma longa mesa.

     _Parece que não há outras saídas, senão pela sala sacerdotal interior. - comentou Sophie.

     _Acalme-se. - disse Videl ao exibir a chave da sala.

     Alguns grupos de bispos e cardeais aguardavam pelo interior do salão, usavam geralmente batinas e mantos brancos encardidos ou pardos como os frades auxiliares nas campanhas domiciliares. Poucos usavam o preto perpetuo e ainda alguns procedentes arriscavam o vermelho carmesim. As correias sobre a cintura pareciam todos iguais, alguns se destacavam por cinturões pertinentes à classe episcopal e muitos ainda aguardavam usando trajes comuns. Dois diáconos no mesmo instante fechavam as duas grandes portas principais para a convenção. Feitas de madeira maciça formavam um vão na coluna superior e apoiada por duas prezadas dobradiças de bronze fazia soar o ruído do fechamento no mesmo tempo em que era dada a certificação da presença dos principais convidados.  Os acompanhantes de Videl foram previamente apresentados aos dois primeiros bispos. Uma reunião secreta estava prestes à iniciar. Videl se aproxima do padre Mangano, um antigo conselheiro do bispo Kalabrasas que permanecia sobre o altar já pelo interior do salão secreto. Parecia zelar pelo cálice, foi comunicado secretamente sobre a reunião. Discretamente Mangado enrola o grande tapete de veludo com detalhes em escarlate sobre o altar ao se reencontrar com os convidados. Uma porta de madeira engastada horizontal com uma pequena fechadura simetricamente fundida à semelhança da chave em forma de escaravelho, se localizava ao meio.

     _Por aqui. - comunicou-lhes ao alojar a chave sobre a fechadura, fazendo abrir a porta.

     Sophie ainda por entrar à pequena escada de alvenaria ressalta:

     _Em Roslyn, tive uma ligeira sensação de que estava à descobrir o segredo ao passar por um caminho similar, as portas de madeira, a entrada subterrânea, a expectativa por mais uma descoberta. Mas agora, nunca me houve sentimento similar.

_Experimentar a emoção de desvendar o mistério realmente será um grande privilégio. – acrescentou Langdon ao apoiar suas mão sobre seu ombro seguindo-a pelas escadas.

     Finalmente o monasteiro secreto estava para ser explorado pelos investigadores. Um corredor obscuro pela passagem inicial se suspendia após as escadas. Ao lado direito emitiam-se as luzes internas que eram protegidas por cápsulas de um vidro bastante resistente e seguia consecutivamente apoiado por um longo cabo de eletricidade fixo à lateral. Uma outra porta é aberta pela mesma chave trabalhada. O giro da chave pela fechadura fez abrir a última entrada. Sophie e o restante se vislumbravam ao reparar os primeiros detalhes da sala de reunião. O ambiente em que estava localizado o globo criptográfico, mais conhecido como, criptógamo-do-sol, era um local subterrâneo escondido de todos os clérigos inclusive do próprio Papa. Apenas alguns tinham o direito de acesso, inclusive o padre Mangado.

O aparelho estava posto em torno de um degrau de obstrução em um altar ambiental de dez metros quadrados cercado por algumas grades de proteção feitas de ferro negro. Um longo alpendre se estendia pelo teto por onde se via o orifício circular, ainda se encontrava fechado. Pelo assoalho, os deques de madeira concluíam a ornamentação. O grande paredão atrás da ampola armazenava três panos inteiramente transponíveis para que sobre a superfície fossem escritos os códigos. Á frente do aparelho, duas colunas eram ocupados por bancos de madeira lisa e preenchia de um lado ao outro como uma assembléia. Todo o espaço arejado da reunião era coberto por placas de ardósias assimétricas que se dividiam aleatórias pelas laterais das paredes. Um tapete vermelho carmesim forrava a passagem de acesso aos bancos cumprindo o caminho que dividia ambos os lados até concluir com os lados transversais pela saída aos fundos do salão onde se encontrava a sala de depósitos artificiais e vestuário. Todo o estilo se assemelhava a arquitetura da igreja modernista.

     Os panos brancos de tecido frágil e especial, permaneciam continuamente forrando as paredes atrás do aparelho. Os panos eram únicos e consagrados, toda informação enviada de modo errado, desperdiçaria imediatamente o material. Os três acompanhantes de Videl se assentam no banco pelo lado esquerdo da passagem em direção ao artifício. Alguns outros membros se espalhavam pelos bancos a espera da cerimônia.

     _Sejam bem-vindos. - disse Kalabrasas - Sou um dos membros do Priorado de Sião e um dos responsáveis ao lado do falecido Saunière por um dos segredos referente ao santo-Graal.

     _Sou Anna Videl. - cumprimentou - Como prima de Saunière, fui nomeada para ser sucessora e responsável pelo segredo. - disse ao mostrar-lhe as escrituras testamentais - Estes são os meus convidados ao conhecimento da mensagem secundária.

     Além das duas principais mensagens havia uma mensagem secundária que poderia ser entregue aos respectivos elegidos por um dos guardiões. Uma breve leitura do documento é feita, Kalabrasas explica:

     _Os convidados poderão ter acesso a mensagem desde que cumpram com o juramento. Somente uma mensagem dos três panos poderá ser informada. Como podem ver a criptografia do globo não é nada formal. Os símbolos são completamente desconhecidos e somente poderão ser traduzidos por um dos nossos conselheiros.

     _Então teremos direito de saber sobre uma mensagem das três que serão expressas nos painéis? - perguntou.

     _De certa forma trata de apenas uma mensagem secundária, porém nos painéis são expressos várias idéias relacionadas ao santo-Graal. Uma delas se refere ao local das especiarias doadas pelos antigos fidalgos até os dias de hoje. Uma casa de tesouros, que por ser reconhecido por alguns perseguidores, tornou-se motivo das principais perseguições e de muitos crimes.

_Não descarto a idéia de que o assassinato de Saunière, e sua tentativa em manter o criptéx protegido, tenham sucedido em favor desta mensagem em busca do local dos tesouros. – disse Sophie.

_Ainda estou perplexo. A senhorita Videl ainda corre risco de perder os códigos. Pela perca da seqüência certa inserida no críptex.

 

 

CAPÍTULO 21

 

 

_Durante quatro anos o grão-mestre deverá zelar pelo segredo até que o tempo seja cumprido. As mensagens, portanto, somam doze idéias secretas relacionadas aos antigos mistérios.

     _Acompanhem-me, o bispo fará um ritual que consagrará o juramento. - aconselhou Mangano.

     O grupo se aproxima do altar. Um aparelho altamente desenvolvido, criado no século XVI, muitas vezes é atribuído à Leonardo da Vinci. Era capaz de emitir mensagens subliminares em uma linguagem simbólica. O tempo de decifrar o código estava próximo, muitos decifradores sairiam em busca de respostas que eram mantidas zeladas em intensa segurança. A maioria dos exploradores enfrentavam adversidades e pagavam com a própria vida para manter o código em transição. Muitos códigos deviam ser decifrados, muitos obstáculos deveriam ser vencidos, todos os segredos foram responsáveis por inúmeras guerras, poucos sabiam sobre o verdadeiro local dO criptogamo-do-sol e agora a equipe estava tão próximo ao segredo como nunca antes.

     Dois bispos separados de um lado ao outro realizavam as orações em latin. Dois defumadores exalavam uma neblina enquanto os convidados se ajoelhavam para receber o sinal que era dado pela mão em formato de cruz. Outros dois diáconos auxiliares lançavam água-benta sobre os presentes que se ajoelhavam entre o altar e o púlpito, Leigh é o último da equipe a receber a oração. Retornando ao banco, aguardavam pela primeira mensagem. Faltava pouco para que os ponteiros marcassem meio-dia, o sol se movia lento em direção ao espelho central do globo. O espelho em dimensões ampliadas, reclinado acerca de quinze graus lineares, direcionaria o reflexo do sol aos três painéis estendidos na parede passando pelas formas criptografadas dos anéis de madeira. Um dos cardeais havia enxaguado antecipadamente o tecido com querosene após acionar uma alavanca.

_O líquido facilitaria a gravação da mensagem. – explicou o bispo.

A tampa do teto é aberto após a codificação.

     O horário se aproximava e o sol se movia em direção ao espelho central. O primeiro grupo a conhecer a primeira mensagem se encaminhava para encaixar a mesma chave usada por Videl à um painel central sobre uma pequena tribuna de madeira entre o altar e o público. A chave se movia em direção aos respectivos códigos, os anéis de cinquenta centímetros de largura formavam vários símbolos consecutivos e se moviam de acordo com os códigos selecionados. Os dez anéis que antes se dividiam pelo globo, se uniram um sobre o outro e formaram cinco anéis, obstruindo ou modificando os símbolos. Os giros eram transversais e aleatórios. Um bloqueio dos anéis formava uma placa de dois metros e cinquenta de largura. Sendo que, somente os símbolos atingidos pelo sol em proporção à simetria quadrada do espelho, seriam empregados ao primeiro tecido. Uma linha de cinco símbolos para cinco colunas engendraria o total de vinte e cinco letras ou símbolos. O código parecia terminado, o sol transmitia a luz sobre a placa, em pouco tempo as primeiras marcas do tecido queimado iam surgindo. Dez minutos passam, a mensagem estava pronta. O tecido é retirado pelo cardeal e entregue ao guardião responsável. O segundo grupo precederia o último, em cujos convidados estava Langdon.

     Antes que a chave fosse encaixada algo fora da cerimônia é emitido por Kalabrasas por um pequeno telecomunicador apoiado em seu ouvido por um fone.

     _Temos alguns policiais na porta de acesso ao salão principal. Querem encontrar a sala secreta.

     _Não permita! – ordenou.

     _Mas parece que eles sabem sobre o esconderijo. Estão acompanhados do bispo Aringarosa.

     _Pede para aguardarem dez minutos até que a segunda mensagem seja transferida.

     A ordem foi dada, dez minutos estava propostos, Kalabrasas se desconfia, a vinda dos policiais não estava prevista, mas continuou com os códigos ao mover a chave. Os primeiros símbolos eram direcionados e os anéis já se moviam lentamente ao se alinharem quando algo estranho surge pela porta principal. Um intruso vestindo um terno escuro e segurando uma Medusa prateada nas mãos ordena:

     _Ninguém se mova! - uma voz espantadora ecoa pelas paredes fúnebres do ambiente.

     Os grupos são mobilizados, não portavam armas, foram surpreendidos pela vinda do terrível Remy Legaludec, um antigo perseguidor do segredo que havia roubado uma das chaves do bispo Aringarosa enquanto se hospedava em um dos hotéis da Itália.

     _Quero a mensagem. - andava passos lentos em direção ao altar.

     O bispo Kalabrasas não teve opções, estava sob o domínio da arma que lhe era apontada.

     _Ande. - Remy direciona ao aparelho - Efetue os códigos.

     Kalabrasas ainda trêmulo retrucou.

     _Não posso.

     _Como não pode? - tomou uma vítima como refém - Se não pode fazer, faça outro.

     Franzindo os olhos e fitando-o, permanecia imóvel. A vinda dos policiais conciliou com a invasão do intruso. Kalabrasas assimilou o tempo determinado com a permissão de entrada dos policiais com a ordem dada pelo indivíduo.

     _Prossiga! - ordenou ainda mais exasperado.

     Alguns segundos se passam, Kalabrasas ainda permanecia imóvel até que encontrou argumento para uma eventual saída:

     _Tenho que ajustar o espelho no interior do globo antes que os raios solares transmita a mensagem.

     Apesar do espelho se mover automaticamente com a descrição dos códigos, Kalabrasas preferiu inventar sobre um suposto ajuste no espelho central.

     _Então ajuste.

     Kalabrasas se aproxima do globo e de modo sagaz direciona o espelho contra a posição onde Remy se encontrava. Sua imagem então surgia refletida no espelho pelo lado esquerdo da entrada e sem que ninguém percebesse o bispo retorna.

     _Pronto. - retornou ao painel central.

     Os códigos foram novamente direcionados, Remy permanecia apreensivo, a vítima ainda suplicava para que a mensagem não fosse transferida, Remy ordenava silêncio. Kalabrasas preferiu não comentar sobre a tradução da mensagem afim de ganhar tempo. Desejava apenas que os policiais chegassem à sala interna. Os anéis giravam, e os códigos eram direcionados, em pouco tempo os anéis formaram a placa.

     _O que houve? - perguntou Remy.

     _Basta aguardar a posição dos raios solares. - disse ao se afastar do altar – O Globo tende a mover a medida que outras mensagens são ativadas. Em pouco tempo os reflexos produzirão a mensagem referida conforme a posição dos raios.  

     O intruso não entendia, permanecia com a vítima na mesma posição inicial à espera do sinal. O silêncio dominou o ambiente por alguns segundos, quando nada obstante, a porta é invadida pelo grupo policial francês. Entre estes, estava o capital Fache que breve anuncia:

     _DCJP, ninguém se mova. - ordenou.

     O bispo Aringarosa surge em seguida e declara:

     _É este o criminoso que roubou a chave e o verdadeiro assassino de Saunière. – apontou.

     _Tínhamos feito um acordo, posso provar o pagamento de dois milhões de pratas pelo assassinato na conta corrente.

     _Antes inclui o valor em nossa conta pessoal, preferi não executar o crime.

     _Porém Silas, o comparsa de Aringarosa, executou.

     _Não executei! - uma voz quase no mesmo instante surge sufocada pelos fundos dos bancos. O silêncio retorna a dominar, os olhares foram direcionados à um único e inesperado convidado.

     Um dos presentes na cerimônia vestia uma túnica preta de capa longa cobrindo-o por quase toda a face, era Silas. O manto sobre a cabeça é retirado, Silas, o antigo auxiliar do bispo Aringarosa se manteve presente discretamente em todo o momento sob a companhia de Kalabrasas.

     _Silas? - disse Sophie.

     Seus passos lentos seguiam em direção aos policiais:

     _Como escapou da prisão? - questionou Langdon surpreso pela presença de Silas que havia sido preso como principal suspeito do crime.

     _Estive com o tenente Collet, fui interrogado e disse sobre a real versão do crime. Na verdade não fui o autor do crime. Entreguei minha arma à policia, não estava carregada no dia do crime, o disparo surgiu antes que eu pressionasse o gatilho, confesso que fui surpreendido ao saber que o disparo havia soado inevitável pelas grades que me separavam da vítima. Minha missão estava determinada, não pude evitar. Porém fiquei perplexo com o acidente, procurei encontrar o possível responsável pelo disparo, ninguém suspeito me parecia cúmplice, logo me recordei de um outro funcionário do Louvre, que por sinal, ambicionava o cargo de curador, justamente o cargo exercido pela vítima. Seu nome era Grouard, trabalhava como segurança. Minha confissão valeu a pena, a munição usada pelo funcionário era a mesma encontrada em sua pistola particular.

     _Então porque ameaçou Saunière desta forma? - perguntou a agente Neveu.

     _Pretencionava intimidar Saunière para saber de um segredo que nem eu mesmo conseguia saber. Sou membro do Priorado de Sião e como conselheiro de Aringarosa aceitei a proposta para apenas simular o homicídio afim de cumprir com o suborno criado por Remy.

     _Entreguei o dinheiro para a revitalização do palácio e do conselho.

     _Sabia que não poderia entrar em acordos com vocês. - impulsionou o refém para trás.

     Um deles disse ao observar o refém ordena:

     _Largue-a

     Todos permaneciam aflitos, o intruso certamente desejaria a tradução da mensagem, e o local dos tesouros estava ameaçado em ser descoberto.

     Remy se reposiciona e exige.

     _Afastem-se. - ameaçou - Libertarei apenas com a mensagem em mãos, desejo também a saída livre. - Remy torna a fitar o aparelho e percebe os detalhes - À propósito, não entendo estes símbolos, - fechou o rosto ao perceber que se tratava de uma codificação desconhecida - quero que me façam a tradução direta da mensagem que me liga ao local dos tesouros. - ordenou ao bispo – Rápido!

     Um dos bispos andava em direção ao indivíduo com o papiro e as traduções em mãos para entregá-lo. O clima de suspense circundava o ambiente, o bispo se aproximava em passos lentos, cada passo era a soma da agonia dada pelos semblantes mais apáticos. Quando tudo apontava para o fim do segredo, o papiro estava perto em ser entregado ao criminoso, os raios finalmente atingem o espelho no centro do globo emitindo os raios contra o rosto de Remy.

     _O que é isto. - tentou se proteger com o braço.

     Os raios atingem o alvo através do espelho como regulado pelo bispo, a vítima é libertada e a polícia o detêm. O criminoso é levado para fora, o reverendíssimo tentava explicar sobre a cerimônia e os policiais se despedem em seguida com o criminoso.

     _Vamos, não temos tempo à perder. - disse Mangano.

     Como um dos responsáveis pelo segredo e o possível grão-mestre sucessor, Silas convida Fache e o tenente Collet para o evento, o restante dos policiais aguardavam pelo lado de fora.

     A segunda mensagem é gravada dez minutos se passam, faltava pouco para as treze da tarde, o sol se movia lentamente pelo orifício do teto.

     _O próximo código? - inquiriu - Não temos tempo.

     _É o nosso segredo, prossiga.

     _OURO, - citou o primeiro símbolo - PRATA, - disse sobre o segundo que na tradução do cálice representava o triângulo virado para a esquerda - BRONZE, - este ao contrário representava o triângulo virado para a direita - FRUTO, COROA, TAÇA, ESTRELA - revelou o restante dos símbolos.

     Alguns segundos se passam, Sophie permanecia paralisada.

     _O que houve?

     _Não temos certeza do restante. TORRE, QUADRO, FLOR, CRUZ, ainda não sabemos os dois a seguir, porém o último, sem dúvidas, trata do ÔMEGA. - o último símbolo referia-se ao portal.

     _Não posso direcionar o último sem o restante.

     Os anéis da ampola giravam a medida que os códigos eram direcionados.

     _Estes dois restantes se trata de dois signos. Um é gêmeos e o outro é peixes disse Kalabrasas.

     _É certo afirma sobre o signo de gêmeos que representa as pirâmides opostas posicionadas pela vertical. Suas laterais estão posicionadas paralelas pela vertical e as laterais do signo de peixes ao contrário está posicionado pela horizontal.

     Os códigos ainda eram inválidos.

     _Suponho que o erro seja a posição da cruz. Entre as unificações dos reinos e a queda do Sacro império houve muitos tratados, dos quais se aderiram muitas leis e com maior abrangência, na era das cruzadas. Portanto, a cruz como a lei deverá vir antes da flor e após o quadro. – sugeriu Mangano.

     _Porém não é esta a posição.

     _Permita-me, - o cardeal Boanergo direcionou um pequeno papiro que fazia a tradução de algumas imagens que no painel eram vistas de outras formas.

     A mudança é feita, um signo e o outro signo foram a última seqüência antes do portal, que no painel era visto pelo símbolo de ômega:

 

uvumrsYf…YW`id

 

 

Os anéis finalmente são acionados, porém se travam.

_A cruz virá após a queda opressiva do Sacro-império. É inteiramente representada pelos tratados absolutistas.

Kalabrasas observando com maior atenção corrige.

_Realizamos também algumas pesquisas particulares sobre a seqüência dos códigos, a posição da cruz nada mais é do que as leis estabelecidas pela ONU. Bom, além dos órgãos jurídicos e de administração política e econômica, a ONU também possui agências especializadas. Entres estas, posso citar a Organização das Nações Unidas, Unesco, Organização Mundial da Saúde, Organização Internacional do Trabalho. FMI, Fundo Monetário Internacional e Unicef.

A chave é redirecionada, a substituição é feita e o código aparecia exato. Faltava menos de dez minutos, talvez o reflexo não fosse suficiente para gravar a mensagem.

Restaram cinco segundos, as luzes se alinhavam para outra posição fora das placas e finalmente se desalojam do alvo, porém a mensagem estava feita sobre o pano.

     O bispo Kalabrasas se aproxima dos pesquisadores, que juntos à Silas, o grão-mestre eleito sucessor, aguardavam pela interpretação da mensagem. Um dos monges recita uma oração em língua desconhecida. O ritual é feito, e a mensagem em fim é revelada:

     _O segredo trata, do capitulo doze do livro de Apocalipse. "E a mulher fugiu para o deserto onde tinha um retiro. E foram dadas á mulher duas asas de uma grande águia, para voar para o deserto, ao lugar do seu retiro. E a serpente lançou da boca atrás da mulher água como rio, para fazer que ela fosse arrebatada da corrente. Porém a terra ajudou a mulher e abriu a terra a sua boca e engoliu o rio que o dragão havia cuspido". Muitas interpretações existem através deste texto, mas para os guardiões do santo-Graal, a mulher é o orbe de Moisés, as águas foram as dificuldades realizadas pelos povos do império Chin ao atravessar o Pácifico. A civilização de Chiang, responsável por muitas conquistas contra a pressão do império Han, foram os principais guardiões do orbe até a costa de Chien'tang do Pacífico Norte. Em 220, com a queda do império chinês e com a fragmentação das realezas, os protetores finalmente realizaram as navegações, que na época, davam início as primeiras colônias da América central. Segundo a lenda, o orbe foi enterrado alguns séculos mais tarde. Seu paradeiro está localizado onde o portal faz alusão ao segredo. Na América central existem os Stonehenges, são monumentos feitos de pedras que formam duas rochas paralelas e outra superior, criando a imagem similar de um portal. Um destes foi separado exclusivamente para a identificação do orbe.

     Um dos monges retirava o último pano entre os três, para entregar ao sucessor.

     _E quanto às outras mensagens, alguma se desvia do assunto?

     _Muitas mensagens falam especificamente dos reinos antigos ou dos principais nomes da história. O orbe é o assunto principal, os símbolos do cálice é prova disto, porém, quanto as outras mensagens, posso dizer que uma delas fala sobre o livro de Jó, capítulo trinta e oito, versículo onze. "Chegará até este ponto e daqui não passará". Diz sobre o império persa e a promessa feita à Alexandre. O império se estendeu até os limites do rio Hindu, venceram várias batalhas e dali realmente não ultrapassaram. Em 331, em fim, o império é fragmentado com sucessivas campanhas em todo oriente médio. Muitas pistas foram escondidas ao longo dos tempos, esta inclusive, pode ser encontrada por Silas.

     Gratificados pela maior descoberta de todas as investigações, os pesquisadores se despedem. Os dias passam e Robert Langdon resolve se encontrar com Sophie para uma viagem ao México, o Stonehenge do orbe seria o objetivo principal. Era noite, a claridade do céu iluminava todo o campo, sobre um extenso gramado verde, moldado por planícies longíguas, surgia o carro Citroën preto de Langdon. De longe o portal era avistado, Sophie ao seu lado admirava, o carro estaciona, ambos descem, Sophie recita, uma frase auxiliar encontrada ao lado do criptéx, o vento soprava sobre sua roupa:

     _"Abaixo da antiga Roslyn está o Graal". Como nos disse a senhorita Videl, Roslyn foi o último local onde o críptex com os código esteve guardado por antepassado de Saunière. "Lâmina e cálice guardam-lhe o portal". As evidências agora são claras, o cálice, a lâmina sobre a borda e o lenço, literalmente estavam por cima do segredo do portal, que pôde ser exemplificado pelo contorno do lenço e pelo globo-criptográfico. "Pela arte dos grandes mestre velado jaz". Uma das obra de Michelangelo no teto do mesmo local encontrado, zelava pelo cálice do santo-graal e pelo enigma. "Sob estrelado céu descansa em paz". Sophie se encanta ao olhar para o céu, segundo a lenda, uma vez passando pelo portal, a pessoa receberia vida longa e prosperidade. Langdon se abraça a Sophie o segredo finalmente estava desvendado.

     Novamente em Paris, no edifício de pedras castanhas da Rue La Bruyère, estava Silas, em seu apartamento particular. Ajoelhado sobre o assoalho de madeira, Silas orava em lantim, sobre sua frente estava o terceiro pano do globo-criptográfico, entregue ao legítimo sucessor pelo grão-mestre, a zelar o segredo. Dois castiçais separados sustentavam o pano que deitado permanecia sobre uma cruz exposta na parede. Alguns incensos exalavam uma neblina em todo o quarto, finalmente Silas retira a túnica negra que lhe cobria a cabeça. Ven honry d'padre, bel protect aux, direcionou sua mão para o alto da cabeça, par plenuy pebles, acla du soile, bel venero du saint-graal, direcionou a mão para baixo e sobre o peito, an par ac guardicto denaux, direcionou para o lado direito, ac mister den ac long anm, e depois pro lado esquerdo. Samacta atanm. Concluíu.

 

 

 

 

 

 

 

 

FIM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estação

Plataforma, campainha, alto-falante anunciou a última chamada para o embarque.

 

 

           

 

_A última linha da mensagem - disse Sophie - era algo que Fache não queria que visse.

A embaixada dos EUA em Paris é um conjunto compacto de edifícios na Avenue Gabriel, logo ao norte dos Champs-Elysées.

Fache já suspeitava quando Langdon discou um múmero local, digitou um código de três números e depois estou uma gravação. Se não foi para a embaixada, para quem telefonou?

 

 

capitulo 30 assassinato 76-79 p.ss.

castel gandolfo 34-41

quarto silas 39

 

 

Gare du Nord

Abadia de Westminster

Priorado de Sião

A época para se retirar o criptex estava próximo. Esta teria sido a causa do assassinato.

O sinete do Priorado de Sião seria um inventário da agente.