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CAPÍTULO
1
Cemitério
du Père-Lachaise, situado no vigésimo arrondissement da capital
francesa, local onde muitos insignes presentes agora contemplam a lápide de
mármore negro em cuja superfície se inseria o nome cifrado em prata do
honorário falecido, Jacques Saunière. Um dia estável de céu nublado, cobria a
luz de uma manhã coincidentemente neutralizada pelo acontecimento. O curador de
arte era um homem decrépito de influente popularidade e conhecimento, atuava
como um dos mais autênticos comissários incluídos na sigla administrativa do
aparatoso museu do Louvre na França. Embora um alvor de pelos lhe cobrisse o
cabelo entre a mandíbula e o maxilar, o curador possuía uma convalescença
incrível, agora desvanecida por um misterioso assassinato não solucionado. Nada
se sabe sobre o principal criminoso, ainda se suspeitam, inclusive, entre os
presentes àquela cerimônia.
Um
dos maiores cemitério de Paris, de aproximadamente quarenta e três hectares, em
toda sua amplitude, se destaca por uma natureza exótica e mística. Talvez seja
um dos mais afamados do mundo, responsável por zelar sepulcros de muitos
famosos, o local agora testemunha a presença de vários jornalistas. Recebeu a
denominação no século dezessete, em homenagem ao padre D'la Chaise, confessor
do rei Lúiz XIV da França. Parte da exuberante concepção artística do cemitério
foi confiada ao arquiteto neoclássico Alexandre Brongniart em 1803. Um longo gramado verde escasso, traçado entre
as alas de inumação, de acesso aos túmulos e relíquias monumentais, conduzia à
muitos outros corredores de extensos arvoredos mortíferos de folha vinhedo
secas removidas ao chão, pareciam forrar
os caminhos restritos da necrópole como tapetes corais. Esquifes de valores
milionários e projetados, de modo muito espantador, por esculturas góticas
moldadas por mãos de afamados mestres, surgiam como monumentos honoríficos. O
corredor seguia até passar por rente à uma estreita praça de mármore cinzento.
Um pequeno aluvial entre o pequeno cerco sinuoso em torno do grande monumento
exótico, criava uma composição de pedras de cascalhos brancos e pequenos
cristais misturados às folhas secas dos arvoredos de carvalhos, que atingiam
aproximadamente dez metros. Duas escadas separavam o limiar da torre principal
formada por pedras obscuras de cor marrom viscoso.
De
frente do monumento conseguia-se ver pouco do ponto de inumação referênte à
honra do monumento à esquerda. Avistando-se por trás, havia a continuação do
corredor que levava ao vasto campo aberto de gramado escasso, totalmente imune
de arvoredos e sepulcros. Por este caminho também levava ao funeral de Jacques
Saunière. E foi a partir deste ponto, desde ao sul do cemitério entre o muro
dos Federados, de modo bastante discreto, que o então asqueroso Rèmy Legaludec
seguia com sua íntima pistola Medusa chassi Jay de baixo calibre prateada, que
por sua espessura cabia sobre a palma da mão. Sua aparência era obscura, seu
rosto frisado seguia pouco inclinado ao marchar os passos lienados. Deixara
enterrado sua benevolência em se compadecer de alguém que ousasse
impedí-lo. Seu terno escuro, escolhido
especialmente pelo tamanho alongado da manga, tampava a borda do pulso de uma
camisa social branca interna. A manga, com três botões de pulso, tampava
inclusive, a pistola carregada sobre a mão.
No
local, muitos que estavam presentes, consentiam com as últimas palavras do
bispo italiano, que usava uma túnica negra desde as mangas dos braços até as
pernas. O manto se envolvia, desde a cintura, por um cinturão também negro e
até o contorno do pescoço aos pés, por uma batina também de veludo negro em
detalhes dourados. Em cerimonialismo fúnebre acenava com as mãos em três
consecutivos sinais religioso em forma cruzada, realizava o desfecho de uma
oração sacramental em língua latina desencadeando-se com o lançamento da água
benta sobre a lápide e em um espaço já coberto pelos funcionários. Algumas
pessoas importantes, como o sous-préfet e o prefeito do departamento
ocupavam a parte livre à esquerda da lápide junto à outros religiosos, alguns
provavelmente, membros de uma associação secreta. Outros tais como o professor
de criptografia, Robert Langdon, e a agente judiciária, Sophie Neveu ocupavam a
parte do lado direito entre a coluna do túmulo. Acompanhados pelos secretários
da rede DCPJ de Paris assistiam a cerimônia consentidos e ao mesmo tempo, em
sinal de alarme à qualquer suspeita.
A
maioria dos confraternos usavam roupas negras, próprias para o cerimonial. Cada
semblante demonstrava enternecimento ao lamentável incidente no Louvre, local
onde o falecido teria sido assassinado. Outros agentes transmitiam o afeto que
tinham ao curador através de olhares tristes, mas às vezes, os olhos eram
cobertos por óculos ou véus negros. Tudo parecia mitigar a real relação de cada
personagem no crime, um clima de suspense e mistério se dissolvia com os ventos
passageiros daquela manhã fresca de clima árido. Leigh Teabing, após uma surra
dos policiais, sendo um dos principais suspeito do crime e apesar de ter sido
inocentado, deveria depôr e andar sob a escolta da polícia. Usava um valioso
óculos de quartzo negro e agia de modo muito discreto, apoiava as duas mãos
sobre sua bengala escondendo-a sobre as pernas para não ser reconhecido
facilmente. Um de seus punhos era então destacado por uma valiosa pulseira de prata Roscoe. Muitos
poderiam rejeitá-lo em sinal de protesto, estavam prestes a revidar a incriminação
através da busca pelo principal suspeito.
Todos
ainda permaneciam perplexos após a oração do bispo. Querendo se aproveitar do
momento de distração do público, em um local afastado de todos, sobre o
esvoaçar da roupa sucedido por um vento passageiro e sombrio, entre os
arvoredos de um insignificante sepulcro de mármore cinzento de um cidadão francês
qualquer, surgia a imagem de um homem meticuloso. De longe, uma pessoa pouco
reconhecível aos que estavam próximo ao funeral, talvez um simples convidado
incomum. Mas de perto, um dos mais procurados pela polícia após o assassinato,
o assombroso e temível, Rémy Legaludec.
O
bispo possuía uma barba frisada desde a mandíbula superior até a borda do
queixo. O bigode seguia o contorno dos lábios, a barba parecia um traçado comum
usado pelos abades italianos. As pessoas que se reuniam eram muitas, o mistério
havia envolvido vários curiosos públicos, inclusive a mídia e o jornal de imprensa.
O bispo, após um minuto de silêncio, apoiou sua bíblia sobre o peito e se
reclinou com o tronco virando-se para baixo paralelo ao chão em sinal de
respeito. O público começou a se locomover aos poucos, as fotos foram sendo
tiradas pelos mais modestos jornalistas. Os suspeitos presentes no local eram
apontados com rejeição, estes ainda permaneciam no local e, após o desfecho da
oração, eram procurados com maior interesse pelos entrevistadores que em
pequenos aglomerados apontavam rádios-gravadores de inúmeras operadoras contra
os personagens do crime.
O
bispo, após citar uma mensagem de paz através de uma entrevista à uma
jornalista de imprensa religiosa. Começou se locomover em direção ao caminho de
ida ao vestuário interno do saguão à um quilômetro adiante. Conseguiu mover
dois passos, e novamente continuou inerte, muitos secretários e agentes ainda
continuavam paralisados no local, o bispo passou a ignorar outros pedidos como
graças e bênçãos, a jornalista parecia assustada com a atitude do padre. Neste
exato momento de um razoável clima de conversação, quando tudo parecia
solucionado, pelo menos para Leigh Teabing e os demais. Algo mudou
drasticamente a reação do público, dois tiros disparado em vão, sem nenhuma
destino, fez ressoar um estonido estranho, no mesmo instante os pássaros dos arvoredos
rente à um estreito bosque começaram à voar espantados. Um alvoroço entre a imprensa
e os convidados generalizou-se, muitos que iam viraram-se para trás espantados.
Para quem reconhecia o som do tiro de pistola sabia que aquilo seria uma ameaça
vindoura, estes e a maioria dos idosos se agacharam pasmados. Alguns
acreditavam que os disparos poderiam fazer parte do cerimonialismo. Mas muitos
agentes da polícia sabiam que não haviam programado o cortejo com tiros, de
fato se tratava de uma ameaça iminente.
De
modo absoluto e extraordinário o bispo retirou imediatamente o manto com a
batina e todo o acessório. A roupa parecia ser uma mera fantasia, os botões da
frente foram desprendidos facilmente, pareciam pregadores sintéticos, assim
também era o cinturão, parecia não ser um pano avulso, mas algo empregado ao
vestido. Aquilo verdadeiramente, não se passava de um estranho disfarce. Por
baixo do manto revelou-se um terno comum de cor preto e uma blusa branca em
cujo bolso pregava-se o seu dinstitivo, um pequeno brasão da Interpol. Logo em
seguida, o suposto bispo, saca sua pistola do seu coldre de neopone, e aponta
ao público à procura de suspeitos.
_Todos
abaixados, Interpol, agente secreto! - Ordenou em um tom de voz alto apontando
com a mão esquerda a carteira de couro negro escancarada, com um brasão de
identificação como agente procurador da Interpol. - Mãos para o alto – ordenou.
Uma
cor dourada se destacou sobre a carteira, todos, repentinamente se abaixaram
como ordenado pelo então agente procurador. O agente disfarçado tentava
localizar algum vestígio, alguma fumaça de pólvora talvez. Teabing já não
estava mais presente, Robert Langdon e Sophie se surpreenderam ao notar o
disfarce, todo o público incluindo os jornalistas de impressa obedeceu, exceto
cinco outros agentes da Interpol também disfarçados. O capitão Fache da
Diretoria Central da Polícia Judiciária, DCPJ, companhia responsável pela
investigação do crime, alarmado moveu-se em direção dos agentes. Todo o grupo
sacou as pistolas à procura do suspeito, destemidos miravam em várias direções
diferentes. Usavam coletes especiais feitos para proteção de bala por baixo dos
ternos negros. Nenhum suspeito havia aparecido.
_Monsieur
Carpeggian. Confesso que por pouco não lhe cobraria uma graça. - o tenente
DCPJ estendeu a mão em sinal de saudação ao agente da Interpol acompanhado de
seu agente auxiliar - Realmente não havia o reconhecido.
Logo
atrás da dupla as pessoas iam se levantando aos poucos depois do susto. Fache
averiguava em outros lugares próximo aos sepulcros laterais possíveis rastros
do ocorrido. Os agentes da Interpol auxiliavam-lhes dando assistência aos mais
velhos que se abaixaram com o decorrer do susto. Um barulho de voz se espalhava
entre os convidados presentes, os comentários se dissolviam, os jornalistas aproveitavam-se
para absorver novas informações e as fotos novamente emitiam seus flash's em
busca de novas pistas.
_Tenente,
encontrei algo.
Collet
rapidamente se vira para o lado onde Fache se encontrava.
_Vamos!
- Carpeggian o acompanhava atencioso, ao mesmo tempo recolocava sua pistola
novamente sobre a cintura pelas costas. O movimento demonstrava maior parte da
sua blusa social de cor branco, inclusive o pequeno emblema da polícia no bolso
direito -
Jèrome
Collet, tenente do DCPJ, ocupava uma das camadas mais importantes da polícia
judiciária de Paris, era o responsável pela comissão de outros agentes internos
da Diretoria Regional da Polícia Judicial, DRPJ, uma corporação interligada.
Interessado em saber sobre o que seria o sinal dado pelo capitão, retira de seu
bolso um pequeno pincel de quatro centímetros ao notar uma pequena ruptura no
canto de um túmulo de mármore quadrangular indicado por Fache. Ele se agachou
poucos centímetros afastados entre o canto da tampa e a base de aproximadamente
um metro.
_Realmente
foi algum destes disparos. - constatou espalhando os fragmentos com o pincel
movendo-o de um lado ao outro.
De pé Carpeggian observava-o com as mãos
apoiadas sobre a cintura demonstrando boa parte da sua blusa branca.
_Pela
perfuração do buraco, o criminoso não deve estar muito distante. - comentou
após tocar o buraco e esfregar o tendão com o dedo médio sobre a pequena curva.
Logo
em seguida, Collet se levanta e se aproxima da lápide para limpá-la com o uso
do mesmo pincel. Pequenas partículas de poeira se acumulavam no pequeno
letreiro gravado. Ao devolver o pincel sobre o bolso interno de um palitó
castanho-viscoso, retira em seguida, uma lanterna para visualizar as
inscrições, de modo que, as sombras das árvores não permitiam observar
nitidamente. A luz florescente refletia sobre as letra.
_Reconhece
algo? - perguntou ao agente Carpeggian
_Nenhuma.
Nunca ouvi falar desta pessoa. - não reconheceu pelo nome, mas anotou as
informações em uma agenda.
De
longe a agente Neveu se aproximava, demorou alguns minutos após uma entrevista
ao jornal comunitário. Havia se despedido de Langdon pouco tempo antes. Muitos
secretários da acessoria jornalista já haviam saído, nada fora elucidado,
outros saíram em seguida junto com outros policiais que caminhavam em direção
ao saguão após receberem uma devida ordem do agente Carpeggian por um walk-talking.
_Sigam
as pessoas até o saguão principal. Protejam-nas e aguardem pelo meu sinal de
retorno. Todo cuidado é pouco. - avisou aos agentes através do rádio-transmissor
enquanto Collet analisava as pistas.
Três
ou quatro pessoas ainda permaneceram próximo ao túmulo de Saunière, talvez
fossem parentes, mas não pranteavam a causa, tão-somente contemplavam
enternecidas.
_Alguma
pista? - perguntou Sophie ao tenente.
_Não.
Apenas uma marca de bala neste túmulo. - apontou o local - Pela simetria do
buraco posso deduzir que o tiro veio do lado oposto, próximo ao funeral em
curta distância.
_A
pessoa talvez estivesse participado do funeral.
_Provavelmente.
Nada se sabe. A polícia não tem permissão para revistá-los.
Fache
afagou o queixo e fez um breve esforço para se recordar das pessoas que se
apontavam na direção oposta em relação ao disparo do tiro. Havia duas classes
em todo público. Pela esquerda, na direção oposta ao canteiro aonde se
identificava a marca, estavam alguns membros da Opus Day.
_São
os enviados do bispo Aringarosa.
_Como?
O
tenente permaneceu sem entender, tudo fazia sentido. O bispo Manuel Aringarosa
que sofrera um atentado, quase não sobrevivera ao disparo. Este fazia parte da
comissão filantrópica da Opus Day. Trabalhava quase como tesoureiro em uma
central de Nova York.
_Tenho
quase certeza. - mudou o tenor do comentário - Alguns homens que se
posicionavam em contra-posição, seguindo a possível reta vindo pela mesma
direção do disparo, provavelmente fazem parte da coligação Opus-Day-Paris. Fui
responsável pela detenção do bispo. Aringarosa foi detido como principal
suspeito do crime. Porém se encontra em regime semi-aberto, o seu julgamento
será ainda nesta semana.
_O
que isto significa?
_Aringarosa
ainda tem o direito de realizar ligações diretas com seus sócios. Estas pessoas
seriam essenciais para representá-lo no funeral enquanto ainda se encontra em
estado de recuperação no hospital. Estas pessoas sempre estão atentas à muitos
fatos com respeito ao grupo, consequentemente, foram responsáveis por atrair
outros criminosos interessados nas pistas de Saunière. - explicou Fache.
O
agente da Interpol o olhou surpreso.
_O
capitão tem razão. O motivo pelo qual compareci com minha equipe disfarçado,
teria sido novas denúncias anônimas sobre o suspeito do crime. Tudo que sabemos
é que o criminoso ainda insiste em conquistar alguma pista entre os depósitos
de Saunière, segundo relatos, trata-se de uma mensagem em papiros. A procura
por pessoas ligadas à vitima é um dos objetivos do criminoso. Uma peça-chave
está em jogo.
_Esta
peça provavelmente seja a ampulheta de Saunière recuperada próximo ao parque
público Saint-James, na entrada da abadia de Westminster em
londres. Conseguimos, atráves do capitão Bezu Fache, capturar a peça, que mais
parecia um críptex encadeado, e detemos Leigh Teabing, preso imediatamente como
suspeito do crime.
_Teabing!
- comentou Sophie - Consegui avistá-lo em relance quando se encerrou a
cerimônia. Logo antes dos disparos não o avistei mais.
_Ele
não está atrás do depósito do banco, a peça não se encontra mais no cofre de
Saunière? - indagou Fache.
_O
criminoso pode estar imaginando que a ampulheta esteja com alguém ligado ao
Priorado de Sião. Esta entidade, como nos informaram, também é responsável pela
proteção da mensagem. - comentou o auxiliar de Carpeggian.
_Parece
que esta realmente é a peça-chave do crime. Mas se existe algo, além da
ampulheta, que Saunière quizesse esconder, com certeza ele deve ter mantido
preservado em seu cofre. À menos que alguém entre o público saiba decorado o
teor da mensagem. O que esteja escrito dentro da ampulheta. Se isto de fato for
possível e se o responsável pelos disparos o reconhece, então é evidente que a
intenção não seria assassinato, mas um meio de intimidar as pessoas envolvidas
neste caso avisando sobre seu iminente ataque.
_Se
isto se evidenciar, então sabemos que o autor dos disparos é o mesmo assassino
de Saunière. A intenção de matá-lo e colher informações de uma pessoa menos
zeladora, faria com que o criminoso conseguisse informações com mais precisão.
- comentou Sophie -
_Será
que temos um conhecedor da menssagem, um sucessor?
CAPÍTULO
2
Rue
des Saussais, centro de supervisão da Diretoria Central da Polícia Judiciária
de Paris, a DCPJ. Em um gabinete particular, de aproximadamente vinte metros
quadrados, situado em local restrito para investigações especiais,
demonstrava-se um painel decorativo diferente dos outros setores. Um ambiente
de delicado trabalho, devido à muitas qualidades internas, deveria ser usado
sempre em casos jurídicos. Um grande armário de ferro maciço banhado à bronze embutido
na parede ao lado oposto da porta de entrada, era composto por várias gavetas
que continham documentos secretos. Alguns espaços eram referentes à pessoas em
processo de julgamento, e outros, específicos para armazenamento de relatórios
e objetos de crimes. Foi em uma destas gavetas que o tenente Collet havia pego
a peça-chave do crime no museu de arte moderna, o salão do Louvre, cuja vítima teria sido o então ilustre
Jacques Saunière. Sobre uma mesa retângular de cinco metros, estava a
peça-chave, em um espaço entre o pequeno abajur preto de ponta côncava junto à
um aparelho de telefone do século XIV e um empilhamento de arquivos em pastas
de couro negro, junto à um microscópio pronto para análise criminal, Collet
preparava-se para averiguação do objeto.
_Não
deveria ter usado o disfarce tão afinco senhorita Neveu. - comentou com a
agente Sophie que estava assentada junto à mesa para acompanhá-lo na análise -
Langdon se apoderou do depósito de Saunière em decorrência de grande perigo.
Sophie
havia usado uma falsa versão parentesca em relação à vítima para conquistar a
confiança de Langdon levando-o ao exato local, que seria o objetivo do papiro
no interior do criptéx, através da sua técnica de simbologia e criptografia.
Antes de saberem a senha, muitas pistas deixadas por Saunière revelavam a real
intenção da mensagem no papiro, que seria a busca pelo Graal. Nada se soube à
respeito do que poderia ser tal coisa que foi denominada por aquela estranha
palavra. Um epiceno ou talvez uma ambigüidade, se seria algo abstrato ou
concreto, existente ou não, ainda era um estigma. Mas tudo indicava que o
próximo passo após a revelação da mensagem seria a conquista desta existência.
_Mesmo assim não consegui informações plausíveis
para deteriorar a investigação.
Virando-se
atento sobre o objeto, Collet muda de assunto e indaga:
_O
que sabe à respeito deste criptéx?
_A
montagem do modelo parece ser atribuído à Da Vinci, ou pelos pioneiros da
ciência criptológica. - disse ao tocar o objeto que estava posto sobre o centro
da mesa em cima de um tapete de escrínio aveludado preto-avermelhado, dentro de
uma caixa de um pequeno estofado maciço obtida pelo departamento - A idéia de
que o críptex havia sido projetado pelo artista, ex Grão-Mestre da Ordem do
Priorado de Sião, é um indício tentador de que isto esteja relacionado à um
protetorado de Roma. Entre os Grão-Mestre do Priorado, achavam-se além de
Leonardo da Vinci, o artista Botticelli, Sir Issac Newton, Victor Hugo e
mais recentemente, Jean Cocteu, famoso artista parisiense. Provavelmente isto
possa ser um dos segredos mais bem guardados da maçonaria desde o seu
primórdio.
O
tenente curvou os lábios ao queixo em sinal de suspense, tomou o objeto das
mãos de Sophie, e em seguida retirou uma lupa oito por quatro de 10,5 graus do
bolso de blusa entre o suspensório. O invólucro continha cinco anéis de
porcelana branca enfileirados paralelamente em uma espessura de aproximadamente
dois centímetros. O conjunto formava quase doze centímetros, além das partes
polares divididas entre um eixo ao outro por uma armação de bronze dourado em
forma de cone achatado com uma miniatura circular na ponta. Uma outra pedra
central, em formato de cunha, mantinha as outras estruturas bem sustentadas ao
modelo. Os anéis possuíam uma seqüência de letras em ordem alfabética divididas
em pequenos ladrilhos brancos. Na parte interior entre o eixo, o papiro era
inserido em torno de uma delicada ampola de vidro.
_O
modelo interno funciona como uma catraca de bicicleta, possuí uma senha
programável.
_Interessante.
- disse quando abriu uma das pontas revelando-se algumas armações de ferros em
torno do eixo central que passava de uma ponta a outra servindo como suporte do
papiro.
_Os
discos são precisos. - comentou -
Cinco
discos internos demarcavam as cinco seqüências que deveriam ser elaboradas em
uma espécie de palavras cruzadas na ordem de cinco linhas e cinco colunas.
_Estes
discos permitem a abertura do objeto sem danificá-lo quando são alinhados na
posição correta, desta forma a tranca se abre imediatamente.
_O
que havia dentro desta armação de ferro? - perguntou ao apontar uma armação de
quatro pequenos ferros paralelos, o molde evidenciava o armazenamento de alguma
outra coisa por dentro.
_Um
cilíndro de vidro delicado. - respondeu - O papiro é enrolado neste vidro afim
de proteger a mensagem contra algum rompimento.
_Não
entendi?
_O
cilíndro possuía um líquido, um tipo de vinagre armazenado dentro do vidro. Se
alguém tentasse abrir o cilíndro à força, a ampola se romperia imediatamente e
o vinagre dissolveria todo o conteúdo do papiro. Isto impediu que conseguíssemos
identificar o teor da mensagem. Nenhuma palavra pôde se identificar. - explicou
após retirar o papiro completamente manchado devido a vazão do vinagre e
postá-lo sobre a mesa -
O
tenente pegou o papiro atentamente e iniciou uma rápida checada com a lupa,
movimentando-a precisamente de um lado ao outro tentava identificar algo que
poderia estar nítido, mas nada pode ser detectado senão:
_F-R-U-T-O?
- no papiro notava-se excepcionalmente a palavra apple, embora um pouco
rasurada, ainda era identificável.
_Justamente.
Um tipo de grampo de quase oito centímetros pregado na base do vidro, separado
da estrutura por apenas alguns milímetros, protegeu a palavra enquanto os dados
se dissolviam. O cilíndro possuía estes grampos para reter o papiro ao vidro,
era uma espécie de alfinete, na verdade eram dois, um oposto ao outro, de modo
que o papiro era inicialmente pregado no primeiro grampo da borda onde,
obviamente, não havia nada escrito. Após quatro centímetros ao enrolar do
papiro, novamente pregava-se sobre o grampo oposto, onde agora deduzimos ser a
parte onde se conservou a palavra. Todo o tamanho do papiro em relação ao
ângulo do pequeno tubo permitiu apenas uma volta de 360 graus.
_Boa
observação, a palavra se encontra quase no epicentro do papiro. Se tratando de
uma senha, talvez esta palavra seja uma das medianas.
_Havia
cogitado na idéia de que a mensagem poderia representar um tipo de mapa. De
acordo com a tradição, a fraternidade responsável havia criado um mapa que
revelava o local exato onde se encontraria a última morada do maior segredo da
fraternidade. Esta é uma das principais informações que consegui quanto à
proteção do segredo do monasteiro. Esta proteção é um importante motivo da
existência da fraternidade. Mas tratando de código, é provável que haja ainda
um obstáculo, em que as palavras desta mensagem serviria como acesso, antes ou
até encontrarmos a última morada.
_A
coincidência é muita, temos que investigar mais afinco este enigma.
Após
a observação, o tenente se desvia um pouco do assunto e inicia uma movimentação
suave em busca da demarcação exata dos anéis. O primeiro anel alfabético foi
movido lentamente até atingir o ladrilho compatível ao primeiro disco. As cinco
palavras do alfabeto que foram adequadas aos cinco discos foram P-Q-R-S-T.
_Cheque!
- mostrou o objeto à Sophie - esta é a primeira seqüência da senha. - os discos
possuíam cinco pontas finas de poucos milímetros em formato de alfinete. A
medida que as colunas iam sendo acertadas os discos iam diminuindo a tranca de
abertura.
Empolgado
começou a mover os anéis até quando o alfinete conseguisse subtrair um disco e
surpreendentemente as colunas foram se formando. A segunda ordem seria
A-B-C-D-E, a terceira P-Q-R-S-T, a quarta L-M-N-O-P, a quinta N-O-P-Q-R.
_Impressionante,
as seqüências do criptéx podem formar milhares de possibilidades. Estranho que
as cinco colunas e as cinco linhas, tanto na diagonal quanto ao contrário, não
parece evidenciar nenhuma palavra. A questão é, o que Saunière poderia ter
usado como pistas para transmitir a senha correta?
_Tudo
que sei é que suas últimas mensagens foram escritas afim de encontra a clef
de voûte, chave principal para abertura do cofre de Jacques Saunière, como
lhe disse a vítima queria transferir a responsabilidade para o Priorado de
Sião. Porém havia uma outra pista, com referência ao local onde se encontra o
segredo, ou talvez, o local da última morada que também pode ser o mesmo lugar
onde esteja o procurado Graal. Encontrei a primeira pista na caixa marchetada
que continha o críptex e a outra, após a ruptura do cilíndro envolvida separada
da mensagem principal. De modo que esta mensagem não estava posta ao vidro como
o papiro. Ela foi exatamente inserida por fora para ser propositalmente
preservada.
Nada
fora elucidado, as palavras surgiam de forma ambíguas e enigmáticas. A viajem à
Londres operada pelo departamento na tentativa de encontra o lugar vendado
pelas mensagens não parecia oferecer recursos para se efetuar a senha e nada
que poderia revelar o segredo do críptex. As pistas através de símbolos
místicos foram surgindo no decorrer da missão. Mas ainda um estigma perpetrava
a sala de investigação da DCPJ.
_Temos
que saber o que Saunière queria transmitir com esta mensagem, novas vítimas
poderão surgir. No dia do assassinato O diretor do Louvre e Jacques Saunière,
tinham marcado um encontro com Langdon para um breve diálogo após a palestra. A
reunião foi interrompida devido o ocorrido. Talvez Saunière tivesse a intenção
em passar alguma informação importante.
Sabendo-se
que Langdon não fazia parte do priorado, ambos investigadores chegaram a
conclusão de que a intenção em auxiliá-lo ao decifrar alguma mensagem
codificada seria uma das principais causas do convite.
_À
propósito, onde se encontra a chave da conta de Saunière? - o tenente perguntou
a Sophie.
_Sinto
muito tenente, não está comigo. Após conseguir o críptex permaneci todo momento
apreensiva aos códigos, não conseguia destinar meus pensamentos senão ao
objeto, o professor Langdon me auxiliva na análise da chave, a flor-de-liz, e
acabei me desconcentrando sobre sua segurança. Agora ela se encontra sob o
cuidado do professor, mas posso garantir que ela está em segurança.
_Francamente
Sophie, esta chave tem sido um dos principais motivos do crime, não podemos
deixá-la nas mãos de alguém como o professor, ele pode correr risco de vida. A
chave tem que ser devolvida ao banco até que consigamos através da emissão dos
promotores o atestado de posse assinado por Jacques Saunière, deste modo saberemos
quem tem o direito à posse do depósito.
O tenente um pouco incomodado com o que havia
ocorrido rapidamente retira de sua cintura um walk-talking para acionar
um guarda em um dos setores do departamento. Em seguida ordena:
_Por
favor oficial da guarda administrativa, chame o capitão Fache no interrogatório,
quero que compareça à sala de análises.
Rapidamente
o guarda obedece a ordem. Na sala Sophie ainda explica:
_Afinal,
a mensagem marcado por Saunière ao seu lado antes de morrer ordena ao Priorado
para que procurassem o professor Robert Langdon.
_Langdon
seria uma peça fundamental para interpretar os códigos, outras pistas deveriam
haver neste jogo. Receio que ainda haja e talvez possa nos conduzir ao próximo
local. Os outros enigmas para encontrar a provável localidade do Graal, é algo
secundário, talvez seja pouco relevante para os interessados e não possuí tanto
prestígio à estes procuradores. Isto é o motivo pelo qual os enigmas foram mais
fáceis de serem encontrados, visto que para a descoberta do local haver algum
sentido, esta mensagem do críptex deveria ser primeiramente revelada.
Agora,
tudo parecia fazer sentido. As primeiras mensagens deixadas por Saunière na
forma de anagramas e a mensagem encontrada no invólucro, construía aos poucos
um conflito entre o Priorado e a Opus-Day.
CAPÍTULO
3
Capitão
Bezu Fache, homem de postura vigorosa, olhos frisados. Impressionava uma
argilosa conduta moral pelo seu olhar inimigo. Estava pronto para admitir uma
nova investigação policial em uma das salas do DCPJ. Inteiramente incumbido em
concluir o relatório da equipe da Polícia Técnica e Científica relacionado à um
misterioso crime que havia abalado as estruturas do departamento, um estigma
que aderiu em risco a vida do criptográfico e professor de simbologia
sistemática da Universidade de Harvad, Robert Langdon.
O capitão Bezu Fache em uma sala de
vinte metros quadrados de paredes revestidas por um tecido aveludado cinzento
em textura rústica. aguardava a vinda do réu ainda assentado sobre sua
escrivaninha cromada de dois metros de largura iluminada por dois plafons de
parede ao lado esquerdo acompanhado pela luz intensiva de duas luminárias no forro
de teto. Um típico acessório instalado normalmente em todos os compartimentos
administrativos. As lâmpadas do teto eram separadas exclusivamente por um
ventilador de três lâminas que assoprava um brando vento refrescante, fazendo
mover algumas alças dos documentos secretos postos sobre a mesa, tão-somente
sustentados pelo peso de um insignificante grampeador compacto.
Os
principais documentos da investigação estavam reunidos entre outros envelopes
sobre a mesa que continha as fotografias capturadas em diversos ângulos do
local do crime. Ao lado esquerdo um pequeno abajur prateado com uma alça
ponte-aguda em forma de cone envergado era usado para iluminar as principais
pistas do crime escritas em uma mini-agenda. Poucos metros à seguir, na parede
ao lado esquerdo, vindo pela porta de acesso à sala e do lado direito, conforme
a posição frontal do capitão rumo à porta central, um guarda uniformizado com
quepe, coldre e todo tipo de acessório militar, cruzava seus braços para traz e
dirigia seu olhar fixo à uma parede lisa em sua frente onde estava posto um
mural de um metro e trinta centímetros de altura por dois de largura. O
acessório servia comumente para destacar o agendamento de investigação e
consultas, alguns relatórios eram exibidos à medida que novos casos surgiam. O
segurança em todo momento alarmado, permanecia imóvel à espera do réu. Do lado
direito da porta em que se encostava, rente a alça de abertura, obstruía a
entrada contra outros funcionários. Sobre a abóbada superior da porta uma
plaqueta branco-transparente descrevia em francês sobre o ambiente de trabalho.
Um outro militar procedia do mesmo modo na porta de acesso central, permanecia
encostado na parede do lado direito da armação. A porta estava exatamente
localizada à frente do capitão.
O
antigo assoalho áspero, possuía algumas rachadura em alguns cantos. Estranhas
marcas que reverberava as lembranças de prisioneiros rebeldes na época da tirania
fascista. Episódios decorrentes de militares cruéis. Usavam torturas para
obrigarem os suspeitos a revelar seus segredos. Agora o assoalho era
completamente revestido por um imenso tapete negro sintético. As duas portas
eram, esquematicamente, idênticas. Entre a alça da porta e a parte superior,
uma placa látex transparente com auto-relevos salpicantes possibilitava
avistar-se, pelo lado externo, apenas um terço do que existia no interior do
interrogatório em vice-verso. Da mesma forma Fache observava a placa em busca
do militar incumbido em trazer a pessoa intimada, o suspeito seria o presidente
do Banco de Custódia de Zurique, André Vernet.
Localizado
na rua Haxo, a filial é também um departamento suntuoso. As paredes externas,
em quase todo local, consistia em uma arquitetura retângular desprovida de
janelas. O metal maciço que forjava os limites do prédio dava destaque. Os
ladrilhos eram forrados por uma cruz cintilante de quatro metros no
frontispício de acesso principal. O Banco de Custódia funcionava 24 horas,
conforme a tradição das contas numeradas suíças. Os cofres guardavam fortunas
com toda série moderna de produtos anônimos. O local estaria envolvido na
investigação de Fache, devido a atuação do professor Langdon e da aluna de
criptografia, Sophie Neveu.
Inicialmente
ambos saíram em busca de um depósito armazenado por Jacques Saunière, o
assassinado. Este contraste coincidiu com a saída inesperada da dupla em um dos
principais museus de arte moderna da França, o Louvre. Sem receber explicações
à respeito da busca, Fache manteve a razão em procurá-los e irredutivelmente
incriminá-los como suspeitos do crime. Em todo percurso da dupla, Fache se
manteve insistente, os perseguiu em vários caminhos, que para os investigadores
criptográficos, representavam importantes pistas dirigidas pelo então falecido
Saunière na busca do Graau. Não desistiu facilmente, embora o casal houvesse se
inocentado à respeito do crime, Fache conseguiu provas legítimas e naquele
momento, o sufíciente para concluir as investigações do caso no Louvre.
Na
sala de interrogatório, finalmente os primeiros vestígios começaram a surgir na
placa transparente da porta. Uma penumbra se movia lentamente em direção à
sala. Fache juntou os dedos das mãos postos sobre a escrivaninha e se moveu
para frente à espera de Vernet. Seu olhar arteiro aguçava-se em direção à
porta, seu queixo rente ao peito lhe dava uma aparência sombria. O militar se
aproximou, abriu a porta com cuidado.
_Monsieur,
permisso. - pediu permissão ao mesmo tempo em que escancarava a porta para
a entrada do réu.
_Assente-se
por favor, - direcionou a mão extendida para a cadeira posta em frente a
escrivaninha.
O
presidente do Banco de Custódia, vestia blaizer preto e uma blusa de
seda social lisa desabotoada, portava normalmente seus objetos valiosos, não
estava detido, porém foi intimado pela polícia à poucas horas atrás. Andou
livremente alguns passos em direção a cadeira e se acomodou.
_Em
que posso ser útil?
O
capitão com olhar obliquo realizou uma pausa, sua boca parecia inquieta, os
nervos se removiam. Colocou uma nota de 20 dólares na mesa e prosseguiu:
_Pelo
Rolex! - ofereceu ao retirar a nota do bolso e colocá-la sobre a mesa.
O
Rolex era a marca ofícial do relógio prateado usado por Vernet naquele momento.
O motivo por terem o suspeitado seria uma eventual fulga do Banco de Custódia,
local onde o réu possuía o posto de presidente. Dois dias atrás, Vernet havia
saído do banco em um carro-forte com Langdon e Shophie a bordo na carroceria.
Antes de serem inocentados, a polícia estava posicionada no local de saída em
sinal de apreensão para detê-los. O presidente queria, de certa forma,
ajudá-los à saírem sem serem notados. Preferiu encontrar espaço adequado para
ouvir os argumentos para se justificarem do bloqueio policial. Ambos não
aparentavam ser culpados, Vernet já conhecia o professor através da mídia.
Naquela
noite, Vernet assumiu o dever em oferecer transporte seguro que era um dos serviços
privilegiado do Banco. Quando chegaram ao acesso de carga e descarga nos fundos
do prédio, tendo visto as luzes dos carros de polícia refletidas pelo lado de
fora, próximo a garagem subterrânea, e completamente impedido de sair
livremente pela rampa devido o Bloqueio, Vernet atravessou o terminal de cargas
e retornou ao seu escritório para vestir um disfarce. Estava realmente
convencido de que o casal era inocente. De fato o disfarce foi útil para saírem
sem serem notados, todavia, o relógio Rolex pode ser lembrado pelo tenente
Collet.
_Sinceramente,
não sei do que está falando. - Vernet se espantou pela proposta, rejeitou por
um momento sua lembrança inesperada na saída do Banco de Custódia, mas sabia
que àquela altura o detetive já tinha o conhecimento sobre sua
responsabilidade, quando transportou Langdon e Sophie na carroceria do carro-forte
para fora do banco.
_Sabemos
que usou o carro-forte para acobertar os fugitivos, e que o carro foi roubado
após transportar o casal.
_Quanto
à saída do Banco pelo carro-forte, não posso mudar meu dever. A ordem é sempre
zelar pela saída de qualquer objeto valioso depositado nos cofres junto ao seu
responsável. - se justificou apreensivo.
_Mesmo
sabendo que eram suspeitos do crime no Louvre?
_Escute
capitão Fache, - disse ao admirar uma pequena placa preta de letras brancas de
identificação pessoal posta sobre a mesa - Saunière era muito meu amigo, sei
que se trata de uma pessoa muito diligente, não entregaria as chaves da sua
conta no banco nas mãos de qualquer pessoa. O professor Robert Langdon, se
identificou precisamente com legítima carteira de identificação pessoal. Embora
um dos vigilantes houvesse acionado a Interpol, preferi manter o casal sob meu
cuidado. Não soube como conseguiram a retirada do objeto no cofre, estava
ausente no momento, mas sabia que o código estava em mãos inocente. Estava
seguro pela identificação da agente Sophie Neveu como criptóloga da polícia
judiciária, confiei mais em seu perfíl investigatívo do que em sua relação
familiar com Saunière.
_Sobre
como o cofre foi aberto posso lhe dizer que Saunière informou o código antes de
morrer. – explicou Fache - Estava livremente escrito ao lado do seu corpo
jazido junto com outras mensagens codificadas - deduziu ao relacionar o saque
do depósito daquela noite com os números deixados pelo curador antes de morre -
Os números seriam uma espécie de progressão aritimética conhecida como seqüência
de Fibonacce, continha oito unidades. Certamente Saunière queria informar sua
senha à alguém especialista. Esta foi uma das razões pelo qual o professor foi
inocentado.
_O
cofre permite somente dez dígitos. – indagou.
_Mas
havia duas dezena, portanto, dez números. À princípio anotei os números e a mensagem,
porém não imaginava que se tratava da senha do seu cofre. - declarou ele,
indicando o papel na mão.
_Um
dos seguranças do Louvre, Grouard, antes da fulga do casal, afirmou ter
observado algum objeto metálico com um dos fugitivos. O segurança supôs que o
objeto seria uma espécie de chave arcáica, evidentemente, a mesma do cofre. Ao
relatar sobre a chave da conta, presumo literalmente que este objeto seja a
principal peça do jogo.
_Sem
dúvida capitão. O primeiro passo para se efetuar a senha é a chave do cofre. O
objeto se parece com um crucifixo, é tecnicamente trabalhado a laser,
possui uma haste na ponta de forma triangular que sai de modo prismático,
impossível de ser decodificado para muitos. O modelo se parece com a
flor-de-liz, mas é uma figura moldada similar à um dos signos francês. Os hexágonos
são lidos por um sensor óptico e o computador imediatamente faz a transcrição
infra-vermelha.
Vernet não conseguia assimilar a intimação
com a interrogação do capitão, algo parecia ainda incriminá-lo. A chave era uma
conta numerada suíça que costuma passar em testamento por gerações. O depósito
podia estar em patrimônio único durante cinquenta anos, após este período
sempre ocorria a transferência. Ainda que não houvesse acreditado afinco na
versão de Sophie, assegurou-se da intenção de Saunière em passar o código para
a proteção da polícia. E agora a senha emitida em código evidenciava a
interpretação de Vernet.
_Não
sei porque ainda insiste, Saunière parecia não possuir herdeiros, o que ainda o
preocupa? - perguntou Vernet.
_Naquela
noite em que saiu disfarçado persuadiu o tenente Collet de que seguiria ao St.
Thurial, de que as chaves do compartimento do carro já estavam encaminhadas e
de que comprara o relógio em St. Germain-des-Près em uma camelô barato. Todos
estes argumentos serviram para acobertar-los na saída. Entretanto não temos
conhecimentos esclarecidos sobre o pertence de Saunière, como permitiu escapar?
_Não
queria trazer problemas ao meu banco, segui ao St. Thurial afim de encontrar
conveniência aos dois para esclarecerem sobre o incidente. Não tive tempo em
identificar que tipo de objeto seria o depósito de Saunière que foi levado por
Langdon. Estava ciente do perigo em acobertá-los, mas preocupado em sair sem
ser importunado pela polícia. Por um certo tempo acabei me esquecendo do
objeto. Porém, em alguns quilômetros adiante escutei as notícias emitidas pelo
rádio sobre três crimes ocorridos naquela noite, me alarmei ao ser notificado
sobre a procuração da polícia, senti um mau pressentimento, me recordei do
saque no cofre, deduzi a preeminente ameaça ao protegê-los, tinha que resgatar
o pertence de Saunière.
_Como
permitiu que escapassem?
_No
mesmo momento estacionei o carro tomei minha pistola para recuperar o objeto.
Ainda que o crime não estivesse relacionado aos dois, continuei pensando em proteger
o pertence do meu cliente. Antes que arranjassem explicações retomei o objeto,
não o recordo nitidamente, bem sabia que era um pequeno tubo dourado de
aproximadamente cinquenta centímetros, no primeiro momento pensei que fosse uma
espécie de cadeado, muitos códigos haviam sobre os anéis que o contornava.
_Qual
era a cor principal? – interrompeu.
_Branco.
_Prossiga.
- ao mesmo tempo fazia algumas anotações na agenda ao lado, era o objeto que
Langdon portava, pensou -
_Não
sabia como a chave e a senha da conta teria sido descoberta, mas parecia
evidente que algum dos dois estava incumbido em uma eventual investigação. O
crime coincidiu com os princípios das minhas reflexões. A autêntica
identificação da agente Neveu era compatível à minha proteção e sabia que
Langdon jamais usaria suas técnicas criptográficas com relação ao crime. Antes
que recuperasse a ampulheta tive que disparar um tiro alheio para intimidá-los,
pareciam inquietos com a investigação. Mas fui surpreendido quando Langdon
reagiu. Não consegui trancar as portas traseiras, isto permitiu tempo para que
o professor reagisse. As portas se abriram instantaneamente contra meu corpo, a
arma foi lançada ao esmo. Permaneci em estado de choque, a reação da dupla
parecia desconsiderar a confiança que lhes oferecia. Em seguida fugiram com o
carro, isto não alterou meu ponto de vista, fiquei espantado, mas sabia que
aquilo se tratava de uma literal ambição enigmática de Langdon, contudo,
informei a polícia sobre o incidente. O transponder como tecnologia de
rastreamento digital instalado nos chassis dos carros permitiu que a localização
dos fugitivos fosse feita acerca de 40 km do Banco.
O
capitão aos poucos conseguia abrir caminhos para uma investigação colateral.
_Diga-me
mais à respeito do serviço bancário.
_O
serviço de custódia por código-fontes são operados pelo sistema
computadorizado, fazemos backup digitalizado para anônimos. Os clientes que
desejam depositar qualquer objeto de valor, desde ações e peças valiosas, podem
fazê-lo anonimamente através de uma série progressiva de privacidade de alta
tecnologia. Isto permite o saque em qualquer tempo.
_Deveria
ter permitido o acesso da polícia, os assassinatos estão diretamente apontados
ao depósito de Saunière. Tenho relatos de que um grupo secreto ainda insiste em
conquistar este depósito. À princípio imaginei que fosse algo ligado à ações,
dinheiro, algum tipo de pacote financeiro. A polícia conseguiu recuperar esta
ampulheta, foi reconhecida pelos meus agentes como ampulheta ou críptex,
ainda não conseguiram identificar o que havia no interior dos códigos, estava
completamente vazia.
_Sinto
muito. Os depósitos são inteiramente protegidos da inspeção da polícia segundo
as leis de privacidade.
Aquele
argumento parecia surgir de uma nobreza ignorante do serviço do Banco de
Custódia de Zurique, de fato o ocorrido não podia estar relacionado ao crime.
Antes disto, o casal havia se justificado quando Leigh Teabeing, um dos
principais suspeitos e mandantes do crime, fora detido em uma insignificante
tentativa em conquistar o objeto.
_Quero
ainda lhe fazer a última pergunta. Sabe o que poderia conter o interior do
criptéx, se é que havia algo?
_O
críptex, é um recipiente portátil capaz de proteger documentos de qualquer
espécie, só o indivíduo portador da senha é capaz de acessá-las, não tenho
certeza se havia algo, mas com as pistas de Saunière é provável que haja algo
importante ainda intácto. Se o rompimento do lacre se deu por conta de um
acidente talvez haja algum registro, penso que Langdon não intentaria abri-lo à
força.
O
criptéx não poderia estar vazio, Fache concordou.
_Bem,
como sabe, o carro-forte roubado já foi recuperado e se encontra na garagem da
delegacia. O casal pagará multa por violação. Nossos agentes o acompanhará até
o local. Realmente estava com a razão. Nada do que havia na carga foi roubado.
- levantou-se imediatamente com as mãos estendidas em sinal de despedida -
Obrigado senhor Vernet. - despediu-o.
O
segundo guarda que havia acompanhado o réu rapidamente se move em direção a
porta para abri-la, o primeiro guarda apoiado sobre o lado esquerdo da porta se
retira primeiro, Vernet o acompanha após receber o sinal de ida feito com a mão
pelo guarda que ao se despedir fechou a porta. O último guarda protegendo a
porta de acesso aos corredores do departamento interno se retira em seguida ao
se despedir. Por alguns segundos o capitão permaneceu inquieto, com sua mão
apoiada sobre a fronte tentava refletir sobre as palavras de Vernet. Talvez
o crimonoso pense que o críptex esteja sob o cuidado do professor, Idangou.
Alguns toques na porta o levou à um sobressalto, o capitão ordena a entrada,
era o guarda de segurança interna.
_O
que deseja?
_Monsieur
permisso, o tenente Collet urgente lhe ordena à comparecer à sala de
análises. - o guarda rapidamente se retira, Fache indagou sobre o que poderia
ser, mas se sobressaiu por imediato.
O
capitão andava sobre o corredor principal rumo à sala de análise. Muitos
escritórios aos lados eram ocupados por policiais, detetives, investigadores e
toda equipe do departamento judiciário. Um som intermitente de telefone vibrava
pelo interior da extensa sala em cuja parede se estendiam as principais luminárias
de luzes fluorescentes, em alguns cantos, as arandelas, nos arredores as imensas
janelas de quase três metros de armação cromada. Algumas abertas, outras
fechadas por cortinas-persianas, a maioria de vidro fumê, todo o
departamento parecia esconder incríveis mistérios. Os escritórios semi-abertos
eram ocupados pelos agentes, nas mesas, pilhagens de jornais, notas e
documentos, o som das vozes se alastrava por toda parte, os guardas fardados da
segurança interna transitavam de um lado ao outro, ativos em todos instantes.
Pouco antes de chegar, o capitão Fache é despertado por uma voz feminina.
_Capitão
Fache! - Sophie o chamou ao passar por um corredor próximo sem percebê-la
_Pois
não. - o capitão parou a procura do alvo, moveu o rosto com o semblante
intimador e distraído, a observou com um olhar fixo.
_Péssima
tentativa em envolver a polícia ao meu encalço, me perseguiram medíocres, como
tolos.
_Não
Sophie. Como abutres atrás da carniça... Neveu Saunière. - se afobou movendo-se
para mais perto de sua companheira de trabalho dizendo palavras em um tom
relativamente baixo. Encarou-a com olhar petulante demonstrando que sua atitude
em relação ao disfarce teria sido repugnante e retornou em sua postura inicial.
Naquele momento queria dizer indiretamente à respeito da atitude de Sophie ao
relatar sobre sua falsa relação com Saunière - Como eu poderia permitir que
encontrasse o local sem a presença de um representante? - Fache havia permitido
que o tenente acionasse a polícia atrás do casal.
_Este
criminoso é muito ágil capitão Fache. - Shophie franziu o rosto - Eu sou
representante.- afirmou.
_Definitivamente,
estou admirado com sua tentativa em conseguir um... cachê? - comentou ao mover
o olho esquerdo com o semblante aparentemente simpático ao provar sobre a real
intenção da agente em conseguir uma promoção financeira ou um cargo policial de
nível superior pela honra da investigação.
_Tudo
é valido capitão. - confirmou-se com a idéia captada.
O
capitão a encarou por alguns seguntos e logo partiu para a sala de análises,
Sophie lançou um sorriso sarcástico. Ambos faziam uma competição indireta ao se
dedicarem à investigação.
CAPÍTULO
4
Dentro
da sala interior estava o tenente ainda perplexo com o objeto encontrado após
as procurações. O barulho dos toques sobre a porta o faz esconder rapidamente o
objeto dentro de uma gaveta posta ao lado da mesa, em seguida ele ordena:
_Entre!
- era o seu convidado, o capitão.
_Monseiur
permisso, mandou chamar-me?
_Sim,
tenho uma missão. Assente-se por favor. - estendeu sua mão lhe oferecendo
lugar.
_Pois
não. - replicou -
_O
professor Robert Langdon corre perigo. A chave do cofre de Saunière se encontra
em sua posse, temos que reter a chave no departamento e devolvê-la ao
proprietário do Banco.
_Acabei
de interrogá-lo, a polícia não tem permissão para averiguar o local.
_E
nem se tivéssemos capitão. Primeiro temos que saber sobre a ordem dos
promotores em examinarmos os dossiês de possessão de Jacques Saunière. Entre
estes arquivos podemos encontrar o atestado hereditário que nos permitirá
encontrar o sucessor legítimo para se apoderar do depósito. Mandei imprimir uma
procuração, estabeleço um prazo de setenta e duas horas para o entregar esta
intimação. - Ele o transfere uma carta branca.
_Às
suas ordens tenente, estarei precavido à qualquer pista. - Ele se levanta
disposto e se despede.
À
tarde em seu apartamento, Fache, que já havia sido dispensado do seu ofício no
departamento algumas horas antes, agora tentava encontrar espaço para realizar
sob sua própria base, algum método para acompanhar a investigação do caso
ordenado pelo tenente operacional. Alguma pista poderia ser desencadeada por
intermédio do professor de criptologia, que por sinal, enquadrava-se exatamente
em um dos principais personagens relacionados ao crime. Sua inocência, ainda
pendente, parecia apontar com predominância, à um ato justo em auxiliar a
investigação por parte da agente Neveu, que por outra instância, se encontrava
em posição distinta aos outros agentes envolvidos, alguns oriundos do próprio
departamento judíciario, outros, como a agente Neveu, pertinente ao setor de
investigação homicida, e poucos da diretoria regional. Porém todos, agora se
dissolviam em um único alvo, o indutor e responsável pelos assassinatos em
busca do depósito guardado ou em busca de algum tipo de revelação ligado aos símbolos
secretos. À técnica de Langdon e sua perícia, contribuiria com muitos na
atividade de busca. Este definitivamente tornou-se um dos alvos principais.
Em
sua sala, Fache toma o último gole de água, posto sobre um copo de vidro
cristalino maciço impresso na forma de uma figura decalcada branca. A imagem
exibia uma das principais paisagens de paris, a torre Eiffel e o seu arredor.
Ao lado da mesa posta sobre o centro da sala de estar estava um móvel de aço
exportado em tom prateado com estantes de vidros paralelos. Em uma delas, ao
lado de um arranjo de flores-orquídeas artificiais, em um tom vinhedo-seco
postas sobre uma aspiral de Versalhes, estava a chave da viatura de polícia
fornecida pelo departamento, prioritariamente usado pelo capitão em suas
missões secundárias. Do lado do móvel forrado à uma placa de madeira celada por
um acrílico mogno encontrava-se o principal aparelho que seria útil ao agente.
Uma
bolsa sansonight preta sustentada por uma correia posta de lado possuía
três bolsos de zipper's largos. Apressadamente o agente toma a carta
para pôr sobre o primeiro bolso. Os movimentos eram rápidos, o endereço que
indicava o local onde o professor provavelmente estaria, pôde ser conquistado
sem muitas dificuldades. A presença do professor no local era incerto, não
havia contato pelo telefone, Fache queria captar todo a transição de saída e
entrada no hotel onde o indicado estava hospedado. Uma observação seria feita
antes de lhe entregar a carta de intimação. Alguma peça importante poderia
surgir com esta procuração dirigida pelo tenente. Algo que completasse os
indícios, ao revés de toda situação, uma pista poderia ser letal.
Quase desatento o capitão fecha o
segundo zipper, tudo estava aparentemente pronto, olhando para todo o
ambiente tentava se assegurar da saída, era quase por do sol, a noite era
breve. Quando mirou seus olhos ao móvel, ao lado de uma aparelho de rádio sob
cinco caixas inferiores de som acústico, finalmente identificou seu binóculo
para visão noturna RD30 rednight, ele se aproxima do móvel rapidamente e
o põe sobre o último bolso ao lado de alguns artigos de jornal que dizia à
respeito do crime. Ele se retira sorrateiramente em direção ao afamado e imperativo,
Hotel Ritz.
CAPÍTULO
5
Robert Langdon despertou sobressaltado, tivera
um estranho sonho. No roupão de banho ao lado de sua cama estava bordado o
monograma Hotel Ritz Paris. Saindo da cama, foi até o boxe de mármore.
Ao entrar, deixou os potentes jatos de água massagearem-lhe os ombros. Mesmo
assim, o pensamento ainda o fascinava.
#Do lado de fora a viatura da polícia se
aproximava à uns quinhentos metros de distância, no banco do motorista o
capitão Fache aproveita a luz vermelha sinalizado pelo semáforo para conferir o
endereço do hotel em um bloco de anotações posto em um dos quatro bolsos
externos do paletó de tecido Jeans pardo de tom claro, é a próxima
rua, pensou. Novamente engata a marcha rumo à rua principal, em pouco tempo
o carro alcançou o quarteirão onde estava localizado o prédio. Poucos metros de
distância e o capitão decide estacionar, sua intenção em não ser percebido por
alguém poderia abrir uma nova oportunidade para conseguir flagrar algum tipo de
movimento suspeito.
Provavelmente Langdon estivesse sendo
perseguido, ou possuísse algum informante anônimo como pensava o capitão, mas a
prevenção de Fache em agir de modo discreto não poderia coincidir com a suposta
acusação. Preferiu esperar pelo pôr-do-sol, e acomodou-se no local como se não
estivesse em serviço. A noite estava perto em chegar, não demoraria por mais de
trinta minutos. Fache ainda recebia informações pelo rádio-transmissor do
departamento de polícia, isto era sempre uma obrigação dos oficiais quando em
serviço. Talvez Langdon não o tenha dado motivo suficiente para muita
desconfiança, mas Fache preferiu desligar o rádio-transmissor após escutar as
principais informações transmitidas das áreas adjacentes, realmente não queria
causar nenhum impacto suspeito.
Tudo
parecia normal, as pessoas iam e vinham pela entrada principal do prédio. A entrada
do hall social, em cujo teto havia um enorme côncavo de vidros amarelos
e transparentes sustentados por uma armação de ferro, exibia uma fachada
atraente formada pelos contornos verdes dos pequenos jardins ao redor. A bela
vista emoldurada pelo painel revestido de nogueira, deixava a primeira
impressão do luxo interno. Embora ainda houvesse uma pequena camada caótica de
reflexo da luz crepuscular, o capitão aciona o binóculo de visão noturna,
mirando ao hall. Começou a admirar a fachada central. O prédio exercia
um modelo sofisticado, totalmente decorado por uma cultura genuína, própria dos
franceses. A arquitetura de cada sacada triangular fazia empilhamentos
artísticos.
Fache
novamente retira do seu bolso o bloco, um tipo de agenda onde havia anotado as
principais pistas do caso. Ele observa o número do apartamento, e apontando o
dedo ao prédio tentava identificar qual seria o apartamento onde Langdon
estaria hospedado. Quando a noite chegasse, sua decisão seria ir em busca de
mais informações à respeito das atividades de Langdon através da recepcionista,
mas antes, queria flagrar os movimentos no quarto interno. A contagem dos
números do prédio relacionado ao número anotado no bloco não se coincidiam, o
quarto estava definitivamente desocupado. Não pode ser, pensou o capitão
com absoluta certeza de que o professor ainda estava hospedado e que não havia
saído naquele intervalo. Uma ligação à recepcionista fora feita antes da sua
saída do Departamento Judiciário, era quase impossível não encontrá-lo. Apesar
de não ter absorvido informações mais precisa, conseguiu assegurar-se de que
aquele era o local.
Os
minutos passaram rápidos, a noite chega em um clima agradável de céu aberto.
Fache toma seu binóculo e atentamente começa a observar o quarto, realmente não
havia nenhum sinal de hospedes. Receoso conferiu mais uma vez o número do
quarto, mas nada fora detectado, instintivamente, ele inicia uma contagem incluindo
o piso onde estaria localizado o lobby bar e o foyer, além da recepção.
A contagem desde o primeiro terraço agora foi convertida pela localização
direta do quarto de Langdon, o capitão se move com mais precisão, o professor
parecia trocar de roupa, o red-night do binóculo para visão
noturna é ativado. As imagens eram precisas, Langdon parecia estar de saída à
algum lugar especial, talvez um restaurante, indagou Fache. #
Vinte minutos depois, Langdon saiu do hotel
Hitz para a Place Vendôme. Caía a noite. Prometera a si mesmo que
pararia no restaurante do hotel e tomaria um café com leite para clarear as
idéias, mas em vez disso, suas pernas o levaram direto pela porta da frente até
a noite de Paris que se avizinhava. Caminhando para o leste na Rua des Petits
Champs, Langdon sentiu uma animação cada vez maior. Dobrou para o sul, na Rue
Richelieu, onde o ar ficava adocicado devido ao aroma de flores de jasmim dos
imponentes jardins do Palais Royal.
Continuou
rumo ao sul até avistar o que procurava, a famosa arcada real, um espaço
reluzente de lustroso mármore negro. Subindo nela, Langdon examinou a
superfície sob seus pés. Observou vários medalhões de bronze engastados no
chão, em uma linha perfeitamente reta. Virou para o sul, deixando os olhos
traçarem a extensão da linha formada pelos medalhões. Começou a andar outra
vez, seguindo a trilha, observando a calçada enquanto se deslocava. Quando
atravessou a esquina da Comédie-Française, mais uma peça passou sob seus pés.
As ruas de Paris, como Langdon descobrira anos antes, eram adornadas por 135
desses marcadores de bronze, engastados nas calçadas, pátios e ruas, formando
um eixo norte-sul através da cidade. Uma vez, ele seguira a linha de
Sacré-Coeur para o norte através do Sena, até chegar ao Observatório de Paris.
Ali, descobriu a importância do caminho sagrado que a linha demarcava.
O
primeiro meridiano original da Terra, a primeira longitude zero do mundo, a
antiga Linha Rosa de Paris. Agora, Langdon, atravessando apressado a Rue de
Rivoli, sabia que seu destino estava próximo. A menos de um quarteirão de
distância.
Abaixo
da antiga Roslin ' stá o Graal.
As
revelações agora chegavam em ondas.
_Será
por isso que Saunière queria falar comigo? Será que eu, sem querer, descobri a
verdade?
Começou
a correr, sentindo a Linha Rosa sob seus pés guiando-o, para seu destino.
Quando entrou no longo túnel da Passagem Richelieu, os cabelos de sua nuca
começaram a arrepiar-se de ansiedade. Sabia que no fim daquele túnel ficava o
mais misterioso dos monumentos de Paris, concebido e encomendado na década de
1980 pela própria Esfinge, François Mitterrand, um homem que, segundo se dizia,
freqüentava sociedades secretas, um homem cujo legado final a Paris foi o local
que Langdon visitara apenas alguns dias antes.
Com
um último assomo de energia, Langdon passou do túnel para o pátio conhecido e
parou. Sem fôlego, ergueu o olhar, lentamente, incrédulo, para a estrutura
reluzente que tinha diante de si, a pirâmide do Louvre. Cintilando na
escuridão.
Admirou-a
apenas um momento. Estava mais interessado no que se encontrava à sua direita.
Nessa direção, sentiu seus pés voltarem a trilhar o caminho invisível da antiga
Linha Rosa, que o levava através do pátio até o Carrousel du Louvre, o enorme
círculo de grama cercado por uma moldura de sebes muito bem podadas e que antes
havia sido o local dos festivais primitivos de Paris em louvor da natureza,
ritos entusiásticos para comemorar a fertilidade e a deusa.
Langdon sentiu-se como se estivesse entrando
em outro mundo quando passou sobre os arbustos e pisou na grama do interior do
círculo. Esse chão sagrado agora se encontrava por um dos monumentos mais
originais da cidade. Ali no centro, mergulhando na terra como um abismo de
cristal, abria-se a gigantesca pirâmide invertida de vidro que ele havia visto
algumas noites antes ao entrar no mezanino subterrâneo do Louvre.
Trêmulo,
Langdon Caminhou até a borda do abismo de vidro e espiou lá embaixo o complexo
subterrâneo do Louvre, inundado por uma luz amarelo-âmbar. Seus olhos
examinaram não só a gigantesca pirâmide invertida, mas o que ficava
imediatamente abaixo dela. Ali, no piso da câmara inferior, havia uma minúscula
estrutura.
Langdon
estava inteiramente desperto agora, tomado por calafrios diante da impensável
possibilidade. Erguendo seus olhos outra vez para o Louvre, sentiu que as
imensas asas do museu o envolviam, corredores repletos das mais belas obras de
arte do mundo.
Da
vinci, Bollitelli...
Pela
arte dos grandes mestres velada jaz.
Maravilhado,
tornou a examinar o subsolo através do vidro, concentrando-se na minúscula
estrutura de dentro. Saindo do círculo, atravessou correndo o pátio rumo à
entrada da pirâmide gigantesca do Louvre. Os últimos visitantes do dia estavam
saindo pouco a pouco do museu. Passando pela porta giratória, Langdon desceu a
escadaria curva, penetrando na pirâmide. Sentiu o ar ficar mais frio. Quando
chegou ao fundo, entrou no longo túnel que se estendia sob o pátio do Louvre,
voltando até a Pirâmide Invertida. Ao fim do túnel, saiu em uma câmara maior.
Diretamente diante dele, pendente, cintilava a pirâmide invertida moldado em vidro,
o cálice, pensou.
Os
olhos de Langdon acompanharam os lados do vê até o ápice da pirâmide, suspenso
a apenas um metro e oitenta acima do assoalho. Ali, diretamente abaixo dela,
encontrava-se a minúscula estrutura. Uma pirâmide em miniatura. Com apenas
noventa centímetros de altura. A única estrutura naquele complexo colossal que
havia sido construída em pequena escala. Enquanto debatia o complexo acervo do
Louvre que tinha como tema a deusa, havia feito uma observação de passagem
sobre essa modesta pirâmide. "A minúscula estrutura brota do assoalho
como se fosse a ponta de um iceberg, o ápice de uma cripta imensa, piramidal,
submersa sob ela como uma câmara oculta".
Iluminadas
pelas suaves luzes do mezanino deserto, as duas pirâmides apontavam uma para a
outra, seus corpos perfeitamente alinhados, seus ápices quase se tocando.
Lâm'na
e cálice guardam-lhe o portal.
Ele
estava de pé sob a antiga Linha Rosa, cercado pelas obras de mestres. Que
lugar seria melhor para Saunière vigiá-lo?, pensou. Agora, por fim,
entendia o verdadeiro significado do poema do Grão-Mestre. Erguendo os olhos
para o alto, contemplou, através do vidro, um céu noturno glorioso, todo
estrelado.
Sob
estrelado céu descansa em paz.
CAPÍTULO
6
Toda a repercussão havia lhe entregado
uma breve certeza de que aquele era o lugar exato. Apesar de sua resistência,
nada que realçasse a busca poderia surgir em prol de sua esperança. Todos os
sinais pareciam se restringir ao mesmo lugar de onde conseguira as primeiras
pistas, no interior do museu onde houve o assassinato e do lado de fora, onde
repousava o grande monumento. O caso parecia redundante, sua conclusão quanto a
real influência do Graal estava perto em se limitar sobre aquele regimento
demarcado próximo a grande pirâmide. O trabalho de Saunière poderia ser um dos
motivos incógnitos à respeito da proteção do Graal.
Como
os murmúrios de espíritos na escuridão, palavras esquecidas ecoaram. A busca
pelo Santo Graal é a busca para se ajoelhar diante dos ossos de Maria Madalena.
Uma jornada para orar aos pés da exilada. Com um súbito transbordamento de
reverência, Robert Langdon caiu de joelhos. Por um momento, pensou ter ouvido
uma voz feminina sussurrando, vindo do seio da terra. #
_Robert
Langdon!
O
professor retornou de um êxtase passageiro. Agora, uma voz surgia de repente, à
medida que sua consciência retornava ao seu estado natural, a voz se convertia
em um sussurro de tom grave.
_Langdon...
Em
fim, ele assimila a voz masculina com a presença de alguém inesperada. Ainda ajoelhado
virou-se lentamente para trás de de onde veio a súbita imagem do assombroso
capitão Bezu Fache. Em compostura inerte o apontava tão-somente um distintivo
gravado sobre sua carteira de couro negro que exibia o brasão do Departamento
Judiciário.
_Capitão?
- No mesmo instante apoiou sua mão sobre o joelho curvado pronto para se
destacar e virou-se lentamente contra o agente e estendeu sua mão para o cumprimentá-lo.
_Boa
noite capitão Fache, em que posso serví-lo? - o capitão ainda calado lhe fixou
com um rude olhar e no mesmo instante colocou a carteira de volta ao bolso da
calça.
Fache retira rapidamente do bolso interno o
mandado. Um envelope branco selado armazenava a intimação contra o professor
para um importante depoimento requerido pelos promotores. Em seguida coloca
sobre as mãos de Langdon ainda com o braço estendido ignorando a saudação.
_Deverá
comparecer ao departamento para esclarecimento do caso em um prazo de setenta e
duas horas.
Langdon
pega a carta surpreso.
_Posso
saber sobre o que se trata?
_Sobre
sua relação com Jacques Saunière e o Priorado de Sião.
Se
aliviou ao receber o aviso, talvez tratasse de uma acusação séria ou sobre
algum outro incidente constrangedor. Ele pega o envelope para o pôr no bolso,
mas preferiu se silenciar quanto aos argumentos de defesa, queria guardar suas
palavras justificativas para o próximo depoimento. O capitão permanecia imóvel
admirando-o com um olhar austero, Langdon permaneceu durante alguns segundos,
sua pouca preocupação não o impeliu à redargüir sobre os detalhes da
promotoria. A aparição de Fache lhe pareceu estranha, mas deduziu por si mesmo
que ele estava sendo vigiado desde o momento de sua saída. Nada estava concreto
para um eventual debate entre ambos, muita dúvida permanecia pendente, a reação
do capitão parecia provar que ainda havia algo à relatar, um revés além da
intimação ou uma pergunta particular. O professou se manifesta:
_Obrigado
capitão, estarei disponível. – ainda sem entender moveu sua mão ao esmo como
estivesse a concluir o encontro, mas pensando em saber sobre como o capitão
havia surgido Langdon pergunta:
_À propósito, como me encontrou aqui?
_O acompanhei com a viatura enquanto
andava pelas ruas. Apenas facilitou meu ingresso ao seu apartamento. Esta carta
foi uma ordem do tenente.
Nada agora o parecia preocupante, em
seguida se moveu em direção ao local do estacionamento do carro.
Alguns
passos e Langdon então passava pelo lado direito do capitão, que ainda
permanecia em sua posição imóvel. Antes de terminar o trajeto, Langdon é pego
de maneira estranha, de repente o capitão o segura com a mão direita sobre o
braço impedindo-o de prosseguir.
_Tenho
algo em particular à perguntá-lo. É sobre a chave do cofre de Saunière -
Langdon que já o suspeitava, prestou atenção - Quero que seja sincero, tenho
informações exclusivas que possa o interessar.
_Diga?
- Confirmou Langdon.
O capitão dominou o assunto ao colocar
em jogo uma nova informação, talvez fosse algo precisamente compatível à busca
do Graal, aquilo passou a despertar o interesse do professor.
_Como
a chave pode ser alcançada por você e pela agente Neveu ao adquirirem o críptex
no depósito de Sauniére? - perguntou-lhe quanto a individualidade da agente ao
se ausentar das investigações para se unir ao professor.
_Primeiro
preciso saber o que sabe à respeito?
_Em
primeiro lugar, devo o revelar sobre a falsa relação da agente Neveu com o
senhor Jacques Saunière. Todos os seus argumentos foram usados para conquistar
sua confiança, devido a amplitude de seu conhecimento na área criptográfica.
_Muito
estranho, - se espantou Langdon - me senti seguramente persuadido por sua
conduta.
_E
depois, também havia uma mensagem à mais do que eu havia lhe mostrado. P.S.
encontre Robert Langdon, isto era o que Saunière havia escrito.
_Sophie revelou-me nos primeiros
momentos da investigação.
_As iniciais P.S., ao contrário, se
referem ao Priorado de Sião, apaguei a mensagem antes de sua vinda.
_A
agente Neveu disse que significava Princesa Sophie, com isto consegui
liberalidade para zelar pelo objeto e investigar à respeito do código e da base
onde provavelmente me encontraria com os principais guardiões. Portanto, tenho
todo direito em não revelar sobre o enigma de Saunière.
_Tem
certeza? - retirou uma nota, dos quatro bolsos do palitó, onde também se
encontrava a agenda de anotações com o enredo do crime - Tenho algo
surpreendente!
_O
que é isto?
_É
a continuação da mensagem de Saunière. Antes de apagar a mensagem que o inseria
na investigação, enviei algumas cópias para o Departamento Judiciário, motivo
pelo qual a agente pode acioná-lo. Mas antes, havia ainda uma outra mensagem...
- o entregou a nota – São duas frase similares as outras duas, algo
incompreensível. Apaguei junto com a outra antes do início das investigações,
preciso que descubra o enigma.
A
notícia conseguiu motivar Langdon que pegou a nota bastante interessado e agora
sentia que a busca estava novamente abrindo oportunidade para um novo roteiro.
A mensagem poderia ser a saída do limite estabelecido pela interpretação da
pirâmide. Ele observa atentamente:
O,
lame chieng!
Magdona
Moessina!
_Incrível,
novamente a mensagem se trata de um anagrama.
_Como?
_São
palavras formadas pela transposição das letras embaralhadas na formação de
novos paradigmas. A primeira mensagem encontrada no assoalho:
O,
Draconian devil!
Oh,
lame saint!
_As
duas mensagem foram as únicas pistas que o departamento conseguiu identificar.
A primeira significava em forma invertida:
Leonardo
da Vinci!
The
Mona Lisa!
_A Monalisa.
_Este
seria o primeiro passo para encontrarmos a chave. Mas havia outras pistas como
aquelas palavras roxas e fosforescentes escritas sobre os tacos do assoalho.
Logo após decifrarmos o anagrama, seguimos para a Salle des États após o vestíbulo
Denon, no primeiro piso, local onde se conserva o quadro da Mona Lisa. Ali
havia um novo anagrama:
So
dark the con of man.
Tão
sombria a traição do homem.
_Que
no sentido inverso significa, A madona das rochas. Novamente se formou uma
pista, e de modo literal, transmitia uma mensagem de crítica à arte. Seguimos
para o local do quadro é foi exatamente neste local que identificamos a chave
do cofre de Saunière.
_Incrível,
o curador queria mesmo que a chave fosse zelada, isto é um ótimo indício para
aceitarmos a idéia de que estamos ameaçados por ambiciosos procuradores.
O
professor torna a observar o papel, alguns segundos transcorrem, a tentativa em
assimilar as palavras parecia suspensa pela dificuldade das letras.
_Realmente
estas letras são muito difíceis. Talvez revele um outro artista como o primeiro
anagrama.
As últimas tentativas foram feitas e
finalmente:
_Consegui!
- vibrou Langdon.
_O
que significa?
_Michelangelo! –
respondeu.
_E a outra?
_Moisés a god Man ?
O capitão
ficou espantado, não fazia a menor idéia do que se tratava. Langdon permaneceu
impressionado. Finalmente uma pista extraordinária surgira, realmente seria um
novo caminho em busca do Graal.
_Confesso
que estou inteiramente espantado. Essa mensagem cumpre exatamente com o hábito
de Sauniére em transmitir palavras indiretas no sentido literal.
_Devo
admitir que nunca tenho ouvido este título referente às obras de Michelangelo.
_O título ‘Moisés a god Man’, não é a
intenção direta da interpretação. Talvez se não houvesse a menção do autor,
jamais conseguiria encontrar a pista, esta epígrafe é reconhecida por alguns
eruditos da idade média, contudo, qualquer professor de criptografia
reconheceria este título como um pseudo-nome dado pela interpretação incógnita.
_Talvez fosse este o motivo da procura
por sua consulta.
_Sabendo-se que se trata de
Michelangelo, afirmo que a próxima pista é o famoso afresco artístico
localizado no teto da Capella Sistina em Roma. Se existem lugares em que a arte
se aproxima dos cosmos de Deus, um deles é esta capela. Esta dependência do
Palácio do Vaticano, em Roma, atinge o absoluto graças aos magníficos afrescos
pintados por Michelangelo, Perugino, Ghirlandaio e Botticelli, entre outros
artistas do Renascimento.
_E
qual seria a obra em cujo título se enquadra o pseudo-nome?
_‘A
criação do Homem’.
_Ainda
não consegui compreender qual é o sentido incógnito entre os títulos? - retomou
o papel para pô-lo no bolso.
_Muitos
religiosos após a idade média interpretavam o quadro em analogia à doutrina de
Moisés. Alguns poderiam ser adeptos fanáticos, mas poucos sabiam que se tratava
de uma vã idolatria. - suspirou impactado com a revelação - Agora a frase
inserida na mensagem trata-se de uma interpretação mais detalhada. Inicialmente
não teremos a compreensão direta, mas a frase, Magdona Moessina!, no
sentido literal, faz alusão à região dos partos, território muitas vezes
ocupado por persianos, antiga mésia, para muitos o estreito mediterrâneo, a
divisão entre o oriente e ocidente, o bósforo de anatólia. Essa interpretação
de fato existe, e Saunière conseguiu relacionar as palavras do anagrama
precisamente, de forma que a escrita literal nos levasse à compreensão desta
segunda interpretação.
_Realmente
Langdon, em toda minha carreira como investigador nunca havia encontrado algo
tão enigmático. Mas o que tenho a lhe dizer espantará não somente á mim.
_O
que foi capitão? - perguntou motivado.
_À
principio, de fato, não consegui entender, mas tratando-se desta obra, posso
lhe assegurar de que existe uma cópia deste modelo em uma das salas do Louvre.
A revelação sobre os enigmas de Saunière agora o faz meu primeiro convidado à
investigação. Tenho o cartão magnético do Louvre e com minha credencial poderei
entrar a qualquer momento.
_Magnífico,
- Langdon deixou escapar um discreto sorriso - estamos diante de uma nova
investigação.
A
caneta de luz negra usado por Saunière, era um tipo de caneta d'água, um
marcador especializado com uma ponta de feltro, projetado para usos especiais e
também em demarcações de quadros em
museus, vidros, restauradores e investigações especificas. Servia
algumas vezes para cobrir marcas invisíveis nas obras expostas no Louvre. São facilmente
removidas à alcool, e as palavras escritas pela caneta só podem ser visíveis
sob luz negra, o mesmo aparelho usado pelos agentes, no primeiro caso.
_Vamos,
não temos tempo a perder.
Ambos
seguiram rumo à entrada do museu, acessaram o subsolo após a permissão do
interlocutor da primeira portaria, a conexão foi feita pelo ativamento do rádio
quando o capitão retirou de sua carteira o cartão magnético do museu para
conectá-lo à máquina, e logo, desciam pela suntuosa escadaria de mármore,
entrada que permitia atravessar o átrio subterrâneo sob a pirâmide de vidro.
Alguns seguranças noturnos ainda estavam de plantão, um deles, incumbido na
vigilância interna e recepção de visitas, conseguiu notá-los ainda de longe, em
seguida o seu walk-talking é acionado conforme a transmissão de
segurança interna emitida pelos seguranças das cabines técnicas informando-lhe
sobre a vinda dos visitantes.
_São
agentes da DCPJ, por favor confirmar. - ordenou -
Antes
de se aproximarem o segurança reforçou a emissão da luz interna de modo que, a
passagem pelo corredor possuía um foco de luz escasso, um tipo de atmosfera
quase fúnebre, auxiliada rara vezes pelas luzes embutidas em alguns degraus da
escadaria principal. As luzes se ascenderam. Ainda distantes os investigadores
conseguiram observar o segurança, que até então, parecia quase imperceptível.
Fache entendeu e rapidamente começou a se preparar para lhe apresentar a
credencial.
_Agente
secreto do Departamento Judiciário, - o apresentou a carteira ao se aproximar
da entrada.
O
segurança os interceptou antes da passagem principal entre as roletas,
questionou à respeito do motivo da entrada, e foi devidamente orientado pelo
capitão. Após escutar a intenção da dupla, o segurança conferiu a documentação,
e em seguida o agente passa o cartão magnético posto sobre o pescoço
permitindo-lhe a entrada. Á proporção que iam se distanciando, mais o corredor
de longas paredes à aproximadamente nove metros os conduzia ao saguão
principal. Fache se lembrou dos momentos em que esteve com sua equipe da
Polícia Técnica e Científica.
Naquele local, conforme o processo da
investigação, Langdon observava pelo alto no teto de vidro uma estrutura de
névoa iluminada pelos chafarizes externos desaparecerem do outro lado do teto
transparente. Construído em mármore
fosco as alas surgiam bem ornamentadas. A primeira passagem seria pela Scalier
Mollien, um tipo de caminho moldado por salas de esculturas geralmente
italianas. Passando pela ala Denon dado pela ala Daru, um tipo de galeria
paralela surgia, e se infiltrando em um dos corredores obscuros, a dupla agora
estava perto em chegar ao Salon Carré após a Grande Galerie. Apresentava
geralmente obras do típico italiano entre os séculos doze ao quinze. Esta seria
exatamente a sala onde se encontraria a obra procurada pelos pesquisadores.
_Estamos perto da galeria onde se encontra a
obra. Poucos metros e acessaremos a ala.
Um
momento antes, um certo segurança do Louvre, conhecido como Grouard, talvez um
dos mais honrados da equipe, traçou o corredor segundo à ordem dada pela equipe
interna para oferece-los algum tipo de assistência. O momento também foi ideal
para que o capitão confirmasse à respeito da direção certa ao salão intencionado.
O segurança parou por alguns segundos afim de comunicar-lhes algumas normas do
museu. Langdon se lembrou da lanterna, um tipo de luminária de luz negra para
análise de alguma suposta mensagem. Concordando em evitar um eventual
transtorno ao identificarem algum tipo de registro marcado pela mesma caneta
d'água de luz negra usado por Saunière ao informar-lhes as mensagens secretas
antes da morte. Após um breve comunicado advertido pelo segurança, o capitão
exige o empréstimo do aparelho que ficava comumente armazenado na dispensa de
equipamentos auxiliares do Louvre. O segurança, que portava o uniforme
obrigatório era um dos poucos que portava arma em casos emergentes. Ao terminar
a relação das normas, apontou para o Salon Carré confirmando o acesso à sala e
seguiu rumo ao gabinete técnico para pegar a lanterna recomendada pelos
visitantes.
CAPÍTULO
7
A
caminhada se iniciou e a dupla enfrentava poucos metros até o átrio da sala, o
chão de mármore em tom navarro-escuro seguia polido como um assoalho de madeira
esmerada, as paredes pintadas por um frescor de tinta salmon-suave era clariado
pela mesma luz escassa do corredor de acesso à galeria principal. Os feches de
reflexos sombrios iluminavam em baixa intensidade os quadros que eram expostos
no corredor principal por onde andavam. O capitão andava afoito e pensativo,
esperava que aquela antiga pista, mantida em sigilo até o auge da investigação,
poderia ser um novo rumo para decifrarem o enigma de Saunière. O professor
parecia incrédulo, até aquele momento acreditava que a projeção da pirâmide
investida era definitivamente o principal alvo das pistas. Pouco tempo depois a dupla de investigação já
se encontrava à porta de acesso ao Salon Carré. Ambos observaram com relutância
a sala que era semi-dividida por dois compartimentos idênticos em relação ao
espaço dimensional. Um tipo de câmara retângular com uma entrada liberal e acessível
de um outro antro retângular revestido por pedras de mármore em quase sessenta
centímetros de largura à aproximadamente dois metros de altura, semelhante à
uma porta de armação comum, expunha vários quadros italianos. Impressionados
com o ostentoso ambiente interno rapidamente se movem à procura do quadro
pretendido. Fache ativou uma pequena lanterna do palitó para melhor visualizar
as pinturas.
_Vamos
nos separar! - Langdon se antecipou pelo lado esquerdo.
Embora
houvesse uma escassa iluminação interna refletida por plafons comuns, o agente
preferiu ativar as lanternas para melhor visualização dos quadros. Algumas
partes escuras da sala não permitiam a visibilidade completa. O primeiro
compartimento foi totalmente vistoriado, o quadro ainda não fora identificado.
Em uma das paredes laterais havia uma outra porta, próximo à sua entrada, a
dupla se preparava para acessá-la. A divisão das salas se dava por um pequeno
corredor de aproximadamente cinco metros de largura feito entre uma parede à
outra de ambas as salas. O corredor livre ligava uma passagem à outra por
armações idênticas ao da entrada principal, porém em largura inferior.
A
dupla entra e novamente iniciam a procura pelo quadro. Um local mais obscuro,
totalmente isento de claridade, não permitia nenhuma visibilidade dos quadros.
As partes laterais, desprovidas de divisórias, permitiam acesso à uma sala
improvisada com capacidade para vínculo de dois observadores opostos em toda
circulação interna e cinco outros observadores para cada respectivo quadro
acerca de dez metros quadrados. As paredes revestidas de madeira escura expunham
os quadros italianos mais primitivos.
Muitos
quadros compunham o ambiente, as luzes estavam apagadas. Uma das normas
transmitida pelo segurança seria a isenção completa dos refletores de luz nos
ambientes internos como nas salas e galerias. Para a dupla isto não seria
problema, visto que para identificar as supostas palavras deixadas como pistas
por Saunière, se necessitaria unicamente da obscuridade do local, conforme a
técnica do uso da caneta d'água.
Novamente
ambos saem sem êxito, o quadro parecia quase inexistente naquele local. De um
lado, Langdon ainda à procura do quadro, utilizava a lanterna de modo perspicaz
e do outro, o capitão, que já se preparava para acessar a próxima sala devido o
espaço de quatro metros quadrados pelo lado direito. Uma rápida miragem da luz
em direção aos poucos quadros expostos fez com que o investigador constatasse a
ausência do quadro. Um pouco frustrado, Langdon sai em seguida e também sem
alguma pista, ambos se separam como combinado. A
projeção da luz nas salas mais abrangentes ainda era precária, as investigações
nas salas internas deveriam ser feitas obrigatoriamente com uso de lanternas,
mas nada interferia nas observações. Como o agente havia se preparado com a
aquisição de duas lanternas comuns antes da investigação, não necessitou de que
o segurança o emprestasse, mas o capitão já suspeitava de que sua vinda com o
aparelho de luz negra deveria ser breve, pensava estar perto em encontrar o
quadro. Rapidamente se movia em direção
aos fundos as luzes refletiam sobre as obras. Um modelo famoso por sua textura excêntrica
e pelas imagens alegóricas não poderia ser dificilmente identificado. O capitão
ainda registrava algumas curiosidades de alguns outros quadros italianos quando
Langdon vibrou:
_Por
aqui. Encontrei o quadro. - disse em um tom de voz agudo.
No
mesmo instante o capitão se vira surpreso. Apesar de conservar em seu rosto um
mero suspense parcial, ainda era motivado pela busca do enigma. Seguiu em
direção à Langdon do outro lado da sala e em poucos metros de distância
contemplava o quadro atônito. Ambos permaneceram perplexados.
_Realmente
isto é muito estranho. - comentou Langdon ao lembrar de que a interpretação do
quadro estava diretamente ligado à outra narrativa.
_Um
modelo épico. - imaginou o capitão.
Poucos
segundos se passam após encontrarem a cópia do quadro, e quase no mesmo
instante o segurança finalmente surge com a luz negra exigida pelo capitão.
_Aqui
está. - lhe entregou o objeto similar à uma lanterna, porém, possuía uma luz
diferenciada pela adaptação fosforescente da lâmpada que permitiria a
visualização da marca d'água escrita pela caneta e a claridade total naquele
ambiente semi-obscuro.
_Obrigado.
- Agradeceu Fache.
O
segurança sai rapidamente com a intenção de deixá-los em privacidade, não havia
comentado sobre algum imprevisto e os agentes, logo, retornaram à análise.
_Tem
certeza de que este é o quadro que Saunière queria nos revelar. - perguntou
Fache que ainda não conseguia conciliar a dica incógnita da mensagem com a
interpretação direta.
_Não
tenha dúvidas capitão.
*******************************************
CAPITULO
8
Naquele
mesmo horário, em uma famosa região da Itália, o bispo Aringarosa se preparava
para um confortável banho em uma banheira de mármore moldurada à bronze posta
em uma das suítes executivas do quarto do magnificente hotel, Pantheon. O hotel
situa-se paralelo a Via dei Pastini, uma rua pitoresca cercada de atrações
culturais, tal como restaurantes e trattories, que são ambientes comumente
freqüentados pelos turistas naquela região. Afastado do trânsito caótico e ao
mesmo tempo no centro comercial da cidade, o hotel se ergue próximo ao
esplendoroso Panteon, testemunho da Roma antiga, conservava-se
praticamente intacto.
À frente, o Albergo del Sole. Do lado oposto,
na Piazza di Pietra, se encontrava o que restara de uma outra construção da
época imperial, a imponente coluna que outrora constituía a entrada do Templo
de Adriano. Estava paralelamente integrada à fachada de um edifício adjacente.
O interior do hotel era composto por vários quartos muito amplos e luxuosos.
Mobiliados com móveis em madeira de carvalho, tapetes de veludo carmesim e
tecidoS preciosos, não poderia oferecer desconfortos aos menores nobres
hospedes do hotel. Cada detalhe fora acrescentado em vista à criar um ambiente
aprazível entre os elementos tradicionais tal como as traves de bronze nas
ornamentações superiores da entrada principal. A armação combinava com a
molduração esmerada posta sobre cada abóbada do saguão principal. As janelas de
vidro das principais paredes fomentavam a influência modernista. A lustrosa decoração
cativada por uma imensa luminária em forma de cascada causava uma admiração
afável.
Ainda
andando pela feira antes de sua próxima partida a bordo, um estranho cidadão
fazia a compra de algumas fotografias três por quatro. As primeiras tiras saiam
consecutivas de uma pequena máquina automática. O fotografo o entregava uma
pequena luneta para observação da foto após ajustá-la sobre a lente. O
comprador movendo o objeto junto ao seu olho direito fazia uma rápida análise
da foto. Em seguida, moveu o objeto de volta ao fotografo.
_Como cortesia. – recusou dizendo em um
sotaque italiano.
Uma nota de cem euros é entregue para o
acerto:
_Alto valor. – locomovia as mãos sobre o
jaleco branco de modo a lamentar pela ausência do troco ao mesmo tempo em que
se demonstrava preocupado pela quantia recebida – Perdón, tenho que trocar? – disse enquanto ameaçava os primeiros
passos para a saída costeira. O comprador parecia apressado, antes que o
fotografo se retirasse sua mão é estendida:
_Aguarde! Dê-me uma máquina automática
em troca. – acenou à um dos aparelhos exibidos na vitrine. – Não tenho muito
tempo.
Uma pequena máquina fotográfica de tiras
instantâneas é entregue ao comprador junto ao troco. O cliente saia as pressas,
ainda precisava realizar outro plano. A compra das fotos era o principal
objetivo, porém uma cola e uma tesoura foram adquiridas com certo vendedor em
uma barraca posterior.
Observando os passageiros pelo
desembarque do comboio e outros transeuntes que embarcavam pelas partes remotas
da condução, o sujeito aguardava pelo momento certo. Sua pressa limitou-se ao
longo período de observação que não poderia exceder o entardecer do dia. A
noite estava próxima, e o principal objetivo estava para ser executado.
Finalmente o esperado acontece, um dos passageiros retorna revoltoso do
embarque após ser recusado pela invalidez do cartão de transporte. O estranho
observador, notando o ocorrido, se aproximou do rapaz em passos apertados até
pegá-lo pelo braço.
_Pelo cartão? – apresentou as
irrecusáveis notas de euro pelo cartão inválido, após presenciar o fato.
A troca foi feita, o rapaz talvez não se
interessasse mais pelo cartão invalido. De comboio, na estação da metrópole, o
estranho passageiro estava abordo, seu semblante maligno e frisado causava
assombros a todos que ousasse lhe observar. Talvez estivesse prestes a cometer
um homicídio. Conforme a concepção de dois terço que o encontrava pelas ruas,
sua intenção não era nada amigável. Assim também fora para o agente de bordo
que o observou durante parte do trajeto de ida, seu cartão de identificação
apresentado no embarque em alguns quilômetros atrás não se assemelhava ao
cartão de passaporte original. Algo lhe parecia estranho e o agente de bordo
permaneceu continuamente em alerta. O observava de relance em uma cadeira
discreta à alguns metros de distância. Enquanto muitos passageiros desciam da
linha em direção à Battistini, o agente se comunica com o auxiliar de
pilotagem.
_Veja.
- apontou em direção ao o indivíduo que esperava uma pequena fila para descer
ao terminal.
_Não
me parece nada confiável. - comentou o agente de bordo.
O
auxiliar olhou desatento, tentou captar o alvo, seus olhos agora o aguçava, ele
se movia devagar, não parecia suspeito, porém usava um óculos escuro à noite e
vestia um valioso terno sócial escuro, estranho para um dia comum em uma semana
de clima quente e intenso. De repente parou sobre a saída do veículo antes da
linha de acesso à estação, esperou que o último passageiro à sua frente
passasse e desceu em seguida, seu vulto se sobressaltou à vista do auxiliar,
aquilo agora lhe parecia estranho, ele olha em direção ao espelho do lado de
fora e o indivíduo se dissolvia entre a multidão. O auxiliar consultou a lista
de procurados pela polícia italiana, nada fora constatado.
_Não
tivemos nenhuma reclamação de passageiro, não me parece suspeito. – comentou. –
tente a lista de procurados pela polícia francesa, pode consiguir melhor
resultado.
Porém o agente ainda permaneceu
incompreendido, apesar de feito a consulta de seu cartão de passagem.
_Talvez
não tenha consultado direito. - o auxiliar de pilotagem rapidamente acessou o
computador de bordo posto ao lado do painel de controle para verificar a
relação de passageiros.
Após
um clique na tecla de chek-up automático uma lista referente à validez
do cartão de passaporte e embarcação diária no veículo, surgiu aleatoriamente sob
uma rápida voltagem de vários números. Em poucos segundos o monitor acusava a
relação de passageiros daquele dia.
_Realmente
você não percebeu algum passageiro irregular à bordo - disse ao apontar para um
dos números, cuja a referência acusava invalidez do cartão de passaporte. As
letras se destacavam em um tom vermelho.
Em
seguida o auxiliar de pilotagem ativa outro botão fazendo apagar a luz vermelha
numa espécie de refletor alojado discretamente no canto superior do teto junto
à linha das luminárias laterais. Aquela luz acesa acusava a invalidez do
cartão.
_Deveria
ter observado a luz vermelha. - advertiu o auxiliar de pilotagem.
Após
confirmar à respeito da irregularidade de certo passageiro à bordo, o agente
conseguiu descobrir a origem de sua cisma com aquele tal passageiro, mas não conseguia
assimilar sua preocupação quanto ao homem vestido de um terno preto
excentricamente social.
CAPÍTULO
9
O
sujeito agora andava em passos longos rumo a saída principal do terminal. Sua pretensão
era alcançar a rua Battistini e descer pela paragem Barberini, uma das partes
mais conhecidas da região. Antes de acessar a rua, o sujeito se aproxima
próximo à uma lixeira pública posta na pavimentação do lado de fora. Do bolso
interno do palitó retirou um tipo de tesoura móvel. Da sua carteira de bolso,
retirou o cartão de passaporte. Em seguida, com a ponta daquela pequena tesoura
despregou a sua fotografia três por quatro que estava pregada no cartão, de
fato a passagem não se passava de um truque, o passageiro estava irregular. Mas
finalmente, após várias tentativas fracassadas para conseguir percorrer cerca
de 20 km com o uso de um cartão inválido, aquele sujeito estranho finalmente
consegue alcançar o local pretendido. O cartão foi lançado à lixeira, aquilo
poderia ser um flagrante irremessível. O jovem que havia vendido o cartão, não recusou
a quantia oferecida, o seu cartão inválido parecia não lhe fazer falta, vendeu
sem remorsos.
_Um
cartão inválido por cinquenta euros. - queixou após conferir as cédulas da
carteira - Pelo menos me sobrou para o táxi.
Na
paragem permaneceu um longo tempo à espera de um táxi. Nada obstante o carro
surge, o passageiro lhe oferece todo o dinheiro.
_Até
aonde o valor do frete permitir. - propôs após lhe apresentar certa quantia em
euros.
O
motorista concordou, breve ambos percorriam pela Via del Tritone. O passageiro
assentado no banco de trás consultava um pequeno papel, onde provavelmente
estava o trajeto de seu alvo.
_Por
ali. - ordenou o motorista apontando à uma direção entre as pistas rumo à
Piazza di Pietra.
Após
alguns minutos o carro atingiu a Fontana di Trevi, sua busca não parecia
incerta. Ele realmente preparava algum plano malicioso neste lugar, o objetivo
estava em sua mente e pronto para ser executado. Poucos metros e o motorista
verifica no pequeno visor de rotação os números vermelhos que acusava o valor
do dinheiro comparado ao frete.
_Sinto
muito senhor, mas o valor pago é insuficiente para cumprir o trajeto ao destino
pretendido.
CAPÍTULO
10
Era noite, o limite do frete chegava ao
fim. O passageiro desceu do carro frustrado. Embora portasse um revólver
Medusa, um tipo de pistola de bolso, não ousou forçar o motorista, mas
prosseguiu andando. O caminho poderia ser feito sem dificuldades, uma breve
caminhada causaria um desgaste maior, mas preferiu evitar o saque de seu
depósito em um banco 24 horas, certamente sua arma faria soar os alarmes e os
detectores de metais. Sua transpiração rudimentar acompanhado por seus passos
vorazes, fazia esvoaçar as roupas de outros pedestres que lhe cruzavam pelo
caminho. Um longo trajeto foi desempenhado. Poucos passos adiante e o sujeito
realizou um corte pela Via del Corso.
Embora
o agente de bordo no terminal tivesse o suspeitado, ainda ninguém parecia
completamente desconfiado para o perseguir. Sua pistola poderia incriminá-lo instantaneamente,
sua atitude moral, de fato não parecia nada parcial, sua roupa não o
descriminava. Chegando à Piazza di Pietra o sujeito continuava inflexível,
algumas entradas para locais agradáveis se passavam pelos lados na pavimentação
percorrida, nada lhe parecia viável, o trajeto era idêntico ao endereço do
grande hotel. Naquele momento se entrasse pela Via dei Pastini, rodovia
exclusiva de acesso à uma região nobre e rodovia exclusiva de acesso ao hotel
Pantheon, muito provavelmente aquele estranho personagem se interessaria por
uma hospedagem no hotel, visto que, seu traje extravagante denotava uma certa
nobreza de sua conduta étnica.
Aquele
aparente italiano agora observava o pequeno papel retirado do bolso. A
descrição poderia ser a mesma do hotel Pantheon. Alguns metros antes da entrada
e o endereço do papel é novamente observado. Seus olhos tentavam conciliar o
número do endereço escrito. Na porta de acesso ao hall do recinto,
notava-se uma entrada ilustre, receptiva e admirável. O sujeito para em direção
à grande porta de entrada. Os números do endereço de fato eram idênticos ao
número do hotel. Aquele estranho sujeito passa pelas portas recebendo um suave
frescor emitido pela ventilação interna, sem demonstrar muita preocupação se
assenta em um dos sofares da recepção, não parecia suspeito. O sujeito pela
última vez olha o papel, os outros números eram referentes à algum quarto de
hospede do hotel, e por sinal, idênticos ao número do quarto do bispo
Aringarosa.
Em
uma pequena mesa de vidro moldada por uma armação de aço maciço, acerca de dez
metros à frente do ambiente de visitas, havia um casal dialogando, vestiam
trajes extravagantes. Sobre a mesa, um exuberante arranjo de rosa-escarlate revestidas
por uma folhagem verde que se compatibilizava com muitos pormenores da
decoração interna. Um vaso de vidro versalhes em aspiral era comum em muitos
pontos do saguão, algumas flores implementavam a arte excepcional dada pela
ornamentação do teto, quadros, molduras de bronze e luminárias, também em
aspiral. Um outro homem solteiro sentava ao lado oposto, tomavam um drinque
acompanhado de uma leitura de jornal, ao seu lado, um porta-revista preenchido
por vários artigos e almanaques. Nos sofáres do saguão aos fundo, à cinco
metros da recepção, próximo à um pequeno bar particular do hotel, outros três
hospedes conversavam ao lado de um porta-taças superior sob um móvel cromado
escuro. Do outro lado algumas banquetas longas de madeira rústica negras, permaneciam
vazias à espera do próximo cliente do hotel à se declinar com as iguarias
oferecidas. Um garçom posto à frente do balcão, vestindo um traje comum de um
funcionário do Pantheon, usava um colarinho branco-ondulado cortêz acompanhado por
uma gravata borboleta preta. O seu bigóde penteado de pontas finas lhe dava um
caráter gentil, observava distraído a movimentação da rua pelo vidro fumê
aclopado à moldura de aço maciço da janela central.
O
falso hóspede observava atento a movimentação do hotel, uma classe nobre transigia
sobre o principal tapete do hall, outros garçons, uns dois ou três,
também faziam o serviço no saguão se movimentando com alguns transportadores de
alumínio de um metro e meio de altura. O transporte possuía algumas
prateleiras, também de alumínio, empilheradas. Eram bandejas para sustentar os
valiosos talheres e as valiosas taças de cristal fino. Na parte inferior uma
pequena gaveta para armazenação de alimentos. O apoio para direcionar o
transportador era totalmente redesenhado por traços elípticos que destacava um
ornato de cultura modernista. Um longo bastão era sustentado pelas mãos
vestidas de luvas brancas dos garçons que geralmente realizavam o serviço
interno. Um dos aspectos no uniforme dos garçons que se diferenciava dos funcionários
dos bares seria apenas o colarinho e o palitó cortêz. A maioria
dos garçons em movimento no hall usavam um terno comum preto e branco de
gravata longa. E um dos aspectos neste uniforme que se diferenciava da roupa
daquele estranho sujeito sentado, cativo, ansioso por uma oportunidade, seria
apenas as luvas brancas.
Até
aquele instante o falso hóspede não havia encontrado o que pretendia, estava
incomodado, não manifestava. Seus olhos aguçavam os ângulos do teto moldurado
aos fundos, notava-se as câmeras, se estranhou. Até aquele momento nenhum
segurança havia o interceptado. Além dos garçons, outros funcionários andavam
de mãos livres, portavam cinturões com o coldre ocupado por um revólve e um
chapéu quadrado do tipo militar, alguns detalhes dourados no cinturão e no chapéu
junto com o brasão do hotel caracterizavam os seguranças do hotel. O que se
observava era o longo cano de metal escuro, do outro lado do cinturão, o
cacetete, todos estes acessórios se diferiam do uniforme usado pelos garçons.
Ao
que se identificava no aspecto hostil do sujeito, uma mera indiferença parecia
sustentá-lo fora de uma ameaça ou um ataque preeminente. O revólver em sua
cintura esfriava sua pele pelo bolso esquerdo, talvez não tivesse munição
suficiente para reagir, a maioria que o observasse talvez pensasse que alguém
estaria à sua espera. Outro segurança surge, as chances de um suposto ataque se
minimiza, um assalto àquela instância se findaria em uma morte súbita ou uma
prisão imediata. Um segurança finalmente se aproxima e o recebe:
_Boa
noite senhor. Talvez queira se acomodar no bar exclusivo do hotel Pantheon? -
estendeu as mãos de modo gentil em direção ao bar para lhe oferecer a
comodidade.
_Não,
obrigado. - sinalizou com a mão em sinal de recusa -
_Ou
talvez...
_Não sou hospede do hotel. – frisou de modo
direto.
_Está
à espera de algum de nossos hospedes?
O
estranho indivíduo parou por um instante inibido com a pergunta, um gaguejo
imperceptível surgiu no primeiro tom da fala, pensou por algum momento dizer
que sim, mas logo em seguida admite:
_Não...
já estou de saída.
Em
seguida o aparente hospede se levanta e passa pelo segurança em direção à
porta. Em alguns metros de distância, perto da saída, outro segurança agora se
posicionava ao lado da entrada. Podia ser visto pelo lado externo do vidro da
porta, talvez aqueles dois fossem os únicos do saguão. Do lado de fora o clima
se esfriava, havia pouca movimentação de pedestres, alguns carros modernos
estacionados a beira das pavimentações e muitas sinalizações comerciais. Um
vento brando transigia naquele momento, sua roupa se movia. O óculos já estava
posto no seu bolso, seus pensamentos lhe pesava. O sujeito parecia não
conseguir absorver alguma idéia para o seu propósito, seu incomodo demonstrava
sua preocupação. Com as mãos no bolso andava de um lado ao outro, algumas
pessoas saiam constantes do hotel sempre dotadas de trajes rigorosos, o frio à
noite estava por chegar. Em todo momento seus olhos espionavam os hospedes que
se movimentavam pela entrada. Sua reação definitivamente revelava sua
expectativa por alguma pessoa supostamente hospedada no hotel.
Ao
conferir o bolso interno do palitó o sujeito se lembrou que havia tirado
algumas fotos três por quatro em um terminal antes da Battistini ainda no crepúsculo
daquele dia. Teria comprado as fotos para colar no cartão de passaporte
inválido que havia negociado com um cidadão qualquer. Cinco fotos ainda
restavam, e somando com a outra foto guardada no bolso da frente da calça que
foi instintivamente preservada do cartão de passaporte lançado fora, completavam-se
seis. As fotos três por quarto foram conseguidas conforme a compra em uma banca
próximo ao terminal, em seguida, foram reunidas no mesmo bolso interno do
palitó. Mas a maior lembrança do sujeito seria o troco que, quase esquecido,
fora guardado no mesmo bolso interno onde também havia uma pequena lupa de
quatro centímetros para visualização das pequenas fotografias, um brinde do banqueiro,
uma lembrança comumente dada pelos fotográficos. Nada obstante o sujeito
retirou o troco, cinco cédulas somavam exatamente quarenta e cinco euros. Talvez
se o estrangeiro tivesse lembrado deste dinheiro, poderia ter cumprido com o
percurso no táxi quando o frete se exigia mais ao que se pretendia chegar.
Porém o dinheiro poderia ser a saída do que o então estrangeiro esperava.
_O
troco das fotos. – cogitou.
Rapidamente
o sujeito se move em direção a porta de entrada, sua idéia parecia merabolante,
sua atitude se alterou de maneira estranha ao constatar o troco no bolso,
novamente ele entraria no hotel, talvez ele quisesse experimentar algum drinque
no bar particular. Andava passos rápidos, aproveitou para conferir o outro
bolso interno, lembrou-se também que havia comprado um pequeno bastão de cola
plástica de uns cinco centímetros para a colagem da foto no cartão de passaporte.
Além do bastão de cola, havia sua chave do carro desprovida de chaveiro e a
pequena tesoura móvel, prateada, de poucos centímetros, comprada para recortar
a borda da foto proporcionalmente à medida do cartão de passaporte.
Uma
hospede saia no momento, o sujeito atravessava o tapete interno, em seguida,
cruza com o segurança da porta, sua postura era rígida, usava as roupas
semelhantes aos dos garçons, mantinha seu olhar fixo, observava apenas o rumo
central, usava as mãos cruzadas para frente. Seu traje alve-negro cortêz com
detalhes dourados fomentava a crucial regalia dada pelo hotel afim de
transmitir cordialidade aos seus hospedes. O estranho entra, como antes, o
outro segurança não estava presente, talvez estivesse arremetido periodicamente
à vistoria do saguão, porém, não parecia permanente. Sua ausência parecia ser
favorável ao plano do falso hospede, ele ajusta seu terno, sua roupa seria essencial.
Antes de se assentar, ele se disfarça ao observar algumas relíquias expostas no
ambiente de visitas. Ao seu lado uma grande janela de vidro fumê moldada
por aço maciço. Ele aguardava pela passagem de algum garçom por aquele
corredor, como haviam passado das outras vezes.
Naquela
área entre a recepção e o ambiente de visitas era comum a transição dos
garçons, um corredor aos fundos, de pouca iluminação, parecia possuir uma
cozinha improvisada. Os transportadores de alumínio eram sempre alçados por
aqueles homens. O funcionário que permanecia na recepção não conseguia visualizar
a área de visitas, de modo que havia uma relativa distância entre os espaços.
Porém da entrada ao caminho para a recepção, todas as pessoas eram facilmente
observadas por aqueles funcionários que trabalhavam em atender os clientes e
visitantes. A movimentação das pessoas indo e vindo e o corredor que bloqueava
a visão da recepção, propiciou para que o sujeito não fosse percebido
facilmente.
Um
garçom finalmente se aproxima em direção ao corredor nos fundos à sua direita,
o sujeito à espera se move em sua direção e o pede para parar sinalizando com a
mão. Talvez ele quisesse alguma informação do hotel sem ser percebido pela
recepção, em nenhuma hipótese ousou se identificar ao funcionário. O garçom lhe
obedece e no mesmo instante para carregando o transportador.
_Sou
cliente do hotel. - ousou de modo bastante convincente - Preciso de um favor
urgênte, - lhe apontou sua chave do carro retirada imediatamente do bolso.
O
garçom não questionou sobre seu quarto, realmente foi persuadido pelo falso
hospede, aquele pedido lhe parecia, de fato, urgênte, instintivamente reagiu em
disposição pronto para servi-lo.
_O
meu carro... - tonalizou a voz apontando com a mão que segurava a chave do
veículo para a janela de vidro fume.
Seus
olhos tentavam captar o principal carro estacionado rente a pavimentação do
hotel antes de dizer a respeito. O sujeito tentava escolher aquele que
realmente estivesse em condições de um favor. O pedido obviamente não poderia
ser um serviço breve. Em frações de segundos seus olhos conseguiu absorver o
carro, sua marca, as placas de sinalização. E novamente ele torna a frisar o
garçom e bastante perspicaz o ordena:
_O
meu carro é o Peugeot A4 preto, estacionei em local proibido. - o serviço agora
parecia possível de se realizar - Estou atrasado para me vestir, preciso que
encontre estacionamento livre para o meu veículo. - lhe apontou a sua própria
chave que mantinha no bolso, uma chave simples e desprovida de chaveiro.
_Sinto
muito senhor, não posso. Estou em serviço, tenho que mover este transportador à
cozinha. - disse ao colocar novamente as mãos sobre o apoio do transportador.
_Espere.
Tenho uma gorjeta irrevogável. - lhe ofereceu os quarenta e cinco euros que tinha
no bolso.
O
garçom se sentiu mais interessado ao observar as cédulas, suas mãos se soltam
do apoio lentas, prestes a aceitar a oferta, antes que o funcionário tomasse
qualquer decisão ele escuta as palavras ainda mais convincentes.
_Vamos,
deixe que eu conduza o transportador até a cozinha.
O
sujeito coloca sua chave e o dinheiro sobre as mãos do garçom que quase sem
reação aceita a gorjeta. Totalmente persuadido o garçom coloca a oferta no
bolso, retira suas luvas brancas do uniforme e as coloca sobre a gaveta
metálica do transportador.
_Tudo
bem, voltarei em breve. - o garçom concorda.
No
mesmo instante o sujeito segura o transportador metálico e começa a se mover em
direção à cozinha. Ainda andando ele acrescenta virando-se para o lado:
_Por
favor. Deixe a chave na recepção.
O
garçom rapidamente se move em direção à saída para servir o suposto cliente do
hotel. O sujeito se movia de vagar em direção à cozinha. As roupas quase
idênticas pareciam confundi-lo como um dos funcionários do hotel. Ele olha para
trás novamente, o jovem havia saído. Antes de entrar pelo corredor de acesso a
cozinha o sujeito interrompe os passos e rapidamente abre a gaveta para vestir
as luvas. Seu plano realmente parecia malévolo, em seguida ele vira o
transportador em direção à recepção mudando completamente seu destino. Seu
objetivo parecia estar em prática, de fato aquela invenção seria uma ótima
tática para conseguir passar pela recepção sem ser identificado pelos
funcionários da recepção.
No
caminho o sujeito ainda coloca sobre seu braço esquerdo um pano branco médio
que era comumente usado pelos garçons para forrar as bandejas. No bolso do
palitó ele dobra um pequeno lenço de papel, o que poderia ainda se assemelhar
ao lenço de pano usado pelos garçons. Sua aparência era idêntica à um garçom do
hotel. Poucos passos e sua presença já podia ser notada pela recepção, ninguém
o desconfiava, sua reação era normal, sua postura era perfeitamente figurada ao
perfil de um funcionário do hotel. A adrenalina aumentava à medida que seus
passos passavam em frente a recepção. Desde o primeiro momento dentro do hotel
o sujeito já imaginava a impossibilidade de se infiltrar no hotel sem ser
identificado, ele conhecia o sistema da recepção que por um simples toque em um
dos walk-talking's poderia acionar um destes seguranças que se posicionavam
em frente ao elevador.
Seus
pensamentos agora se concentravam quanto a entrada no elevador, aquele
segurança transitório do saguão poderia ser, provavelmente, o mesmo segurança
das portas automáticas. O sujeito passa pela recepção, seu disfarce foi infalível,
ele se alivia da maior preocupação de ser percebido. Logo à frente, antes do
bar e do salão interno, à esquerda, havia o acesso para dois elevadores, sendo
que um era social e o outro particular. Como previsto, o segurança estava
posicionado à frente dos elevadores, na parede ao lado de um ao outro acesso. O
segurança olhava fixo em direção ao salão principal, seu uniforme era similar
aos outros demais, porém, não aparentava ser o mesmo que o interceptava no
início. O sujeito identifica a pequena plaqueta preta escrita com letras
brancas em italiano e outras traduções estrangeiras. Ele entende que o esquerdo
era o particular, comumente usado pelos garçons para conduzirem os
transportadores metálicos.
Do
lado de fora o segurança ainda pensava fazer uma boa ação seguindo o pedido do
falso hospede. Seus olhos procuravam atentos pelo carro Peugeot A4 preto entre
a fileira de carros estacionados na mesma posição indicada. O garçom finalmente
consegue identificá-lo após alguns segundo em captura, ele se move
apressadamente em direção ao carro estacionado ao mesmo tempo em que retirava a
chave entregue em seu bolso. Do lado do motorista, próximo a pista de asfalto a
chave do carro é encaixada sobre a fechadura, ele move a chave para o lado em
seguida, a porta parecia emperrada, ele retira e coloca pela segunda vez, sua
mão passa a vibrar a procura do encaixe, a porta está com defeito? -
imaginou. Após algumas tentativas o garçom tenta encontrar o erro, ele analisa
a chave de cabo azul-escuro atentamente ao virá-la do lado avesso, um pequeno
escrito gravado sobre o cabo parecia esclarecer o incidente, ele se espanta, mal
sabia que estava sendo vítima de uma cilada.
A
palavra FAKE impulsionou-lhe os nervos, o garçom se assusta, ele não tinha
dúvidas de que fora enganado, aquele de fato, era um falso hospede. No salão
principal o elevador finalmente chega, o impostor entra normalmente, o
segurança não havia desconfiado, um outro funcionário que se assentava sobre a
cadeira do elevador para auxiliar os cliente o pergunta:
_Piso?
O
impostor retira apressadamente o papel do bolso para conferir o quarto, os
números eram compatíveis aos números do quarto onde o bispo Aringarosa estava
hospedado.
_Quatrocentos
e treze, por favor. – ordenou.
O
elevador subia lentamente, a tensão era reprimida pelo ótimo disfarce do
impostor. No quarto, o bispo Aringarosa acabava de sair de seu delicioso banho
na suíte executiva. Uma toalha alvejante de lã fino estava enrolada sobre sua
cintura. Uma mesa de madeira mógno redonda de setenta centímetros circular
possuía uma bandeja com duas alças de bronze. Sobre a bandeja onde havia um
pano de veludo escarlate estava posto um valioso wisk alemão ao lado de
uma cuba de gelo prateada, seria uma das regalias comuns do hotel oferecidas
aos seus clientes. Aringarosa se aproxima para retirar duas pedras de gelo e
servir seu valioso wisk. Uma cama de casal forrada por uma coxa
trigo-claro de laicra posicionada
entre dois móveis criados e dois plafons acesos, possuía uma pasta preta que
armazenava documentos particulares do bispo. No mesmo instante o seu celular ao
lado da pasta preta toca. Aringarosa deixa o copo sobre a mesa e se aproxima do
aparelho:
_Aringarosa?
- o bispo atende.
_O
tempo esta próximo. - uma voz sussurrada e meio estridente soa pelo fone do
celular.
_Quem
está falando? - se estranhou o bispo, suspeitando de que se tratasse do mesmo
assunto quanto ao segredo que envolvera alguns assassinatos - Mestre? –
replicou.
_A
declinação, a latitude, a linha do equador, os trópicos, não está esquecendo de
nada Bispo?
Aringarosa
sabia que a revelação do segredo se dava em dia marcado, ou seja, havia um
código que somente seria desvendado pela ação do sol.
_Eu
sei. O soltício de verão.
O
soltício é um fenômeno natural em que os raios solares incidem verticalmente
alterando a dinâmica do dia em relação a posição da terra em comparação ao sol,
o raios atingem a menor elevação no
meio-dia local. Existe um dia específico para que o fenômeno ocorra geralmente
ocorrem em junho, quando se trata do soltício de verão. Os momentos exatos dos
solstícios, que também marcam as mudanças de estação, são obtidos por cálculos
de astronomia. Devido à órbita elíptica da Terra, as datas nas quais ocorrem os
solstícios não permite que o ano seja dividido em um número igual de dias. Isto
ocorre porque quando a Terra está mais próxima do Astro solar viaja mais
velozmente do que quando está mais longe.
_Muito
bem. Quero que o código seja descoberto antes do dia, não quero perder esta
oportunidade. Antecipe-se, se não pagará com a própria vida.
Imediatamente
o celular é desligado, o bispo permanece em estado de choque, uma ameaça lhe
fora enviada, e ninguém poderia ser se não o Mestre, um dos envolvidos quanto
ao conhecimento do último segredo.
Do
lado de fora o elevador se abre, de um lado o funcionário ferido no peito
estava morbidamente encostado sobre os botões dos quartos do hotel, nos fundo o
transportador permanecia imóvel, sobre a tampa prateada uma mensagem havia sido
escrita sobre o lenço de papel retirado do bolso do impostor. Regards by
Master, Lembranças do Mestre, era a mensagem escrita pelo atirador
ao pegar a caneta do bolso do funcionário do hotel no elevador. O sujeito sai
em seguida com um olhar calculista, as portas do elevador se fecham, ele se
move em direção à porta do hospede procurado. Quatrocentos e treze, ele confere
o papel, os números eram os mesmos, a hora era tardia.
Lembrando
dos objetos que ele trazia no bolso preferiu não alarmar o bispo pelo toque da
campanhia, possivelmente a porta não seria aberta quando o suspeito fosse
identificado pelo olho-de-vidro da porta. Um estreito corredor não permitia que
sua imagem se escapasse, certamente a polícia seria acionaria. Um aparelho
fotográfico moderno foi comprado pelo sujeito quando retirou as fotos três por
quatro. O vendedor negociou o aparelho fotográfico usado para retirar as
fotografias por um preço mais acessível. Após insistir, o estranho foi
persuadido pelo banqueiro à comprar aquela máquina digitalizada. O aparelho
fazia a revelação das fotos instantaneamente por meio de folhas especiais
aclopadas no interior da máquina. Uma fotografia inteira poderia ser imprimida
em uma pequena folha especial de dez centímetros por cinco.
O
impostor observa a máquina atentamente e em seguida ativa a segunda opção
oferecida pelo aparelho. Com isto, as fotografias poderiam ser imprimidas
repartidamente em seis espaços. Ao contrário de uma impressão inteira sobre a
folha, dez por cinco, seis fotografias poderiam ser impressas repartidamente
sobre aquela única folha. Sua intenção não era fazer uma repartição de seis
fotografias, mas reduzir o tamanho da foto para quatro centímetros por dois e meio
de largura, não queria incômodo, a privacidade fora sintetizada com um disparo
ao funcionário, sua identidade até agora era mantida em sigilo.
Ele
move a máquina lentamente para o olho-de-vidro da porta, o aparelho é
posicionado ao contrário para fotografar o mesmo espaço visto pelo
olho-de-vidro. As lentes se alinharam, a fotografia seria idêntica à imagem
vista pela porta. O botão é ativado, um flash instantâneo é refletido,
novamente o sujeito pressiona o botão, com esta opção a foto seria revelada sem
a necessidade das outras. A foto sai imprimida, o primeiro entre os seis é revelado
pela fotografia da imagem em quatro centímetros por dois e meio de largura, de
modo que todo o ambiente externo parecesse estar vazio, a imagem era idêntica
ao local externo.
Conforme
a posição do sujeito ao lado da porta em proporção à visão pelo olho-de-vidro,
sua presença poderia ser facilmente identificada na hipótese do hóspede olhar
pela lente. Mas a fotografia realmente deixaria sua presença oculta ao exibir
uma imagem poucos centímetros à frente do normal. A pequena tesoura móvel foi
retirada do bolso, o anel em torno do olho-de-vidro da porta é arrancado pela
ponta da tesoura que foi desdobrada naquele momento. Em seguida o sujeito
recorta a fotografia para se alinhar à luneta, no bolso interno, ele pega o
pequeno presente dado pelo fotográfico na banca em um terminal antes de sua
chegada. Uma pequena lupa preta em forma de cone de quatro centímetros que
possuía uma lente cristalina côncava para a visualização das fotos. A lente
ampliava a imagem, talvez seria o mesmo modelo da porta. A tampa é retirada
para se colocar a pequena fotografia, a lente é recolocada, ele visualiza a
lupa, a imagem era perfeita.
No
mesmo bolso ele toma seu último objeto. Um pequeno bastão de cola plástica
comprada para a colagem da fotografia três por quatro no cartão de passaporte
inválido que havia comprado, agora seria usado para fixar a lupa em torno do
local do anel retirado. A cola é despejada sobre a borda da lupa, o objeto foi
pregado em torno da lente na porta, certamente o hospede não desconfiaria do
sujeito ao notar a imagem do espaço vazio que simplesmente tratava de uma
fotografia quatro por dois centímetros e meio na lupa.
Quando
tudo pronto, o sujeito finalmente resolve tocar a campanhia. O barulho
surpreende Aringarosa que distraído, não aguardava por visitas. Ele se
estranha, lentamente se movia em direção à porta,
_Quem será a esta hora? -
indagou.
Seus olhos se aproximavam atentos à
lente do olho-de-vidro. Do outro lado o indivíduo retirava sua pistola Medusa
que era polida por uma luva branca retirada no momento em que trabalhava com as
fotografias. Despreocupado, ele agora lustrava a pistola de modo sarcástico.
Aringarosa se estranha, não havia ninguém do outro lado, ele retorna os passos,
mas novamente a campanhia toca. Ele se assombra, não enxergava nenhuma pessoa.
O sujeito se posicionava em frente a lupa sem se preocupar em ser percebido,
talvez, se a cola falhasse, o hóspede conseguisse o avistar, porém a pequena
lupa-fotográfica estava sobre a lente e novamente Aringarosa não enxergava
ninguém.
Seu
nervo se avulsa, desorientado ele retira a primeira corrente prateada da
fechadura que sustentava a parte superior da porta, ele abre a porta petulante.
Quase que arrancando a maçaneta ele questiona em um tom de voz indignado:
_Mas
quem é o miserável que...
Antes
de terminar as palavras a arma lhe foi apontada sobre a face. Seu rosto pasmo
se congelou ao perceber a emboscada. Sua voz sussurrou desprendida:
_Remy
Legaludec? – gaguejou.
Finalmente
o criminoso havia se revelado ao bispo, os olhos arregalados foram induzidos
pela ponta do revolver que se suspendia em direção ao seu nariz achatado,
quebrado por uma punhalada na Espanha quando em uma de suas campanhas
missionárias. Remy Legaludec, autor dos disparos no cemitério du Père-Lachaise
e principal suspeito do crime era o misterioso cidadão que chegou ao seu
objetivo, sua intenção era unicamente se encontrar com o bispo, seu rosto
alongado e sombrio o dominava, dois passos à frente e o bispo se desajeitava
andando para trás a procura de um apoio.
_O
dinheiro bispo. Quero a fortuna imediatamente! – ordenou.
_Sinto muito Remy, mas não posso lhe pagar
agora.
_Sei
que falhou ao perder os códigos do criptéx de Saunière. Lhe paguei dois milhões
de dólares e o segredo foi perdido.
O
jogo parecia claro, Remy o falso secretário de Teabing, havia subornado o bispo
para conseguir o código. Certamente descobriu sobre o ponto onde se encontraria
o segredo quando usou seu disfarce na mansão de Teabing, um antigo historiador
religioso, um dos poucos que sabia sobre o monasteiro secreto, conhecidos por muitos
como, a última morada, morava próximo à Versailles em um residencial suntuoso.
_Ainda
não terminei minhas buscas, preciso de mais tempo. Acredite, providenciarei o
código antes da data.
_Não
acredito em fábulas Aringarosa. Afinal, sei que tem a chave do monasteiro
secreto.
A
pulsação do bispo se vulnerou, ele se estranhou com o palpite de Remy e de como
este conhecimento poderia ter chegado ao seu ouvido.
_Do
quê está falando Remy? - tentou disfarçar.
_Se
o dinheiro não pode ser pago, dê-me a chave. Não tenho tempo à perder.
A
chave de fato existia, uma peça redonda de poucos centímetros parecia um
escaravelho. Um círculo oval dourado possuía uma estufa moldurada na ponta para
o apoio das mãos. Um segundo círculo dourado fino em forma de anel, contornava
a peça oval. O anel fino se separava do núcleo por vários traços em forma de
triângulos e seguiam consecutivos. O preenchimento dos ferros criavam um
zigue-zague entre o núcleo e o anel, quase dois centímetros de separação.
Certamente a porta possuía uma espécie de anatomia conforme a estrutura dos
triângulos que por formalidade eram feitos desproporcionais um ao outro. A peça
redonda e dourada provavelmente estava com o bispo naquele momento.
_Não
possuo a chave. – estremeceu.
Um
disparo saiu rumo ao canto da parede da sala fazendo espalhar alguns fragmentos
da pintura, Aringarosa se rendeu, agora era intimidado pela fumaça que saia do
cano da pistola.
_Busque
a chave se não o matarei aqui mesmo.
_Tudo
bem. - gaguejou - O bispo se levantou e seguiu em direção ao quarto.
Remy
o seguia com a pistola apontada, sobre a cama do quarto havia uma pasta preta.
No interior da mala estava a chave, o bispo retira a peça e o entrega
estremecido, Remy permanecia ansioso, provavelmente na portaria havia se
acionado a polícia, em seguida o barulho da círene no carro de polícia soava
sobre a rua, o fato conciliou com o reflexo da sua indagação. Remy se aproxima
da janela para constatar a cilada. Sua mão ainda mirava sobre o bispo enquanto
lentamente ele movia a cortina de seda para conferir os carros da viatura sobre
o asfalto em frente à entrada do hotel.
_Vamos.
- tomou a peça de suas mãos em frações de segundos e colocou-a no bolso.
No
mesmo instante Remy o toma pelos braços para o fazer refém. Sobre a mira do
cano da pistola, Aringarosa permanecia quieto e sem palavras, suas mãos estavam
livres, porém usava tão-somente uma toalha branca de lã sobre a cintura. Ambos
descem à portaria pelo elevador, no saguão principal, os policiais se
posicionavam esquematicamente para vasculhar os quartos, o garçom que havia
sido enganado estava sem entender o ocorrido, foi tapeado sorrateiramente com
uma cópia de chave. Os para-médicos acabavam de sair do local com a vítima em
côma. O funcionário ferido que foi baleado por Remy era posto sobre a maca com
toda assistência, a área é evacuada em poucos minutos. Quase no mesmo instante,
pouco tempo depois da retirada do socorro. Remy surge repentino, petulânte e
cruel, seus olhos latentes e ameaçadores encaravam os policiais que se
posicionavam pelas extremidades do salão. Seu traje alve-negro dava-lhe um
caráter sombrio e asqueroso, sua pequena pistola Medusa sobre o cenho do bispo
impedia qualquer reação contrária. Os agentes se alarmaram com a chegada
inesperada do criminoso, todas as armas dos sete policiais que incluíam o
capitão Bezu Fache e o tenente Collet foram apontadas repentinas contra Remy.
_Ninguém
se mova se não ele morre. - exigiu Remy.
Aos
poucos o criminoso ia andando em direção a porta de saída. Seus passos eram
minuciosos, sua atenção era recobrada, qualquer cilada lhe faria popular nas
camadas criminais. Antes de sair o tenente interprete do grupo, que foi
acionado após certificarem de que o criminoso falava inglês, ameaça
_Não
conseguirá fugir, todas as viaturas estão posicionadas à sua espera.
_Exijo
um carro particular para sair, caso contrário, este homem não sobreviverá –
ameaçou.
Um
detetive disfarçado a beira da porta de entrada, não possuía farda. De estatura
baixa, usava um colete de couro marrom e uma blusa de ceda social listrada,
também conversava em inglês, estava junto à outros três agentes policiai.
Segurando sua arma contra o criminoso, instintivamente propõe:
_Eu
tenho o carro, mas preciso que solte o refém. - estendeu as chaves da mesma
forma que segurava o gatilho da pistola.
Remy
não poderia confiar em sair sem a companhia de algum refém, Aringarosa já
parecia impróprio para ser o piloto do carro. Aquela atitude foi decisiva para
o criminoso que percebeu a pessoa ideal para ser o seu novo refém. Aquele
interprete de cavanhaque, nativo e popular certamente seria mais valorizado
entre os policiais do que o bispo que, à vista dos agentes, seria um simples
hóspede afamado. Remy o encarou interessado na proposta, imediatamente ele
retira a toalha branca de lã do bispo, todos se surpreendem. De modo
desajeitado o bispo se atropeça, os hópedes que presenciavam a cena ficaram
espantados, muitos curiosos gozavam do homem nú ao mesmo tempo que temiam o
ocorrido. Aringarosa se tampa com as mãos, a toalha voa em direção a arma do
detetive. O impacto fez com que o detetive perdesse a concentração ao mesmo
tempo em que se atrapalhava com a mira da arma. Em fração de segundos Remy
lança um chute cruzado em um giro de 360 graus e lança a arma do detetive ao
chão, antes que os outros policiais conseguisse reagir, Remy toma o detetive
como refém.
_Quieto,
você será o piloto. - sussurrou em seu ouvido ao pegá-lo pelo pescoço
apontando-lhe a pistola.
A
atitude intimidou todos os policiais presentes. O detetive era um dos poucos
agentes que faziam a proteção da porta de saída. O criminoso andava passos
lentos.
_Afastem,
se não atiro. - ameaçou os dois policiais que obstruíam a porta.
Os
policiais se afastaram, do lado de fora Remy finalmente consegue escapar rumo
ao terminal usando o detetive como refém. Fache ordenava as buscas pelo rádio,
quando se aproximou do bispo Aringarosa assentado em um dos divãs do hotel,
auxiliado por um dos garçons que lhe oferecia um copo d’água.
_Capitão
Fache? – seu anel de ametista com uma gravação de uma mitra eclesiástica
recebida pelo próprio capitão Fache após o atentado, ainda estava exposto sobre
seu dedo menor, acompanhado de seu outro anel episcopal de ouro quatorze
quilates com ametista roxa e alguns brilhantes confeccionados à mão de uma
mitra e um báculo clerical. – Como econtrou-me? – perguntou em seguida após
tomar um gole d’água.
_Fomos
acionados por um dos motoristas do metrô na estação Battistini sobre o
criminoso. Enviamos algumas fotografias de Remy Legaludec, afim de encontra-lo
por aqui.
_Tranqüilize-se
estará seguro. – consolou Collet ao realizar a comunicação pelo rádio.
CAPÍTULO
10
No
Salon Carré do museu do Louvre, a dupla de investigadores ainda permanecia
atônitos ao contemplarem o quadro de Michelangelo encontrado após decifrarem as
pistas. Ornado por uma moldura de ferro engastado, o quadro era talvez a única
cópia presente entre os afrescos do teto da capela em Roma que faziam as
feituras das tapeçarias com cenas baseadas no gênese bíblico. O local de muitas
obras de Michelangelo, inclusive 'A criação do homem', é a lendária Capela
Sistina dependência do Palácio do Vaticano em Roma que reúne obras magistrais
da pintura do Renascimento e do patrimônio artístico da humanidade e uma cópia
do quadro no museu do Louvre fazia toda descrição da obra.
O
quadro exibia um primeiro homem de cabelos curtos, rosto liso e pele clara,
apoiado sobre um tipo de relevo forrado por um gramado verde-úmido,
apresentava-se totalmente nú. Sua projeção corporal demonstrava uma pessoa
jovem e robusta. Do outro lado, um homem apoiado sobre uma grande nuvem pintada
em tom carmesim, em cujo o espaço, se dividiam outros personagens de sexos diferentes
e de aparência jovem, permaneciam unidos como que conduzidos pela grande nuvem
ou manto vermelho. O segundo homem possuia uma barba grisalha em tom cinza
escuro, usava um vestido rosa claro esvoaçante e era sustentado pelos braços do
restante dos personagens.
_Para
mim isto não passa de uma analogia à criação do homem. - comentou o capitão
conforme sua interpretação direta - O primeiro personagem, do lado esquerdo,
representa o homem, o segundo personagem, envolvido pelos anjos apoiados sobre
a nuvem, obviamente, representa Deus. As mãos foram pintadas em detalhes
especiais, como se fossem o principal segredo da pintura, parecem ser
condutores de eletricidade. Remete-nos à referencia bíblica, definitivamente
não consigo encontrar outro argumento, mas vejo o relacionamento do homem e o
milagre de dar e receber.
Langdon
acrescenta:
_Assim
como outras obras renascentistas, o tema presente é a questão religiosa, bem
como o ideal humanista e o conhecimento científico. A pintura é feita em
contrastes de cores raras, sugerindo uma textura típica. O jogo de contrastes
também é responsável pela sugestão de volume dos corpos, permite destacar na
obra os elementos mais importantes da arte e obscurecem os elementos
secundários. As principais pinturas representam as linhas verticais,
horizontais e diagonais sido copiadas da realidade humana, assumindo
verdadeiramente, as características do período.
A
Criação de Adão é um afresco de 280 centímetros de altura por 570 de largura,
pintado por Michelangelo Buonarroti por volta de 1511. Está exposto no teto da
Capela Sistina ao lado de outras cenas concebidas na época do Renascimento. Por
essas enigmáticas coincidências em que a vida imita a arte, um dos maiores
representantes da arte italiana é exatamente um auxiliar de Michelangelo. O
talentoso artista, ficou mais conhecido como Caravaggio, nome da aldeia de onde
a sua família era originária. Mestre das luzes e também talentoso com as formas
como o seu hormônimo, Caravaggio expunha em suas telas uma agônia de existir e
uma turbulência capaz de gerar obras de arte simples. Nessa ótica, Michelangelo
e Caravaggio levaram o fluído dos seus trabalhos, sejam esculturas ou pinturas,
à transcendência.
O
estudo do corpo e do caráter humano são características da época. Deus é
representado como um ancião barbudo envolvido por um manto dividindo-o com
alguns anjos. Seu braço esquerdo está abraçado à uma figura feminina. O braço
direito de Deus está esticado para criar uma relação de vida com o seu próprio
dedo estendido ao homem, o qual está com o braço esquerdo estendido em
contraposição ao do criador. Ambos os dedos estão separados por uma pequena
distância.
_Existem
várias teorias sobre o significado da composição original de 'A Criação de
Adão', levantadas principalmente por causa do amplo conhecimento que
Michelangelo possuía em Anatomia. – Langdon prossegue - Abordada por vários
autores em muitas teses ideológicas e uma das obras mais famosas de
Michelangelo, o quadro recebe destaque pelo conjunto de fatores que se
apresenta. Evidência o volume delineando dos músculos com arte no traçado das
linhas e com o uso da perspectiva sacramental. A técnica renascentista cujos
artistas conseguiam reproduzir os espaços reais sobre uma superfície plana,
dando a noção de profundidade e de volume foi também muito usada por outros artistas
empenhados na ornamentação geral.
Ambos
seguem em direção ao quadro mais interessados em verificar os pormenores.
_Realmente, as duas mãos que se esforçam em se
encontrarem, em atitudes férteis de poder incomensurável e aceitação
suspeitosa, demonstram uma dignidade única. O estudo do corpo e do caráter
humano eram características do século XVI. Perceba que se compararmos as
questões contemporâneas do estudo humano, - Langdon gira a luz em torno da
imagem do homem - veremos que, ao traçar o corpo, Michelangelo conseguiu
refletir seu conhecimento sobre anatomia de modo bastante sintético. Mas tenho
que confessar que existe um outro enigma por trás desta misteriosa obra, uma
interpretação indireta, pouco conhecida entre muitos simbolistas.
O
capitão embora houvesse sido informado pelo professor à respeito da relação
mediana na península turca ainda pensava ter o conhecimento de alguma mensagem
oculta no quadro. Procurando absorver seus pensamentos quanto as lembranças das
interpretações científicas com base ao seu conhecimento geral o capitão arrisca
um palpite:
_Certa
vez li um jornal que recebi de uma encomenda domiciliar. O assunto principal
relatava algumas curiosidades sobre as dimensões paralelas dos mais famosos quadros
artísticos do século XVI. Em 1990, um
médico chamado Frank Lynn Mesberger, neste artigo que li do 'Journal of the
American Medical Association', afirmava que a figura em que Deus está apoiado
sobre a nuvem tem o formato anatômico de um cérebro, incluindo a simetria
frontal, nervo ótico, glândula plasmática e o cerebelo. - disse ao mirar a luz
da lanterna sobre a imagem ao lado direito onde se posicionava Deus.
O
professor demonstrou que sabia do assunto:
_Estudei
sobre essa interpretação em uma aula particular na universidade de Harvad. O
ensino é conhecido como o módulo A.A.A. a sigla abreviada significa Anthropology
Analytic Artistic, o estudo é bastante eficaz no âmbito analítico. Observe
que o manto vermelho de Deus tem o formato de um útero, e que o véu verde que
sai de seu ventre pode ser provavelmente o cordão umbilical um tipo de bulbo.
Todavia, esta ainda não é a interpretação secundária.
Os
investigadores ainda permaneciam alguns centímetros de distância do quadro
antes de uma interseção feita com algumas fitas de náilon. As fitas eram separadas por placas de vidro de sessenta
centímetros de altura sobre o apoio de suportes prateados que faziam a
separação consecutiva à cada metro de largura das placas de vidro. A proteção
era necessária contra o toque de visitantes aos quadros expostos. Embora a luz
escassa no interior do salão conseguisse iluminar boa parte das obras, as
lanternas ainda eram bastante necessárias para melhor a visualização dos
detalhes.
Naquele mesmo instante alguém parecia
surgir, talvez fosse Grouard, o segurança. Um pequeno feixe de luz de uma
lanterna se aproximava lentamente da entrada pelo corredor de acesso ao
primeiro salão, alguns toques repartidos no assoalho aumentavam
substancialmente. O som tornou-se nítido, os toques vinham de um calçado
feminino, Langdon tenta emoldurar a imagem indescritível que vinha da penumbra
entre o corredor e o salão adjacente. A pessoa surge inesperadamente, os
investigadores olham de relance curiosos em saber quem seria. Finalmente, após
a identificação daquela inesperada visita, a dupla parecia se contentar mais
aliviados com sua presença. Uma pessoa também investigadora, versátil e
perspicaz não poderia ser motivo de inconveniência. Um sorriso discreto se
soltou de sua boca que mostrava o brilho prestigioso da cor esclarecida de um suave
batom, uma mulher ainda jovial, apesar de seus, aproximadamente, trinta anos se
protegia das luzes refletidas pelas lanternas. Seu cabelo liso-crespo exprimia
ainda mais a bela feição de seu rosto, sua lanterna elétrica foi um recurso
auxiliar próprio para a investigação. Seu suéter verde-musgo de manga longa com
detalhes preto, em um conjunto social de roupa escura, acrescentava-lhe ainda
mais o caráter executivo. Langdon a observa espantado ao mesmo tempo em que se
contenta:
_Sophie?
_Parece
que eu não sou a única que está em busca de uma promoção no departamento. -
comentou ao observar Fache - Pelo visto o capitão também se empenha em
desvendar o mistério do Louvre? - disse ao mirar a luz sobre o rosto que
tentava se desviar com a mão.
_Agente
Neveu?
Após
dizer as palavras em tom amistoso e sem demonstrar alguma aversão à Fache, a
agente se aproxima lentamente em direção à dupla.
_Resolvi
segui-lo após receber do tenente o mandato de intimação ao professor Langdon.
Fui ao hotel Ritz aonde consegui a informação de que Langdon acabara de partir
rumo ao museu do Louvre. Na portaria interna, me infiltrei após apresentar
minhas credenciais e finalmente fui direcionada por um segurança sobre sua
localidade.
_Temos
uma nova pista, - replicou Langdon - o capitão Fache mostrou-me uma nova
mensagem de Saunière antes de seu falecimento. Um outro anagrama que estava
escrito no assoalho da galeria seguido pelo restante da mensagem anterior. Um
anagrama idêntico e muito surpreendente, talvez este seja um dos motivos pelo
qual fomos impedidos de encontrar o paradeiro real, o lugar secreto ou alguma
nova pista relacionada ao Graal.
Sophie
encarou Fache apática:
_Por
que razão não me comunicou sobre esta outra mensagem?
_Pelo
visto, a senhorita Neveu já conseguiu perceber minha intenção em ganhar uma
promoção no departamento. - disse de modo sarcástico - como se não bastasse,
lhe comuniquei apenas sobre a frase que dizia para que procurassem o professor
Langdon. Porém havia conservado o restante em minhas próprias mãos.
Ao
todo, o capitão havia apagado três frases das cinco, enviou somente uma frase à
agente Neveu que a revelou ao professor Langdon, este por fim, havia sido
informado apenas das duas primeiras frases. A primeira frase revelada entre as
três apagadas pelo capitão era uma simples ordem de Saunière para procurarem
Langdon, no entanto, o restante revelava enigmas extraordinários. No momento
das investigações Fache tentou se responsabilizar das mensagens escritas no
assoalho, mas a agente teve maior vantagem ao atrair a atenção de Langdon, um excelente
professor de criptografia, ambos conseguiram importantes pistas ao desvendarem
os enigmas. No decorrer das investigações conseguiram a própria chave do cofre
de Saunière, e pareciam mais próximos à finalizar o enigma do que o capitão
Fache. Porém agora algo parecia mudar o percurso do crime. Um novo mistério
estava para ser desvendado e um novo destino seria traçado pelo grupo.
_Bom, o assunto seria uma ótima matéria para o
documentário em uma entrevista na B.B.C. international. Não é nenhum
tipo de promoção como no departamento de polícia, mas com isto conseguiria
enrijecer meu currículo investigativo trazendo-me eventuais contratações
profissionais. Confesso que sinto-me honrado ao participar da investigação,
ainda mais quando se trata da busca pelo santo Graal, uma das principais
polêmicas da igreja medieval.
Ambos
pareciam gozar daquelas palavras do professor.
_Estas
investigações sempre nos trazem valiosas recompensas Langdon e como um documentarista,
podemos exercer influência superior no âmbito publicitário. - comentou Sophie.
_Tenho que advertir sobre a procura pelo
santo Graal. A busca sempre resultou em investigações intermitentes, poucos
conseguem êxito ao encontrarem o paradeiro real. A minha intenção também está
ligada à preservação do segredo. Uma vez conhecedores do mistério, jamais
poderemos revelá-lo à mídia, à outrem. Porém tenho que admitir que o Graal
trata-se de uma grande força de influência cósmica capaz de reunir os
principais conselheiros da igreja e os seus respectivos adeptos em uma única
esfera.
_Afinal,
qual é a mensagem? - perguntou Sophie.
_O,
lame chieng! Magdona Moessina! - respondeu Langdon.
Shophie
franziu o cenho estranhamente pasmada com a frase. A similaridade entre as
frases era quase incontestável, aquilo não poderia ser uma simples
meticulosidade de Fache, e cada vez mais a agente se sentia atraída pelo que
ouvia. Bastava apenas saber se o sentido incógnito faria algum sentindo em
proporção às pistas do Graal.
_Esta
frase é bastante similar à outra. O, Draconian devil! Oh, lame saint! - se recordou Sophie - o termo lame nas
duas mensagens foi usado com prioridade por Saunière, talvez isto possa ter
algum sentido direto.
_Não
tenha dúvidas, a frase Magdona Moessina possuí uma etimologia muito
singular, o significado dos dois termos pode se referir à uma dignidade
pontífica da antiga Mésia, região costeira de Constantinopla, uma autoridade de
uma ou outra parte, antepassada ou atual, clériga ou política. Estas
possibilidades podem ser devidamente aceitas, a singularidade é muito inerente,
visto que, entre ambas as regiões existe um ponto de entroncamento que sapara
as duas principais esferas políticas entre o Mar Negro ao norte e o Mar Eugeu
ao sul. Mas Magdona em referência à Moessina também pode fazer
alusão à própria região no estreito da antiga Thrácia, atualmente conhecida
como o estreito de Istambul. Esta possibilidade pode ser aceita sem
necessariamente insinuarmos a localidade, a região engloba as duas esferas,
neste caso nos referimos à geografia do bósforo. A denominação matrimonial da
região vária entre muitos aspectos. Posso citar, por exemplo, algumas antigas
civilizações congênitas estabelecidas na região dos lagos, no litoral pelo lado
oriental, constituíram pequenas repartições distintas às culturas turcas, o que
também contribui com a variação da denominação no bósforo. A geopolítica atual
define os habitantes como oriundos da antiga península da Criméia. Por estes
povos a região era comumente aceita como o estreito de Kerch. A denominação,
segundo a linguagem vulgar e a definição geopolítica, transporta-se geralmente
para, o Bósforo de Criméia ou Cimeriano, com maior aceitação pelo lado
ocidental. Todavia, esta é a provável área evidenciada pelo anagrama, o bósforo
de Istambu, como é conhecido pelos demagogos. Tenho que frisar a observação de
um caráter relativamente pejorativo, tendo em visto o termo Moessina que
possui uma linguagem diminutiva, aumentando ainda as chances com intenções
repreensivas.
_Algumas vezes encontrava esta linguagem
no vocabulário bíblico, e o sentido de fato constitui a intenção repreensiva à
respectiva civilização antecedida geralmente por um pronome de tratamento. –
disse Sophie.
_Muitos enigmas são geralmente
elaborados a fim de facilitar a interpretação das palavras. O, Draconian
devil, Oh, lame saint, escritas na primeira mensagem por exemplo, nos
remete à uma certa condição direta da palavra quando decifrarmos o anagrama. A
consideração pode ser observada até mesmo antes da interpretação. Prova disso
foi a primeira tentativa em desvendar as duas primeiras frases do anagrama na
investigação anterior, tive de fato à impressão de estar envolvido com
registros da idade medieval ao constatar as palavras Draconian devil, e a
elaboração das palavras culminou com a confirmação do quadro da Mona Lisa,
definitivamente confirmado pelos termos lame saint. Embora Sophie
houvesse observado a presença de um anagrama entre as palavras desfechando com
o enigma que nos remetia à tais suposições, ainda assim conseguia identificar
muitas pistas referentes à Mona lisa.
Para
aumentar a confusão quanto as denominações também se chamava uma área perto do
estreito pelo nome de Chersonesus Trácio, conhecido nos dia de hoje como
Gallipoli, talvez um pequeno porto do lado ocidental e o Chersonesus Cimeriano,
que corresponde à península da Crimeia, em contraposição pelo lado oriental.
Dada a importância do estreito na defesa de Istambul, os sultões otomanos
construíram uma fortificação em cada lado dele, os nomes Anadoluhisari em 1393
e Rumelihisari em 1451 foram provavelmente modificados, mas provavelmente o
antigo nome do porto de Gallipoli ainda permanece intacto pelo lado ocidental.
A importância estratégica do ponto ainda continua alta, diversos tratados
internacionais mantêm navios na área, incluindo a Convenção de Montreux para o
Regime dos estreitos turcos, assinada em 1936.
Existem
registros históricos que confirmam as inúmeras batalhas navais travas no
estreito deste bósforo, geralmente entre cristãos e turcos. Uma das batalhas
mais importantes foi disputada entre os gregos e os otomanos. Algumas batalhas houve
também em que o bósforo foi aproveitado para ataques cruzados na idade média
contra os árabes e também dos bizantinos contra supostos otomanos.
_Este habito realmente é uma alcunha de
Saunière. - comentou Fache ao apagar a lanterna - O termo lame é usado
nas duas mensagens tal como a expressão Oh. Este termo me parece ser
algo ambíguo, que pode fomentar certa relação contrária ao elogio, à vanglória
e ironia ou talvez uma exaltação ao substantivo presente. Mas realmente estou
surpreso com a junção das letras criadas por Saunière para forma os anagramas.
_Afinal,
qual é o sentido secreto do anagrama? - perguntou Sophie curiosamente.
_Moisés
a god man. É o sentido da primeira frase, que à principio, não nos revelava
a obra à ser abordada. Mas quando deciframos a segunda frase, cujo sentido
dizia sobre o ilustre autor Michelangelo, tive a imediata lembrança à respeito
da segunda interpretação de uma das principais obras do artista, 'A criação do
homem'.
_Incrível.
- a agente se surpreendeu - E como é esta interpretação? - perguntou em
seguida.
O
capitão já permanecia em estado de agonia ao mover seu rosto atento à obra para
saber sobre a interpretação indireta do professor Langdon.
_A
surpresa maior ainda pode estar vendada. - o professor fazia um certo suspense
- Como disse, existe uma outra interpretação através do sentido direto dada por
muito eruditos analíticos. É concebível de que a parte entre os dedos opostos
possa emitir significados transgênicos. Ao conciliarmos o primeiro sentido do
anagrama com o segundo sentido da mensagem oculta, o qual nos arremeteu à
identificação do quadro, chego a irredutível conclusão que proponho. - Langdon
mirou a luz da lanterna sobre o ponto de circunferência entre os dedos
reforçando a escassa luz emitida ao quadro pelos plafons internos - Observando
os dedos indicadores quase unidos enxergamos a firme analogia dada pelo ponto
de interjeição entre a antiga Mésia, atual Turquia. Separada pelo bósforo de
Istambul e separada por duas regiões distintas como a antiga Thrácia e a antiga
Nicéia pelo lado oriental, a região foi cenário de muitas passagens políticas,
cívis e bélicas como as cruzadas. Os quatros dedos restantes das duas mãos
representam as quatro maiores potências do século I. A França, Inglaterra,
Alemanha e Itália pelo lado ocidente e Turquia, Iraque, Irã e Israel pelo lado
oriente.
_As
leis escrita na bíblia segundo a doutrina de Moisés, foram expandidas pelo lado
oriental ganhando muitos lideres adeptos que se basearam nos costume fazendo
surgir outras religiões similares. Devido a doutrina escassa dos povos
primitivos muitos chegaram ao ponto de exaltá-lo como um tipo de deus, por isto
a interpretação geralmente possui este título. Mas a evolução doutrinária levou
vários embarcadores a expandir a mensagem para o lado ocidental. Este período
ficou marcado por muitos conflitos, tal símbolo é a transmissão dada pela mão
direita. No lado ocidente não foi diferente, muitos já tinham o costume de
honrar os heróis como deuses, mas o regramento foi eficiente ao trazer as
revoluções pragmáticas, porém, a aceitação da doutrina seria estabelecida apenas
no século IV, com o decreto de Constantino I. Após disciplinar muitas
civilizações, a doutrina atingia seu auge. O homem nú como demonstra o quadro
já não parecia primitivo quanto as regras morais. Os eruditos foram mais além,
muitos afirmavam que pelo lado ocidente existia um tipo de doutrina diferente,
uma ideologia também disciplinar e eficaz a ser expandida. Esta transmissão se
cumpriu, e Egito e Israel também foram anexados ao poderoso domínio de Roma,
contudo, um tratado que estava à ser firmado à todo o oriente não entrou em
vigor. Como no concílio de Nicéia, para a adesão das leis religiosas, o império
bizantino planejava um concílio para adesão do poder ocidental. Os registros de
relatos históricos à respeito deste domínio nunca foram encontrados, isto
explica porque somente algumas partes do oriente sofreram com o poder de Roma.
Finalmente, nos dias atuais temos o equilíbrio entre os dois hemisférios e o
reconhecimento de muitas nações ancestrais em todo o globo atual, que segundo
estes eruditos, trata-se dessa relação polícia representada de modo metafórico
no quadro.
_Interessante
professor, - o capitão elogiou de modo rude - mas temos pouco tempo para
concluir a investigação, anotarei as premissas em minha agenda.
Apesar
de sua real sinceridade, o capitão se moveu em direção ao quadro saltando a
placa de vidro que cercava os quadros contra a aproximação dos visitantes
demonstrando certo desinteresse ao assunto. O capitão se vira contra Sophie e
ordena:
_Quero
que desligue as luzes dos refletores nesta parede pelo painel de força
eletrônica instalado antes da entrada do salão pelo corredor de acesso a
direita. - apontou ao caminho à ser percorrido - As luzes deveram estar
totalmente apagadas como no modo anterior.
O
segurança havia permitido que os investigadores acessassem o painel ao
destravá-lo. Em seguida o professor Langdon realiza o mesmo procedimento. Após
apagar as luzes daquela parede, a agente Neveu o acompanha saltando de modo
desajeitado. Com a lanterna de luz negra acesa o capitão averiguava primeiro o
vidro do quadro movendo lentamente sua mão de um lado ao outro. A ordem do
segurança era para que não saltassem os locais que não fizessem parte da
investigação.
_Interroguei
Grouard, o segurança do museu, e fui informado sobre os vestígios de sangue no
corredor antes da entrada ao Salon Carré. - dizia enquanto movia a lanterna -
Embora eu tivesse realizado a vistoria pelas paredes do corredor próximo aos
vestígios com o uso do mesmo aparelho de luz negra e inclusive na sala onde se
encontra o quadro da Madonna of Rocks, nunca poderia imaginava que Saunière
houvesse deixado alguma mensagem neste salão. - comentou o capitão.
_E
você conseguiu encontrar alguma outra mensagem? - perguntou Sophie.
_Infelizmente
não, em nenhum destes locais.
_Realmente
você foi induzido pelos vestígios de sangue, porém ao decifrarmos a primeira
mensagem, eu e o professor fomos orientados ao local exato onde se encontra o
quadro da Mona Lisa, neste local também encontramos um outro anagrama na
parede.
O
capitão se ergue devagar curioso para observá-la após analisar a superfície
inferior do vidro sem nenhum registro.
_E
o que estava escrito? - perguntou atento.
_So dark the con of man. O
sentido secreto é ‘Madonna of Rocks’, nos destinou ao quadro de Da Vinci onde
encontramos a chave do cofre de Saunière.
_Então
a mensagem pode estar provavelmente na parede ao lado.
O
capitão iniciou uma nova procura pelo lado esquerdo. Movendo a lanterna
devagar, em alguns centímetros afastados do quadro, sua mão passava cuidadosa,
algo parecia evidenciar o comentário da agente Neveu. Em frações de segundos
uma surpreendente mensagem foi se revelando. Uma ortografia fluorescente
incandecida, mostrava as letras que o curador havia deixado, um tom
rubro-violeta, aparentemente roxo, formavam as palavras pelo reflexo do
aparelho. O brilho das letras produzido pela luz-negra foram se destacando aos
poucos, Langdon permanecia pulsante, seus olhos perplexos não se desviavam da
frase.
_Incrível!
- a agente pasmou curiosa e se aproximou ainda mais das letras para analisar a
mensagem.
A
frase formava uma seqüência de três orações simultâneas, uma seguida pela outra
em forma de escala, não parecia ser um novo anagrama e cada período da frase se
ordenava de acordo com o propósito.
I'm a epic history, I'm going against
the title, I'm going beyond from the last point.
Eu sou uma
história épica, eu vou contra o título, eu vou além do ponto final.
_Esta
frase de fato é muito misteriosa. - comentou o capitão - Trata-se de uma metáfora
arcaica, cujo adjetivo do personagem narrador não se aperfeiçoa ao adjetivo de
uma pessoa simples. Isto reflete a imagem de um ser de competência peculiar,
não tenho dúvidas, mas se o professor preferir, pode começar a elaborar as
letras. - lhe transferiu o aparelho de luz-negra descartando a possibilidade em
tratar-se de um novo anagrama.
Langdon
analisava atento concordando com o capitão.
_Finalmente
o sentido direto da frase. A região que o professor nos detalhou em relação ao
quadro se enquadra perfeitamente nesta mensagem. De acordo com o que foi dito,
o personagem pode se referir à uma entidade partidária, política ou religiosa.
Ou talvez Saunière tivesse tratado de si mesmo. Não é de se estranhar que uma pessoa
como o curador quisesse se manifestar com intimas filosofias antes de sua
morte, encontramos registros de sua relação com o Priorado e a confirmação de
sua categoria como Grão-Mestre, mas nada ainda pode ser elucidado. - comentou
Sophie.
_Eu
prefiro pensar que o falecido procurou se expor de modo a revelar sua
verdadeira moral quanto à sua morte medíocre. Uma inspiração momentânea que lhe
surgiu de sua penosa resistência em sobreviver ao disparo. Imagino que sua vaga
angústia quanto a ausente razão do crime tivesse o levado à uma suposta culpa
de irresponsabilidade.
No
mesmo instante Sophie fotografava o local onde estava escrito a mensagem,
alguns flash's saiam disparados contra a parede. O capitão registrava a frase
em suas anotações. A mensagem não era muito relevante à Fache que procurava por
pistas mais precisas quanto ao paradeiro do criminoso. Para a agente Neveu isto
significava uma nova pista rumo ao caminho do santo Graal. Mas para todos,
tratava-se de uma frase sistemática e assustadora, um privilégio, uma simples
passagem para o fim da investigação e mais uma complexa descrição do então
enigmático Sauniére.
_O
assunto está muito bom, mas tenho que partir, estou atrasado, tenho que
terminar um relatório para a próxima audiência. Muito obrigado Mounseiur Langdon.
- o estendeu as mãos satisfeito com as pistas encontradas.
Ele se despede da agente Neveu e em
seguida salta a placa de vidro.
_Capitão!
- chamou Langdon.
Fache
que já iniciava os passos de partida à saída principal do salão se vira
inesperado em direção ao professor. Seus olhos observaram distraídos ao alvo,
Langdon parecia segurar algum objeto, o capitão não imaginava, ele finalmente
focaliza a peça espantado.
_A
chave do cofre de Saunière! - relembrou Langdon ao estender o braço segurando-a
com as pontas do dedo.
A
investigação havia o deixado bastante impactado, o capitão quase se esqueceu de
que seu encontro com Langdon seria recuperar a chave e entregá-la ao tenente. O
professor segurava a chave dourada que brilhava com os reflexos da iluminação
restante no salão.
_Ah
sim, obrigado. - Fache retornou os passos em direção à Langdon.
Em
seguida ele estende a mão para pegar o objeto, seu braço movia lentamente em
direção à chave. Poucos centímetros para pegá-la e Sophie o interrompe no mesmo
instante. Um salto inesperado e um ágil movimento com as mãos conseguiu tomar a
chave da mão do professor.
_Langdon!
- exclamou estranhamente - A chave nos levará à eventuais pistas no cofre de
Saunière.
Fache
pegou sua carteira de couro preto e lhe apresentou o distintivo da polícia.
_Devolva
a chave Sophie, este objeto está sob minha jurisdição. - disse ao mover os
dedos sinalizando o pedido.
O
instintivo da polícia sempre é entregado aos agentes incumbidos em alguma
suposta missão antes da saída. Embora as credenciais concedesse a liberalidade
de entrada ao museu, privilégios cívicos, detenção, aplicações de multas e
defesa moral. O instintivo, todavia, era somente usado em casos especiais como
em investigações, intimações e apreensões concedidas pelo tenente. Sophie
entendeu e o devolveu a chave um pouco frustrada.
O
capitão colocou a chave no bolso interno do palitó, guardou sua carteira e
despediu em seguida:
_Nos
veremos em breve. - saiu pela porta central.
Ambos
se viram contra o quadro, o aparelho estava sobre a mão de Langdon.
_Pegue.
Passe a luz enquanto eu anoto. - ordenou à Sophie para que passasse novamente a
luz.
Enquanto
a agente novamente emitia a luz-negra sobre as letras o professor comenta:
_Se
esta mensagem de fato faz referência a mesma região do quadro, chego a
conclusão de que o santo Graal possa estar sob a custódia de alguma entidade
autêntica no estreito de Constantinópla.
Langdon
rapidamente anota a frase, a agente já havia desligado sua câmera fotográfica
que estava suspendida sobre seu pescoço por uma corda de fibra apropriada, o
número de fotografias era suficiente para encerrar a investigação. O professor
agradece, o aparelho é desligado, ambos saem pela saída no corredor interno
onde ao lado deveriam novamente reativar a luz na força-elétrica que clareava o
quadro exposto na parede marcada. Na cabine interna dos seguranças, Grouard
armazenava o aparelho e foi devidamente ordenado para apagar a mensagem.
_Tem
certeza de que não foi encontrado nenhum outro vestígio no dia do crime? -
perguntou Sophie.
_Definitivamente
não senhorita. - o segurança parecia receoso, não ousou observá-la, respondeu
com certa ignorância em tom de vóz aguda, próprio de sua fala enquanto movia os
objetos.
_Deveria
ter sido preso por ter deixado o criminoso entrar.
Grouard
que já suspeitava de sua intenção em tocar no assunto retruca:
_Pior
seria a pena para alguém como você, que tentou destruir a Madona das Rochas. -
disse o segurança se recordando perfeitamente da agente em uma das salas do
museu no dia do crime.
No
dia do crime, através da bruma avermelhada do quadro da Madona das Rochas
Sophie intentava destruir a tela com o joelho, se caso o segurança não
permitisse a fulga. O segurança vendo que a agente havia erguido a enorme
pintura, de um metro e cinquenta ao tamanho da tela, retirando-a dos cabos de
sustentação e do alarme de ativação e apoiando-a no chão diante de si, não teve
outra escolha, permitiu a fulga dos investigadores.
CAPÍTULO
11
Na
manhã seguinte, Sophie se apressava entre os corredores do departamento
judiciário. Seguia à seu escritório em passos avulsos. No primeiro corredor os
telefones já soavam em tons intermitentes, algumas vozes surgiam pelas cabines.
A agente portava algumas pastas em suas mãos, sua pressa fez com que um de seus
agentes de serviço não recebesse a saudação do dia. Sua reação não era nada
comum, algo em sua mente estava para ser realizado, uma idéia relacionada à
alguma solicitação. Um documento bancário foi imediatamente impresso, o arquivo
estava armazenado em um dos documentos digitais no computador, tratava-se de um
pequeno atestado da conta financeira de Saunière no banco de custódia de
Zurique. A folha sai pela abertura da impressora, algumas referências seriam
essenciais para que a agente conseguisse desenvolver a sua investigação quanto
ao crime.
A
solicitação teria sido preservada durante os últimos dois dias, o documento
seria uma espécie de 'carta guardada' na manga de Sophie. A emissão da folha
foi feita diretamente pela diretoria central do banco de custódia. Seu
remetente visivelmente expresso sobre o cabeçalho, confirmava a ação
indispensável do sub-secretário do diretor geral André Vernet, pessoa à quem
foi encaminhado o pedido. Embora a promotoria possuísse os termos da transição
bancária do testamento hereditário para o legítimo sucessor pendente, a permissão
para investigações aparte diretamente ao cofre interno, pôde ser resolutamente
outorgada pelo diretor. Um carimbo de autentificação selado em uma carta
distinta dos papeis testamentais, concedia a deliberação do acesso ao cofre sob
responsabilidade da agente.
A
folha impressa foi pega e posta em uma das pastas de serviço, a agente sai da
sala rapidamente em direção à uma sala específica à poucos passos de distancia.
Uma autorização foi dada pelo correspondente de serviço secreto em um setor
próximo ao escritório de Sophie. Novamente apressada, seguiu em direção ao
gabinete do tenente Collet, sua última tentativa em conseguir alguma pista pelo
cofre de Saunière, agora dependia da confirmação do tenente. A chave não teria
sido entregue pelo capitão que a recusou em prol do serviço de proteção à posse
alheia, o tempo era curto, alguma pista poderia haver no cofre, a última visita
ao banco não foi nada peculiar, a perseguição da polícia contra os investigadores
acusados do crime teria culminado com uma rápida inspeção ao cofre. Este fato
acarretou com a saída exasperada dos investigadores do banco com a posse do
críptex no dia do crime. A atenção da agente voltada ao objeto permitiu que
tão-somente isto fosse vistoriado. Algo em sua mente lhe conduzia a convicção
de que uma pista estava a ser encontrada no banco.
Os
toques ressoavam sobre a porta do tenente, era Sophie.
_Permisso.
- pediu licença ao entrar.
_Entre.
- ordenou.
_Tenho
algo importante à lhe informar.
_Assente-se.
- Lhe ofereceu lugar.
Sophie
se assenta sobre uma cadeira móvel de estofado azul-escuro posicionado à frente
do escrínio. Algumas folhas foram sendo retiradas da pasta logo em seguida.
_Sobre
o que vem a tratar?
_Um
documento proveniente do banco de custódia de Zurique.
O
capitão recebe as folhas atento, seu óculos ao lado foi colocado em seguida
para análise das cláusulas. Antes de sua leitura Sophie comenta:
_É
a respeito da conta bancária da vítima Jacques Saunière.
Um
pequeno trecho pode ser rapidamente lido pelo tenente, o primeiro artigo atribuía
o pedido autônomo de Sophie para uma eventual inspeção ao cofre de Saunière. A
investigação ao cofre talvez seria uma da últimas alternativas para o desfecho
do crime. Collet já parecia informado sobre o assunto, uma ordem do banco
compatível ao pedido presente teria sido anteriormente analisado por um dos
seus subordinados, o testamento de fato permitia a investigação ao cofre pelos
agentes policiais e por supostos parentescos. O documento foi um objeto
responsável pela inocência da agente que havia feito um saque irregular no
banco. Talvez o tenente negasse a autorização, a irresponsabilidade de Sophie
em sacar um pertence alheio lhe parecia recomendável. Mas sua expressão denotava
uma condição favorável.
_Preciso
da autorização do correspondente. - exigiu.
A
permissão estava prestes a ser confirmada, a folha foi retirada da mesma pasta
e entregue à Collet. O tenente pega o documento atento, os carimbos, a
autorização e a assinatura do correspondente estavam autênticos. Uma caneta
posta sobre um fino caxepô de bronze usado como porta-canetas foi retirada,
Collet parecia disposto à assinar o pedido, mas algo estava à ser advertido.
_Quero
que o tempo da investigação seja feito de acordo com o tempo estabelecido,
todas as normas deverão ser cumpridas e as pistas deverão ser encaminhadas ao
meu escritório para que sejam devidamente depositadas ao armário restrito.
Quero acompanhar a ivestigação, todo cuidado é pouco.
No mesmo instante o tenente assina o
documento, a autorização permitia que Sophie investigasse o cofre da vítima. As
folhas são entregues, seu semblante modificou-se para uma satisfação maior.
_Não
quero que o mesmo fato torne a se repetir. - advertiu.
A
agente agradece aliviada, Collet se levanta após assinalar o pedido. Conduziu-a
para um armário metálico embutido em uma das paredes da sala. Situado próximo
ao escrínio, o armário possuía compartimentos exclusivos. Muitos documentos
eram depositados, divididos e vigiados nas gavetas. Os objetos criminais
encontrados pela equipe de Collet eram comumente armazenados nestes espaços. O
tenente movia o dedo devagar em direção à gaveta principal procurando
identificar a plaqueta que informava sobre objetos da vítima. Em poucos
segundos a porta foi destrancada, de seu interior foi retirado a chave do cofre
de Saunière, uma peça dourada similar à flor-de-lis.
Sophie
recebe a chave contente, seus olhos artudidos agora se viram contra o tenente,
um outro pedido foi solicitado:
_Tenho
mais um pedido. - informou.
_Estou
à seu dispor Sophie. - atendeu com gentileza - Mas não posso cumprir com algo
muito pesaroso à ser efetuado, tudo deve ser de acordo com meus limites.
_Não
se preocupe tenente. - consolou - O que tenho à solicitá-lo não será pesaroso.
_Solicite.
_Preciso
do críptex em cujo interior havia o papiro. Este objeto será essencial para a
conclusão da investigação, posso assegurá-lo de que o objeto estará em todo
cuidado.
O
tenente parecia preocupado, mas seu dedo novamente se move à procura da
plaqueta que dizia sobre os objetos do crime. Uma outra porta metálica foi
aberta, alguns vestígios criminais se acumulavam em torno do estranho críptex
que teria sido a causa de muitas perseguições. O objeto é entregue com cuidado
à agente que o recebe agraciada.
_Devolverei
em breve.
Novamente
Sophie atravessa os corredores apressadamente. Seus últimos desejos foram
realizados. A autorização para acessar o cofre de Saunière estava em suas mãos,
o críptex que guardava o segredo poderia ser uma peça fundamental em relação
aos códigos. Preciso de encontrar Langdon, pensou enquanto andava pelos
corredores. O telefone do escritório é acionado para uma conexão ao professor.
Langdon atende, era Sophie.
_O
que devo a honra da ligação? - perguntou surpreso.
_Preciso
de sua companhia urgente.
O
impulso de sua comoção pôde ser transmitido pela entonação de sua voz. Langdon
entendeu que algo importante estava para ser dito, uma pista talvez. Seu
interesse voltou-se ao pedido:
_Fale.
_Consegui
uma permissão para uma eventual investigação no cofre, devemos novamente
enfrentar este estigma, tenho um breve pressentimento de que algo importante
esteja no cofre.
_Ótimo,
realmente não tivemos tempo suficiente para averiguar os detalhes do cofre, a
polícia nos pressionou o bastante para tomar o tempo de vistoria. Existe uma
grande probabilidade em encontrarmos alguma pista.
_Esteja
pronto na portaria, estarei em frente ao hotel em poucos minutos. O informarei
quando chegar.
CAPÍTULO
12
Em
uma quadra próxima à Cidade do Vaticano, ligado ao mesmo conjunto, estava
localizado um pequeno palacete condecorado em cultura bizantina
nos montes albanos, local onde também o papa acostumava realizar reuniões.
O Castel Gandolfo, propriedade da Cidade do Vaticano, incluía a famosa
biblioteca cronológica e eclesiástica de Roma. O área como parte de toda a
propriedade se assemelha à uma mansão onde o pontífice e a camada clériga
costumam passar as férias de verão. O antigo vilarejo do século XVI onde
abrigava-se a Spécula Vaticana, era um tipo de observatório astronômico.
Talvez, um dos mais modernos observatórios da Europa medieval, agora é parte da
ornamentação da suprema igreja de Roma. A cidadela do século
XVI lembrava um imenso castelo, impressionante exemplo de arquitetura
defensiva.
Uma longa
estrada de pedras antes do acesso principal à parte alta do ornamento, formava
o único caminho de entrada ao palacete pela parte de trás, um acesso
privilegiado dos membros da igreja. Pendurado à beira de
um penhasco, o castelo debruçava-se sobre o berço da civilização italiana, o
vale onde os clãs Curiazi e Orazi lutaram muito antes da fundação de Roma. Da
estrada de acesso, Gandolfo lembrava um imenso emaranhado de pedras refletindo
as melhores de suas qualidades.
Por esta estrada se aproximava um Voyage
1.7 preto, era o secretário de estado do Vaticano, responsável pelos assuntos
jurídicos da Cidade do Vaticano. Ao seu lado estava seu motorista particular.
Uma congregação clériga o aguardava ansiosa, todos se reunira em uma das sala
de reuniões, um ambiente arejado e prestigioso, altamente iluminado por
valiosas luminárias, estava em prontidão para a recepção do bispo. O assunto à
ser discutido seria sobre o código para acessarem um dos segredos preservados
pela igreja aos principais protetores de Roma ao longo dos séculos. O
corredor do andar superior era amplo, ricamente mobiliado, e levava apenas a
uma direção, um imenso conjunto de portas de carvalho com uma placa de bronze,
biblioteca astronômica, a biblioteca de Astronomia do Vaticano, diziam conter
mais de 25 mil volumes, inclusive obras raras dos antigos mestres.
Três homens, ocupavam a lateral da mesa comprida
posicionada ao outro lado do salão. O secretário de Estado do Vaticano, senhor
de todos os assuntos jurídicos dentro da Cidade do Vaticano. Usava uma silhueta,
era Giuseppe Boanergo, cardeal da igreja e
um dos lideres da congregação de outros cinco componentes presentes à reunião.
Estava posto em pé sob uma extensa mesa de madeira cedro envernizado em cuja
superfície cobria-se um vidro de dois centímetros de espessura. Um candelabro
dourado de sete pontas de origem judaíca estava posto sobre o centro da mesa.
Na mesma altura uma arandela em forma de cascada descia sobre a mesa reluzente
pelo reflexo dos pontos cristalinos. Cada cardeal possuía sobre a mesa livros
arcáicos de assuntos religiosos em capas de couro duro e uma pequena bíblia
auxiliar. Muitas informações sobre acontecimentos históricos eram estudados
pelos integrantes, que por sinal, faziam parte do Priorado de Sião.
Os
passos da sapatilha de palmilhas metálicas soavam pelo corredor principal,
houve um silêncio em todo o salão central, o barulho surgia devagar, era o
bispo Berlúcio Kalabrasas acompanhado de seu assistente. Sua chegada foi
pontual, um horário estava previsto, sua conduta foi amena. Se aproximou do
cardeal Boanergo que o aguardava perto ao centro da mesa entre os assentos e o
salão. O bispo o cumprimenta em palavras latinas e estende a mão
direcionando-lhe as pontas dos dedos. Como de costume o secretário recebe um
ósculo sobre seu precioso anel Rubi reluzente.
_Seja
bem-vindo Reverendíssimo. - convidou o cardel.
O
bispo, trajando um manto negro de manga cumprida e uma batina redonda de couro
sobre a cabeça acenava com as mãos enfeitadas por quatro anéis preciosos em
sinal da oração. A atitude do bispo dava início à reunião, muitos permaneciam
de pé com os braços cruzados entre os pulsos em sinal de reverência. Logo após
uma breve oração predita em língua latina, todos se assentam. Um cinto
rubro-negro em torno do tronco, relativamente largo em comparação à um cordel
dourado com pequenas tranças de bodas desfiadas em cinco centímetros de
largura, era usado especialmente pelo bispo que possuía uma posição superior na
camada clerical. Assentou-se em contraposição ao cardeal Boanergo que se
posicionava à direita, segundo o acesso pelo salão principal.
_A
busca pelo Graau se intensificou exponêncialmente. - iniciou o discursso -
Temos notícia de alguns assassinatos durante à última década e dentre estes, o
nosso notável Jacques Saunière, o último Grão-Mestre. Um dos guardiões do
Graal. O segredo tem que ser descoberto o quanto antes, se falharmos, não
teremos a chance em desvendar a mensagem aos nossos sucessores, e isto somente
após doze anos a seguir.
O
padre jesuíta, padre Mangano, um jovem de estatura média, cabelo preto liso,
astrônomo e membro do Priorado, se aproxima do bispo com um calendário.
_Obrigado.
- agradeceu.
Em
seguida o bispo revela as descrições.
_O
soltício de verão está próximo, o dia previsto é 21 de junho à 24, temos pouco
tempo até decifrarmos o código no monasteiro secreto. Setenta e duas horas estão
relacionadas.
Tudo
parecia evidenciar a presença de um local em que se necessitaria de códigos
para se desfrutar de certa mensagem secreta.
_Somente
o monasteiro preserva a verdadeira mensagem. Temos que obter a senha antes do
dia em que nos reuniremos para conhecermos o segredo.
Como
Sophie havia presumido, de fato existia um local desconhecido e sigiloso, de
sorte, preservava uma importante mensagem. Como no regulamento de um banco
comum, esta mensagem poderia estar mantida sob a proteção de uma senha
eletrônica. A revelação do bispo confirmava a dedução de Langdon que
conjeturava a presença de um outro código no papiro do críptex quebrado.
_Ainda
não temos a senha para adquirirmos a mensagem, Saunière foi atacado por
conspiradores ligados à um suposto grupo terrorista francês. A polícia local
recebeu permissão para investigarem o cofre do falecido, porém falharam na
tentativa de manterem a senha do críptex intácta.
Todos
se surpreendem, a notícia era frustrante, uma rápida discussão se disseminou
entre os membros que comentavam em voz baixa à respeito do código. A real
certeza de que o críptex possuía uma outra senha no papiro interno esclarecia a
dúvida quanto ao conteúdo daquele estranho objeto procurado. Uma mensagem
secreta dependia desta senha, o tempo parece curto para os demais envolvidos e
todos permaneciam influenciados por um tenso suspense decorrido dos fatos.
_Infelizmente
a senha se dissolveu sob à tentativa de violação da pedra-chave por Leigh
Teabing, um antigo conhecido nas minhas relações exteriores, uma ilustre pessoa
que também está envolvida na busca pelo Santo-Graal. Por muitas vezes esteve na
biblioteca do Vaticano à procura de informações secretas, juntos desenvolvemos
muitas interpretações ligadas à este mistério.
A
notícia apavorou o padre Mangano que havia recebido algumas pistas sobre a
senha da mensagem. O silêncio tomou as cadeiras do salão, Kalabrasas se
lamentava ao saber que um de seus conhecidos, havia destruído o sonho dos
guardiões.
_Podemos
subornar os guardiões da Capela com os dois milhões filantrópicos doados pelo
bispo Aringarosa. - sugeriu o padre.
Kalabrasas
achou interessante a idéia, mas descartou:
_Mesmo
se pagássemos, não seria suficiente. Para se conhecer a mensagem precisamos do
código. Os guardiões não possuem conhecimento sobre a senha da mensagem, muitos
já foram perseguidos por este motivo, porém, nunca a senha pôde ser revelada à
pessoas alheias. Além do mais, os dois milhões de dólares foram depositados em
uma conta especial para a reforma deste conjunto, o financiamento também
servirá na construção de uma sede particular no local próximo onde será
encontrado o Graal, isto se for de fácil acesso.
_A
sede em Jerusalém parece omitir sua idéia? - comentou um dos cardeais.
_A
crença de que o Graal possa estar nesta região foi desmantelada alguns anos
atrás, assim como no museu do Louvre, conforme muitos pesquisadores acreditavam
estar. Este fato explica porque esta mensagem está guardada na
ampola-dos-segredos, comumente conhecida como, criptogamo-do-sol, criada por
Leonardo Da Vinci no século XVI.
Algo
estranho dito pelo bispo parecia ser o armazenador da mensagem, um tipo de
aparelho eletrônico talvez. Como um caixa eletrônico de um banco que se
necessite de uma senha responsável pela emissão das cédulas, assim o
criptogamo-do-sol poderia ser o principal objeto do mistério, responsável pela
emissão imediata da mensagem, um aparelho situado em um lugar secreto à ser
encontrado, uma nova referência aos pesquisados na busca pela mensagem que
supostamente revela o paradeiro real do santo-Graal.
Um
padre romano que atuava como presidente do conselho interno na Sicília
interrompe para um breve comentário:
_À
respeito do legado ao cargo de Grão-Mestre, sabemos que existe algumas concessões
em transição, o Reverendíssimo como vice-presidente pode estar cotado ao posto
atual, muitos entre nós também poderão estar cotados à comissão de Saunière,
suponho que ainda não temos liberalidade para acessar à mensagem, ainda que
descobrimos o código precisamos de nos certificar do atestado de Saunière ao
legítimo sucessor.
Uma
pergunta surge em seguida por um dos convidados, um novato entre o grupo e que
não pertencia à congregação:
_Afinal,
quem realmente é o legítimo sucessor de Jacques Saunière para o cargo de
Grão-Mestre?
_Ainda
não tenho informações concretas, os promotores de Paris mantém o testamento
pendente, mas solicitei meu advogado para apurar o caso. Antes do eventual dia,
já teremos a confirmação de todos incluídos na comissão formada pela
constituição do priorado. Não tenho dúvidas de que estou incluído na lista. -
alguns olhavam apáticos duvidando de que isto poderia acontecer - Esta comissão é responsável por zelar pelos
segredos do Priorado de Sião, apenas o Grão-Mestre possuí os privilégios da
igreja, embora muitos entre nós podemos saber sobre o segredo, apenas um tem
acesso aos códigos, tão-somente um é incumbido de zelar pelo código da
mensagem. - o bispo tentava explicar à um convidado que não era incluído ao
grupo.
_No
entanto, temos algumas pistas. - Kalabrasas acenou para que o padre Mangano lhe
entregasse algumas folhas que continham interpretações dos códigos secretos.
O
bispo observava atentamente o documento;
_Ao
todo são quatorze códigos, cada um possuí um significado diferente, não tenho
conhecimento sobre a seqüência correta, e pelo que parece ser, existe uma outra
relação de códigos diferentes do que adquirimos, esta relação é a seqüência
exata que está gravada em um dos anéis bronzeados do criptogramo-do-sol,
todavia, cada símbolo é similar aos códigos exatos, basta apenas deciframos.
Antes, contudo, temos que relacionar a seqüência real, a senha trata dos
principais códigos para a formulação de uma mensagem secreta. Por muitas vezes
as vítimas das perseguições mantiveram o véu de sigilo coberto.
_O
conhecimento teológico e a sensibilidade se conjugam em mística, misteriosa e
sagrada harmonia referente aos códigos. – disse o cardeal Boanergo - As
religiões, comparável ao paganismo, se dissociaram, com efeito, se
desestabeleceu o paganismo como a religião oficial do império romano e dos seus
exércitos. Este ocorrido trata-se do símbolo do cálice, e assim como outros
fazem parâmetros à seqüência real.
_Sendo os códigos separados por geometrias, suponho
que o triângulo com a ponta superior, representando o reinado, seja o primeiro
símbolo do código. – comentou um dos membros.
_Acalme-se, não devemos nos antecipar, antes do
reino, temos que considerar a escravidão que é a cruz invertida, depois as
leis, e agora provavelmente, as guerra. Mas prefiro deixar em branco, vamos
abordar outros símbolos em prioridade, os temas serão incumbidos por outros representantes
enviados por Saunière.
Ainda faltavam mais seis espaços para que o grupo
conseguisse reposicionar os símbolos.
_O reino, claro! - o rapaz finalmente acertou.
_O triângulo em forma de tripé tetraédrico, com a
reta na ponta superior, apesar de fazer sentido à um tubo de ensaio científico,
podendo estar após a modernidade, tenho quase certeza de que vem a seguir
tratando da revolução científica. – disse Mangado.
_A base representa a liberdade, lembre-se da torre.
– disse Boanergo.
_O triângulo com a reta na ponta inferior ao
contrário, por fim a aliança?
_Não adiante, a liberdade e a aliança podem ser
elucidadas por vários motivos, dos quais não podemos afirmar. – interrompeu
Kalabrasas.
_Se estivermos certos quanto a prata, o segundo
elemento avistado no papiro. - o rapaz preferiu guardar em sigilo - Talvez os
triângulos posicionados horizontalmente não faça sentido à modernidade, embora
se pareça à uma gravata borboleta. Podemos considerar a aliança neste aspecto.
Deste modo, a prata poderá fazer outro sentido, considerando a fase em branco
antecessora ao reino. Mas a cruz, que provavelmente serão as leis, não se
enquadraria à esta altura. Isto pode fazer outros sentidos. – concluíu.
_Não
deveremos entrar nestes detalhes, sabendo que os símbolos correspondem aos
fatos e considerando a geometria dos símbolos, teremos um fato relativo ao
outro. O principal objetivo será a antiga lenda, que diz sobre as navegações
dos asiáticos para a América Central e para a costa sul pelo oceano Pacífico. O
orbi é a palavra chave, foi levado junto aos asiáticos afim de prosperarem. Ao
decifrarmos o enigma do globo criptográfico. Devemos estar preparados quanto a
tradição.
CAPÍTULO
13
Após
alguns quilômetros do departamento judiciário, a viatura da polícia finalmente
alcança o Banco de Custódia de Zurique. Shophie e seu convidado à investigação
se reencontram com André Vernet, diretor do banco, que se encontrava em seu
gabinete particular. A permissão da entrada é concedida pelo segurança, ambos
acessam a sala pelos corredores internos. Um compartimento exclusivo acomodava
em torno da mesa principal de madeira negra fosca, poltronas gôndolas de veludo
verde-escuro. Sobre o alpendre de gesso saliente uma lâmpada fluorescente
compacta emoldurava o ambiente.
_Sejam
bem-vindos. - permanecia assentado sobre o escritório.
_Por
favor acomodem-se. - indicou-lhes o local.
_Temos
um mandato de investigação ao cofre de Jacques Saunière. - informou ao colocar
o envelope sobre a mesa.
vernet
retira o documento e o analisava apreensivo. Uma gaveta do armário embutido é
aberta para verificação dos principais dados do cliente.
_Por
favor acompanhem-me. - levantou em seguida para guiá-los à entrada do corredor
em cujo cofre se encontrava o último depósito de Sauniére.
_Imaginava
que o criptéx fosse suficiente, embora não tiveram a curiosidade para averiguar
o restante da caixa.
A
entrada da esteira que se movia do cofre ficava à direita do corredor. Após ser
acionada por Vernet, por um dos botões automáticos, a esteira saia por uma
porta retrátil sustentada por uma fenda metálica.
_Este é o código certo! – afirmou ao
passar o cartão magnético do cliente.
Uma caixa preta de fechos metálicos,
possuía um código de barras no alto e uma alça emoldurada e resistente.
_Fiquem a vontade.
Entregou-lhes a maleta. As observações
foram feitas, por dentro do objeto havia uma bolsa interna, o fecho é aberto,
uma inesperada carta poderia mudar a situação da investigação.
_Veja. - comentou Langdon ao pegar a
pequena carta.
A investigadora pega a carta para
recitá-la:
_O
Atbash enfim revelará a verdade guardada.
O
criptograma atbash havia de fato sido constatado pelo curso de criptologia de
Sophie. Era usado comumente como modelo simétrico de substituição, era similar
à um anagrama.
_O
código do criptéx também é um anagrama. - comentou Langdon.
A
leitura novamente é feita:
_O código é a seqüência cronológica dos
principais reinos da antiguidade. – disse a primeira pista – A primeira linha é N-A-M-P-P – Sophie lia o segundo verso - Para saber o
código, transfira as letras e encontrarão a seqüência:
|
Q |
T |
N |
P |
C |
D |
L |
|
E |
I |
U |
A |
B |
L |
R |
_O
código do criptéx. Pegue-o!
Lembrando-se
das anotações feitas referentes à codificação da senha no alinhamento do
críptex, Shophie ressalta:
_As letras P-Q-R-S-T se alinhavam ao
primeiro disco. A-B-C-D-E ao segundo, P-Q-R-S-T, M-N-O-P-Q e N-O-P-Q-R concluía
a seqüência.
_O
Atbash enfim revelará a verdade guardada. – repetiu Langdon – Tenho certeza
que esta pista está diretamente ligado à um anagrama, veja que a configuração
das letras pode nos revelar uma palavra de origem hebraica, ou seja, Sabath que
traduzido significa sábado. Nos tempos remotos o dia era atribuído ao repouso
dos judeus, conforme a lei antiga. Esta
mesma regra se aplica à primeira linha, observe que pela ordem certa temos,
P-A-P-M-N. Devemos alinhas as palavras corretamente.
Sophie arrisca a primeira conjunção:
_Sendo
'p' igual à 'a', 'q' igual à 'e' e 't' igual à 'i', no primeiro conjunto de
letras da senha, temos Aersi?
_Neste
caso devemos manter a letra p, assim teremos Persi, ou seja um dos principais
reinos da antiguidade. – corrigiu.
_Pensei
que se tratava de um anagrama?
_Talvez
se aplique no próximo anel? – sugeriu Langdon.
_Ainda
penso que não, Persia não foi um dos primeiros reinos da antiguidade, veja que
a ordem é cronológica. Tente outra palavra.
Langdon
ainda permanecia pensativo.
_Persi?
Pelo visto as palavras serão formadas em sentido indireto aos nomes. – pausou
por um rápido instante – Bom, se mantermos o ‘a’ ao invés do ‘p’ encontraremos Sirea,
é a única palavra que se adapta à substituição. Não tenho dúvidas, deduzimos
que seja o reino da Síria. Faça o segundo anel.
_Sendo
'c' igual à 'b' e 'd' igual à 'l' temos Abble. Capaz! – Sophie retorna seu
olhar à Langdon:
_Será
que a senha se limita apenas aos reinos?
_É
o que nos diz a pista, siga as regra do Atbash.
O conjunto das letras?
A
conjunção é feita:
_Babel. Uma das principais regiões da
Mesopotâmia na antiguidade.
_Perfeito. Os conjuntos seguem corretos
pela ordem cronológica.
A
substituição das letras P-Q-R-S-T no terceiro disco, ora, surgia Persi. Que foi
indicada pela palavra Persia, reino forte da antiguidade.
_Analise
o quarto.
_L-M-N-O-P,
sendo ‘l’ igual à ‘r’, ‘n’ igual à ‘u’ e ‘p’ igual à ‘a’, temos Rmuoa no
sentido direto.
_Não precisamos de muito esforço para
entendermos o nome. A palavra Romua é a principal. Deduzimos que se trate de
Roma.
_N-O-P-Q-R, sendo ‘q’ igual à ‘e’ temos
Uoper. Europ, este é o último, finalizamos o enigma!
_Sirea, Babel, Persi, Romua, Europ. –
recitou os reinos - Jamais encontraríamos a senha sem o auxílio desta carta. -
comentou Langdon.
_A ordem não parece exata. Grécia surgiu
sob grande influência pelo oriente com o apoio dos macedônios, incluindo as
conquistas do rei Alexandre, o grande, antes do terrível império romano.
_Talvez as letras do alfabeto não tenham
sido eficazes.
_Porém não é o bastante, as próximas
frases da carta nos diz à respeito de alguém conhecido por Saunière. Diz sobre
um dos responsáveis pela senha. Seu nome é Anna Videl, aqui tem o endereço da
Itália onde deveremos encontrá-la para maiores informações sobre o criptéx e
sobre seu conteúdo interno.
_Não temos tempo à perder.
CAPÍTULO
14
Agradecidos a dupla se despede do
gerente. Estavam prontos para comprarem as passagens à Itália.
_Vamos à mansão de Sir Leigh Teabing.
Devemos incluí-lo ao plano. - sugeriu Langdon - Leigh é um importante
perscrutor na busca pelo Graal, certamente nos auxiliará com a interpretação do
enigma de Michelangelo e com a última mensagem deixada por Saunière.
_Embora tivesse identificado Leigh no
funeral, pensei que estivesse preso após o atentado na Abadia de Westminster em
Londres. Leigh agiu de maneira muito obstinada ao se apoderar do criptéx, não
deveria ter ameaçado nossa integridade com seu revólver afim de zelar pelo
segredo.
_Leigh é um homem de forte influência,
foi justificado após o depoimento, contudo, sabe-se que muitas chantagens foram
feitas antes de sua liberdade. - explicou Langdon.
Leigh possuía uma fortuna exorbitante,
foi descendente dos primeiros duques de Lancaster na Grã-Bretanha, conquistou a
maior parte de sua propriedade através de concessões hereditárias.
_Vamos ao Villette, - disse Sophie - Sir
Leigh Teabing será um personagem fundamental nas próximas investigações.
A
viatura se convergia por uma outra rota rumo ao subúrbio de Paris onde, um
palácio de patrimônio histórico do século XVII com dois lagos artificiais numa
área de vinte hectar, se ostentava por sir Leigh Teabing. Uma longa
viajem foi realizada, algumas horas se passam, a viatura se aproxima do grande
portão. Sophie parou o carro no início da estrada de acesso acerca de meio
quilômetro da entrada principal da mansão. Um intercomunicador pelo lado do
passageiro estava posicionado entre o flandre de estanho que constituía a dobradiça
do portão e o jardim de entrada. Uma pequena cabine metálica similar à um
porta-correios protegia o aparelho eletrônico que era ativado por Langdon.
O Châteal Villette, uma vasta propriedade
acerca de setenta hectares, situava-se a sudoeste de Paris, nos arredores de
Versailles. Projetado por François Mansard, em 1668, para o conde de Aufflay,
era um dos mais importantes castelos históricos de Paris. Com jardins criados
por Le Nôtre, o Château era mais um modesto casto do que uma mansão. A residência
de sir Leigh Teabing se erguia em uma
planície verde. Era dia de muita claridade, Leigh andava pelos corredores após
ouvir o som do intercomunicador. O reflexo do sol pelas janelas emparelhava a
luz sobre o chão, o som dos toques produzidos pela bengala de Leigh surgia intermitente.
Seu aspecto era rude, usava uma tampa preta no olho direito depois de uma surra
dos policiais. Habitava sozinho com a desleal separação de Remy Legaludec, seu
antigo mordomo impostor.
_Sir
Leigh Teabing, em que posso ser útil? - a vóz chiada saia pelo fone transmissor.
_Espero que sua psicopatia tenha sido
curada após a desventura pela busca do Santo Graal.
_Não hesite, ainda estou disposto à
troca-de-tiros pelo Graal.
_Então sei que estará disposto em me
atender.
_Desculpe, mas com quem eu falo?
_Professor Robert Langdon seu fiel
escudeiro, fui um dos responsáveis pela sua inocentação, embora tivesse nos
ameaçado com sua Heckler e koch engatilhada.
Uma risada forçada saiu pelo
intercomunicador.
_Pensei que não me perdoaria pela
ambição. Sempre fui leal ao Santo Graal. Porém antes, devo lhe servir café ou
chá?
_Chá.
Os britânicos usavam o chá como bebida
preferencial em ocasiões especiais.
_Devo admitir que minha vinda será excepcional
no tocante a busca pelo Graal.
_Leite ou açucar?
_Gelo. Gosto de chá gelado.
_Muito bem. - Teabing agora sorria -
Quando um alpinista de Harvard conseguiu atingir o pico do Himálaia de um
alpinista de Oxford nas temporadas de inverno?
Langdon sabendo que Leigh era um inglês
salvaguardado responde:
_Quando um holandês finalmente cravou
sua bandeira de cabeça para baixo.
_Entre companheiro. - Sophie lhe chama
atenção com o braço.
Os portões automáticos do Château
Villett se abrem, a viatura entrava pela margem de arbustos verdes com detalhes
vermelhos dos crisântemos. A fachada rústica fazia um enorme contraste com os
jardins pela vereda central. A parte frontal da ornamentação se concluía após
três andares de granito cinzento e sucumbia por quatro outros resistores autênticos
nas laterais. A vereda entre o caminho
principal era dividida por pedras redondas e paralelas ajustadas aleatoriamente
à modo inglesa. A trilha levava a uma porta trabalhada de carvalho com uma
pesada aldrava de bronze.
_Os visitantes entravam após a permissão
do proprietário.
_Sejam bem-vindos!
Os convidados foram conduzidos através
de um salão destacado pelo mármore carrara em direção a uma sala de visitas
decorada indiretamente por abajures de opalina inglesa. A residência, que já
havia sofrido uma reforma profissional, recebia as cores fortes de granito
presentes em detalhes importantes como almofadas e telas combinando com o
assoalho de madeira. Os detalhes no canto da sala situada próxima a varanda do
frontispício, exibia um antigo baú por onde Sir Leigh armazenava seus
principais documentos pelas paredes revestidas de madeira escura onde pendiam
alguns quadros dos grandes mestres ingleses. O sofá de couro rústico em tons de
tabaco, separava os divãs de veludo renascentista. De frente ao conjunto, uma
cadeira de balanço com símbolos de águias sobre as extremidades separava o par
de bancos de pedra. A lareira oposta à varanda incluía uma escultura artística
e duas gárgulas de pedras superiores que serviam de apoio para as hastes.
Os convidados se assentam no divã
aveludado. Sir Leigh andava trôpego em direção aos investigadores,
tivera poliomielite na infância, usava amuletas e por algumas vezes precisava
usar aparelhos ortopédicos nas pernas. Leigh se assenta ao lado dos convidados,
Langdon curioso pelo tampa-olho pergunta:
_O que houve com o seu olho direito?
_Não é difícil de adivinhar quando se
trata de um interrogatório de policiais franceses. - disse ao se acomodava na
poltrona ao lado - Bezu Fache criou um questionário
equivoco quanto as minhas intenções. Talvez ele tivesse conseguido traduzir
meus impropérios ditos em inglês. Afinal, o que devo-lhes a honra da visita.
_É sobre o Santo Graal, temos novas
pistas, sabemos que você é um ardil perscrutador e decidimos incluí-lo nas
futuras investigações. Eu e Sophie encontramos uma última mensagem deixada por
Jacques Saunière em um dos salões do Louvre. Uma das frases escritas no
assoalho ao lado de Sauniére foi restringida por Fache que apagou a mensagem
antes das investigações. Contudo, o enigma foi revelado, se referia à um outro
anagrama, este seria o primeiro antes de encontrarmos a chave do cofre, o
anagrama nos encaminhou ao salão Carré do Louvre.
_E o que dizia o anagrama?
_O,
lame chieng! Magdona Moessina! - respondeu ao pegar a agenda onde estavam
anotadas as pistas das primeiras investigações - Desembaralhando as palavras
encontramos o local da última mensagem. Michelangelo! _Moisés a god Man!. Um enigma difícil de ser interpretado,
Michelangelo não possui obras com este título autenticado. Esta epígrafe
refere-se à uma interpretação indireta dos antigos eruditos iluministas após a Idade
Média sobre o quadro "A criação do homem" com analogias simbólicas da
antiga região da Moesia, atual Istambul. Logo deduzi sobre qual obra seria.
Fomos equipados com as lanternas de luz-negra para analisar sobre supostas
mensagens ocultas como no assoalho e identificamos a última mensagem.
_Um
novo anagrama?
_Não.
Desta vez a frase surgiu nítida, no entanto, foi escrita de forma figurativa:
I'm a epic history, I'm going against
the title, I'm going beyond from the last point.
Eu sou uma história épica, eu vou contra
o título, eu vou além do ponto final.
_Por mil canhões de Elizabet I. -
balbuciou Leigh se ajustando sobre a poltrona - Conheço esta frase. Refere-se à
uma extraordinária filosofia italiana escrita por um templário que lutou pelos
direitos cívis nas cruzadas. E por incrível que pareça, este enredo culminou
exatamente no bósforo de Istambul. A história do império romano, e da igreja ortodoxa,
a cultura neo-clássica e o calendário ocidental foi o objetivo central dos
cruzados para anexar seus domínios no oriente.
_É exatamente sobre este episódio que o
quadro de Michelangelo revela.
_Conheço este quadro, a interjeição dos
quatros respectivos reinos de cada hemisfério. Não é difícil encontrar
mensagens subliminares sobre este evento, as relações do ocidente e do oriente
muitas vezes atravessavam o bósforo de Istambul. - Leigh se levanta e se
aproxima de um baú rústico onde havia uma pequena bíblia de capa dura preta em
alto relevo - No capítulo oito do livro de Daniel, por exemplo, existe uma
mensagem similar, uma metáfora de dois animais representando os dois lados.
Seus dedos foliavam as páginas e o
capítulo logo é identificado:
"Eis que estava de pé diante de uma
lagoa um carneiro, que tinha cornos levantados, um era mais alto do que o outro
e crescia pouco-a-pouco. O carneiro dava cornadas contra o ocidente e contra o
meio-dia. Nenhum animal lhe podia resistir. Eis que um bode vinha do ocidente
sobre sua face para a terra e tinha um corno insigne entre os seus dois olhos,
veio até àquele carneiro que tinha cornos ao qual estava de pé diante da porta
e correu para ele com todo ímpeto de sua força. E tendo chegado perto do
carneiro, arremeteu com fúria e feriu o tal carneiro, lhe quebrou os seus dois cornos, sem que o
carneiro lhe pudesse resistir. Tendo-o lançado por terra o pisou e não houve
quem pudesse livrar o carneiro do seu poder. Tendo crescido quebrou-se o seu
grande corno e formaram-se por baixo dele quatro cornos para os quatro ventos
do mundo. De um destes cornos saiu um pequeno, e ele se fez grande contra o
meio-dia, e contra o oriente".
_Um certo carneiro de dois cornos que
atacava contra o ocidente, representa a Pérsia em seu apogeu desde os tempos de
Ciro. E um certo bode que vinha do ocidente com um corno insigne entre os seus
olhos representa a Grécia nos tempos de Alexandre, o Grande. Isto será
confirmado em alguns versículos seguintes. - Leigh vira a página e prossegue:
"O
carneiro que tinha cornos, é o rei dos medos e dos persas. O bode porém é o rei
dos gregos, e o grande corno que ele tinha entre os seus dois olhos, é o
primeiro dos seus reis. E quanto aos quatro cornos, que depois de quebrado se
levantaram em seu lugar, são os quatro reis que se levantarão".
_Muitas interpretações apontam o pequeno
corno que se levantou do conflito como o Islamismo. Por outro lado existe
também uma mesma mensagem sobre a vinda da Igreja ortodoxa, quando Alemanha,
Inglaterra, França e Itália tomaram o apogeu do mundo antigo, está no capítulo
sete de Daniel. - as páginas tornam a ser folhiadas:
"Eis
que os quatro ventos do céu pelejavam uns contra os outro num grande mar. E
quatro grandes animais diferentes uns dos outros subiam do mar. O primeiro era
como uma leoa, tinha asas de águia. Depois disto apareceu em pé um outro
animal, se assemelhava a um urso, tinha três ordens de dentes na sua bôca. O
outro era como um leopardo, tinha em cima de si quatro asas, como asas de um
pássaro, e o mesmo animal tinha quatro cabeças.
Eis que o outro animal era terrível e
espantoso, tinha grandes dentes de ferro comendo com eles, e fazendo tudo em
miúdos pedaços, e pisava aos seus pés tudo que sobejava, era diferente dos
outros animais avistados e tinha dez cornos. Eis que outro pequeno corno nasceu
sobre eles e três dos primeiros cornos foram arrancados de diante dele. e havia
neste corno olhos como de homem, e uma boca, que falava com insolência".
_Algumas
interpretações apontam a leoa como a região da antiga Mesopotâmia, não é
difícil afirmar sobre tal reino quando no século VI ocorre a grande
preponderância babilônica. O urso como a antiga Pérsia, o leopardo como a
Grécia, e o quarto animal como a região da antiga Europa, cujo poder foi
outorgado ao vasto império romano. O pequeno corno que nasceu entre os dez
cornos relata sobre o surgimento da Igreja ortodoxa romana e os conflitos
decorrentes da cultura da Itália. Não é de se estranhar que a mensagem venha
primeiro. O domínio, por conseguinte, surgiu da própria Roma. Em 313 o
imperador Constantino atraído pela idéia de uma religião teocrática e
monoteísta, promulga o Edito de Milão legalizando a prática católica e
permitindo os ensinamentos ligados a igreja. Por volta do ano 380 se oficializa
a religião ao império, cumprindo com a profecia dada ao antigo profeta.
_É
importante frisar no capítulo dois do mesmo livro uma outra mensagem que relata
sobre a mesma profecia.
"Eis
que uma grande estátua foi revelada, sua cabeça era de um ouro finíssimo, porém
o peito e os braços eram de prata, já o ventre e as coxas eram de cobre, e as
pernas eram de ferro, uma parte dos pés era de ferro e outra de barro".
_Cada
parte da estátua representa as quatro regiões citadas seguindo a mesma seqüência
cronológica que tenho lhes afirmado.
O rei babilônico foi confirmado pela
profecia como representante do primeiro reino descrito pela cabeça de ouro. No
capítulo trinta e nove está a conclusão:
_E depois de ti se levantará outro reino
menor que o teu, que será a prata, e outro terceiro reino que será de cobre, o
qual mandará em tôda a terra. E o quarto reino será como ferro, assim ele
quebrará e fará todos estes em migalhas.
_No
capítulo treze do livro de Apocalipse existe uma última semelhança:
"E
levantou-se do mar uma besta, que tinha sete cabeças e dez cornos, e sobre os
seus cornos dez diademas. Esta besta era semelhante à um leopardo, seus pés
como de urso sua boca como de leão, e o dragão lhe deu a seu a força e o seu
poder".
_Muito
estranho. - comentou Langdon - Após descobrirmos a senha do criptéx rompido
deixado por Saniére descobrimos um conjunto de letras também representando os
antigos reinos. - Sophie pega a agenda para mostrar-lhe - A sequência P-Q-R-S-T
é um anagrama, seguimos as instruções de Saunière e conseguimos identificar a
primeira palavra.
_SIREA?
_Sim,
um dos principais reinos da antiguidade.
_BABEL,
PERSI, ROMUA e EUROP, formam um entendimento indireto dos reinos. - explicou
Langdon.
Ao
analisar as palavras da senha Leigh questiona:
_Porém
Grécia precedeu Roma?
_O
alfabeto não permitiu que o anagrama da palavra se formasse, - explicou Langdon
- mas Saunière elaborou as palavras de modo muito significativo ao enigma de
Michelangelo com a última mensagem encontrada, sabendo que estes detalhes
auxiliariam como pistas. Seria incorreto conjugar os reinos se a senha seguisse
a ordem da profética.
_Sem
dúvida. – concordou Leigh - A relação crônica é irredutível, ambos os caminhos
nos leva à um único ponto. Tendo esta última filosofia em mãos, chego a mera
convicção de que a Itália surgirá como o objetivo central das pistas. Veja que
no capítulo dezessete do mesmo livro do Apocalipse, – foliou algumas folhas à
frente – versículo nove temos: E
aqui há o sentido que tem sabedoria. As sete cabeças são sete montes. Não
é de se estranhar que os antigos povoados locais eram circundados por sete
montes diferentes, entre os quais posso citar o monte Captólio.
_O
lugar parece ser realmente o objetivo central, mas pensei que a profecia
trata-se do surgimento da bêsta? – Sophie refuta.
_Devemos
abordar a mensagem, tendo em foco o limite desempenhado à encontrar o
protagonista com relação ao último monasteiro. Podemos assimilar o paradeiro do
graal quando desconsideramos o personagem malévolo. Ambos os personagens surgem
em um único e mesmo cenário, Europa.
CAPÍTULO
15
_Ainda não entendi como o conflito entre os
hemisférios leste e oeste pode ser enquadrado à mensagem.
_Ah
sim, após o surgimento do Islamismo e da Igreja ortodoxa, muitos conflitos deflagrariam
dando origem às cruzadas. Antes porém, devemos observar sobre as missões dos
mais insignes representantes dos hemisférios e das classes culturais com a
intenção de disseminar suas ideologias. Uma destas classes foram o judaísmo e o
cristianismo, ambos pelo lado oriental lutaram e se consagraram para difundirem
uma das mais importantes doutrinas éticas pelo mundo europeu.
_Este fato explica as interpretações dos antigos
erúditos medievais, - sugeriu Langdon - que concederam um novo título ao quadro
de Michelangelo ao reconhecerem a forte devoção dos judeus aos ensinamentos
bíblicos e pela vulgar idolatria de algumas classes, ou seja, Moisés a god
Man. - entregou-lhe uma das fotografias do quadro retirada no museu -
Considerando a cultura religiosa, notamos que a figura do homem vestido pelo
lado direito retrata a cobertura dada pela doutrina ética, moral e cívica.
Enquanto por outro lado, uma região ainda assolada pelo império romano, parecia
necessitada do apóio moral quando vista pelo homem nú. As migrações judaícas
nos primeiros séculos, e o concílio de Milão no século III, confirmam as
relações vindas pelo lado oriental. Mas isto não foi o bastante, pelo lado
ocidental se desenvolvia os mais sofisticados métodos científicos, muitos
recursos materiais superavam a cultura oriental e o sistema político possuía
uma forte competência. A mesma intenção de difundir a cultura ocidental foi
empenhada pelo governo italiano ao embarcar um discreto veleiro, o Bergantim.
Partiu junto com as principais embarcações tendo a missão de levar as leis a
serem aprovadas em Nicéia para a expansão da cultura e migração judaíca. A
principal embarcação marítima era comandada pelo marquês Bonifácio de
Montferrat durante o governo do rei Aleixo de Constantinopla. Tinha a companhia
de Elício Siracuza que conduzia este veleiro particular, utilizado comumente no
início do século XVIII para o comércio e transporte em pequenas rotas. Este
seria talvez um dos primeiros passos para a imposição da influência ocidental
se não fosse o estranho naufrágio do comandante subalterno de Henrique VI.
Temendo eclodir uma guerra civil entre os hemisférios e com as batalhas da
terceira cruzada no início do século XIII, o comandante do veleiro desiste da
batalha marítima e o abandona após uma luta contra as embarcações arábicas
antes de alcançar Istambul. Henrrique VI e o rei Aleixo IV retornam à
Constantinópla após a batalha, no entanto, o concílio foi arruinado pela
inesperada cilada.
_Terrível história. - Sophie permanecia
apreensiva.
_O ocidente conseguiria maior alcance
oriental nos séculos vindouros, e exerceria a amplitude em algumas regiões
orientais principalmente pela cultura e pelo calendário romano. Muitos
pesquisadores acreditam que entre os documentos estão os textos sangreais e as pistas fundamentais para
a descoberta do Santo Graal.
_Então é por isto que a frase afirma que
a história vai além do ponto final.
_De certa forma sim, o bósforo tornou-se
um ponto de bloqueio por onde os adeptos da igreja ortodoxa desejavam passar ao
impor seus domínios criados pela influência romana. Desde os primórdios da
formação do Sacro-império até o seu auge com a cruzada de 1096, a igreja
tentava manter suas relações. A queda do império no século V não parecia
aceita. Porém muitas legiões de cruzados europeus conseguiram ultrapassar o
ponto pelas navegações e por muitas vezes Jerusalém foi conquistada. Muitas
intenções havia pela conquista oriental, e esta seria uma ideologia elementar,
fundamentada, à princípio, por um cavaleiro templário.
_Cavaleiro Templário?
_Sim. Em 1189, alguns séculos após o fim
do império e no início da terceira cruzada, uma comitiva formada pelos
templários romanos, foi enviada à Síria por Frederico do Sacro Império, com as
primeiras tentativas em difundir o poderio ocidental. Uma linha de embarcações
marítimas foram dirigidas por dois comandantes principais, o sultão Saladino e
o comandante Richard da Inglaterra. Em uma destas embarcações estava o Bergantim,
embarcação comandada por Elício Siracuza, incluía Ostório Círax general dos
chacais, Edgar, cruzado romano de Nápoles e Palácios, líder dos templários
romanos enviados à restabelecer o Edito de Roma no oriente. A Europa caminhava
para uma nova ordem consolidativa oriental, recebeu adesão política e os
primeiros acordos chegaram até as delimitações políticas da Armênia. Os
templários saíram triunfantes após a promulgação do Edito e com apoio de
políticos arianos cumpriram com a escolta ocidental ao oriente. Lutaram contra
os opositores da embaixada e se alinharam à Saladino nos limites de Jerusalém.
O líder dos Templários gravou esta mesma frase no braço com uma lâmina de
aresta e toda conjuntura do sangue foi marcada em um papiro, que na época seria
uma espécie de relatório usado pelo comandante. Muitos documentos secretos
considerados heréticos foram recuperados em Jerusalém após as invasões, a ordem
política monárquica e as letras escritas junto com o relatório, chegaram à
Constantinopla após o retorno do Bergantim sob o comando de Elício Siracuza,
passando pelo Bósforo Adriático.
_Estes fatos foram preservados por
Constantinópla? - perguntou Langdon.
_De certa forma. Os templários ainda
lutaram por consolidar a política no concílio de Nicéia preparado por Henrique
VI, como disse, a embarcação foi naufragada por um inesperado conflito e tudo
que restou foi o relatório resguardado por Elício Siracuza, que retornou à Roma
com sua embarcação. Os documentos sangreais
trancados ao cofre, não puderam ser recuperados... Apenas em 1975 um submarino
resgata os destroços do veleiro. Foram encontrados os principais documentos que
seriam promulgados no fracassado concílio de Nicéia.
_De fato, os documentos
haviam sido muito tempo antes confiados aos templários, o Priorado de Sião,
cujo véu de sigilo os mantivera imunes ao ataque do vaticano, foram
antecedentes ao caminho desenvolvidos pelos antigos ancestrais. À medida que o
vaticano fechava o cerco, o priorado tratava de retirar os documentos de uma
preceptora de Paris. Durante a noite, levando-os às escondidas para navios
templários em La Rochelle sangreal tão-somente
o priorado tem a resposta.
_Sempre tive a mera impressão de que os
documentos sangreais ainda existissem,
assim como os documentos recuperados. - disse Sophie suspeitando de que os
documentos ainda fossem possíveis de serem vistos, se ajustando para pegar uma
outra pista no bolso de seus suéter.
_O submarino de 1975 conseguiu resgatar
os documentos ainda intáctos. Porém, poucas pessoas têm acesso aos documentos
originais. Provavelmente esteja na própria Irlanda, ou talvez, na Itália.
Sophie lhe entrega o papel:
"An ancient
word of wisdom frees this scroll. and heps us keep her scatter'd family whole.
a headstone praised by templars is the key. and atbash will reveal the thruth
to thee".
_Palavra
antiga e sábia este precioso rolo dissera. Com o poder de unir sua família
dispersa na terra. A chave é a pétrea cabeça pelos templários louvada? - leu
Leigh - À princípio, quando vocês seguiram as pistas deste poema chegamos a
Temple Church em Londres. Local onde fui detido em uma limusine Jaguar. Este
poema está muito mais próximo à Moisés, o líder espiritual dos judeus, louvados
por muitos templários. Sem dúvidas, o orbe de Moisés realiza uma conjuntura
similar com o enigma da chave.
A
antiga Temple Church, em Londres, foi construída inteiramente de pedra
calcária. Um edifício circular com fachada intimidadora, torre central e uma
nave saliente em um dos lados. A igreja parecia-se mais com uma fortaleza.
Consagrada em 1185 por Heráclio, patriarca de Jerusalém, a Temple Church
sobreviveu a oito séculos de conturbações políticas, à incêndios e à Primeira
Guerra Mundial, porém acabou sendo seriamente danificada pelas bombas
incendiárias da aviação alemã em 1940. Depois da Segunda Guerra, foi restaurada
e recuperou sua austeridade. A Temple Church foi o local em que Leigh havia
sido detido pelo capitão Fache em uma eventual disputa pelo críptex.
_Ao
saber sobre este enigma e pela interpretação do quadro, torno a aceitar a
teoria de que o Graal diz sobre o cálice sagrado na Itália. Os templários saiam
para escoltar o exército, a tripulação e a comitiva política levavam o cálice
como escudo espiritual.
_Já
dissemos sobre isto, - advertiu Langdon - embora o cálice da Capela Sistina
faça alusão ao Santo Graal, não há nada além do seu aspecto que possa nos
revelar sobre seu verdadeiro mistério.
O
cálice transportado pelos Templários era uma relíquia considerada sagrada.
Banhado à ouro formava duas pirâmides assimétricas e opostas, sendo a inferior
menor que a outra. Uma armação similar a torre Eiffel passava pela base até a
ornamentação superior. Pelo centro, a haste formava uma interjeição de ferro
entre a borda. O objeto representava o Graal, que para os Templários, era o
foco da influência nas relações exteriores. Com aproximadamente cinquenta
centímetros de altura, o cálice costuma ser exibido sobre a mesa central da
Capela Sistina. Segundo Sophie pensava, o objeto seria mais o cálice em que os
apóstolos beberam o vinho na última ceia e com qual José de Arimatéia depois
recolheu o sangue de Cristo no momento da morte.
Langdon
replica:
_Os
principais membros do Priorado de Sião afirmam que a lenda do Graal não é o
cálice da capela em Roma. Na verdade é uma alegoria muito engenhosa das legiões
de Trindad, uma organização secreta que mantém vínculos com a igreja e com os
principais enigmas de Roma. Foi criado ainda no final do século IX. O cálice
não possui outra evidência senão sua mera simetria. Jonas Kaufman, meu editor, redargüiu
a tese de que este não seria o fim, contudo, minhas provas iconográficas que
encontrei para sustentar minhas teses foram publicadas com êxito. O mistério do
Santo Graal não se limita ao cálice.
Muitos anos antes, Langdon havia comparecido à um
evento no Fogg Museum de Harvard. Bill Gates, regressou de Harvard, havia
voltado a sua ex-universidade para emprestar ao museu uma de suas aquisições
inestimáveis. Dezoito páginas de papel que adquirira recentemente em um leilão
do espólio na Armand Hammer.
_Se
eu não soubesse Langdon, não teria os acompanhado à Temple Church em Londres,
mas este enigma novamente nos conduz à Roma e provavelmente à Capela Sistina.
_Leigh...
- disse Sophie frisando-lhe o olhar tendo algo em comum a proposição - viemos
porque as evidências são compatíveis à sua interpretação. Eu e Robert
realizamos as últimas investigações e conseguimos encontrar o endereço de um
parentesco legítimo de Jacques Saunière. Mora na Itália e possui informações
precisas sobre a última morada, seu nome é Anna Videl.
_Como
neta de Saunière, não a conhecia antes?
_Na
verdade não sou neta de Saunière. Usei a sigla P.S. que se referia ao Priorado
de Sião, para me identificar como Princesa Sophie e parentesco próximo da
vítima. Elaborei este tratamento nominal para atrair a atenção de Robert
Langdon, que por ser um professor de Harvard e perito em criptografia, corria
risco de vida. A tentativa de encontrá-lo reforçaria as chances de decifrar o
criptéx, antes que os oponentes associados à Opus-day lhe roubasse a chave do
cofre, ou seja, a flor-de-lis.
_Qual
é o endereço?
_Rue
de Rivoli, posso fazer o pedido das passagens por telefone. As agências disponibilizam
passagens mais acessíveis nestes dias. De avião chegaremos vindo do aeroporto
de Roma "Leonardo da Vinci" ou do aeroporto Ciampino até a Estação
Termini, se conseguirmos um comboio. Posso reservar um táxi particular?
_Não
se preocupe irei acompanhá-los nesta aventura. Faça os pedidos ainda hoje.
Capítulo
16
As três passagens foram reservadas
naquele mesmo dia à tarde. As investigações se desencadeavam aos poucos, uma
mensagem seguia uma instrução precedente cujas pistas apontavam para um único
paradeiro do enigma e similar ao local onde se encontrava o cálice sagrado da
antiga igreja ortodoxa, e nenhum outro lugar poderia ser escolhido para a
próxima investigação, senão, Roma.
No
aeroporto a equipe de pesquisadores se preparava para o embarque, faltavam
ainda algumas horas para o pôr-do-sol e os três aventureiros esperavam pelo
momento do pouso. Sophie levava sobre seu coldre uma pistola semi-automática
acompanhado do seu distintivo. Uma viajem exaustiva foi realizada, em pouco
tempo a equipe desembarca ao Aeroporto Internacional Leonardo D'Vinci na
Itália. Como previsto, o táxi recomendado surge após uma longa espera pela
chegada do grupo. A rua de Rivoli é informada, o motorista prossegue, as
marchas são manejadas, em pouco tempo o local é alcançado. Langdon observava o
número residencial anotado na agenda enquanto o carro reduzia a velocidade
entrando pela última conversão na interligação com a via principal. Do vidro
pela metade, os números eram comparados ao local. Alguns metros se passaram
quando a prestigiosa casa é identificada.
_É
esta a casa. - afirmou Langdon após certificar-se do número.
Os
minutos decorrentes do trajeto não lhes acarretaram com o frete, o dinheiro é
pago e a equipe, em fim, desembarcava com as malas sob os suportes.
Um grande portão, cercado por muros de
alvenaria é aberto após a identificação da agente Neveu como investigadora
judiciária do assassinato de Saunière.
_Entrem
por favor. - ordenou Anna Videl ao abrir o portão automático.
A
equipe acessa uma entrada formada por uma vereda contígua precedida por um
jardim coberto por caramanchas crespas revestidas de trepadeiras. No solário, as
pérgulas feitas de madeira ressurgiam formando cascatas de plantas tropicais.
Assim como na entrada, entre a área externa do recinto e a garagem. O solário propriamente
usado para o café-da-manhã, também possuía sua decoração natural. O grupo entra
por uma porta de ferro polido entre os umbrais após a recepção de Videl.
_Sejam
bem-vindos. - convidou.
_Este
é o professor de criptografia, Robert Langdon e este é nosso convidado às
investigações, Sir Leigh Teabing.
_Por
favor acomodem-se.
Videl
direciona-os aos quatro estofados individuais escarlates pelos cantos do living.
Uma sala de aproximadamente quarenta metros quadrados, possuía em torno do
grande tapete pêssego redondo estampado, uma decoração excêntrica. O tapete de
plumas acompanhava o ângulo interno formado pelo contorno dos estofados
agregando o canto da sala ao espaço integrado onde se suspendiam algumas hortaliças
e outras helicônias em vasos venezianas pela parte inferior aos mais famosos
quadros italianos. Nas estantes de madeira, pela divisa feita entre o aparador
de granito e os corredores, algumas caixas de tábuas pareciam armazenar
documentos pessoais quando, por outro lado, surgiam coletâneas de livros
diversos. Ao lado do recinto, bancos de peroba, e na parte superior, os nichos
de madeira.
_Estou
preparando um saboroso chá-da-tarde. Alguma preferência?
_Pouco
adoçante, por favor. - disse Sophie.
Videl
retorna e coloca sobre a mesa uma bandeja retrátil metálica onde se apoiavam a
jarra de porcelana italiana com o chá e os aperitivos.
_Temos
informações importantes sobre o assassinato de Jacques Saunière. - introduziu
Sophie - Fomos os responsáveis pela investigação no cofre de Saunière, local
onde encontramos um criptéx codificado, e posteriormente, o endereço deste
estabelecimento. Sabemos sobre o envolvimento da vítima com o Priorado de Sião,
os promotores ainda não sabem a relação hereditária quanto a possessão do
depósito, mas parece que o objeto era uma das últimas coisas armazenadas no
cofre.
_Este
objeto, de fato, era uma relíquia muito pessoal de Saunière. No entanto, o
criptéx não foi sua possessão legítima, talvez não saibam, mas uma ligação
secreta com o Priorado de Sião o tornou responsável e Grão-mestre pela posse em
um período determinado.
_Isto
significa que ele tinha um período para devolvê-lo? - perguntou Langdon.
_Sim,
o tempo estava próximo e por isto muitos desejavam obter o criptéx, o que
ocasionou o tal assassinato.
_Podemos
saber sobre o que definia o tempo de entrega?
_Antes
preciso de me certificar sobre algumas pistas. Saunière sempre usa estes artifícios
para nos garantir segurança.
Sophie
retira a agenda para exibir-lhes as pistas:
_No
cofre havia uma caixa de madeira marchetada em cuja superfície se cobria um
orifício oval de bronze. Sobre a mesma placa se gravava uma das pistas que possuímos
neste relatório.
"In
london lies a knight a pope interred.
his
labor's fruit a Holy wrath incurred.
you
seek the orb that ought be on his tomb.
It
speaks of Rosy flesh and seeded womb".
_Cavaleiro
em Londres um Papa enterrou. Quira santa o fruto de sua obra gerou. Busca o
orbe da sua tumba ausente. Fala de Rósea carne e semeado ventre. - recitou
Videl - Perfeito, farei a interpretação do primeiro verso, e quero que me digam
o que entendem, a proporção que o entendimento se compatibilizar com a
mensagem, outra frase será decifrada.
_Tudo
bem. - concordou Sophie.
_A
primeira frase se trata do primeiro local onde o criptéx esteve antes ser
depositado ao cofre. Roslyn é a cidade onde habitou um antigo parentesco de
Saunière, sua atuação como curador no museu do Louvre poderia atrair perigos
iminentes devido a importância da peça como o criptéx, mantido sem segurança
rígida. O grão-mestre antecessor foi enterrado em Londres, onde outra pista
encaminharia o pesquisador ao local mais próximo. Saunière mudou-se para França
e com a abertura do cofre pela autorização do Priorado de Sião, o objeto
finalmente se manteve seguro.
_Bom,
estivemos em Londres e procuramos por uma pessoa que se identificou, de fato,
como conhecida de Saunière. Encontramos uma caixa de madeira rosa envernizada
semelhante à que se depositava o criptéx, mesma rosa marchetada.
No mesmo dia em que a dupla esteve na capela em
Rosly, seguida por um guia, Neveu se despedia discretamente da investigação a fim
de se encontrar com uma mulher ao lado de fora em uma casa próxima de pedra
rústica semelhante à uma pensão. Segundo dizia Videl, o recinto era o antigo
lar de Saunière. Antes que Langdon e o guia se retirassem pelo lado de fora a
seguir, ela teria simulado a versão evasiva de seu parentesco e comprado
daquela senhora a estadia junto a sua confirmação, o que realmente manteve a
confiança de Langdon.
O guia afirmou ser neto da pessoa que cuidava da
casa paroquial da capela, e disse sobre a morte de sua família, inclusive a de
seu avô. Uma versão quase idêntica, porém contraditória. Tendo ouvido o relato
desproporcional daquela senhora. Langdon, embora tivesse percebido a
dissonância, preferiu acreditar que Sophie permaneceria no local como familiar,
mas tinha certeza que ela seguiria outro rumo e que, bem provavelmente, aquela
história não se passava de um mero disfarce da agente.
_Ao ouvir sua história, senti certo
receio, agora entendo porque preferiu permanecer no local. – recordou Langdon.
_Mas não consegui identificar outras
pistas senão o pentagrama sobre a porta de entrada de acesso ao local.
_O pentagrama faz parte dos códigos e a
caixa marchetada era mantida por uma antiga prima para armazenamento de jóias.
As placas de bronze no orifício superior eram especiais para se gravar
mensagens pessoais, foi por uma destas que Saunière conseguiu transmitir maior
parte das características do Graal. Antes de terminar os versos precisarei de
mais informações.
Uma
das mensagens encontradas no museu do Louvre é retirada da agenda. Sophie
recita:
_Sou uma história épica, vou contra o título,
vou além do ponto final. Foi escrita em um dos salões do museu por Saunière
antes de sua morte. Fomos ao encontro Sir Leigh e conseguimos a
interpretação da frase. Descobrimos sobre a relação da igreja com os antigos
templários e sobre o naufrágio da embarcação romana no bósforo de Istambul.
_Incrível,
esta mensagem aumenta a minha segurança ao dizer-lhes sobre o enigma, poucos a
conhece. A história é a igreja na tentativa de manter intáctos os documentos Sangreais e a antiga cultura herdada pelo
império. Com a queda do império em 476, muitos cardeais foram incumbidos nesta
missão, o bispo Leão I, foi um dos primeiros responsáveis. A queda do império
não seria aceita pela igreja como o fim da dinastia epsicopal, os limites
estabelecidos pela política externa seriam os obstáculos à vencer. Os
documentos foram perdidos com a tentativa de enviar a mensagem romana ao concílio
de Nicéia. Embora esta mensagem seja conhecida por muitos, assim como por
Leigh, ao contrário, os documentos perdidos permitem acesso exclusivo, ou seja,
somente alguns guardiões possuem liberdade.
_Então
ainda é possível sabermos sobre os documentos? - perguntou Leigh.
_Mais
do que você imagina. Como Grão-mestre e responsável pela guarda dos códigos,
Saunière tinha o direito de escolher um guardião secundário. Sendo eu seu parentesco
próximo, tive o privilégio de exercer uma das chaves secretas do Priorado de
Sião. Possuo acesso à Biblioteca Apostólica Vaticana, no conjunto arquitetônico
onde também se inclui a capela Sistina. No entanto, ainda que eu obtenha acesso
aos documentos Sangreais recuperados
em 1975, existe ainda uma mensagem decisiva, guardada com um sistema de
segurança jamais visto. Somente os sucessores de Saunère tem acesso à esta
mensagem.
_Afinal,
você é sucessora de Saunière para saber a mensagem secreta?
_Sim,
como responsável por uma das chaves do monasteiro, tenho o direito de saber a
mensagem. Soube da morte de Saunière em contatos com os promotores da França,
fui informada da perca do criptéx, e a única coisa que devo decifrar é o código
que havia neste criptéx. Podemos entrar em detalhes sobre o código, sobre o
tempo de entrega do criptéx e sobre o local onde se situa o monasteiro secreto.
Porém preciso terminar o enigma, devo confessar-lhes que o santo-Graal possui
várias características e uma delas é o cálice da capela Sistina.
_Disso
sabemos. – afirmou Sophie - Como conhecedores dos outros aspectos simbólicos do
graal decidimos iniciar novas investigações.
_A
outra característica do graal diz sobre o resto mortal do profeta Moisés. Quira
santa o fruto da sua obra gerou. - Videl recita a segunda frase - Refere-se
aos estatutos dados ao profeta e os dez mandamentos. Busca a orbe da sua
tumba ausente. - a terceira frase é lançada - Diz sobre o paradeiro dos
restos mortais de Moisés, o que provavelmente nos revelará a mensagem secreta. Fala
de Rósea carne e semeado ventre - a última frase é recitada - Muitos diziam
que sua origem se deu pelas águas. E a frase refere-se à família nobre em que
Moisés foi criado, embora nascido da simplicidade e da cultura judaíca.
_Ainda
não consegui compreender sobre o assassinato quando se trata do graal.
_Inicialmente,
pensava que os perseguidores seriam os próprios Palestinos com a intenção de
restaurar a orbe de Moisés, em cuja tumba se firmou o Templo de Jerusalém.
Porém descobri que para os Palestinos e Judeus a mensagem não se passava de uma
mera heresia, por conseguinte, soube que outras mensagens secretas revelavam
sobre locais afortunados onde estão armazenados os tesouros da igreja ortodoxa
e as mais valiosas relíquias doadas pelos reis, fidalgos, cardeis e toda
população. A Opus-Day, por exemplo, é um dos maiores procuradores. Estas
mensagens, assim como os mandamentos sagrados e outras não são relevantes.
_Um
dos membros da Opus-Day foi responsável pelo assassinato. - afirmou Leigh - Seu
nome é Remy Legaludec, disfarçou como meu empregado, mas se revelou obstinado
pelo segredo e está foragido.
_Fui
informada de alguns detalhes, contudo, ainda existe o tempo de entrega dos
códigos. Na verdade o monasteiro secreto está situado na própria Capela
Sistina. A mensagem é revelada em cada soltício de verão pelo hemisfério norte.
O sol é o responsável por formar a mensagem. Nas linhas dos trópicos de Câncer
e Capricórnio, os solstícios de verão respectivos a cada hemisfério da Terra,
coincidem com um único dia do ano em que os raios solares incidem verticalmente
e a data deste ano quanto a entrega dos códigos está prevista para o dia vinte
e quatro de junho. O responsável permanece durante quatro anos com a mensagem
até a sucessão do cargo ou permanência, de modo que, três mensagens apenas é
dita em cada ano, sendo quatro anos até a próxima mensagem. Chegamos ao total
de doze mensagens secretas.
A
idéia de que o tempo estava próximo dita pelos conhecedores mais próximos do
segredo, não havia referências, agora Langdon se surpreende ao saber que as
perseguições estavam relacionadas ao tempo referente ao dia vinte e quatro.
_Hoje
é dia vinte e três de junho! - alarmou - Amanhã será o esperado dia.
_Para
isto precisamos desvendar os códigos. Cada responsável pelo segredo tem direito
de incluir seus respectivos convidados desde que jurem sigilo. Posso incluí-los
à reunião, desde que me ajudem com os códigos. Devemos desvendar os símbolos e
nada menos se trata das referencias diretamente relacionadas ao império romano.
_Isto
será um privilégio. - motivou Leigh.
_Antes
quero que conheçam sobre uma coisa importante entre os documentos Sangreais. Pela manhã do próximo dia
acessaremos a biblioteca em busca de mais informações. Desejo, portanto, que se
hospedem em meu recinto.
_Permaneceremos
com grande prazer. - replicou Sophie - Estou curiosa em saber sobre o
monasteiro.
_Quanto
ao código, como poderemos relacionar os fatos? - perguntou Leigh.
_Esperei
até este momento para lhes revelar. Sigam-me por favor.
Um
escritório de trinta e cinco metros quadrados ocupado por equipamentos
sofisticados e livros de diferente gêneros é aberto por Videl. Um
retro-projetor é acionado.
_Como
sabem, este é o cálice da Capela Sistina. - uma primeira imagem exibia a imagem
completa da peça - De modo que o cálice é feito em várias geometrias
diferentes. Cada formato representa um código da mensagem. Este, porém, é o
primeiro passo para descobrir a senha. Tudo que posso dizer a respeito dos
fatos é que, os sete primeiros correspondem à história de Roma e os outros
sete, correspondem à história da Europa. Em seguida, deveremos analisar os
fatos do império aos tempos modernos. - Videl ativa a segunda imagem - Este é o
primeiro formato da peça.
Uma
lâmina quadrada que se posicionava por cima do cálice é exibida.
_Está
é a lâmina que tampa a borda do cálice, uma segunda probabilidade geométrica
nos permite encontrar o quadrado invertido. - a segunda imagem surgia como um
naipe de ouros do baralho e a terceira como um círculo.
_O
círculo claro não possui outras simetrias, refere-se à borda do cálice.
A
próxima figura é ativada.
_Esta
é a parte superior do cálice onde introduz o vinho, forma um triângulo de ponta
para baixo, como uma pirâmide invertida. Assim também é a parte inferior, serve
como base do cálice, forma um triângulo de ponta para cima. - O slide produzia
o efeito ao focar o contorno do objeto em traços - Os dois triângulos são
capazes de forma simetrias iguais. Quando modificado, o triângulo surge com a
ponta virada para a esquerda, e ao contrário, surge com a ponta virada para a
direita, como setas direcionais. - os slides são ativados, as imagens eram
semelhantes à setas quando se invertiam os triângulos pelas diagonais - Porém
não devemos descartar a idéia de que um é diferente do outro. Veja que no
próximo slide identificaremos o pentagrama, que é a interligação de um
triângulo sobre o outro. - a imagem similar à uma estrela de seis pontas é
exibida.
A
nona imagem surgia com um triângulo sobre o outro. A posição oposta era formava
pelo diâmetro completo do cálice, sua conjuntura se assemelhava à um relógio
antigo à base de areia. A segunda simetria invertida da imagem formava uma
espécie de gravata. O pedestal do cálice surgia, a figura formava uma simetria
tetraédrica semelhante à um tripé.
_Este
pedestal é semelhante à Torre Eiffel, foi criada em homenagem ao cartão postal
de Paris. A forma é um triângulo interno quando desconsideramos um dos apoios,
a base termina com uma reta longa no meio.
_O
homem triunvirano – interrompeu
Sophie - representa exatamente este modelo quando consideramos as duas pernas
unidas ao terceiro pedestal. Os braços são representados pelas hastes cruzadas
e apoiadas à borda. Esta imagem foi decididamente figurada por Saunière, que se
posicionou ao chão após o crime de modo idêntico ao homem trunvirano.
_Quanto
ao significado do símbolo, diz sobre a liberdade política na França, que pode
ser representada no início do reinado ou pelos posteriores movimentos civis.
_O
pedestal posto ao contrário formará um triângulo com uma reta para baixo, esta
é a décima imagem. – ativou a figura - Simboliza a liberdade religiosa. Muitas
vezes é representada pela letra ‘p’ em cuja ponta se encontra as hastes
cruzadas. A décima terceira imagem é a cruz, está desenhada sobre o lenço que
cobre a lâmina. - a imagem do lenço surge no formato de um túnel semelhante à
um umbral de porta - O lenço em sua posição refere-se ao portal, que significa
a vida-longa. É importante frisar que sobre o lenço há uma gravura estampada e
este formado é similar à uma cruz.
O
aparelho é desligado:
_Estes
são os símbolos que representam o segredo. Cada símbolo possui seu respectivo
nome e cada nome possui seu significado, conforme disse, cada significado
revela um momento histórico. Embora estas geometrias sejam conhecidas através
do cálice da Capela Sistina, ainda resta saber sobre a seqüência real.
Mesmo
não sendo a primeira biblioteca Papal, a Biblioteca Apostólica Vaticana é a
mais antiga da Europa. Foi o primeiro núcleo de coleções pontifícias e
religiosas, fundada por Nicolau V em 1450, com a herança das velhas bibliotecas
dos Papas. Atualmente possui mais de oito mil incunábulos, que foram livros
impressos nos primórdios da imprensa italiana por volta do século XV, e quase
vinte mil objetos de valor artístico.
CAPÍTULO
18
No outro dia pela manhã, Videl e seus
convidados se preparavam para acessarem a Biblioteca Apostólica Vaticana. A
biblioteca do Vaticano está situada no Vatican City, uma reserva cercada pelo
estado cujo território consiste de uma área privada, dentro da própria cidade
de Roma. À aproximadamente 44 hectares, e com uma pequena população, é o menor
estado em ambos os aspectos. Geralmente é procurada para pesquisas de história,
leis, filosofia, ciência e teologia. Entre os mais famosos livros está o Codex
do Vaticano. O mais velho artigo conhecido por sua aproximidade com a bíblia.
Como uma silhueta, A Biblioteca Vaticana era
impressionante exemplo vigoroso de arquitetura defensiva, com a mesma
imponência do magnífico cenário planisférico.
O Vaticano havia estragado o edifício ao construir no telhado duas
imensas cúpulas de alumínio para abrigar os telescópios, de forma que o
castelo, antes de sua aparência fidedigna, parecia agora mais com uma simples
entrada monumental do que o próprio palácio, outrora constituído sobre os
alicerces do conjunto.
A biblioteca pelos corredores internos era um salão
enorme e quadrado, com madeira escura do assoalho ao teto. Em todos os lados,
estantes altas repletas de volumes. O assoalho de mármore âmbar com contornos
em basalto negro, uma lembrança bonita de que o prédio havia sido antes um
palácio. Um espaço amplo cuja decoração era uma mistura isônoma da arte
renascentista e imagens astronômicas, seguia acompanhado por uma escadaria de
mármore transvertido.
A
chave redonda de poucos centímetros similar à um escaravelho, formava um círculo
oval dourado com uma estufa moldurada na ponta do núcleo para o apoio das mãos.
O anel que se dividia do núcleo era formado por vários traços em triângulos e
os triângulos entre os dois anéis seguiam consecutivos.
As
travas para acessar o local interno da biblioteca foram abertas após as
identificações. Videl seguia em direção ao corredor onde se encontrava as
escrituras e os documentos secretos.
_Uma
coisa muito importante deve ser revisada antes de sabermos a mensagem. - disse
enquanto caminhava.
O
corredor é acessado, a prateleira poderia ser fácil de ser encontrada por
Videl, que por outras vezes esteve no local em busca de algumas informações
inerentes. O livro, assim como a porta de acesso à sala secreta possuía uma
anatomia semelhante à chave, de modo que Videl aclopou a chave sobre a
estrutura e conseguiu destravar a fechadura.
_Aqui
está, - o grupo se acomodava em uma das mesas de estudos.
As
folhas foram sendo passadas, a curiosidade era mantida pela apatia do grupo. O
texto logo é identificado.
_O
orbi de Moisés foi tomado pelos asiáticos do extremo oriente, nos conflitos do
século II contra os arianos. Os chinêses foram responsáveis pela proteção do
orbi que foi conduzido ao império Chin, atravessando a Rússia pelas rotas do
comércio de seda durante três anos e chegando ao império às margens do rio
Chang. Muitos dizem que o domínio do império Chin em meados do século II foi
conquistado com abastança através da influência do orbi e culminou com o apogeu
da dinastia Chang em 220 com a divisão do domínio Han. A orbi permaneceu
durante cinco séculos na região de Chiang.
_Chiang?
- questionou Sophie.
_Sim,
analisei a região no mapa para recordar melhor da mensagem.
_Esta
foi a mesma frase revelada por Saunière antes de morrer. O, lame chieng,
Magdona Moessina. Quando descobrimos sobre o naufrágio na antiga região
conhecida como Moesia, entendemos que o sentido da palavra foi diretamente
elaborada para causar uma relação similar com a idéia encobertada pelo quadro.
Agora entendo o mistério do paradigma e porque Chiang também foi elaborada para
causar esta relação direta.
_Vamos
analisar algumas fases históricas. O parâmetro será essencial para descobrirmos
o código. Os códigos foram expostos de forma indefinida:
uvumrsYf
WY`id
_Antes,
queria dizer sobre uma das palavras que havia restado da senha inscrita no
criptéx. - disse Sophie - No momento em que o cilindro foi rompido, o vinagre
por consequência, dissolveu sobre o papiro desmanchando as letras. Mas foi possível
observar uma das palavras, Isto ocorreu devido à um pequeno grampo entre o
papiro e o vidro.
_E
o que dizia
_FRUTO?
_É
evidente. Cada símbolo possui um nome com características muito próximas às
simetrias do cálice. Como o círculo formado pela borda do cálice é inteiramente
redondo, podemos concluir que a fruta é aceitável como uma referência.
_Admirável,
Saunière de modo bastante audacioso conseguiu emparelhar vários elementos incógnitos
com as referências geométricas. - elogiou Langdon.
_Outros
nomes tais como OURO, PRATA, COROA, CRUZ, PORTAL, fazem referencias idênticas
aos símbolos. Isto nos facilitaria com a ordem exata do código.
_Em
nossa visita à Leigh, chegamos à suposição de que o triângulo invertido com a
ponta para baixo, diz sobre a mulher e ao contrário, o homem.
_Negativo.
Um diz sobre o rei e o outro, a igreja. Dos nomes que guardo em minha memória,
posso dizer que coroa e flor representam estes dois símbolos.
_Flor?
– perguntou.
_Sim,
a Tulipa, em seu formato cônico e crescente é expressamente relacionada ao
nome. O significado pode dizer sobre o desenvolvimento dado pela diligência
oferecida através da antiga igreja, que outrora fechada, se abria à um novo
progresso ideológico.
Langdon
tomando uma das imagens sobre a mesa para uma rápida análise, sugere:
_Conforme
o formato geométrico e pela assimilação à igreja, diria que a palavra ‘taça’
seria o termo mais apropriado para caracterizar o símbolo, talvez este nome
esteja relacionado aos códigos?
_A
palavra taça, de fato, está relacionada aos códigos e assim como a flor, faz
ligações à igreja, os dois nomes competem à uma mesma referência. O pedestal
invertido porém, surge como o segundo formato em alusão à um destes nomes.
Penso que a taça seja representante deste símbolo.
Langdon
tomando o formato do pedestal invertido, move a imagem e analisa:
_Um
outro formato geométrico, ou seja, desconsiderando-se o formato cônico da base,
teremos o modelo similar à taça. Ainda penso que a taça não se figura à este
símbolo. – observava enquanto seu dedo remodelava a imagem do pedestal
invertido - Porém o formato mais idêntico à este, sem dúvidas, é a Tulipa.
_Considerável,
não é errado dizer que a taça venha ser a própria dissertação da igreja. –
concordou Leigh – Enquanto a flor é explanada pelo desenvolvimento da igreja,
ou pela liberdade religiosa, afirmo que a taça será o representante da pirâmide
invertida, surgindo como o símbolo da aliança pontificial marcado pelos tempos
remotos.
_Isto
fica mais evidente, quando a flor, representado a liberdade religiosa, surge
como o símbolo inverso da torre representando a liberdade política. – comparou
Sophie a concordância inversa das duas geometrias em consideração aos fatos
históricos - Os símbolos devem estar relacionados à geometria e aos fatos,
sendo a torre a liberdade política, expressamente marcado pelo fim do império,
e a coroa representando o rei. Taça e flor, sem dúvida, deverão seguir seus
respectivos períodos. A flor representando a liberdade religiosa, portanto,
deverá seguir o período em que a torre se encontra, ou seja, os sete fatos na
Europa.
_Tratando
da aliança católica nos tempos remotos, realmente comprovada pela adesão da
igreja no século IV, não fica difícil dizer sobre a concordância da taça com a
coroa representados nos sete momentos históricos do império. – concordou
Langdon.
_É
importante frisar sobre a taça, - acrescentou Leigh - que literalmente
representou a aliança sacristônica ao império. Porém não temos provas de que a
coroa esteja relacionado aos sete momentos históricos do império, senão pela
concordância geométrica de Sophie. Sabemos que na Europa existiram muitos reis.
– concluiu.
_Porém
nenhum outro poderia ser rei absoluto, senão, o próprio imperador. – refutou
Langdon.
_A coroa sendo o rei e tratando-se do
imperador, posso sugerir como um dos primeiros símbolos do código e o
antecessor do triângulo invertido.
_A concordância de taça e coroa,
portanto, serão expressos como os primeiros símbolos. – advertiu Videl – Mas
ainda não é o bastante. Antes de dizer sobre o triângulo invertido, é
importante citar a declaração monárquica de Odoácro após a queda do império. –
foliou algumas páginas – A coroa representa o rei em termos literais. Não
podemos mencionar o imperador como referencia à este símbolo.
_Talvez haja um equivoco. – interrompeu
Langdon - Os sete primeiros símbolos estão relacionados aos momentos históricos
do império. Não seria possível mencionar literalmente um rei senão após a queda
da dinastia.
_Embora o império tenha sucumbido com a
deposição do último imperador, ainda suas vertigens foram mantidas até o início
do século VII. Fato que será relacionado à um símbolo posterior. Portanto, é
correto afirmar sobre a supremacia de um rei, concluímos com isto que o
triângulo em forma de pirâmide representando o reinado, virá primeiro. – a
página é encontrada sobre o livro epistológrafo, Videl ressalta:
_Odoácro, de origem latina, levantou um
exercito italiano com o qual ele derrotou os vândalos na Sicília, se aliou a
Teodorico, da tribo dos herúlos e foi capaz de conquistar toda a ilha por volta
de 477. Foi aclamado rei e conquistou a batalha de Izonso em 489, a batalha de
Milão em 489 e a batalha de Benevento em 490. O exército preponderou sobre toda
a península Itálica em 493. Por conseguinte, os territórios foram declarados
anexados ao regime, os últimos patrícios da tribuna foram anistiados, a cúria
propôs o Estatuto Italiano, que entre outras medidas, manteve a capital em
Roma.
_Sendo
o reinado primeiro que a assunção da igreja, descarto a hipótese de que a taça
exemplifique a adesão católica dada no século IV. – desconciderou Leigh.
_Esta
suposição será essencial para tratarmos de um outro símbolo. A igreja porém,
nunca será antecessora ao reinado quando abordarmos o império. Contudo, temos
algo que poderá esclarecer sobre o fato. – duas ou três páginas foram passadas,
Videl destaca:
_O bispo retomou o título de Pontífice,
que muitas vezes foi estagnado pelo despotismo imperial, pela obstinação dos
imperadores aos protetorados romanos e pela intransigência do pontificado na
política interna de Roma. Os bispos Teodósio e Honório, por exemplo, declamaram
o poder da igreja sobre Roma como legítimos imperadores. O bispo Félix IV foi
sucessor ao cargo de Leão I em 482, atuou em um período marcado pela divisão
política entre bispo e rei, obteve maior aderência pragmática aliando-se ao
exército italiano em 524, quando terminou sua campanha política. Junto com o
exército italiano comandado por Teodorico, o bispo reconquistou igrejas
importantes em Neápoles, Cápua em 499 e Palermo na Sicília em 523. As campanhas
internas na Itália foram motivos de inspiração para o surgimento do futuro
Sacro-império na Europa e para os primeiros planos da construção da sede no
Vaticano. Este período portanto, é conhecido como o início do governo paralelo
efetuado por Teodorico, que dividiu reinado junto ao bispo aclamado pontífice
absoluto.
_O
terceiro momento, como disse, trata de uma forma de governo teocrática, talvez
seja por este motivo que muitos judeus usam este símbolo como insígnia política
ao introduzirem regimentos ideológicos às leis cívicas, unindo as duas
ideologias em um único partido. Este não poderia ser, senão o pentagrama. Para
os romanos não foi diferente, a dinastia de Teodorico conseguiu prevalecer
somente até o reinado de seu filho Teodomiro. Por volta de 590, Gregório I
finalmente recebeu o título monárquico e pontífico resignado pelo rei. A lei lhe
concedia o direito supremo sobre tod reino italiano. O evento acarretou com a
unificação definitiva clerical com a teocracia política interna. As demais
formas de governo imperial foram abolidas, e os últimos vestígios do império
foram sendo anistiados. Este fato coincide com o domínio pontifico. – Videl
ressalta:
_É importante frisar sobre a outra
ideologia dos Templários, que diferente da igreja, desejavam manter o vigor
político prestigiado pelo império, então abolido pela monarquia, mas revigorado
pelo Sacro-império.
_Então
temos coroa, taça e pentagrama? – anotou Langdon.
_Estrela.
– corrigiu - Este símbolo é denominado por este nome, devido às seis pontas.
Pode ser considerado o último entre os sete fatos do império.
_Fica
evidente a queda do império como símbolo antecessor à coroa.
_Porém o símbolo ainda é desconhecido.
_Talvez seja representado pela geometria
do portal, segundo o modelo do lenço sobre o cálice. – sugeriu Leigh.
_Não.
– corrigiu - O portal, nome atribuído ao símbolo, não seria adequado à esta
conjuntura. Seu significado ainda me parece desconhecido, mas muitas traduções
apontam para a vida-longa.
_Não
tenho dúvidas que o fruto seja referente a queda do império. – interrompeu
Sophie – Como disse, este foi o último nome encontrado no papiro do criptéx,
devido o grampo interno do invólucro. Pela sua posição no papiro parecia estar
relacionada aos quatro primeiros símbolos, exatamente ao epicentro do primeiro
complexo.
_Aceitável,
o fruto já foi responsável pelo fim do reinado de um rei de outrora, quando
envenenado pelo então usurpador. Anote. – ordenou Videl enquanto procurava pela
página concernente ao episódio.
_Embora
a igreja tenha ganhado força com a adesão clériga, por outro lado, faltava
ainda recursos políticos para que o representante conseguisse maior influência
administrativa, portanto, o círculo é o código antecessor. - disse ao se
lembrar do círculo codificado pelo fruto - As constantes invasões políticas na
Europa culminariam com a renúncia do último imperador romano do oriente, Nepos,
marido da sobrinha do bispo Leão I. A conquista das últimas batalhas em
Toulousse pelo rei franco Merovel em 475, a ocupação dos Hunos ao norte, o
avanço dos ordovicos de origem latina e a deposição do cônsul Rômulo Augusto na
província de toscana pelo rei Odoácro, causou a queda definitiva do império em
476.
_Impressionante,
os nomes atribuídos aos símbolos parecem ainda mais reforçar o significado
representativo formado pelo fato correspondente. – observou Leigh.
_Nem
todos.
_Ainda
restam três símbolos e se tratando do significado expressivo da geometria no
símbolo, suponho que o quadrado seja o primeiro dos códigos representando o
início do império. – dissecou Sophie - Veja que as partes contornando a área
interna do cubo, podem elucidar as delimitações empenhadas em torno das regiões
conquistadas pelo imperador.
_O
quadrado ainda é um símbolo bastante delicado, não sei o nome atribuído. Sei
que os três primeiros códigos cumprem com a seqüência respectiva de ouro, prata
e bronze. Assim como o quadrado inverso, pode ser um símbolo candidato à ocupar
o primeiro código recebendo a denominação do ouro. Porém um ou outro extraviará
da sua teoria. Embora prata e bronze respeitem a teoria dos símbolos invertidos
no mesmo período, o ouro contudo, sendo o quadrado ou o símbolo inverso do
quadrado, não corresponderá ao mesmo período dos tempos do outro.
_Tratando-se
de um fato histórico nos sete posteriores momentos na Europa, e cujo símbolo
restante deverá representá-lo. Tenho a mera convicção de que o quadrado será
primordial para representar este código, quando nada menos dizemos sobre a
unificação dos reinos. – Langdon aconselha ao exemplificar uma figura - As
quatro pontas dão sentido às quatro principais potências, Itália, Alemanhã,
Inglaterra e França.
_Bom,
sendo o quadrado inverso pela diagonal o código representando o ouro, cumprirá
obviamente com o fato precursor ao império. Otávio Augusto sucedeu o último
cônsul de Roma, Júlio César, que foi impedido de declarar o império por um
golpe militar. Otávio foi nomeado imperador pela côrte romana vinte e sete anos
antes de anexar as províncias ao império, estabelecer as leis e o calendário
romano, fato que também coincide com o início do calendário cristão. Incorporou
ao seu nome o título de César, marchou sobre Roma e administrou os
protetorados cumprindo com a instituição do seu antecessor. Uma comissão formada pelos descendentes da
dinastia Marco Aurélio, incluía, Marco Antônio como cônsul e governador da
Hispânia.
_Obtendo
o primeiro código, não fica difícil encontrar o próximo símbolo em cuja
companhia está o inverso. – disse Leigh ao mover a figura dos triângulos em
forma de setas e dos triângulos opostos sobre as pontas – Dos símbolos inversos
restam apenas as pirâmides opostas e a pirâmide pela diagonal.
_Não
conheço os nomes atribuídos às pirâmides opostas, tudo parece indicar o
equilíbrio como o principal significado do símbolo quando pela vertical. O que
dificilmente poderia acontecer com os antigos reinos quando dominados pela
extensão imperial.
_O
inverso do símbolo pela horizontal, se assemelha à uma gravata borboleta,
talvez represente os tempos modernos na Europa? – observou Sophie.
_Não
devemos considerar a característica direta do símbolo, como disse, nem todos
são significantes, mas se tratando de modernidade o que supostamente pode ser o
significado, descartamos a possibilidade de que este seja o símbolo inserido
aos sete primeiros fatos do império.
Algumas
observações são feitas, Langdon conclui:
_Pela
lógica o triângulo direcionado pela ponta à esquerda em forma de seta virá a
seguir, estão opostos pelas pontas, ao contrário, podem se assemelhar às duas
pirâmides unidas pela ponta na horizontal.
_Representará as ações políticas do
império. Esta atitude foi primeiro tomada com maior destaque pelo imperador Trajano.
Atingiu seu apogeu em 117 destacou-se por respeitar as instituições políticas
estabelecidas no governo anterior. Tomou várias medidas importantes. - um
pequeno texto é recitado - Introduziu
benefícios aos agricultores, enrijeceu o sistema de protetoração romana. As
áreas neutras além do rio Danúbio foram sendo povoadas pela aprovação da côrte inicialmente
pelas colônias romanas. Os burgúndios ganharam estadanias. Habitaram o leste da
província de Gália e foram civilizados às leis romanas. Evoluíam a medida que
trabalhavam e conquistaram prosperidades, foram chamados de burgos pelo
imperador. O território além do rio Danúbio, no entanto, não seria incluído ao
império.
_Importante introdutor da burguesia.
_O
triângulo virado com a ponta pela direita, ao contrário, diz sobre as ações
religiosas do império. Constantino I tomou destaque ao oficializar as religiões
apuradas e o estatuto de legitimidade, a nova ordem religiosa ao império
aderida pelo imperador em 313 foi aprovada pelo Edito de Milão. Uma das regras
do acordo autorizava a prática católica permitindo os ensinamentos ligados à
igreja, o cristianismo ganhou adeptos e em 380 foi oficializa por Teodósio. Sob
a influência de Ambrósio, o imperador proibiu as cerimônias pagãs em Roma, mas
recusou levar o título de Pontífece por considerar-se incompatível ao cargo.
Esta foi uma das primeiras tentativas do cátolicismo em unir o império à igreja
romana ortodoxa. Teodósio retirou o Altar Vitoriano da Casa Senatorial em Roma,
e ignorou os protestos dos membros pagãos da Corte. Confiscou as suas rendas,
proibiu as doações de propriedades à peble e aboliu outros privilégios que
possuíam os sacerdotes e sacerdotisas pagãos.
_Os
sete primeiros códigos estão feitos. Os próximos símbolos dizem de fatos
decorrentes das principais regiões na Europa.
_Os
significados restantes são, liberdade política e religiosa, equilíbrio, leis e
reinos. – disse Langdon.
_O tripé, que representa a liberdade,
não poderia fazer outra menção, senão para as conquistas dos territórios
dominados pelo império romano. Os Francos tomaram partida em Gália por volta de
450. Simultâneas invasões conseguiram dispensar as tropas nas margens do rio
Meuse. A pressão dos francos se intensificou quando o episódio tornou a se
repetir em Lutécia. O crescimento populacional dos hunos, as guerras na costa
sul da península gaulesa, a transferência dos militares estrangeiros à hispânia
enfraqueceria o poder militar do império romano, e em 460, com a sucessão
interditada pela convulsão política e militar, o exército franco dominaria
definitivamente Liége. A ocupação obteve maior êxito em 486, quando Merovel
derrotou Siágrio, último oficial romano ao norte das colônias de Toulousse.
Merovel, como o primeiro rei que começou a conquista da Gália tomando a
capital, venceu um pequeno grupo de turíngios à leste de seus territórios em
491 e depois, com a ajuda dos francos-sálicos, derrotaria definitivamente os alamanos
na Batalha de Tolbiac. Casou previamente com uma princesa burgúndia em 493. A
vitória ampliou o domínio franco para a maior parte da região ao centro oeste
do Loire, foi um dos responsáveis pela unificação dos francos em 511. A
conquista confirma então, a liberdade política proclamada pelo reino. O símbolo expressado pela mesma simetria da
torre Eiffel, sem dúvidas marcou a liberdade política no início do século VI e
a primazia de um dos primeiros reinos antigos.
_Porém,
uma vez tratando dos eventos na Europa, é importante destacar outras investidas
dos reinos contra o domínio do império. Na Inglaterra, por exemplo, os
ingleses, oriundos das tribos dos anglos, conseguiram alojamentos entre o rio
Reno até as colônias de Hamburgo após alianças com os saxões. Construíram um imponente
exército nas regiões da Frísia. Em 440,
ocuparam as áreas costeiras do leste e sul do Reino Unido, libertaram os
bretões do domínio romano instalado pelos principais generais nos primórdios da
expansão do império.
_Os germanos inicialmente conquistaram
vilarejos em Worms na Alemanhã, dominaram as fronteiras do Reno ao norte em 406
e conquistaram a Boêmia durante três anos. Após a fragmentação do exército titular
romano enviados às batalhas nos Alpes e o enfraquecimento das tropas em
Dunberg, os germânos com o apoio do comandante Genserico, finalmente guerreiam
contra os romanos em 413. Se estabeleceram com maior impacto na Suábia, sul da
Germânia. Em 430 os germânos venceram o exército romano da Baviera nas
fronteiras germânicas pelo rio Reno após se aliarem com alamanos infiltrados no
exército romano em Lechfeld. Esta conspiração debilitou o exército romano com a
derrota dos lombardos até as fronteiras de Estenberg às margens do rio Danúbio.
Os invasores conquistaram o reino germânico em 443, alteraram a dinâmica social
dos povos nativos, muitas colônias se submeteram à autoridade de uma nova
elite, e aos poucos, as colônias romanas ao norte perdiam as propriedades
transformadas pela cultura alemã. Os hunos também formaram exércitos, constituíram
a liberdade política italiana e espanhola e entre as demais colônias se
destacavam os helvécios e ordovicos. Assim também ocorreu com os eslavos, se dividiram
e formaram tribos de húngaros, búlgaros e croátas com a assunção do rei Mieszko
I em 960. Os germânos, belgas, gépidas e turíngios se estabeleceram entre a
Polônia e Germânia. No séculos IX, os sarracenos, magiares e viquingues, se
expandiram por toda Europa. Cumprindo assim com a liberdade política dos
reinos.
_O próximo símbolo não poderia ser outro
senão, os reinos.
_De certa forma sim, com a conquista
territorial, restava tão-somente a consolidação política das grandes monarquias.
_O império carolíngio
havia restaurado uma espécie de ordem política na maior parte da Europa
ocidental, que antes pertencera ao império romano, culminando com a formação
dos Estados ao norte e leste da Europa. Expedições militares saíram em busca de
metais preciosos cobrados como tributo. Na Inglaterra, as terras sob jurisdição
dos dinamarqueses, danelaw, foram aos
poucos conquistadas. Os reis de Wessex, contaram com o apoio de Eduardo I entre
899 à 920, e Athelsan 924 à 939. Homens livres se submetiam aos senhores em
troca de proteção, o último rei escandinavo de York, Eric Blodaxe em 954,
manteve a colonização das terras, permitiu caminhos para a unificação da
Inglaterra e pelas reformas políticas e religiosas introduzidas por Edgar em
960, estabeleceram Inglaterra Noruega e Dinamarca.
_Na França, os governantes francos efetivaram a
monarquia deixando a defesa nas mãos dos nobres locais, lavradores perderam status para os cavaleiros que formaram
uma nova ordem em 1050. Henrique II em 1154 à 1189 validou as leis em todo o
reino. Procurou submeter a igreja à legislação real. Nomeou juízes para
percorrerem os condados, presidirem os tribunais e aplicarem as leis. Aprovou o
direito de convocar os homens livres ao exército. O resultado nas duas regiões
foi a fragmentação da autoridade pública e o fortalecimento do poder militar
dos líderes. Na Alemanha o poder passou para os duques e margraves que guardavam as fronteiras. Desde o início do século X, o
poder dos sarracenos, magiares e viquingues na Europa ocidental tornou-se um
entrelaço de condados, comunidades, principados e senhorios, confinados pela
relação da aristocracia aos reinos. Em 1180 a Sérvia buscava independência. A Hungria
e Bulgária anexaram os territórios e entre 850 a 1050 estados escandinavos e eslavos
surgiram como entidades organizadas.
_Dublin e Irlanda flutuavam por causa das guerras,
mas a cunhagem das primeiras moedas irlandesas em 990 nas principais cidades
escandinavas monopolizou o comércio. O
poder econômico e as conexões internacionais aumentaram. A riqueza da
Inglaterra logo voltou a atrair os escandinavos.
_As principais terras da Escócia e o extremo norte
foram conquistadas pelos escoceses. Em 1050 a influência se estendeu até os
condados ao norte da Inglaterra de hoje. A fronteira definitiva foi traçada em
1237. A Dinamarca sob três marqueses, Gorm, Harald, e Svir, tornou-se no século
X um poderoso reino. Após a batalha de Hafrysford, em 890, parte do sul da
Noruega estava sob o domínio de Harald. Uma nova fase de consolidação política
iniciou com a campanha alemã de Henrique I. Ao leste na Polônia, surgiu um
importante Estado eslavo. Mieszko I em 991 uniu as tribos ao norte da Polônia e
seu filho Boleslau Chrobry em 1025 estendeu o controle ao sul. Os magiares ocuparam
a planície húngara onde se estabeleceu o reino do duque Geisa 997 e seu filho,
o rei Estêvão em 1038. A boêmia, situada entre Alemanha e Polônia, também surgiu
como unidade política, época de Boleslau I. A Dinamarca foi o primeiro reino
escandinavo a tornar-se estado na concepção cristã. Três reis foram responsáveis
Harald, 958 à 986, Svir 986 à 1014 e Kanuto, 1014 à 1035, ano em que Noruega,
conseguiu sua unificação. Em 1261 auxiliados por Gênova, rival de Veneza, os
gregos expulsaram os ocidentais. A conquista do reino normando, em 1194, tornou
Houhenstaufen um dos mais ricos governantes da Europa.
_Os fatos realmente se compatibilizam
aos símbolos, o ocorrido segue sua conjuntura e entre os significados
restantes, não rejeito a hipótese de que a flor seja o próximo. – arriscou
Langdon - A liberdade religiosa elucidada pela flor, evidencia o próprio
movimento reformista ocorrido com maior impacto no século XVI.
_Sem
dúvida, o triângulo com a ponta reta invertida em forma de flor representa, ao
contrário, a liberdade religiosa sucedida contra o despotismo do Sacro-império.
_Os conflitos começaram entre os reformadores da
igreja e o mundo secular, acabou por destruir os princípios morais. Chegou ao
ápice com Gregório VII em 1073-85, que excomungou e depôs o rei Henrique em 1076.
A Primeira cruzada por Urbano II 1088-99 confirmou o rápido avanço da
autoridade papal e o descontentamento da população urbana, inconformada com a
guerra obrigatória. A disputa foi resolvida em 1122 pela concordata de Worms. O
conflito entre o governo e papado se deteriorou e passou de uma questão de
princípios à luta pelo controle da Itália.
_O envolvimento político do papado ficou claro
quando os alemães da lombardia conseguiram apoios políticos, a fim de acobertar
as investidas de Frederich 1152-90 para restaurar a autoridade governamental na
Itália. O papado não conseguiu impedir Hohenstaufen de adquirir o reino
normando ao norte da Itália. A morte do filho de Frederich 1190-7 e a guerra
civil na Alemanha permitiram a Inocêncio III 1198-1216 resgatar o poder a
igreja. O pontificado de Inocêncio III foi um ponto alto do papado. Fundou um
estado papal no centro da Itália para proteger Roma. E venceu o
anticlerialismo. Os hereges do sul da França foram reprimidos pela cruzada
albigense 1208. Inocêncio incentivou a igreja pelas novas ordens de frades,
franciscanos e dominicanos, reformando a conduta eclesiástica. Assim, Inocêncio
IV 1243-54 aliou-se as cidades italianas para enfrentar o governo. Henrique
VIII, rei inglês, rompe as relações com o papado com a reforma anglicana. Em
1377 o papado retornaria a Roma. O fim da opressão do sacro império ocorre por
volta de 1420, com o Concílio de Constança os reinos se libertariam dos
impostos do Sacro-império. A igreja se
limita ao Vaticano em Roma. Na Europa os países adotam religiões independentes.
_Os revolucionários Jhon Huss e Jerônimo de Praga
foram protagonistas na revolta de 1420, lideraram um movimento reformista na
Boêmia, e denunciaram a ambição do clero por prestígio político e bens
materiais. Em 1429 a camponesa Joana d'Arc, comandou um pequeno exército
enviado por Carlos VII, libertou Orléans, sitiada pelos bispos ingleses. Com a
vitória sobre os ingleses, Carlos VII passou a governar a França com poderes
absolutos. Surge com a reforma protestante do século XVI, Martin Lutero de
Wittenberg, conseguiu apoio dos príncipes alemães. As idéias de Calvino foram
fundamentais ao movimento. Os principais liderem foram, Thomas Muntzer em 1525
e Zwinglio de Zurique. As idéias foram assimiladas pelo francês Calvino em
1534.
_Realmente, não tenho como contestar. Este sem
dúvidas é o próximo símbolo.
_O conflito entre a população e o papado foi um
ponto crucial na história, afetou profundamente a vida política na Europa,
marcada por constantes guerras entre os partidários pontífices e os membros da
revolta contra a ofensiva do papado principalmente na Itália.
_Ainda nos restam cinco símbolos. – comentou
Langdon enquanto analisava as imagens.
_A cruz e o portal são menos
importantes. Os triângulos opostos,
porém, representam o equilíbrio revelado muitas vezes pelas guerras. Este
símbolo, cujo nome não me recordo, pode ser alusivo, com maior destaque, às
duas principais Guerras Mundiais. Os triângulos opostos posicionados pela
horizontal, ao mesmo tempo em que poderão representar a modernidade também
relatam sobre a relação política entre os países, expressamente revelada pela
então União Européia.
_Os fatos parecem ser coincidentes à
seqüência das pirâmides opostas pela vertical e horizontal, mesmo quando se
tratam de outros momentos. Veja que se substituirmos a organização política por
outra entidade tal como a antiga CEE, a Comunidade Econômica Européia, formada
por países da Europa Ocidental criada em 1957, ou pela Organização do Tratado
do Atlântico Norte, a OTAN, criado logo após a Segunda Guerra Mundial em 1949,
não encontraremos desvios quanto à ordem dos fatos.
_Plausível. – concordou Leigh – E mesmo
se substituirmos a Segunda Guerra Mundial pela Revolução Francesa, ainda assim
teremos a ordem cronológica dos fatos.
_Ainda penso que a cruz seja
representada pelas leis desenvolvidas após a Primeira Guerra Mundial, tais como
o tratado de Versalhes e as leis complementares estabelecidas na Europa,
resultando com a sobressaída de alguns países da esfera de influência alemã,
austríaca e russa, para se tornarem mercados privilegiados das demais potências
capitalistas européias. – especulou Langdon - E como coincidência conjuntural,
posso citar a Conferência de Teerã, de Potsdam e outras leis políticas
estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial, que entre outras medidas,
propunham o fim da guerra na Europa, a divisão territorial, a indenização e o
surgimento do tribunal de Nuremberg.
_Os tratados foram criados com o
objetivo de proporcionar a segurança social aos países membros. Um fato não se
coincide ao outro em momentos diferentes, ambos devem representar um único
período. – observou Leigh - Estas leis tratam da mesma definição dada pelo
significado do símbolo, estão incluídas em um único momento, ou seja, o
equilíbrio.
_Acalmem-se, a cruz é o último símbolo
significativo em cuja tradução está o último fato a ser definido. Não devemos
associa-lo à leis conseqüentes de fatos preliminares e intermitentes, se
limitando à um período breve. – interrompeu Videl – Tenho algo que possa fazer
alusão ao símbolo. – foliou algumas páginas – E nenhum fato jurídico esteve
incluído à um período longo como o próprio absolutismo.
_Iniciou
por volta do século XVI, quando as primeiras manifestações do renascimento
comercial e monetário despertaram a economia medieval. Atingiu seu apogeu
durante o século XVII. Contribuiu para a formação de uma entidade funcional
submetida à critérios racionais de eficiência mútua e organizada segundo a
hierarquia submetida à uma autoridade única. Durante a Idade Média, o rei era
apenas um representante monarca entre os senhores feudais. A nobreza lhe devia
o voto de vassalagem. Dentro do feudo, porém, cada nobre dispunha de seu
próprio poder político e jurídico com a mesma jurisdição de um monarca. Aos nobres
pertenciam os meios materiais de administração, incluindo a formação do
exército autônomo, bem como a capacidade de cunhar moedas e estabelecer
impostos. Os príncipes começaram por destruir a grande variedade dos poderes
independentes da nobreza e expropriou seus meios administrativos ao liquidar os
exércitos particulares.
_Aceitável. – concordou Leigh.
_Assim,
nos sete momentos seguintes, temos...
Langdon observa o bloco e recita:
TORRE, QUADRADO, FLOR, CRUZ, TRIÂNGULOS
OPOSTOS VERTICAL, HORIZONTAL e... PORTAL?
Langdon ergue a cabeça retornando os olhos
à Videl quase por esquecido do último símbolo da seqüência e pergunta:
_À propósito, qual é o significado do
portal? Talvez haja algum equivoco quanto a seqüência.
_Ah o portal! Realmente está incluído no
último campo, é o símbolo crucial dos códigos, os fatos culminam em um único
significado, e nenhum outro significado poderia estar expresso senão ao portal,
logo, este é o símbolo cujo significado é inexpressivo. O portal é capaz de
reunir a história em uma esfera imaginária, muitos dizem tratar do santo-Graal,
alguns pesquisadores apontam à um lugar existente, moldado pela mesma forma do
símbolo e conforme minha própria expectativa quanto ao segredo, receio que seja
algo muito aproximado.
CAPÍTULO
19
A
discussão sobre os fatos coincidentes aos símbolos se prolongava e estava perto
em terminar. Faltavam ainda algumas definições quanto a relação dos códigos e a
seqüência. Langdon comentava sobre o horário em que deveriam comparecer à sala
secreta, mais conhecida como, o último monasteiro.
_Falta
pouco menos de uma hora para o meio-dia. - o professor comenta após observar o
relógio – Devemos nos apressar.
De
acordo com a tradição, a luz do meio-dia no período de uma hora, seria
essencial para a construção da mensagem. Um orifício circular feito no teto do
salão possibilitava a entrada dos reflexos ao espelho central do aparelho.
A equipe se apressa pelos corredores, a
chave trabalhada sob a posse de Videl abriria a primeira porta de acesso ao
local secreto. Antes de entrarem à reunião, o grupo se depara inicialmente com
o salão principal da Capela Sistina. Antes da entrada estava posicionado um dos
auxiliares da comissão. Usava cabelo curto e uma longa túnica em tom pardo
escuro, sobre a borda dos ombros descia o capuz que se apoiava pelas costas e
pela cintura o seu cordão.
_Em que posso servi-los. – atendeu o
padre dizendo em italiano.
Videl, que conhecia o idioma falado, se
aproxima:
_Sou um dos representantes da convenção
e membro do Priorado de Sião. - Apresentou-lhe sua carteira de identificação
que estampava sobre a capa plastificada, nada menos que seus dados pessoais
junto ao brasão em tons azul e branco do conselho mencionado. – Estes são os
meus convidados à reunião preeminente. Estou à procura dos responsáveis pela
comissão constituída por Jacques Saunière. – disse em sotaque italiano.
O padre ao ouvir a respeito, segue em
direção à um outro auxiliar, e tomando-o
pelo ombro direcionou o comunicado em secreto, quase que por ocultar a voz, ao
dizer em seu ouvido a discrição da pessoa que o direcionou. O padre observando
Videl, a reconheceu como membro do conselho e parentesco de Saunière quando em
suas atividades internas no Priorado.
_Obrigado.
Agradeceu e poucos passos o conduziria
para próximo da equipe.
Langdon passeava os olhos pelo magnífico
teto do salão, repleto de querubins, profetas e síbilas, permaneceu paralisado
diante do sexto painel do vão central, O Pecado Original. A pintura mostrava
uma artéria disfarçada de tronco seco atrás de Eva. Em seguida, visualizou a
estrutura de uma escápula entre o osso do ombro escondida sob as vestimentas de
um dos antepassados de Jesus, numa área lateral.
_Certa vez, ao dissecar um cadáver e
deparar com um corte de arco aórtico em meus estudos anatômicos, consegui
constatar a simetria idêntica ao que vira nos quadros demonstrativos da Capela
Sistina, na sala de arte de um Museu associado pela Harvard, inclusive com as
artérias coronárias esquerda e direita. – Langdon comentava enquanto
contemplava algumas pinturas.
_Imagino que Michelangelo houvesse usado
a peça anatômica como evocação figurativa. – interpelou Leigh - Afinal, os
renascentistas eram fascinados pela anatomia humana e brincavam com as formas.
A
Capela Sistina reúne obras magistrais da pintura do Renascimento e do
patrimônio artístico da humanidade. Além disso, a temática abordada, seja no
teto, no Juízo Final ou nas pinturas laterais, propunha aos observadores uma
visão bíblica do mundo com ampla significação em uma dimensão física e
simbólica até então nunca atingida e, sob certos aspectos, insuperável. A faixa
central da abóbada famosa por seus afrescos metafóricos e, segundo o projeto
original, estava decorada em partes idênticas ao desenho geométrico que
Michelângelo se propôs a realizar e conseguiu a permissão do papa para modelar
sua idéia. Para Sophie tudo indicava que as dimensões pareciam ter sido
inspiradas pelas dimensões do templo de Salomão.
_O teto abobadado, originariamente
desprovido de qualquer adorno pictórico, formando a estufa interna ocupado por
uma composição unitária realmente traz-me a impressão das estruturas do templo
de Salomão. Quarenta metros de
comprimento e treze metros de largura subdividiam as nove áreas centrais. O
ambiente exibia uma decoração emblemática em que a arte mais se aproximava de
Deus.
O padre finalmente se aproxima:
_Senhorita Videl?
_Padre Mangano, - Videl o saúda ao
direcionar-lhe a mão para receber o ósculo santo. O restante do grupo é
apresentado, Videl prossegue:
_Como tem andado o bispo Aringarosa?
_Nada bem. Foi impedido em comparecer à
reunião pela suspeita do crime, retornou alguns dias dos tribunais franceses,
ainda está inconformado com o cargo ocupado por Saunière cedido ainda à outra
pessoa, também responsável pela guarda do segredo.
_Posso saber sobre quem se refere?
_Bispo Kalabrasas, homem de vigor e estatus, possui um imponente poder
aquisitivo, exerce também poderosas atividades na Alemanha. Um ótimo
conselheiro.
_Acompanhem-me, os conduzirei à entrada
secreta.
_Ainda falta tempo, - interrompeu Videl
- gostaria que nos dissesse mais a respeito das obras e da Capela.
_Será um enorme prazer!
Em uma outra parte do salão Mangano
dizia:
_Esta
dependência do Palácio do Vaticano, em Roma, atinge o absoluto esplendor aos
magníficos afrescos pintados por Michelangelo, Perugino, Ghirlandaio e
Botticelli, entre outros artistas do Renascimento. Os temas do Antigo e do Novo
Testamento foram o ponto de partida das imagens imortais da Capela. Seu nome é
uma homenagem ao Papa Sisto IV, que ordenou a sua construção em 1475. Os
trabalhos se prolongaram até 1483 e, atualmente, a Capela é usada para as
reuniões do Colégio dos Cardeais destinadas a eleger os novos Papas.
O edifício parecia uma fortaleza,
deixando evidente que a função da Capela seria apenas a de uso interno dos
moradores do Palácio do Vaticano, principalmente do Papa.
_Ainda sob o papado de Sisto IV,
começaram as decorações das paredes. Perugino, Cosimo Roselli, Sandro
Botticelli, Domenico Ghirlandaio e Luca Signorelli pintaram quadros da vida de
Moisés e de Jesus Cristo, além de uma série de Papas entre as janelas, seis no
alto de cada parede lateral. Em 1508, o Papa Júlio II, sobrinho de Sisto IV,
encomendou a Michelangelo o afresco que hoje decora o teto da Capela, inclusive,
A criação do homem, quadro abordado nas investigações de Langdon e Fache no
museu do Louvre. O artista aceitou o desafio pleno de dúvidas, pois
considerava-se mais um escultor do que pintor, preferindo os blocos de mármore
carrara aos pincéis. A obra foi terminada em 1512, sendo o resultado de um
processo muito minucioso e difícil.
_No plano físico, a posição incômoda em
que o artista tinha que pintar sobre andaimes, todo retorcido e com o odor de
tintas prejudicando-lhe a visão, causava cansaço. Além disso, segundo alguns
historiadores e críticos de arte, Michelangelo recebeu a companhia do jovem
pintor Rafael, então em ascensão. – acrescentou o professor.
_Mas
o resultado foi magnífico, superando qualquer expectativa. Michelangelo
representou, seguindo uma ordenação teológica, desde a Criação do Universo até
a Embriaguez de Noé, incluindo mais sete episódios do Gênesis, além de sete
profetas, cinco síbilas, que teriam anunciado a vinda de Cristo, e quatro cenas
nos cantos representando façanhas de heróis do povo de Israel tais como, Davi
vencendo Golias, Judite matando Holofernes, Ester denunciando as perseguições
de Amã aos judeus e o episódio em que, picados por serpentes venenosas, aqueles
que tivessem fé poderiam se curar olhando para uma serpente de bronze, colocada
no alto de uma vara por Moisés. O primeiro projeto que começou a ser pintado
por Michelangelo, contudo, era bem mais modesto, limitando-se a representações
dos 12 Apóstolos. Porém, não demorou muito para o artista perceber que o espaço
a ser preenchido exigia uma obra colossal. Com liberdade de criação e
assessoria teológica do próprio Júlio II, Michelangelo conseguiu realizar o seu
intento, pintando uma síntese da Origem do Universo e do Homem.
O
grupo se aproximava das paredes finais do salão, Mangano procegue:
_Quanto às paredes da Capela, Leão X
ordenou a feitura de tapeçarias com cenas envolvendo os Apóstolos. Os desenhos
foram realizados por Rafael e o resultado final está hoje conservado na
Pinacoteca do Vaticano, tendo sido exposto pela primeira vez na Capela em 1519.
Não se pode deixar ainda de referir ao talento de Michelangelo na execução do
Juízo Final. Em 1533, vinte e um anos após a decoração do teto da Capela,
Clemente VII, da família Médicis, tradicional pelo poder em Florença e pela
prática do mecenato, fez a encomenda ao artista. A responsabilidade era imensa
para um artista que, já com 60 anos, via-se mais uma vez obrigado a deixar o
cinzel e o martelo de suas amadas esculturas pelos pincéis abandonados há 20
anos. Ao contrário do que ocorreu com o teto da Capela, a escolha do tema não
foi problemática. Desde o início da Idade Média, o tema do Juízo Final ocupava
as paredes de entradas das Igrejas. A dificuldade é que o espaço a ser pintado
era a parede dos fundos. Isto obrigou Michelangelo a cobrir duas janelas da
arquitetura original.
Agora
pelas paredes dos fundos Mangano termina:
_Com essas
modificações, a parede ficou 200 m2, vazio preenchido por 391 figuras, muitas
em tamanho superior ao natural. Iniciada em 1535, a obra foi concluída 1541. No
mesmo dia, Paulo III ordenou a rápida retirada dos andaimes para celebrar um
Ofício aos pés do extraordinário trabalho.
Langdon
ressalta:
_De fato estas obras levaram ao elogio, de um dos
principais críticos do Renascimento, Vasari, que ao olhar aquelas figuras com
formas e rostos distorcidos, viu pensamentos e emoções que, melhor do que
ninguém, Michelangelo soube pintar.
_De fato, a obra fugiu dos padrões clássicos da
Renascença, apontando para o modelo italiano, cuja expressão estilística de
seres humanos cada vez mais se dilacerava entre o sagrado e o profano. – disse
Leigh.
Sophie
conclui:
_Pelo que foi dito até aqui, fica evidente que a
Capela Sistina reúne obras magistrais da pintura do Renascimento e do
patrimônio artístico da humanidade. Além disso, a temática abordada, seja no
teto, no Juízo Final ou nas pinturas laterais, propõe ao observador uma visão
cristã do mundo com ampla significação em uma dimensão física e simbólica até
então nunca atingida e, sob certos aspectos, insuperável mesmo em nossos dias.
CAPÍTULO 20
Os
pesquisadores se aproximavam do grande altar da capela onde sobre a superfície
da mesa principal se exibia o cálice sagrado, conhecido por muitos como o
original cálice do santo-Graal. Os detalhes da moldura foliada à ouro pela base
do cálice se assemelhava à arquitetura da torre Eiffel. As dimensões do cálice
foram calculados e transferidos aos códigos secretos. Por muitas décadas no
apogeu das cruzadas, o cálice servia como proteção aos templários. Assim como
os artifícios, as vezes similares, usados pelo Sacro-império. Raras vezes
permanecia exposto no salão, e devido a ocasião o cálice ainda permanecia sobre
uma longa mesa.
_Parece
que não há outras saídas, senão pela sala sacerdotal interior. - comentou
Sophie.
_Acalme-se.
- disse Videl ao exibir a chave da sala.
Alguns
grupos de bispos e cardeais aguardavam pelo interior do salão, usavam
geralmente batinas e mantos brancos encardidos ou pardos como os frades
auxiliares nas campanhas domiciliares. Poucos usavam o preto perpetuo e ainda
alguns procedentes arriscavam o vermelho carmesim. As correias sobre a cintura
pareciam todos iguais, alguns se destacavam por cinturões pertinentes à classe
episcopal e muitos ainda aguardavam usando trajes comuns. Dois diáconos no
mesmo instante fechavam as duas grandes portas principais para a convenção.
Feitas de madeira maciça formavam um vão na coluna superior e apoiada por duas
prezadas dobradiças de bronze fazia soar o ruído do fechamento no mesmo tempo
em que era dada a certificação da presença dos principais convidados. Os acompanhantes de Videl foram previamente
apresentados aos dois primeiros bispos. Uma reunião secreta estava prestes à
iniciar. Videl se aproxima do padre Mangano, um antigo conselheiro do bispo
Kalabrasas que permanecia sobre o altar já pelo interior do salão secreto. Parecia
zelar pelo cálice, foi comunicado secretamente sobre a reunião. Discretamente
Mangado enrola o grande tapete de veludo com detalhes em escarlate sobre o
altar ao se reencontrar com os convidados. Uma porta de madeira engastada
horizontal com uma pequena fechadura simetricamente fundida à semelhança da
chave em forma de escaravelho, se localizava ao meio.
_Por
aqui. - comunicou-lhes ao alojar a chave sobre a fechadura, fazendo abrir a
porta.
Sophie
ainda por entrar à pequena escada de alvenaria ressalta:
_Em
Roslyn, tive uma ligeira sensação de que estava à descobrir o segredo ao passar
por um caminho similar, as portas de madeira, a entrada subterrânea, a expectativa
por mais uma descoberta. Mas agora, nunca me houve sentimento similar.
_Experimentar a emoção de desvendar o
mistério realmente será um grande privilégio. – acrescentou Langdon ao apoiar
suas mão sobre seu ombro seguindo-a pelas escadas.
Finalmente
o monasteiro secreto estava para ser explorado pelos investigadores. Um
corredor obscuro pela passagem inicial se suspendia após as escadas. Ao lado
direito emitiam-se as luzes internas que eram protegidas por cápsulas de um
vidro bastante resistente e seguia consecutivamente apoiado por um longo cabo
de eletricidade fixo à lateral. Uma outra porta é aberta pela mesma chave
trabalhada. O giro da chave pela fechadura fez abrir a última entrada. Sophie e
o restante se vislumbravam ao reparar os primeiros detalhes da sala de reunião.
O ambiente em que estava localizado o globo criptográfico, mais conhecido como,
criptógamo-do-sol, era um local subterrâneo escondido de todos os clérigos
inclusive do próprio Papa. Apenas alguns tinham o direito de acesso, inclusive
o padre Mangado.
O aparelho estava posto em torno de um
degrau de obstrução em um altar ambiental de dez metros quadrados cercado por
algumas grades de proteção feitas de ferro negro. Um longo alpendre se estendia
pelo teto por onde se via o orifício circular, ainda se encontrava fechado.
Pelo assoalho, os deques de madeira concluíam a ornamentação. O grande paredão
atrás da ampola armazenava três panos inteiramente transponíveis para que sobre
a superfície fossem escritos os códigos. Á frente do aparelho, duas colunas
eram ocupados por bancos de madeira lisa e preenchia de um lado ao outro como
uma assembléia. Todo o espaço arejado da reunião era coberto por placas de
ardósias assimétricas que se dividiam aleatórias pelas laterais das paredes. Um
tapete vermelho carmesim forrava a passagem de acesso aos bancos cumprindo o caminho
que dividia ambos os lados até concluir com os lados transversais pela saída
aos fundos do salão onde se encontrava a sala de depósitos artificiais e
vestuário. Todo o estilo se assemelhava a arquitetura da igreja modernista.
Os
panos brancos de tecido frágil e especial, permaneciam continuamente forrando
as paredes atrás do aparelho. Os panos eram únicos e consagrados, toda
informação enviada de modo errado, desperdiçaria imediatamente o material. Os
três acompanhantes de Videl se assentam no banco pelo lado esquerdo da passagem
em direção ao artifício. Alguns outros membros se espalhavam pelos bancos a
espera da cerimônia.
_Sejam
bem-vindos. - disse Kalabrasas - Sou um dos membros do Priorado de Sião e um
dos responsáveis ao lado do falecido Saunière por um dos segredos referente ao
santo-Graal.
_Sou
Anna Videl. - cumprimentou - Como prima de Saunière, fui nomeada para ser
sucessora e responsável pelo segredo. - disse ao mostrar-lhe as escrituras
testamentais - Estes são os meus convidados ao conhecimento da mensagem
secundária.
Além
das duas principais mensagens havia uma mensagem secundária que poderia ser
entregue aos respectivos elegidos por um dos guardiões. Uma breve leitura do
documento é feita, Kalabrasas explica:
_Os
convidados poderão ter acesso a mensagem desde que cumpram com o juramento. Somente
uma mensagem dos três panos poderá ser informada. Como podem ver a criptografia
do globo não é nada formal. Os símbolos são completamente desconhecidos e
somente poderão ser traduzidos por um dos nossos conselheiros.
_Então
teremos direito de saber sobre uma mensagem das três que serão expressas nos painéis?
- perguntou.
_De
certa forma trata de apenas uma mensagem secundária, porém nos painéis são
expressos várias idéias relacionadas ao santo-Graal. Uma delas se refere ao
local das especiarias doadas pelos antigos fidalgos até os dias de hoje. Uma
casa de tesouros, que por ser reconhecido por alguns perseguidores, tornou-se
motivo das principais perseguições e de muitos crimes.
_Não descarto a idéia de que o
assassinato de Saunière, e sua tentativa em manter o criptéx protegido, tenham
sucedido em favor desta mensagem em busca do local dos tesouros. – disse
Sophie.
_Ainda estou perplexo. A senhorita Videl
ainda corre risco de perder os códigos. Pela perca da seqüência certa inserida
no críptex.
CAPÍTULO
21
_Durante quatro anos o grão-mestre
deverá zelar pelo segredo até que o tempo seja cumprido. As mensagens,
portanto, somam doze idéias secretas relacionadas aos antigos mistérios.
_Acompanhem-me,
o bispo fará um ritual que consagrará o juramento. - aconselhou Mangano.
O
grupo se aproxima do altar. Um aparelho altamente desenvolvido, criado no século
XVI, muitas vezes é atribuído à Leonardo da Vinci. Era capaz de emitir mensagens
subliminares em uma linguagem simbólica. O tempo de decifrar o código estava
próximo, muitos decifradores sairiam em busca de respostas que eram mantidas
zeladas em intensa segurança. A maioria dos exploradores enfrentavam
adversidades e pagavam com a própria vida para manter o código em transição.
Muitos códigos deviam ser decifrados, muitos obstáculos deveriam ser vencidos,
todos os segredos foram responsáveis por inúmeras guerras, poucos sabiam sobre
o verdadeiro local dO criptogamo-do-sol e agora a equipe estava tão próximo ao
segredo como nunca antes.
Dois
bispos separados de um lado ao outro realizavam as orações em latin. Dois defumadores exalavam uma
neblina enquanto os convidados se ajoelhavam para receber o sinal que era dado
pela mão em formato de cruz. Outros dois diáconos auxiliares lançavam água-benta
sobre os presentes que se ajoelhavam entre o altar e o púlpito, Leigh é o
último da equipe a receber a oração. Retornando ao banco, aguardavam pela
primeira mensagem. Faltava pouco para que os ponteiros marcassem meio-dia, o
sol se movia lento em direção ao espelho central do globo. O espelho em dimensões
ampliadas, reclinado acerca de quinze graus lineares, direcionaria o reflexo do
sol aos três painéis estendidos na parede passando pelas formas criptografadas
dos anéis de madeira. Um dos cardeais havia enxaguado antecipadamente o tecido
com querosene após acionar uma alavanca.
_O líquido facilitaria a gravação da
mensagem. – explicou o bispo.
A tampa do teto é aberto após a
codificação.
O
horário se aproximava e o sol se movia em direção ao espelho central. O
primeiro grupo a conhecer a primeira mensagem se encaminhava para encaixar a
mesma chave usada por Videl à um painel central sobre uma pequena tribuna de
madeira entre o altar e o público. A chave se movia em direção aos respectivos
códigos, os anéis de cinquenta centímetros de largura formavam vários símbolos
consecutivos e se moviam de acordo com os códigos selecionados. Os dez anéis
que antes se dividiam pelo globo, se uniram um sobre o outro e formaram cinco
anéis, obstruindo ou modificando os símbolos. Os giros eram transversais e
aleatórios. Um bloqueio dos anéis formava uma placa de dois metros e cinquenta
de largura. Sendo que, somente os símbolos atingidos pelo sol em proporção à
simetria quadrada do espelho, seriam empregados ao primeiro tecido. Uma linha
de cinco símbolos para cinco colunas engendraria o total de vinte e cinco
letras ou símbolos. O código parecia terminado, o sol transmitia a luz sobre a
placa, em pouco tempo as primeiras marcas do tecido queimado iam surgindo. Dez
minutos passam, a mensagem estava pronta. O tecido é retirado pelo cardeal e
entregue ao guardião responsável. O segundo grupo precederia o último, em cujos
convidados estava Langdon.
Antes
que a chave fosse encaixada algo fora da cerimônia é emitido por Kalabrasas por
um pequeno telecomunicador apoiado em seu ouvido por um fone.
_Temos
alguns policiais na porta de acesso ao salão principal. Querem encontrar a sala
secreta.
_Não
permita! – ordenou.
_Mas
parece que eles sabem sobre o esconderijo. Estão acompanhados do bispo
Aringarosa.
_Pede
para aguardarem dez minutos até que a segunda mensagem seja transferida.
A
ordem foi dada, dez minutos estava propostos, Kalabrasas se desconfia, a vinda
dos policiais não estava prevista, mas continuou com os códigos ao mover a
chave. Os primeiros símbolos eram direcionados e os anéis já se moviam
lentamente ao se alinharem quando algo estranho surge pela porta principal. Um
intruso vestindo um terno escuro e segurando uma Medusa prateada nas mãos
ordena:
_Ninguém
se mova! - uma voz espantadora ecoa pelas paredes fúnebres do ambiente.
Os
grupos são mobilizados, não portavam armas, foram surpreendidos pela vinda do
terrível Remy Legaludec, um antigo perseguidor do segredo que havia roubado uma
das chaves do bispo Aringarosa enquanto se hospedava em um dos hotéis da Itália.
_Quero
a mensagem. - andava passos lentos em direção ao altar.
O
bispo Kalabrasas não teve opções, estava sob o domínio da arma que lhe era
apontada.
_Ande.
- Remy direciona ao aparelho - Efetue os códigos.
Kalabrasas
ainda trêmulo retrucou.
_Não
posso.
_Como
não pode? - tomou uma vítima como refém - Se não pode fazer, faça outro.
Franzindo
os olhos e fitando-o, permanecia imóvel. A vinda dos policiais conciliou com a
invasão do intruso. Kalabrasas assimilou o tempo determinado com a permissão de
entrada dos policiais com a ordem dada pelo indivíduo.
_Prossiga!
- ordenou ainda mais exasperado.
Alguns
segundos se passam, Kalabrasas ainda permanecia imóvel até que encontrou argumento
para uma eventual saída:
_Tenho
que ajustar o espelho no interior do globo antes que os raios solares transmita
a mensagem.
Apesar
do espelho se mover automaticamente com a descrição dos códigos, Kalabrasas
preferiu inventar sobre um suposto ajuste no espelho central.
_Então
ajuste.
Kalabrasas
se aproxima do globo e de modo sagaz direciona o espelho contra a posição onde
Remy se encontrava. Sua imagem então surgia refletida no espelho pelo lado
esquerdo da entrada e sem que ninguém percebesse o bispo retorna.
_Pronto.
- retornou ao painel central.
Os
códigos foram novamente direcionados, Remy permanecia apreensivo, a vítima
ainda suplicava para que a mensagem não fosse transferida, Remy ordenava
silêncio. Kalabrasas preferiu não comentar sobre a tradução da mensagem afim de
ganhar tempo. Desejava apenas que os policiais chegassem à sala interna. Os
anéis giravam, e os códigos eram direcionados, em pouco tempo os anéis formaram
a placa.
_O
que houve? - perguntou Remy.
_Basta
aguardar a posição dos raios solares. - disse ao se afastar do altar – O Globo
tende a mover a medida que outras mensagens são ativadas. Em pouco tempo os
reflexos produzirão a mensagem referida conforme a posição dos raios.
O
intruso não entendia, permanecia com a vítima na mesma posição inicial à espera
do sinal. O silêncio dominou o ambiente por alguns segundos, quando nada
obstante, a porta é invadida pelo grupo policial francês. Entre estes, estava o
capital Fache que breve anuncia:
_DCJP,
ninguém se mova. - ordenou.
O
bispo Aringarosa surge em seguida e declara:
_É
este o criminoso que roubou a chave e o verdadeiro assassino de Saunière. –
apontou.
_Tínhamos
feito um acordo, posso provar o pagamento de dois milhões de pratas pelo
assassinato na conta corrente.
_Antes
inclui o valor em nossa conta pessoal, preferi não executar o crime.
_Porém
Silas, o comparsa de Aringarosa, executou.
_Não executei! - uma voz quase no mesmo
instante surge sufocada pelos fundos dos bancos. O silêncio retorna a dominar,
os olhares foram direcionados à um único e inesperado convidado.
Um
dos presentes na cerimônia vestia uma túnica preta de capa longa cobrindo-o por
quase toda a face, era Silas. O manto sobre a cabeça é retirado, Silas, o
antigo auxiliar do bispo Aringarosa se manteve presente discretamente em todo o
momento sob a companhia de Kalabrasas.
_Silas?
- disse Sophie.
Seus
passos lentos seguiam em direção aos policiais:
_Como
escapou da prisão? - questionou Langdon surpreso pela presença de Silas que
havia sido preso como principal suspeito do crime.
_Estive
com o tenente Collet, fui interrogado e disse sobre a real versão do crime. Na
verdade não fui o autor do crime. Entreguei minha arma à policia, não estava
carregada no dia do crime, o disparo surgiu antes que eu pressionasse o
gatilho, confesso que fui surpreendido ao saber que o disparo havia soado
inevitável pelas grades que me separavam da vítima. Minha missão estava
determinada, não pude evitar. Porém fiquei perplexo com o acidente, procurei
encontrar o possível responsável pelo disparo, ninguém suspeito me parecia cúmplice,
logo me recordei de um outro funcionário do Louvre, que por sinal, ambicionava
o cargo de curador, justamente o cargo exercido pela vítima. Seu nome era
Grouard, trabalhava como segurança. Minha confissão valeu a pena, a munição
usada pelo funcionário era a mesma encontrada em sua pistola particular.
_Então
porque ameaçou Saunière desta forma? - perguntou a agente Neveu.
_Pretencionava
intimidar Saunière para saber de um segredo que nem eu mesmo conseguia saber.
Sou membro do Priorado de Sião e como conselheiro de Aringarosa aceitei a
proposta para apenas simular o homicídio afim de cumprir com o suborno criado
por Remy.
_Entreguei
o dinheiro para a revitalização do palácio e do conselho.
_Sabia
que não poderia entrar em acordos com vocês. - impulsionou o refém para trás.
Um
deles disse ao observar o refém ordena:
_Largue-a
Todos
permaneciam aflitos, o intruso certamente desejaria a tradução da mensagem, e o
local dos tesouros estava ameaçado em ser descoberto.
Remy
se reposiciona e exige.
_Afastem-se.
- ameaçou - Libertarei apenas com a mensagem em mãos, desejo também a saída
livre. - Remy torna a fitar o aparelho e percebe os detalhes - À propósito, não
entendo estes símbolos, - fechou o rosto ao perceber que se tratava de uma
codificação desconhecida - quero que me façam a tradução direta da mensagem que
me liga ao local dos tesouros. - ordenou ao bispo – Rápido!
Um
dos bispos andava em direção ao indivíduo com o papiro e as traduções em mãos
para entregá-lo. O clima de suspense circundava o ambiente, o bispo se
aproximava em passos lentos, cada passo era a soma da agonia dada pelos
semblantes mais apáticos. Quando tudo apontava para o fim do segredo, o papiro
estava perto em ser entregado ao criminoso, os raios finalmente atingem o
espelho no centro do globo emitindo os raios contra o rosto de Remy.
_O
que é isto. - tentou se proteger com o braço.
Os
raios atingem o alvo através do espelho como regulado pelo bispo, a vítima é
libertada e a polícia o detêm. O criminoso é levado para fora, o reverendíssimo
tentava explicar sobre a cerimônia e os policiais se despedem em seguida com o
criminoso.
_Vamos,
não temos tempo à perder. - disse Mangano.
Como
um dos responsáveis pelo segredo e o possível grão-mestre sucessor, Silas
convida Fache e o tenente Collet para o evento, o restante dos policiais
aguardavam pelo lado de fora.
A
segunda mensagem é gravada dez minutos se passam, faltava pouco para as treze
da tarde, o sol se movia lentamente pelo orifício do teto.
_O
próximo código? - inquiriu - Não temos tempo.
_É
o nosso segredo, prossiga.
_OURO,
- citou o primeiro símbolo - PRATA, - disse sobre o segundo que na tradução do
cálice representava o triângulo virado para a esquerda - BRONZE, - este ao
contrário representava o triângulo virado para a direita - FRUTO, COROA, TAÇA,
ESTRELA - revelou o restante dos símbolos.
Alguns
segundos se passam, Sophie permanecia paralisada.
_O
que houve?
_Não
temos certeza do restante. TORRE, QUADRO, FLOR, CRUZ, ainda não sabemos os dois
a seguir, porém o último, sem dúvidas, trata do ÔMEGA. - o último símbolo
referia-se ao portal.
_Não
posso direcionar o último sem o restante.
Os
anéis da ampola giravam a medida que os códigos eram direcionados.
_Estes
dois restantes se trata de dois signos. Um é gêmeos e o outro é peixes disse
Kalabrasas.
_É
certo afirma sobre o signo de gêmeos que representa as pirâmides opostas
posicionadas pela vertical. Suas laterais estão posicionadas paralelas pela
vertical e as laterais do signo de peixes ao contrário está posicionado pela
horizontal.
Os
códigos ainda eram inválidos.
_Suponho
que o erro seja a posição da cruz. Entre as unificações dos reinos e a queda do
Sacro império houve muitos tratados, dos quais se aderiram muitas leis e com
maior abrangência, na era das cruzadas. Portanto, a cruz como a lei deverá vir
antes da flor e após o quadro. – sugeriu Mangano.
_Porém
não é esta a posição.
_Permita-me,
- o cardeal Boanergo direcionou um pequeno papiro que fazia a tradução de
algumas imagens que no painel eram vistas de outras formas.
A
mudança é feita, um signo e o outro signo foram a última seqüência antes do
portal, que no painel era visto pelo símbolo de ômega:
uvumrsYf
YW`id
Os anéis finalmente são acionados, porém
se travam.
_A cruz virá após a queda opressiva do
Sacro-império. É inteiramente representada pelos tratados absolutistas.
Kalabrasas observando com maior atenção
corrige.
_Realizamos também algumas pesquisas
particulares sobre a seqüência dos códigos, a posição da cruz nada mais é do
que as leis estabelecidas pela ONU. Bom, além dos órgãos jurídicos e de
administração política e econômica, a ONU também possui agências especializadas.
Entres estas, posso citar a Organização das Nações Unidas, Unesco, Organização
Mundial da Saúde, Organização Internacional do Trabalho. FMI, Fundo Monetário
Internacional e Unicef.
A chave é redirecionada, a substituição
é feita e o código aparecia exato. Faltava menos de dez minutos, talvez o
reflexo não fosse suficiente para gravar a mensagem.
Restaram cinco segundos, as luzes se
alinhavam para outra posição fora das placas e finalmente se desalojam do alvo,
porém a mensagem estava feita sobre o pano.
O
bispo Kalabrasas se aproxima dos pesquisadores, que juntos à Silas, o
grão-mestre eleito sucessor, aguardavam pela interpretação da mensagem. Um dos
monges recita uma oração em língua desconhecida. O ritual é feito, e a mensagem
em fim é revelada:
_O
segredo trata, do capitulo doze do livro de Apocalipse. "E a mulher fugiu para o deserto onde tinha um retiro. E foram
dadas á mulher duas asas de uma grande águia, para voar para o deserto, ao
lugar do seu retiro. E a serpente lançou da boca atrás da mulher água como rio,
para fazer que ela fosse arrebatada da corrente. Porém a terra ajudou a mulher
e abriu a terra a sua boca e engoliu o rio que o dragão havia cuspido".
Muitas interpretações existem através deste texto, mas para os guardiões do
santo-Graal, a mulher é o orbe de Moisés, as águas foram as dificuldades
realizadas pelos povos do império Chin ao atravessar o Pácifico. A civilização
de Chiang, responsável por muitas
conquistas contra a pressão do império Han, foram os principais guardiões do
orbe até a costa de Chien'tang do Pacífico Norte. Em 220, com a queda do
império chinês e com a fragmentação das realezas, os protetores finalmente realizaram
as navegações, que na época, davam início as primeiras colônias da América
central. Segundo a lenda, o orbe foi enterrado alguns séculos mais tarde. Seu
paradeiro está localizado onde o portal faz alusão ao segredo. Na América
central existem os Stonehenges, são monumentos feitos de pedras que formam duas
rochas paralelas e outra superior, criando a imagem similar de um portal. Um
destes foi separado exclusivamente para a identificação do orbe.
Um
dos monges retirava o último pano entre os três, para entregar ao sucessor.
_E
quanto às outras mensagens, alguma se desvia do assunto?
_Muitas
mensagens falam especificamente dos reinos antigos ou dos principais nomes da
história. O orbe é o assunto principal, os símbolos do cálice é prova disto,
porém, quanto as outras mensagens, posso dizer que uma delas fala sobre o livro
de Jó, capítulo trinta e oito, versículo onze. "Chegará até este ponto e daqui não passará". Diz sobre o
império persa e a promessa feita à Alexandre. O império se estendeu até os
limites do rio Hindu, venceram várias batalhas e dali realmente não ultrapassaram.
Em 331, em fim, o império é fragmentado com sucessivas campanhas em todo
oriente médio. Muitas pistas foram escondidas ao longo dos tempos, esta
inclusive, pode ser encontrada por Silas.
Gratificados
pela maior descoberta de todas as investigações, os pesquisadores se despedem.
Os dias passam e Robert Langdon resolve se encontrar com Sophie para uma viagem
ao México, o Stonehenge do orbe seria o objetivo principal. Era noite, a
claridade do céu iluminava todo o campo, sobre um extenso gramado verde,
moldado por planícies longíguas, surgia o carro Citroën preto de Langdon. De
longe o portal era avistado, Sophie ao seu lado admirava, o carro estaciona,
ambos descem, Sophie recita, uma frase auxiliar encontrada ao lado do criptéx,
o vento soprava sobre sua roupa:
_"Abaixo
da antiga Roslyn está o Graal". Como nos disse a senhorita Videl,
Roslyn foi o último local onde o críptex com os código esteve guardado por
antepassado de Saunière. "Lâmina e cálice guardam-lhe o portal".
As evidências agora são claras, o cálice, a lâmina sobre a borda e o lenço,
literalmente estavam por cima do segredo do portal, que pôde ser exemplificado
pelo contorno do lenço e pelo globo-criptográfico. "Pela arte dos
grandes mestre velado jaz". Uma das obra de Michelangelo no teto do
mesmo local encontrado, zelava pelo cálice do santo-graal e pelo enigma. "Sob
estrelado céu descansa em paz". Sophie se encanta ao olhar para o céu,
segundo a lenda, uma vez passando pelo portal, a pessoa receberia vida longa e
prosperidade. Langdon se abraça a Sophie o segredo finalmente estava
desvendado.
Novamente
em Paris, no edifício de pedras castanhas da Rue La Bruyère, estava Silas, em
seu apartamento particular. Ajoelhado sobre o assoalho de madeira, Silas orava
em lantim, sobre sua frente estava o terceiro pano do globo-criptográfico,
entregue ao legítimo sucessor pelo grão-mestre, a zelar o segredo. Dois
castiçais separados sustentavam o pano que deitado permanecia sobre uma cruz
exposta na parede. Alguns incensos exalavam uma neblina em todo o quarto,
finalmente Silas retira a túnica negra que lhe cobria a cabeça. Ven honry
d'padre, bel protect aux, direcionou sua mão para o alto da cabeça, par
plenuy pebles, acla du soile, bel venero du saint-graal, direcionou a mão
para baixo e sobre o peito, an par ac guardicto denaux, direcionou para
o lado direito, ac mister den ac long anm, e depois pro lado esquerdo. Samacta
atanm. Concluíu.
FIM
Estação
Plataforma,
campainha, alto-falante anunciou a última chamada para o embarque.
_A
última linha da mensagem - disse Sophie - era algo que Fache não queria que
visse.
A
embaixada dos EUA em Paris é um conjunto compacto de edifícios na Avenue
Gabriel, logo ao norte dos Champs-Elysées.
Fache
já suspeitava quando Langdon discou um múmero local, digitou um código de três
números e depois estou uma gravação. Se não foi para a embaixada, para quem
telefonou?
capitulo
30 assassinato 76-79 p.ss.
castel
gandolfo 34-41
quarto
silas 39
Gare
du Nord
Abadia
de Westminster
Priorado
de Sião
A
época para se retirar o criptex estava próximo. Esta teria sido a causa do
assassinato.
O
sinete do Priorado de Sião seria um inventário da agente.