sexta-feira, 6 de junho de 2025

O RETRATO DE DORIAN GRAY - NOVA VERSÃO DE ODENKIR KHOLER

 

O Retrato de Dorian Gray (nova versão)

Nome do livro: Last Drink (O Último Drinque)

Autor: Odenkir Kholer

 

Capítulo 1

Era uma noite de clima intenso, alta temporada de inverno no estado de Kansas. Ao extremo leste, numa cidade pacata, não muito distante da capita, Dorian se despertava do sono após uma noite de laser com os amigos. Em um bar localizado na região central da cidade, todos os amigos de Dorian Gray se encontravam ali com frequência para beberem e geralmente nos finais de semana para passarem as noites em grupo.

Este foi mais um final de semana dramático para Dorian, se não fosse a penhora de um dos seus relógios caros de marca conhecida, de modelo prateado de tecnologia digital, a situação poderia ter ficado drástica para Dorian.

Ao perceber as horas do rádio despertador que ultrapassava o limite do tempo para desperta, já não conseguia mais suportar o barulho do alarme ao longo daqueles vinte minutos. Finalmente Dorian se levanta por completo, não tinha mais jeito, rapidamente preocupou em se arrumar, colocou os sapatos e tentou se certificar do que o despertador estava insinuando. Devido a ressaca, não conseguiu identificar as horas com precisão. Apesar de quase quebra-lo, conseguiu finalmente se certificar das horas.

-Droga! – disse assustado.

Eram dez e vinte. Logo deixou cair o rádio cair ao chão e quase todos os objetos da mesa ao tentar se sustentar de pé.

Após sair com o carro conversível, quase por colidir-se ao desloca-lo do estacionamento, se retirou às pressas. Finalmente chegou ao bar à procura do relógio penhorado, cujo proprietário do bar era um amigo antigo. Apressando se da entrada ao balcão, Dorian sentiu-se aliviado.

-Aqui está a grana senhor Kalfman. – disse com as mãos tremulas apresentando o dinheiro quase por deixar um os documentos da carteira cair.

-Companheiro Dorian Gray. – o chamou para a atenção – Você tem vinte e três anos e ainda permanece dependendo destas suas embriagues para se animar ou divertir, quase sempre com a mesma conversa da culpa pelo seu amor não correspondido de Mary Folks?

-Não tenho como abandonar esta culpa, mesmo porque acabei acreditando nestas minhas irresponsabilidades mesmo, uma destas seria chegar a velhice, e isto me incomoda, como se a juventude nada fosse.

-Isto com certeza não te obrigaria a beber tanto assim senhor Gray!

-Mas com certeza retribui a minha esperança por viver sempre jovem com Mary Folks. Gostaria de estar com ela sempre assim...

-Jovem e incompetente?

-Da maneira que sou agora, apenas jovem.

-E você deseja permanecer assim pelo resto da sua vida?

-Se assim eu tiver que beber um litro desta bebida para aumentar minha esperança, acho que sim. Seria um relacionamento do jeito que somos...

-E falando nisso, aqui já vai mais uma dose. – o entregou mais uma quantia de dinheiro para a dose do drinque.

-Caro Dorian, você não mudará nunca se caso não parar de beber. E aqui vai uma dica: procure tratamento! – disse Kalfman, ao mesmo tempo em que servia o drinque segurando a garrafa de wisk pelo gargalho.

O rótulo parecia estranho para Dorian.

-Ainda que eu parasse de beber... – argumentou para em seguida afirmar – Eu não conseguiria mudar o aspecto do qual me identifico no espelho na chegada da minha velhice.

-Cuide se senhor Gray! – disse ao acenar ao mesmo tempo em que o seu amigo se retirava do estabelecimento.

Em seu fundo íntimo, Kalfman desejava que Dorian realmente desse um tempo na bebida.

As portas do bar se fecham automaticamente. Doriam Gray era vinte anos mais novo que Kalfman o dono daquele bar, que também funcionava como lanchonete. Em seguida Dorian acionou o carro dando a partida, estava próximo de ser bloqueado por uma blitz, não muito longe dali. Ao perceber a viatura, estacionou o carro como exigido pelo policial.

-Desça por favor! – pediu gentilmente o guarda.

-Estamos realizando uma blitz para identificar um suspeito de furto com o uso de um veículo semelhante ao seu. – explicou um dos guardas daquela dupla.

Dorian possuía o mesmo tom de cor preto fosco do carro procurado. Enquanto o policial pedia os documentos, o outro fazia a vasculha no veículo de Dorian.

-O documento do carro e habilitação estão positivos! – pode prosseguir.

O liberou após o devolver os documentos. Porém o segundo policial, ao realizar a revista no banco de trás, identificou uma garrafa de bebida alcoólica.

-Espere! – gritou o guarda ao exibir a garrafa.

-Encontrei esta garrafa de wisk!

-Andou bebendo senhor Gray? – disse o guarda mais próximo dele.

-Não! – omitiu.

-Quero dizer...

O guarda policial não esperou Dorian se explicar, pegou o bafômetro, ao mesmo tempo exigindo:

-Teste! – estendeu o aparelho.

-Sim, sem problemas. – pegou o aparelho eletrônico do teste de bafômetro com medo. O último drinque tinha sido uma dose dupla.

Após alguns segundos, o teste do aparelho não acusou o uso de álcool, o guarda achou estranho, o teste não alcançou o limite da porcentagem estabelecida.

-Ok! – está liberado.

Logo o outro guarda se aproxima com o litro de wisk vazia e diz:

-Tome cuidado e não dirija sob efeito do álcool. – o devolveu a garrafa.

 

CAPÍTULO 2

               

                Ao chegar em casa Dorian ficou pasmado com o que havia ocorrido. O teste do bafômetro não acusou nada, devido o uso da última bebida seria impossível, misturada com o alto consumo de seis horas atrás. Dorian ficou pensando ainda por alguns instantes, sabia que aquele drinque era o suficiente para não passar no teste, e também pensou como não teria percebido a ausência de álcool ao tomar toda aquela bebida.

   Era domingo, dia de encontrar-se com Ane Mary Folks. Porém Dorian ficou curioso para saber sobre o que havia ocorrido na blitz, houve um bloqueio no efeito do drinque também, não se sentia bêbado e por isso ficou mais fissurado, aquela bebida não tinha surtido alteração do humor até o momento. Preocupado se levantou, reagiu impulsivamente, andou em direção ao carro e imediatamente se retirou de volta ao bar. Logo chegaria ao local, Dorian estava a procura da dose de um drinque de verdade.

 

Dorian estava nervoso, saiu às pressas, não comunicou o seu avô Stiven Gray que se encontrava na sala. Stiven Gray permaneceu no sofá assistindo televisão, tinha passado da hora de almoçar e Dorian não tinha se alimentado ainda. Logo o telefone de Dorian toca, ele atende:

-Aonde você foi desta maneira confusa Dorian? Saiu as pressas, não avisou? – perguntou o avô assentado no sofá em frente a televisão.

-Estou retornando ao bar, tenho que pegar algo que acabei deixando por lá – disse ao mesmo tempo em que apressadamente colocava o cinto de segurança.

Nesta hora Dorian se lembrou de alguns pedidos do seu avô sobre os cuidados das leis de transito. Mas ele não se importava mais, ele estava buscando mais uma dose de wisk.

-Ok! Vê se não demora. – Stiven Gray desliga o telefone, em seguida toma um gole de refrigerante em garrafa, enquanto isso o comentarista da televisão narrava a programação transmitida naquele momento.

O senhor Kalfman ainda estava presente, ao chegar no bar, Dorian se antecipou e tornou-se contra o balcão, pedindo de maneira ríspida, uma dose ao senhor Kalfman.

-Desce uma dose senhor Kalfman! – disse ao bater a mão sobre a mesa.

-O que houve Dorian? Está muito agitado. – falou o amigo ao pegar a garrafa de wisk.

Bebeu o drinque e em seguida questionou:

-Estava me devendo uma bebida com álcool meu amigo Kalfman, portanto a bebida já está paga e estamos kits. Aproveitou da minha embriagues do dia anterior e por isso me vendeu uma bebida sem álcool, aquela mais cedo.

-O que está falando Dorian? Você deve estar enganado meu caro.

Dorian de imediato, com bastante raiva, o segurou pelas bordas da gola da blusa social semiaberta e por onde exibia se uma corrente de ouro.

-Meu caro amigo Kalfman... – disse com ironia ao se aproximar face a face dele.

-Pensou que eu não perceberia aquele drinque sem álcool?

Kalfman mantinha uma garrafa de wisk com rotulo original, porém com o conteúdo falso. O liquido apesar do gosto, não continha álcool, era apenas curtido com ervas. Era geralmente vendido às pessoas muito embriagadas e que não podiam perceber mais o efeito, gostava de lucrar com isto.

-Quero que você me explica como pôde fazer isto com seu amigo cliente? – disse ao largar das dobras da blusa de Kalfman que também reagiu contra suas mãos ao agarrá-lo.

-Caro Gray! – suspirou – De fato não o servi uma bebida alcoólica. Na verdade coloquei uma outra bebida que a conservei para diluir exatamente nesta garrafa. Fiz isto para o seu próprio bem. Decidi não o prejudicar com mais uma dose, mesmo porque eu estava ciente da blitz mais adiante no caminho de volta a sua casa. Você não iria acreditar, pensaria que eu estivesse negando bebida para você, e mesmo se acreditação, você não aguentaria ficar sem beber aquele drinque e por isto evitei um problema maior.

-Antes de mais nada... – o interrompeu – te peço desculpas. Na verdade realmente fui pego pelos guardas, mas fui liberado após não detectarem nada no teste por causa deste falso drinque. Aquele teste teria acusado se caso eu tivesse bebido o drinque... Obrigado! – aliviou.

-Sabe o que eu penso meu camarada Gray? – afagou a mão sobre a barba do queixo, fez um instante de suspense e prosseguiu:

-Você deve procurar ajuda!

Em seguida virou se para o scot bar, pegou uma bebida com teor alcoólico, também pegou um copo de vidro e despejou bebida.

-Beba! – o entregou o copo em cima do balcão, arrastou com as pontas dos dedos e disse:

-Estamos Kits. A blitz já não se encontra mais por este caminho. – concluiu.

Ambos sorriem, Dorian toma o drinque em frações de segundos, mas Dorian se preocupa, precisava comparecer ao jantar com Mary Folks naquele dia à noite.

 

CAPÍTULO 3

 

O jovem alcoólatra, se resolveu com seu amigo Kalfman, mas na verdade sentiu que aquele conselho era sincero da parte de Kalfman, ao dizer sua opinião sobre o tratamento. Neste momento, em que a bebida começava a surtir efeito, seu telefone toca, era sua vó:

-Dorian?

-Sim, em que posso te ajudar dona Laura?

Laura Wolf era a esposa do seu avô Stiven Gray. Após o falecimento de Lady Margaret, sua avó de origem, Stiven Gray acabou se casando com Laura, em uma cidade do interior de Kansas. Dona Laura passou a ser a vó de consideração de Dorian.

-Estou no restaurante Ratna Fish, gostaria de te convidar para almoçarmos juntos?

-Mas são quase quatro horas!

-Hoje está sendo servindo filé de peixe frito! Seu prato predileto. Podemos fazer uma refeição simples, não se preocupe.

-Ótimo! Estou a caminho, mas devo demorar um pouco.

Ainda dentro do carro, Dorian desliga o telefone, estava voltando para casa, desta forma Dorian convergiu a rua imediatamente e como informado se dirigiu ao restaurante Ratna Fish, não teve como se atrasar. Passando pelo hall entre a recepção e o salão, notava-se alguns vidros ao redor da varanda de entrada, por onde o recebeu um recepcionista que em seguida o apontou em direção a localização de Laura Wolf, como procurado por ele.

De longe a senhorita Laura Wolf acenava com a mão em sinal de chamado. Mais adiante notava-se uma textura areal em torno das paredes traçadas por alguns caibros rústicos. Nesta parte da parede, alguns quadros de peixes em estilo armênico e também os aquários com planos de fundos artíticos.

Ao se aproxima de Laura, a cumprimentou de modo bastante gentil, assentou-se sem embargo, iniciou uma conversa sensata e nesta hora aproximou um garçom. Dorian, embora estivesse sob efeito do último drinque, ainda conseguia se controlar, pediu mais uma dose, conforme a pergunta do garçom:

-Licença! O senhor gostaria de fazer um pedido antes do prato a ser servido?

-Sim, uma dose de wisk, por favor. – enquanto isso o garçom anotava o pedido.

-Apenas isto senhor?

-Sim.

-Ok, sua bebida chegará em breve. – se retirou.

Sua vó que, apesar de estar há quase quatro anos com o seu avô, era tratada como se fosse sua verdadeira avó, isto, devido a ausência da sua mãe que desapareceu misteriosamente em sua infância e também pelo falecimento da sua avó verdadeira. Dorian acostumou com a tutela do seu avô, o qual era tido como pai.

Stiven Gray era um senho de idade avançada, mas não se distanciava muito do seu aspecto, das características e do modo de ser de Dorian. Há quatro anos conheceu Laura Wolf, uma mulher que sustentava seus cinquenta e um anos.

Naquela hora Laura observava o semblante de Dorian um pouco contristo. Após o pedido da bebida pensou que seu aspecto, sem dúvida, era pertinente ao consumo daquela bebida que vinha chegando.

-Dorian. – Laura o chama a atenção – Seu rosto não me deixa mentir. Por acaso você andou abusando da bebida em plena luz do dia de jantar à dois com Ane Mary Folks? – perguntou Laura.

-Devo admitir que sim dona Laura, mas não muito como eu desejava ter bebido por isto.

-Como você se sente fazendo desta forma?

-O tanto que meu rosto consegue descrever.

-Eu acho que você deveria ter evitado este drinque Dorian, afinal, o seu rosto está me descrevendo medo, desta forma não chegará a lugar nenhum.

-Mas posso chegar a esquecer a maior parte dos meus problemas.

-Eu poderia saber o que realmente te causa tanto problema para te fazer beber tanto assim?

-Na verdade dona Laura, tenho medo da tenra idade e ainda que eu bebesse tanto, isto não me manteria jovem.

Neste momento o garçom se aproxima com uma garrafa de wisk posta sobre a bandeja, com alguns cubos de gelo retirados por uma tenaz de um balde prateado, pondo-os sobre o copo de vidro, em seguida despeja o drinque.

-Obrigado!

O garçom se retira pondo seu lenço branco sobre a parte do seu acessório. Laura sugere:

-Se quiser realmente parar de beber e conseguir resultado positivo contra seus problemas... encontre-se com esta pessoa o quanto antes.

Laura retira um cartão de visita de uma antigo amigo, o nome da pessoa escrito no cartão de visita era sobre o misterioso, doutor Herman.

-Dr. Herman?

-Sim, ele é um especialista na área mental.

-Obrigado dona Laura, ainda hoje estarei a caminho deste endereço, assim que me despedir de Mary... Eu prometo!

O dia estava quase escurecendo, Dorian ainda precisava se arrumar para a janta, o crepúsculo do dia ameaçava a noite, breve se despediu de Laura, saiu novamente impactado com aquelas palavras e bastante interessado em se tratar, saiu à caminho daquele estranho endereço desfazendo assim seu compromisso com Mary.

Localizado não muito distante do restaurante Ratna Fish, Dorian finalmente alcança a entrada de um casebre que por fora apresentava alguns detalhes da estrutura já degradadas pelo passar dos anos e também por estar localizado na pista de acesso e saída daquela cidade do Kansas. Por aquela época do ano este casebre costumava se envolver com uma neblina ao amanhecer e ao anoitecer, o que também causava a perca do brilho da madeira.

Como se não bastasse, estava tudo nublado, não demorou menos que uma hora para alcançar a entrada, percorreu em direção a porta a pé e bateu a porta.

-Alguém por ai? – já era quase noite e não havia luz.

Logo bateu novamente. Alguns segundos se passam e porta se abre sob a voz de Herman:

-Olá?

-Sou Dorian Gray, soube deste endereço através de um breve diálogo com minha vó Laura Wolf.

-Sim, senhorita Wolf, eu a conheço.

-O senhor foi uma sugestão importante para expor algumas perguntas. Preciso dizer alguns motivos que me levam ao alcoolismo, realmente preciso da sua ajuda doutor Herman.

-Entre, seja bem vindo!

Dorian entra , por dentro, um cenário fúnebre. Uma casa de dois andares, mantinha ao centro uma sala com dois sofás do tipo pérgolas. Eram apropriados para consultas.

Ambos se assentam nos respectivos estofados e se acomodam para aquele misterioso diálogo, que Dorian jugava ser urgente. Em seguida Dorian é questionado:

-Fique a vontade Dorian, afinal, estamos em um dia atípico. Antes de começarmos, gostaria de saber o principal motivo que te animou a comparecer a este diálogo?

-Como disse, recebi uma sugestão da minha estimada vó, Laura.

-Senhorita Wolf?

-Sim, recebi esta sugestão após ser percebido por um aspecto estranho, condicionado pela minha embriagues.

-Gostaria que me dissesse primeiramente sobre o que realmente te levar a contrair estes sintomas?

-O uso de bebida em muita quantidade, nada mais.

-E qual seria o principal motivo deste impulso?

-Como disse a dona Laura, eu tenho receio de envelhecer, mudar meu aspecto social e ter que me afastar da rotina que tenho atual, utilizo da bebida entre amigos e no relacionamento com minha namorada Ane Mary Folks, sempre pensando me manter e sentir jovem.

-Sobre envelhecer... diga-me qual é o seu verdadeiro desânimo? A ponto de fazer você ficar sem a bebida.

-Seria afastar desta mesma rotina doutor a qual eu tanto prezo, envelhecer e pensar uma vida estranha sem o álcool.

-Gostaria de saber se você é capaz de admitir, se conseguiria manter esta mesma rotina sem o uso de álcool?

-Devo admitir que não! Às vezes procuro me envolver com o próprio efeito para resolver esta característica extrovertida, parece impossível.

-Realmente é impossível, mesmo porque o consumo frequente, segundo a medicina, só tende a te fazer envelhecer, por mais que você insista, não conseguirá manter seu vínculo e nem sua jovialidade por muito tempo, caso insistir a continuar consumindo você acabará de todas as formas perdendo o domínio.

-Mas quero te fazer uma pergunta... Você seria capaz de abandonar a bebida, manter se sempre sociável, vinculado e jovem com sua fisionomia inalterável, pelo resto da sua vida?

-Se realmente eu mantivesse este vinculo social e permanecesse jovial, eu seria capaz...

Dorian respondeu após uma pausa, movido por um instante de suspense, logo conclui:

-Mas não sei se é possível e nem se consigo.

-Muito bem, desta forma te afirmo que é possível, te convido a voltar na semana que vem. Conseguirá obter esta capacidade sem nenhuma dificuldade.

-Como assim?

-Perderá instantaneamente o ânimo de beber. Apenas que cancele todos os seus compromissos de hoje até o fim da noite, para que reflita especialmente nisto.

-Ok!

Ambos se levantam, Herman estende a mão pronto para se despedir e em seguida conclui:

-Semana que vem... Neste mesmo horário. – Dorian o cumprimenta e se direciona à saída.

 

 

 

CAPÍTULO 4

 

   Ainda pelo centro da sala ambos andam em direção a porta. Pelo corredor de acesso a saída, notava-se uma prateleira de madeira Carraro em cuja gaveta Herman guardava uma câmera de retrato digital. Por frente da prateleira Herman estaciona os passos, abre a gaveta e pega a câmera de retrato. Logo Herman explica:

-Antes que você vá, preciso arquivar uma fotografia sua... Faz parte do processo.

-Tudo bem! – Dorian aceita.

Em seguida se posiciona, ajusta a jaqueta preta com bordas amarelas, um símbolo pouco descritível, parecia ser mais um slogan de algum time de futebol americano. A jaqueta combinava com seu estilo esportista. Rente da parede de cor vinho, paralela a tal suporte de onde foi tirada a máquina, de dentro da gaveta de madeira, conjugada a parede, notava-se o mesmo tom de vinho, em ambos lados do corredor até a porta de entrada. Por cima da prateleira havia um espelho moldurado por uma madeira semelhante ao da prateleira.

Dorian ajusta o cabelo, logo Herman aciona o flash e focando sobre a imagem de Dorian contra a direção da prateleira, imediatamente armazena a fotografia do visitante.

-Pronto! – finalizou ao devolver a máquina para a gaveta da prateleira.

Alguns passos a frente Herman abre a porta, o visitante desce um degrau da escada após a saída da porta, e quando totalmente pelo lado de fora Dorian pergunta ao soar da curiosidade:

-Afinal para que serve esta fotografia?

-Saberá na próxima semana. – o informou emitindo um discreto sorriso.

-Te vejo na próxima.

Ambos se despedem, Dorian desativa o alarme, aciona o carro e ainda no caminho de volta, pega o celular e como sugerido pelo doutor Herman, Dorian cancela o jantar com Mary Folks.

-Ane Mary?

-Dorian? – perguntou assustada e logo questiona.

-Estou te esperando há mais de meia hora para prepararmos a janta. O que houve?

-Na verdade Mary... Não poderei comparecer ao jantar de hoje!

-Qual é o motivo desta vez Dorian? Combinamos de fazer o jantar juntos, não foi? – questionou irritada.

-Tenho algo muito importante à fazer, não precisa se preocupar, não é nada grave, depois eu te explico!

-E o jantar?

-Vamos marcar para semana que vem, estarei em sua casa sem demora.

-Tudo bem!

-Nos encontraremos antes ainda nesta semana. – desligou o celular ao mesmo tempo em que gira o volante.

Um sonido causado por uma buzina de outro carro o alertava da distração no trânsito, estava realmente preocupado, continuou em direção a sua casa, estava curioso para saber como seria cumprir com àquele pedido de Herman e de como seriam cumpridas as propostas do doutor.

Ao chegar em casa procurou refletir sobre o assunto, sabia que não seria tarefa fácil abandonar a bebida, e como isto seria possível, nada sabia além do que Herman prometeu na próxima consulta. Depois disso, Dorian ficou imaginando como seria permanecer jovem até o final da vida, e também como seria parar de beber de repente, e perder totalmente a vontade de pelo menos uma dose de whisky, e como manter um vínculo social duradouro.

Dorian era um adulto, que por muitas vezes tentou parar de beber por vontade própria, mas todas as tentativas eram fracassadas pela preocupação de perder um dia Ane Mary Folks, e também pela vinda da sua tenra idade e ainda por cima ter que se desvincular do seu ciclo social.

Na vida todos passamos por diversas transformações, sabemos que um dia já não estaremos mais ligado a uma determinada área social. Uma discussão, uma mudança de plano até mesmo o desgaste físico ou mental fazem com que pessoas um dia realizem mudanças, quer seja geográfica, profissional, do modo de se vestir até mesmo do relacionamento. Mas Dorian sonhava em permanecer naquele mesmo estilo de vida até o findar dos seus dias.

 

CAPÍTULO 5

 

No outro dia Dorian amanheceu exausto, não conseguiu dormir direito, esteve pensando seriamente sobre a proposta daquele suposto doutor, mas que na verdade, não se passava de um mago. Herman possuía poderes místicos, capaz de realizar desejos inimagináveis em seus pacientes escolhidos.

Logo se arrumou ao se levantar, imediatamente começou a pensar numa festa, esta seria feita em sua própria residência e precisamente num final de semana, ou seja, no sábado. Dorian falou consigo mesmo:

_Se eu tiver que parar definitivamente com a bebida, como proposto pelo doutor Herman, então sábado será o dia em que eu me embriagarei até a última gota, da última dose, da última garrafa.

Dorian desejava aproveitar o pouco tempo que tinha ainda alcoólatra, para beber e se despedir da embriagues. Ele desejava passar seus últimos momentos embriagado, antes de ter que parar com a bebida pra sempre.

_Será que isso é possível? – Dorian pensava e sorria para si mesmo.

Domingo era o dia da consulta como combinado, portanto, Dorian começou a fazer alguns convites para a festa de sábado:

_Dorian? – Henry atendeu o telefone.

Henry era amigo de conclusão do colegial.

_Henry! Estou programando uma festa de arromba aqui em casa para este sábado à noite.

_Ok! Mas qual seria a motivação?

_Surpresa!

_Que máximo! Estarei presente, não posso perder essa, ainda mais quando se trata de festa surpresa. – sorriu.

_Combinado. Nos encontraremos à noite.

E Dorian foi convidando um à um, seus amigos de infância, amigos íntimos, conhecidos, vizinhos e parentes mais chegados. Assim também convidou ao senhor Kalfman e outro amigo, chamado intimamente pelo grupo de Cambridge.

_Cambridge? – Dorian fala novamente ao telefone após várias ligações realizadas.

_Este sábado estrei fazendo uma festa. Vamos disputar a queda do litro!

_Uau. Estarei treinando com uma garrafa de Vodca por enquanto. – ambos deixaram sair uma gargalhada.

Cambridge continua, após a gargalhada tentava tomar folego:

_Combinado. Vamos entornar o litro.

Dorian também convidou sua namorada Any Mary Folks, Sany, amiga íntima de Mary Folks, Albert e Marshall. Ao longo de toda semana convidou todos os amigos e nenhum recusou o convite feito, e assim, rapidamente, entre drinques e Chopps, consumidos assiduamente por Dorian durante aquela semana, chega finalmente o dia de sábado, cuja festa seria em sua própria residência. Para Dorian, este seria o dia em que ele consumiria todas as bebidas, como em nenhum dos dias daquela semana, como jamais bebeu na sua vida.

A noite logo caiu, era sábado de clima fresco, a casa de Dorian se encontrava totalmente cheia, em torno da sala e dos dois quartos dos fundos, próprios para visitas, bem como a sala de estar e a sala de vídeo, estavam completamente ocupadas pelos convidados de Dorian, que se divertia com bebidas, petiscos, conversações e muita música eletrônica.

_Então Dorian? – se apresentou Henry e Cambridge com bebias nas mãos.

_São altas horas da noite e seus pais ainda não chegaram para atrapalhar a festa? Eles estão sabendo? – perguntou Henry.

_Eles não se importam com esta festa? – perguntou Cambridge.

_Caro amigos, - disse em tom de descontração e com sintoma de embriagues – meus pais foram passar o final de semana no sul de Kansas. Eles voltam só na metade da semana que vem. Portanto, vamos beber até o dia amanhecer. – disse por uma risada seguida por mais um gole de Chopp e brinde entre os amigos.

Após a meia-noite, ainda pelo escuro do dia anterior, faltando pouco para amanhecer, Dorian sobe por cima de uma mesa grande no centro da sala, para isto derrubou todas as bebidas dos copos e garrafas deixados por ali, como também alguns aperitivos em pequenas vasilhas. Então se sustenta de pé sobre a mesa com um pouco de dificuldade, faz um pedido pela interrupção da música, que foi reforçado pelo amigo ao lado, imediatamente a música para e logo acontece um instante de silêncio.

_Pessoal! – Dorian deixa escapar um soluço causado pelo excesso da bebida.

_Um minuto da atenção de todos! – levantou o copo.

_Na verdade esta festa foi realizada para comemorar o último dia em que vocês me verão bêbado.

_Afirmo a todos vocês que estarei interrompendo com o uso da bebida hoje mesmo. – Neste instante acontece uma gargalhada unanime em toda a casa.

Os sorrisos se misturavam com as vaias, a maioria parecia não acreditar, ou pensava ser uma piada de Dorian. Depois começaram a conversar, não deram a mínima para o que Dorian havia falado.

_Mas não se preocupem! Não abandonarei nossa amizade, estaremos juntos ainda, mas sem o uso da bebida, é claro!

_Como assim Dorian, vou perder meu cliente preferido? – disse Kalfman em tom de piada. Todos sorriem.

_Suponho que estarei embriagado a todo instante sem precisar beber e...

Neste instante Dorian desmaia, estava muito alcoolizado, levou um tombo inesperado pra traz, caiu totalmente desajeitado e pelo acidente Mary confirma:

_Depois dessa... realmente não precisará beber mais pra ficar tonto. – deixou escapar um sorriso discreto.

 

CAPÍTULO 6

 

Ao amanhecer do dia, Dorian se desperta por um água lançada de uma cuba de alumínio, estava preenchida por gelos já praticamente derretidos. Após a água lançada por Mary, imediatamente Dorian se levanta assustado, estava ressaqueado, logo pergunta:

_O que houve aqui? – perguntou se estranhando com toda aquela bagunça.

_Isto foi o que você aprontou no dia anterior Dorian Gray. Prometeu interromper a bebida por definitivo e agora suponho que esteja louco para tomar mais uma cerveja para curar a ressaca.

_Não estou Mary, acredite em mim. Na verdade preciso saber quantas horas são?

_São dez horas, mas se estiver pensando em ainda beber, saiba que você consumiu quase tudo sozinho e ainda por cima prometeu parar.

_Any Mary! – olhou bem fundo nos seus olhos – Hoje realmente irei parar, preciso apenas de tempo para te provar, afinal, eu tenho uma consulta hoje ao por do sol.

_E você acha que isto é o bastante? Acha que irá resolver de repente assim?

_Vou me arrumar! – se levantou Dorian e começou a agir – Preciso me organizar e limpar a casa, e com o passar do tempo irá perceber que não estarei bebendo como dito hoje.

_Até quanto tempo Dorian? – pôs o braço esquerdo sobre a cintura e questionou:

_Até o final da consulta? Até o final do dia? Ou quem sabe no próximo final de semana? Será mesmo que você não voltará a beber? Quem me garante?

Mary estava cheia de dúvida, mas no fundo Dorian estava disposto a aceitar a proposta de Herman, e o que fora proposto era acabar de vez com seu alcoolismo.

 _Fique aqui comigo até o final de semana, porque eu realmente estou convicto da decisão.

_Irei partir Dorian, você foi longe demais. – pegou a bolsa, andou alguns passos, virou em seguida e disse:

_À propósito... Já que você está tão convicto assim, eu deixo bem claro que se você não cumprir com sua palavra, e quebrar o trato com este doutor ou quem seja, juro que me separarei de você. – se retirou em seguida.

No restante do dia Dorian organizou tudo que estava bagunçado. No por do sol tomou banho, se arrumou e como combinado, se retirou para a próxima consulta com o doutor Herman, exatamente no findar do dia.

Pelo caminho Dorian percebia a noite se aproximar lentamente. De longe foi avistado o casebre de madeira com detalhes rústicos, um casebre bastante antigo, era a residência do doutor Herman. Dorian descer do carro, havia uma neblina, aparecia comumente naquele horário, se aproximou da porta e com o som dos toques na porta, Herman o atende sem demora. Ambos se cumprimentam, Herman escancara a porta surpreso e diz:

_Dorian! Entre por favor!

Ele entra, e depois de se acomodarem nos estofados da sala, um ressoar de corvo surge ao longo da colina distante.

_Seja bem vindo Dorian, fique a vontade! – disse com um olhar afano.

_Obrigado doutor! – se acomodou.

Dessa forma Herman vai direto ao assunto:

_Primeiramente devo realmente me apresentar a você...

_Mas já não nos conhecemos?

_Não Dorian, na verdade meu nome é Quick... Herman Quick. Mas Quick é apenas para os que tenho mais afinidade, por enquanto pode continuar me chamando de Herman, além do mais devo admitir a você que não sou um doutor que você imagina ser...

_Como assim?

_Eu sou um mago!

_O que? Não estou entendendo!

_Antes de entender, me responda se está realmente pronto para o que irá acontecer aqui? Preciso ter certeza absoluta para que eu possa realizar os desejos propostos na semana passada. Quero que me responda sim, ou não! Seja breve.

Dorian demora algumas frações de segundos, puxou o esse na intermitência do tempo, mas responde decididamente:

                _Sim!

                _Ótimo! Por favor então me acompanhe.

                Herman foi o conduzindo até o atelier secreto dos fundos, por onde no centro podia ser visto um objeto totalmente encoberto por um pano aveludado de cor preto. Estava sustentado por um tripe de madeira, a única parte que podia ser vista do objeto.

   _Dorian... como prometido irei cumprir com minha palavra, isto será uma nova realidade em sua vida, mas você precisa saber do poder místico que está lançado por através desta proposta. Desta forma você pode me considerar a partir do efeito, o doutor dos desejos.

Dorian acha estranho. O doutor continua:

_Isto... é um grande quadro artístico que eu mesmo desenhei em comparação a sua fotografia. Você não sabia, mas aquela fotografia tirada na última visita, foi justamente para dar prosseguimento a magia, dessa forma tive que pintar este quadro, não se preocupe, isto faz parte do processo.

Em seguida Herman retira o pano aveludado de cor preto e espantosamente a imagem de Dorian Gray é revelada.

Ele admira espantado:

_Isto é incrível. Ficou perfeito! Como conseguiu isto em tão pouco tempo?

Dorian observa o quadro atônito, era seu retrato, ficou estupefato e elogiou.

_Mas o que este retrato tem a ver com a proposta feita? Por acaso não propôs outra coisa?

_Primeiramente devo dizer que este quadro irá envelhecer no seu lugar. À medida que o tempo for passando, o quadro envelhecerá e você, ao contrário disto, se manterá jovem, ou seja, as características que seriam atribuídas a você, conforme o tempo da sua idade em andamento, serão transferidas unicamente à esta imagem do retrato desenhado neste quadro.

_Para que isto aconteça você deverá preservar o quadro pra sempre.

_Depois você permanecerá com a mesma disposição de sempre, e conseguirá manter seu ciclo social por longo tempo, até onde as pessoas se afastarão e você permanecerá.

_E por último, você conseguirá interromper o consumo da bebida alcoólica por definitivo e por vontade própria.

_Como tudo isto seria possível doutor? – perguntou assustado.

_Simples. Caso queira voltar a beber, isto poderá ser fatal.

_Não entendi.

_Um mau estar o atacará imediatamente caso ouse a beber uma gota de álcool se quer. Você não conseguirá resistir por muito tempo, poderá te causa uma morte súbita.

_Por isto, se caso quiser desistir e voltar ao consumo da bebida, terá antes que destruir o quadro. Mas se quiser não voltar ao consumo da bebida, e continuar jovem, este quadro deve permanecer intacto. Ele sofrerá com o envelhecimento em seu lugar, cooperando assim com sua longevidade.

_Acho que entendi! Porém não sei como retribuí-lo, caso isto realmente aconteça, só o tempo poderá dizer. Mas afinal... o que devo fazer para me assegurar deste pacto?

_Basta querer Dorian Gray! – disse em tom de mistério.

Em seguida retirou uma garrafa de bebida do scott bar, era uma bebida mágica, de uma substância esverdeada, em seguida despejou a bebida num copo, estendeu o copo em direção a Dorian e ofereceu:

_Beba... e o pacto será confirmado!

_Como assim Herman? Você deve estar enganado, isto pode conter álcool. Não pode me oferecer uma bebida, isto não faz sentido!

_Escute! – disse ao contornar a suas costas.

_Não se preocupe sobre o que contém esta bebida. Saiba apenas que ela possui efeitos poderosíssimos, e isto faz parte do pacto, acredite! – o tocou no ombro e logo o encarou frente a frente.

Herman ergue o copo com o drinque e ressalta:

_Basta beber a dose deste drinque, e tudo será feito.

Dorian acredita, e se encoraja, pois sentia um pouco de desconfiança, lentamente foi erguendo a mão para tomar o copo e quando menos se espera, e com apenas um gole, Dorian bebe de uma vez todo o drinque servido. Segundos se passam, e o pacto estava feito, Dorian sente apenas uma sensação de alívio.

 

CAPÍTULO 7

 

Um mês depois, Dorian volta a se encontrar com Ane Mary, era domingo, início de noite de um clima frio, ventava muito pela redondeza e na casa de Mary o jantar estava sendo preparado por ela e seu namorado Dorian. Em alguns domingos do ano, era costume o encontro de ambos para prepararem os comedimentos para o jantar, bem como a sobremesa.

Enquanto Dorian picava algumas verduras Mary elogia:

_Agora vejo que você realmente cumpriu com sua palavra, porque até agora não demonstrou vontade de beber e está sem bebida há um bom tempo. – sorriu e logo explica:

_Se fosse há um mês atrás você estaria quase cortando o dedo por causa da sua embriagues.

_Mary! – falou de forma íntima ao lhe chamar – se não fosse para estar com você por perto, eu nunca cumpriria com a minha palavra.

Mary deixa se revolver por um beijo em segundos, o beija nos lábios como um selo na estampa de uma correspondência. Em seguida sorri por um sorriso de satisfação, por ter seu namorado cumprindo com a palavra de não usar bebidas alcoólicas.

 

CAPÍTULO 8

 

Passaram-se alguns anos, Dorian definitivamente constata o fato de que estaria realmente jovial ao passo daquele tempo. Era manhã de um dia fresco, Dorian se debruçava sobre a pia e admirava seu rosto no espelho. Após enxaguar o rosto Dorian ainda observava com mais precisão, nada havia se alterado, se espantava de como ficou imutável durante todo aquele tempo.

Apesar da juventude e de toda popularidade, Dorian tinha um receio inerente, pois um dia as pessoas ao seu lado perceberiam sua aparência, o que inevitavelmente causaria polêmicas relacionadas a seu rejuvenescimento. Com perseguição, muitos chegariam até Dorian para saber quais eram os seus produtos cosméticos, o esteticista, o remédio para tal proeza, chegaria a um ponto em que a imprensa não o daria sossego um dia sequer. Dessa forma se cumpriria o que havia dito Herman sobre sua popularidade.

Dorian sentiu curiosidade em saber sobre como estaria o quadro após aqueles anos. Se arrumou elegantemente e logo partiu rumo a casa do doutor Herman. Dorian pretendia avaliar o quadro em comparação a sua imagem atual. O carro estaciona em frente a imensa varanda do antigo casebre, era dia de céu aberto, Dorian desce do carro, com seus sapatos pretos pisando sobre as britas, ele caminha em direção a porta após fechar a porta do carro, logo bate a porta e chama pelo doutor Herman.

Tudo que ele queria saber era sobre como o quadro estaria, se aquele drinque esverdeado continha alguma substância desconhecida para o rejuvenescimento, talvez Herman pudesse ganhar muito dinheiro ao vender a fórmula. Mas Dorian tinha outra dúvida, ele queria saber se por acaso ele poderia desfazer o pacto por algo que lhe soava profundamente sobre a mente.

Ainda pela porta Herman o atende e fala sobre aquela inesperada visita:

_Dorian? Há quanto tempo não nos vemos! – o abraçou.

Herman fixa seus olhos e diz:

_Você não mudou nada! – sorriu - Está inalterado aparentemente.

_Inalterado da mente também. São dezessete anos sem beber.

_Parabéns! – escancarou a porta e disse:

_Entre!

Assentados na sala Dorian comenta:

_Vim ver o quadro, estou curioso! preciso saber sob análise o que deverei fazer daqui pra frente.

_Dorian, você sabe que a única coisa que deverá fazer é evitar a bebida, caso contrário nosso trato será desfeito.

_Disto eu sei, mas preciso me certificar com você se devo ou não continuar com o pacto.

_E o que o faria desistir? Problemas emocionais poderão sim o fazer pensar nesta hipótese, mas nunca se comparariam ao que lhe foi atribuído, pense.

_Realmente devo admitir que tenho receio quanto a tudo que me foi dado, são dádivas das quais não fiz um mínimo esforço para adquiri-las e pensando sobre essa graça, às vezes penso na minha indignação, penso que também Mary poderia se envolver no pacto, pois chegaremos a um ponto em que ela envelhecerá e eu ainda estarei jovem.

_Não quero desapontá-lo, mas chegaremos realmente a um ponto em que você deverá mudar seu estilo de vida. Seus amigos partirão, sua esposa também, mas eles retornarão para você de outras formas. Personificando a imagem deles em pessoas atuais numa época futura você conseguirá identificar sentimentos semelhantes, conseguirá distinguir a diferença, profundamente você entenderá que ainda são eles e será possível reviver seus conhecidos.

_Gostaria de ver o quadro!

Eles se levanto e chegam em frente a porta do atelier. Após aquela conversa, Dorian se sentiu mais entusiasmado. Herman o convida:

_Por favor entre! – Herman o conduz ao quadro.

Ambos entram, Herman se aproxima do quadro e o pergunta ao segurar as pontas dos dedos sobre o grande pano preto aveludado tampando o retrato.

_Preparado?

Talvez Dorian pensasse que Herman o enganava ao pintar uma imagem dele numa versão posterior, mas seu rosto não o deixava sobras de dúvidas, pois ainda permanecia o mesmo, com muita precisão. Ele ainda tinha a promessa de não voltar a beber por vontade própria que se cumpria a cada dia que se passava.

_Preparado! – Dorian responde.

O pano preto aveludado é retirado, Dorian se surpreende.

_Isto é incrível. Realmente o retrato envelheceu. – Dorian toca sobre o quadro e com as pontas dos dedos foi passando a mão sobre a imagem.

_Não é de se espantar Dorian. – disse ao mesmo tempo em que caminhava em direção contrária ao quadro – Este quadro envelhecerá até onde sua vida chegar, ou seja, até sua morte.

_Obviamente este quadro não terá mais o que mostrar no momento de minha morte.

_Ele não terá mais o que mostrar. Chegará um ponto em que ele estará todo escuro.

_Isto quer dizer então  que quando eu estiver nesta fase o pacto acabará?

_Isto não te impedirá de sofre riscos caso volte a consumir algum copo de bebida alcoólica se quer, isto é o que faz ele envelhecer no seu lugar, e ele poderá continuar envelhecendo até onde você suportar.

_E até onde o retrato suportará esta desfiguração caso eu realmente resista?

_Ele escurecerá totalmente quando próximo à um século passado. Quando chegar a desfiguração completa do envelhecimento ele se escurecerá aos poucos em tons cinzas, esta é a parte mais dramática do processo. Mas ficara cinzento com mais velocidade do que os efeitos fisionômicos anteriores. Quando chegar no escurecimento completo você viverá destituído deste pacto, ou seja, você estará livre para fazer o que quiser.

_Poderei até voltar a beber?

_Sim.

_Mas é preciso se certificar de que o quadro esteja totalmente escuro. Quando chegar a desfiguração máxima de sua velhice, a ação degeneração ocorrerá como em sua decomposição do corpo no próprio sepulcro, neste momento a cor cinza predominará sobre toda a imagem, e assim como se não pode ver por dentro do sepulcro, assim ele deve continuar por cerca de cinco anos mais neste tom cinzento. Para se certificar do fim do pacto, é necessário enxergar a cor preta em todo o quadro, esta ação acontece rapidamente é apenas o sinal de que o pacto chegou ao fim.

_Mas até que você perceba o tom predominante preto sobre todo o quadro é necessário que se espere até cerca de um século corrido.

 

CAPÍTULO 9

 

Dezessete anos após o pacto feito, entre Dorian Gray e o retrato desenhado pelo doutor Herman, Dorian volta a se encontrar com Mary, mas desta vez em outra ocasião.

Numa noite de lua-cheia, a beira de uma lagoa da cidade, localizado em um dos restaurantes mais nobre daquela região, Ane MaryFolks e Dorian Gray iniciam uma discussão que surgiu sobre a aparência de Dorian. Por esta época Dorian se apresentava o mesmo de dezessete anos atrás, ele estava fisicamente inalterável à vista de Ane Mary. Seus traços fisionômicos chamava a atenção de Mary, pois Dorian só se alterava pelos estilos, a única coisa que Dorian conseguia mudar desde quando tomou o último drink, que a saber, era realmente um drink mágico. MaryFolks insatisfeita com a inalteração da sua aparência de vinte e três anos de idade, ela questiona:

_Dorian! – o chamou a atenção – Se passaram dezessete anos desde que parou de beber o álcool e por incrível que pareça, você continua aquele mesmo jovem do dia em que parou de beber.

_Mary, você não acha isso um máximo?

_Se fosse por isto não faria a menor diferença sua interrupção pela bebida. Para ser franca... eu prefiro você maduro e não imutável, fisionomicamente falando, por mais que você estivesse bêbado agora.

_Isto significa que não sou maduro o bastante para você?

_Não é isto Dorian... na verdade você precisa acompanhar as transformações faciais, isto faz parte das fases da vida e é relativo a seu tempo de idade. Isto deveria passar com o tempo, é natural.

_Ane Mary! – chamou-lhe a atenção – Talvez não queira perceber, mas por causa disto não estou comprometendo minha saúde mais, isto significa literalmente meu rejuvenescimento, acontece consequentemente com a cessação do álcool, eu portanto, poderia ter mais vantagens com isto pelo tempo que terei de vida, economizando minha saúde e ainda por uma maneira mais jovem.

_E quanto a mim Dorian? – questionou Mary com nervosismo, mas ao mesmo tempo preocupada – Como eu poderei continuar com alguém com traços tão joviais? Enquanto eu, pelo contrário, pareço estar cada vez mais velha que você. Não falta nada para você ser diagnosticado portador de uma doença rara, como por exemplo, uma estagnação genética e por isto, seria importunado constantemente pela curiosidade de todos, e principalmente da imprensa por tentarem extrair de você a origem e causa deste fenômeno.

_Não se preocupe Mary! – o tempo passará e os traços ficarão mais evidentes. – prometeu Dorian, mesmo sabendo que seria diferente e que só dependeria dele para envelhecer – aguarde mais um pouco e você com certeza notará alguma mudança.

_Definitivamente não tenho mais como ter certeza. Posso te dar um prazo de um ano somente e nada mais, se continuar o mesmo, não se envelhecer ou tratar disto terei que tomar a decisão de romper com nosso relacionamento.

Dorian por um instante ficou preocupado, sentiu medo, permaneceu demasiadamente aturdido, lembrou-se das palavras que o mago lhe havia dito. Dorian não poderia tomar um drink de álcool sequer, caso contrário o rejuvenescimento, a sua popularidade e a rejeição da bebida seriam fracassadas, não se cumpririam e de acordo com o pacto, seriam removidos, Dorian teria que agir sempre naturalmente. Contudo, o mal afetado pela quebra do pacto pelo uso da bebida alcoólica, seria extremamente forte, capaz de perder a juventude e sobretudo as suas forças, que seriam debilitadas subitamente, a única saída para toda a consequência da quebra do pacto seria a destruição do quadro imediatamente após o uso da bebida e que o levaria a ter seu estado original devolvido.

No mesmo instante lembrou-se das palavras de Herman:

_Se caso quiser voltar a consumir a bebida alcoólica, terá que destruir o quadro à tempo para quebrar o contra efeito, lembre-se que sofrerá um mal e não terá muito tempo para resistir até a destruição completa do quadro, isto, se estiver longe do alcance do quadro.

Dorian despertar do devaneio, MaryFolks se estranha e o pergunta preocupada:

_O que houve Dorian?

_Nada! Eu prometo encontrar uma forma de avançar minha aparência, esta fisionomia, para uma pessoa idêntica aos meus quarenta anos. Também te prometo tentar fazer esta mudança dentro deste prazo de um ano. Não se preocupe Mary, acredite, as coisas se ajustarão.

_Dorian Gray! Porque não está conseguindo amadurecer naturalmente? Seu rosto continua sempre o mesmo.

_Talvez um médico poderá te ajudar. – sugeriu logo em seguida.

_Não se preocupe Ane Mary, farei de tudo para resolver este problema. – apertou sua mão por cima da mão de Mary e prosseguiu:

_Em um prazo de um ano. – concluiu.

O diálogo terminou e Dorian voltou para sua casa preocupado, perder o desenvolvimento da aparência, pelo rejuvenescimento, mantendo sempre a mesma aparência, poderia ser incrível, ainda mais por manter o seu vínculo social, sua popularidade e ter a rejeição do álcool. Porem Dorian sabia que perder o namoro com Ane MaryFolks, e mantê-la ao seu lado sempre, não estava incluído na magia imposta por Herman, ao beber aquela última dose de drink, daquela porção esverdeada.

 

CAPÍTULO 10

 

Naquele mesmo dia, ao chegar em casa, Dorian se apresentou exausto à vista do reflexo de sua imagem no espelho, não sabia por onde começar, talvez procurar se envelhecer por outros métodos científicos pudesse ser não legal comparado a energia do poder lançado naquele retrato. No mesmo instante pensou em procurar o doutro Herman para conseguir uma saída, sabendo que a única saída seria voltar a beber, ficou realmente contrariado pela proposta feita por MaryFolks. Tudo aquilo poderia acabar em frações de segundos se caso decidisse realmente beber uma dose de álcool sequer. Para isto, teria que pensar muito antes de agir, teria que ter uma distância aproximada em relação ao quadro, que deveria ser destruído imediatamente para que o efeito não lhe causasse a morte. Um ataque súbito o faria sofrer um mal estar, consequentemente o efeito progrediria, isto não lhe daria chance se estivesse longe a ponto de conseguir destruir o quadro a tempo. Assim, não precisaria ter que depender da proposta de um ano feito a MaryFolks, por outro lado o rejuvenescimento seria desfeito imediatamente, isto, após o consumo do primeiro drinque.

Um mês se passou, em um determinado dia Dorian decidiu novamente consultar o doutor Herman, para simplesmente observar o quadro e também para o fazer um pedido. Lembrava-se sempre do que o doutor tinha lhe dito, isto é, após a destruição do quadro, a magia daquela jovialidade seria desfeita.

Assim Dorian acionou o carro, seguiu estrada rumo a casa de Herman. Pela saída em direção a estrada principal, se aproximou com o carro devagar ao convergir, era tarde da noite, Herman poderia estar descansando. O farol do carro é acionado, o casebre aparentava detalhes sombrios, Dorian achava estranho aquilo, era escuro da noite, apenas a luz do farol iluminava aquele lugar.

Dorian desce do carro e se aproxima lentamente, em seguida a porta da casa é tocada por algumas batidas com a mão. Como se não bastasse, Herman atende após alguns segundos de espera:

_Dorian? – se surpreendeu ao revê-lo – Que devo a honra de vê-lo por aqui. Entre, seja bem-vindo.

Ambos caminham em direção aos estofados situados ao centro da sala.

_Então Dorian... o que me faz tanto surpreso por esta inesperada visita?

_Bom, gostaria de ser franco com o senhor doutor. – disse um pouco arrependido de algo – Na verdade estou querendo destruir o quadro e quebrar definitivamente o pacto.

_Para isto meu caro Dorian, como foi dito no início, você precisa apenas de coragem para destruir o quadro, não tem mais segredos.

_Contudo o contra efeito você já sabe Dorian. O quadro te devolverá todo o envelhecimento que está sendo imputado no quadro ao passar do tempo de sua idade, em poucos segundos estará com sua imagem concernente aos dias atuais, ou seja, sua aparência normal.

_Eu gostaria de fazer um pedido doutor. Eu estava pensando em avaliar o quadro melhor para isto. Talvez a minha aparência não esteja tão constrangedora assim.

_Tudo bem. – disse o doutor – Acompanha-me por favor.

Herman o conduz ao mesmo atelier em que estava armazenado o quadro durante todos aqueles anos pelo pacto.

_Já se passaram alguns anos desde a última vez que veio avaliar o quadro Dorian. – rapidamente Herman tira o pano preto aveludado que possuía fuligens da poeira acumulada em torno do ornamento.

_E estamos assim nos dias de hoje! – apontou a mão em direção a pintura.

Herman não estava muito surpreso por saber que sem dúvidas, a imagem estaria com o rosto mais envelhecido com o passar daqueles anos.

_Como disse, seu envelhecimento, fisicamente falando, seria todo transferido para este retrato. Vejo que não está tão mal assim nesta imagem agora. – observou.

_Talvez esteja doutor. Veja este cabelo grisalho, o bigode e as rugas e o supercílio.

_Então era somente isto que veio avaliar?

_Na verdade doutor, eu gostaria de levar o quadro comigo.

_Por curiosidade... você está realmente pensando em quebrar o pacto?

_Não! – gaguejou – Quero dizer... Sim. – finalmente assume – Mas preciso de tempo para decidir, devo pensar antes de qualquer decisão.

_Tudo bem! Você pode ficar com o quadro.

_Mas afinal, porque lhe veio o desejo de quebrar o pacto?

_Por causa de Ane MaryFolks! – se aborreceu por um instante – Ane Mary percebeu minha estagnação física, reclamou da minha imagem do rosto com perfil inalterável. Pensou até que poderia ser uma doença relacionada a genes ou algo genético.

_Saiba que também não conseguirá mais vinculo como teve até agora, sua popularidade diminuirá e sua resistência ao álcool também será interrompida. Os anos se passaram e o que te mantinha vivo entre a maioria das pessoas, não era sua aparência jovial, mas sim, a autoestima que foi introduzida no efeito também. E isto, por fim, ocasionado pelo consumo do álcool. Como disse você pode voltar a ter o desejo à qualquer momento. Lembre-se, esta resistência não é natural de você!

_Eu sei que não conseguiria parar de beber assim de repente. Também sei que posso perder todos estes efeitos doutor, mas se for para ficar com MaryFolks... – Dorian estranhamente se cala, por alguns segundos permaneceu pensativo, Herman indaga:

_O que houve Dorian? É uma proposta irrecusável e isto pelo tempo que você já sabe.

_Por isto devo pensar melhor antes.

_Certo, pode levar o quadro.

Pelo lado de fora Dorian se despedia de Herman após embrulhar a pintura no mesmo pano preto aveludado que foi presenteado por Herman. O quadro é posto no porta-malas, Dorian aciona o carro que acede o farol e segue destino de volta pra casa com a missão cumprida.

 

CAPÍTULO 11

 

Faltava pouco tempo para completar o prazo proposto por Ane Mary, e por incrível que pareça Dorian ainda não tinha se decidido. Após observar um e-mail em seu notebook, se surpreendeu com uma mensagem intimadora.

_Dorian? Bom dia! – o e-mail era lido em voz baixa – Andei te observando durante todos estes dias que te propus para conquistar sua aparência avançada. Não adianta se esconder. Falta pouco para completar um ano e você ainda não mudou nada. Somente te encontro se realmente tiver mudado.

Era início do dia, a mensagem era recente, Dorian termina a leitura preocupado, Ane Mary não tinha ao menos se despedido na mensagem. Dorian põe as mãos sobre a cabeça pensativo. Ficar com Mary seria prioridade, mas difícil seria ter que perder suas qualidades biológicas, da resistência ao álcool, física, da sua aparência jovial e social, de sua popularidade.

Levantou-se em direção ao quadro e parou por algum tempo, alguns segundos se passam, Dorian não se move, refletiu, tinha que tomar uma decisão. A imagem lhe parecia perturbadora, o tempo passava, o retrato estava cada vez mais velho e a se decidisse destruí-lo mesmo, sua chance acabaria. Neste momento ergueu a faca apontando sobre o quadro, tentou tomar uma decisão de uma vez por todas, se aproximou mais com a faca, mas o orgulho falou mais alto. Dorian se lança ao chão, a faca escorrega da mão e cai ao seu lado, Dorian lamenta. Sem muito a pensar e ao mesmo tempo pensando em tudo, Dorian desiste.

 

CAPÍTULO 12

 

                Os anos se passaram, Dorian, como de costume, se apresenta empolgado diante de seu estimado notebook. Enquanto isso lia alguns e-mails de amigos, de tantas mensagens contagiantes, tais como de boas-vindas a clubes, grupos de entretenimento, associações, convites importantes e várias entrevistas. Dorian se tornou muito popular, consequentemente muito famoso, alguns ainda faziam parte do seu antigo grupo de amigos, mas outros, ao passar do tempo, acabaram se afastando, mas sempre incluindo Dorian em seus ciclos de amizades, isto tudo através de um dos efeitos prometidos por Herman incluído no pacto, transmitido pela última dose. Nada se sabe se aquela dose esverdeada possuía álcool ou não, mas tudo indica que a abstinência ao álcool era de fato.

                Uma das mensagens lidas era de Cambridge, amigo antigo de Dorian:

   _Como vai Dorian? Passaram-se cinquenta anos e você não mudou nada meu caro. Veja este link... – dizia Dorian em voz baixa enquanto lia a mensagem.

Em seguida clica no link, a imagem da manchete do jornal do estado de Kansas informava a seguinte notícia:

_Homem mantem rejuvenescimento após trinta anos passados...

Dorian recitou o anúncio da manchete ao mesmo tempo em que instantaneamente lembrou-se de Mary. Uma mensagem é enviada quase por coincidência, era Cambridge novamente:

_Está ficando muito famoso Dorian! – sorriu.

_Idiota. – respondeu na caixa de bate papo.

Outra mensagem não lida é aberta, era um e-mail do senhor Kalfman:

_Senhor Gray? - disse novamente em tom de voz baixa – Hoje estou comemorando meus noventa e três anos. Estou na cadeira de rodas, como você sabe e ainda não faltou em nenhum dos meus encontros de grupo, te reforço a lembrança do convite de hoje para nos reunimos no bar... Embora eu também tive parado com a bebida durante muito tempo, recebi a triste notícia de que tenho pouco tempo de vida, talvez deste ano eu não passo. Neste encontro terei a ousadia de beber como nunca antes, e não te incitando a beber, mas a comparecer neste grande dia. Obrigado. – Dorian termina a leitura.

Infelizmente Dorian não aceitou a proposta de Any Mary na época em que estava encurralado entre envelhecer e quebrar o pacto, devia encontrar saída. Sua fisionomia continuava a mesma. Pensando na notícia anterior, imediatamente fecha o notebook com um sentimento de remorso. Embora naquele dia fosse a comemoração do aniversário de Kalfman, Dorian sentiu saudades, passaram-se cinquenta anos e Dorian não tinha se decidido ainda.

 

CAPÍTULO 13

 

Naquela mesma hora Dorian parou por alguns instantes inertes à frente da janela da sua casa. Em seguida prosseguiu em direção ao seu quarto onde estava o quadro pintado por Herman. Rapidamente tirou o pano preto aveludado por cima do quadro e observou a imagem do seu retrato, que seria a imagem real pertinente a sua idade de setenta e três anos. Por alguns segundo esteve pensante, se perguntou como o doutor Herman poderia ter sido tão perfeito nos detalhes, que ao passar do tempo, aconteciam naturalmente. Ao passo daqueles cinquenta anos Dorian não tinha mais dúvidas, o efeito era real e obviamente não poderia ser o próprio doutor nas alterações dos detalhes. Dorian procurava entender como aquilo seria possível, o rosto aparentava uma barba, pouco senrra, mas grande e alva como a neve, tal como parte do seu cabelo que já se encontrava junto com o contorno do rosto, em formas desgastadas, as rugas anunciavam a velhice, todavia, sua jaqueta preta e amarela continuava a mesma, contendo apenas cores rotas. Ali parado Dorian pensou no convite feito por Kalfman, passou a mão sobre o rosto, estava liso, cabelos curtos, boa aparência.

No mesmo dia à noite Dorian se arrumou para o encontro dos amigos do bar, para a comemoração de aniversário de Kalfman. Após colocar seu tradicional paletó cinza, se ajustava no espelho pela gola da blusa branca semiaberta além do peito. Com seus artigos de ouro sobre o pescoço e entre os dedos, Dorian se retira em direção ao bar, dirigindo seu carro conversível preto.

No bar Dorian chega entusiasmado, cumprimentou seus antigos amigos, entre estes estava Marshall, Cambridge e Henry, Dorian era o único que se aparentava jovem ainda. Após algumas horas, sentado sobre a mesa, tomando um refresco de limão, conversava.

_Então Dorian? – Marshall o chama a atenção para uma pergunta – Está entre o grupo há décadas e nos acompanha durante as nossas embriagues e na maioria das vezes chega até o final destes encontros... poderia nos contar como realmente consegue rejeitar a bebida assim?

Dorian se cala por alguns instantes após a pergunta.

_Será que por isto você se encontra ainda jovem? – o grupo deixa sair uma gargalhada unânime.

Em seguida Marshall toma um copo de shopp e Dorian rasponde:

_Provavelmente isto me faz estar ainda jovem meu caro Marshall, mas não você sabe que nunca tentei ninguém a fazer o mesmo diante desta prova, na verdade isto parte de cada um, talvez meu organismo adquiriu mais resistência e células fortes, contra a degeneração que o álcool poderia causar. As pessoas que não bebem tendem a se conservarem mais. – Dorian sempre procurava desculpas para não falar do pacto – Porém consigo rejeitar a bebida por um único motivo apenas...

O grupo se silencia, Dorian continua:

_Pelo simples fato de ter perdido meus pais.

_Mas você vivia com seus avós Stive Gray e Laura Wolf... Já poderia ter se conformado mais diante disso. – disse Cambridge.

_Bom, eu sempre conto esta história, e parece que vocês não entendem... como vocês sabem, minha mãe desapareceu na infância, mas sabem o quanto eu procurei pelo paradeiro dela. Andei milhas durante anos e um certo dia decidi parar de beber.

_É um caso de se espantar Dorian... E quanto a seu pai?

_Morreu nas garras do álcool.

_Lamentável.

_Mas não se preocupe, porque eu, pelo contrário, perdi meus pais, e um dos motivos que mais me faz continuar bebendo ainda é este. – disse Henry.

_Eu não posso deixar de beber para continuar namorando algumas garotas por ai. – disse Cambridge, o grupo sorri e ele toma mais um gole de shoop. Cambridge era o mais novo da turma.

_Porque não superar o trauma e partir conosco nesta conquista? – perguntou Kalfman.

_Por mais que eu bebesse até o coma alcoólico, não seria o bastante, precisaria apenas da volta de MaryFolks e todas as bebidas do mundo não poderia trazer ela de volta.

_Você sempre nos conta desta separação, que Ane Mary te deixou a pensar e você não conseguiu convencer ela enquanto a tinha por perto. Talvez encontrando outra você superaria essa perda? – Kalfman supõe.

_Ainda não está perdido.

Dorian nunca tinha desistido daquela ideia de voltar a Mary como nos velhos tempos, mesmo tendo passado cinquenta anos, ele mantinha a ideia intacta.

_Eu insisto em acreditar que apenas Ane Mary poderia solucionar este trauma. – Dorian continua – É incrível porque já tentei de tudo, pois para mim seria mais fácil convencer ela da juventude do que ela me convencer da velhice. Para ela a velhice é algo natural e por algum tempo ela pôde perceber que eu não envelhecia naturalmente e que algo anormal havia comigo. Por isto desejo me unir a ela para descobrir o segredo, pois mesmo não bebendo ela já se encontra velha, juntos poderíamos fazer com que ficássemos jovens.

_Tarde de mais meu caro Dorian, você acha que isto seria possível? Ela não acreditaria nesta ideia. Bebendo ou não, eu acho que isto não mudaria nada.

_Quer ver um exemplo... – Kalfman continua, se levanta da cadeira e seguem em direção ao scotbar, pegou uma garrafa de whisky e o serviu uma dose.

Kalfman fixa os olhos atentos a Dorian e diz:

_A única coisa que você deve encontrar nos dias de hoje é você mesmo! – arrastou o copo para a direção de Dorian por cima da mesa.

_Toma! Experimente.

No mesmo instante Dorian acredita que seria assim. Não poderia mudar o passado, Dorian amava muito sua namorada e sua mãe, mas não poderia alterar a distância, isto não o impedia de sofrer mais por amor, as condições físicas, mentais e sociais, sua autoestima, tudo dependia de alguma reação, da busca interior. Dorian ainda não sabia que primeiro tinha que se amar. Naquela hora, por mais contraditório que parecesse, através de um diálogo entre amigos, mais simples, por uma dose de whisky, a pouca distância da mão, Dorian concorda, pois sabia que para estar velho e a altura de Mary, bastava apenas uma dose.

Muito pensativo pegou o copo, lutando contra sua rejeição e ao mesmo tempo confiante, para tentar ainda conquistar Mary, ele bebe o drinque em frações de segundos, numa golada só ele vira o copo e o põe sobre a mesa quase por quebra-lo.

_É isto! – Dorian desabafa, mas algo estranho acontece. Dorian começa a sentir um calafrio e mau estar.

_O que houve Dorian? – perguntou Kalfman - Esta bebida ainda não chegou a seu efeito? – colocou sua mão cuidadosamente em suas costas.

Imediatamente Dorian se levanta cambaleante.

_Deixa-me te ajudar. – disse Henry.

_Eu estou bem! – Dorian omite a sua realidade, Henry se adiantou com passos inseguros e titubeante alcança a porta de saída levando Dorian pelos braços.

_Vamos Dorian. – Henry insiste e tomando atitude o pega pelos braços o sustentando mais ainda até conseguir colocá-lo no carro.

Henry ofereceu ajuda, sendo que esta seria a única saída caso não fizesse o que deveria ser instruído por Dorian, pois para cessar aquele mau estar, segundo a orientação de Herman, seria a destruição do quadro.

Após coloca-lo no banco de passageiros, pegou a chave do carro no seu bolso e seguiu em direção a casa de Dorian.

 

CAPÍTULO 14

 

O carro seguia em direção a casa de Dorian, era tarde da noite, os ponteiros ultrapassavam a meia-noite, Henry tinha que alcançar o destino à tempo, Dorian estava aparentemente sofrendo um coma alcoólico, mas não poderia ser, era apenas um gole.

Quando próximo do local, Dorian reage e finalmente consegue falar:

_Pare o carro Henry!

_Precisamos pegar sua carteira.

_Pare o carro Henry. – gritou – Não vai conseguir chegar a tempo senão à pé.

Henry o observa de lado.

_Aguente um pouco, estamos quase chegando.

_Eu mandei parar. – gritou.

_Por favor. – disse Dorian em tom natural, olhos fechados e pouca energia – Estou a ponto de vomitar.

Imediatamente Henry freia o carro que atinge a inércia ao derrapar dos pneus. Logo saiu e ajudou Dorian a sair, mas não conseguiu se locomover. No mesmo momento caiu ao chão, liberou vomito uma perturbação lhe parecia insistente e anormal, em comparação ao pouco de bebida que ingeriu. Neste instante Dorian se recorda do que Herman o disse:

_Um mal o atacará subitamente sem chance de destruir o quadro à tempo, caso esteja longe. – escutou a voz oculta de Herman em meio a sua alucinação.

_Henry. – gritou.

_O que foi? – assustou Henry que o socorria apoiando sua mão sobre as costas.

_Henry... – moderou o tom de voz, Dorian tinha se recordado da instrução de Herman.

Preciso que você vá até o quarto e destrua o quadro com meu retrato sobre um pano preto aveludado.

_Como? Não estou entendendo.

_Faça o que estou te pedindo. – disse por uma voz fraca e trêmula, mas convincente, mesmo que ainda Henry não soubesse porque.

No mesmo instante ergue a chave da porta na mão retirada do bolso com dificuldade e o entrega.

_Por favor, vá. Esta é a única maneira de me melhorar.

_Tudo bem... – Henry pega a chave e corre em direção a porta da casa que não estava muito longe do carro estacionado.

Em aproximadamente cem metros percorridos, pavorosamente Henry corre cambaleante, a casa é alcançada, desesperadamente Henry abre a porta, quase deixou as chaves cair, sobe até o quarto de Dorian localizado no segundo andar, acendeu a luz, procurou uma ferramenta perfurocortante e ao retirar o pano preto cobrindo o quadro, Henry assusta.

_Dorian Gray?

Naquele momento Henry observou a velhice de Dorian, suspeitou realmente que Dorian tinha problema com a velhice, pois o mandava destruir aquele retrato, mas Henry não entendia porquê. Pensou que aquele retrato era uma manifestação artística dele mesmo para expressar sua velhice. Pensou também que Dorian criou seu próprio personagem como prova do seu interesse a convalescência. Como se por outro lado Dorian omitisse o fato de que tinha um problema, mas que mesmo assim continuava sendo vantagem.

A imagem estava com o rosto de Dorian envelhecido, porém com a barba e cabelos grandes e alvos como a neve.

 

Henry alçou o estilete, não pensou duas vezes, tinha que realizar o pedido de Dorian.

_Você precisa se cuidar meu amigo! – rapidamente Henry ataca o quadro e com alguns golpes destruiu o retrato finalmente. Cansado, Henry continuava sem entender.

Em seguida Henry sai correndo pelo lado de fora em direção ao carro onde Dorian se encontrava deitado no chão quase inconsciente. Henry o alcança e desesperadamente o acudi. Dorian estava de costas, seu corpo foi movido para frente e neste mesmo instante Henry se assusta, algo estranho tinha acontecido.

_Dorian? – espantou ao fitar os olhos – Dorian abre os olhos vagarosamente.

_Você pode me explicar o que está acontecendo?

Dorian estava exatamente como a pintura do retrato, da sua imagem original, agora, finalmente destruída. Cabelo longo, já desgastado, barba branca por fazer, algumas rugas na fronte, Henry não entendia, mas sentiu alivio em saber que seu amigo estava salvo.

Dorian estava cinquenta anos mais velho.

_Acabou meu caro Henry! – levantou-se com as forças já revigoradas, estava totalmente consciente, em seguida abraçou Henry.

O mal havia se retirado, e como dito, pelo doutor Herman, a destruição do quadro o fez retornar as características físicas originais.

Após todo aqueles anos passados Dorian pensou sobre como Mary reagiria a sua mudança. Naquela época revelou à Mary o motivo e apenas se lamentou por ter que abrir mão dos três efeitos do pacto.

No dia seguinte Dorian se levanta cansado, foi ao banheiro, fez a barba, a deixou aparada e não muito alta, mesmo assim mantinha a tonalidade branca. Dorian cuidou da aparência à todo momento e em certo dia vestiu-se elegantemente, sem muito a pensar, saiu desesperadamente a procura de Mary. Na noite anterior daquele dia Dorian esteve acordado o tempo todo, a única coisa que desejava era reencontrá-la. Talvez não teria tomado esta decisão tão facilmente se não fosse também por ela, mas primeiro pelo apoio dos amigos e principalmente pela atitude de Henry, por ter acreditado.

Durante cinco dias esteve a procura do paradeiro de Mary, procurou várias pistas em sua cidade, até que finalmente Dorian a encontra.

Era tarde do dia, o sol estava se pondo, Dorian quase foi preso por guardas naquela busca incessante, que para Dorian só acabaria quando a encontrasse. Mary estava andando, Dorian se aproxima e diz:

_Às vezes tomar uma decisão implica na perda de tudo que se possa ter. Ainda que o tempo tanto passasse, eu perderia primeiro todo este tempo que tive de verdade e tudo que eu aparentemente tinha, para então dizer que você foi quem eu tive na maioria deste tempo.

Mary estava como sempre formosa, possuía alguns anos à menos que Dorian. Usava um batom rosado e discreto, mas sem entender ela pergunta:

_À propósito... posso saber quem é você?

_Alguém que ainda não desistiu deste momento contigo.

_Desculpe, mas ainda não entendi.

_Mary, meu nome é Dorian... Dorian Gray.

Mary deixa escapar um lindo sorriso, ficou surpresa ao ouvir quele nome, era o próprio Dorian, seu antigo namorado. Aquele encontro marcou a história de ambos, eles conversaram e se reconciliaram e estiveram namorando até o final.

Em um determinado dia, Dorian saí com seu carro ao encontro dos seus antigos amigos. Na mesa de uma varanda da casa de verão, Dorian se aproxima e avista Henry, Marshall, Kalfman, Cambridge e...

_Quick? – Dorian se surpreende, mas sem muito a agradecer pela afetividade que ambos criaram, ele o chama pelo seu nome Quick sabendo que só seria usado entre os amigos mais chegados de Herman.

_Vamos brindar. – Herman ergue o copo contendo uma dose de whisky e o entrega.

Dorian bebe em frações de segundos, em seguida bate o copo sobre a mesa daquele churrasco.

Em outra hora à noite, em um restaurante sofisticado da cidade, Dorian se encontrava com Mary.

_O que eu disse naquela época, simplesmente foi... não desisto nunca de você.

 

 

FIM