O Retrato de Dorian Gray (nova
versão)
Nome do livro: Last Drink (O
Último Drinque)
Autor: Odenkir Kholer
Capítulo 1
Era uma noite de
clima intenso, alta temporada de inverno no estado de Kansas. Ao extremo leste,
numa cidade pacata, não muito distante da capita, Dorian se despertava do sono
após uma noite de laser com os amigos. Em um bar localizado na região central
da cidade, todos os amigos de Dorian Gray se encontravam ali com frequência
para beberem e geralmente nos finais de semana para passarem as noites em
grupo.
Este foi mais um
final de semana dramático para Dorian, se não fosse a penhora de um dos seus
relógios caros de marca conhecida, de modelo prateado de tecnologia digital, a
situação poderia ter ficado drástica para Dorian.
Ao perceber as
horas do rádio despertador que ultrapassava o limite do tempo para desperta, já
não conseguia mais suportar o barulho do alarme ao longo daqueles vinte
minutos. Finalmente Dorian se levanta por completo, não tinha mais jeito,
rapidamente preocupou em se arrumar, colocou os sapatos e tentou se certificar
do que o despertador estava insinuando. Devido a ressaca, não conseguiu
identificar as horas com precisão. Apesar de quase quebra-lo, conseguiu
finalmente se certificar das horas.
-Droga! – disse
assustado.
Eram dez e
vinte. Logo deixou cair o rádio cair ao chão e quase todos os objetos da mesa
ao tentar se sustentar de pé.
Após sair com o
carro conversível, quase por colidir-se ao desloca-lo do estacionamento, se
retirou às pressas. Finalmente chegou ao bar à procura do relógio penhorado,
cujo proprietário do bar era um amigo antigo. Apressando se da entrada ao
balcão, Dorian sentiu-se aliviado.
-Aqui está a
grana senhor Kalfman. – disse com as mãos tremulas apresentando o dinheiro quase
por deixar um os documentos da carteira cair.
-Companheiro
Dorian Gray. – o chamou para a atenção – Você tem vinte e três anos e ainda
permanece dependendo destas suas embriagues para se animar ou divertir, quase
sempre com a mesma conversa da culpa pelo seu amor não correspondido de Mary
Folks?
-Não tenho como
abandonar esta culpa, mesmo porque acabei acreditando nestas minhas
irresponsabilidades mesmo, uma destas seria chegar a velhice, e isto me
incomoda, como se a juventude nada fosse.
-Isto com certeza
não te obrigaria a beber tanto assim senhor Gray!
-Mas com certeza
retribui a minha esperança por viver sempre jovem com Mary Folks. Gostaria de
estar com ela sempre assim...
-Jovem e
incompetente?
-Da maneira que
sou agora, apenas jovem.
-E você deseja
permanecer assim pelo resto da sua vida?
-Se assim eu
tiver que beber um litro desta bebida para aumentar minha esperança, acho que
sim. Seria um relacionamento do jeito que somos...
-E falando
nisso, aqui já vai mais uma dose. – o entregou mais uma quantia de dinheiro
para a dose do drinque.
-Caro Dorian,
você não mudará nunca se caso não parar de beber. E aqui vai uma dica: procure
tratamento! – disse Kalfman, ao mesmo tempo em que servia o drinque segurando a
garrafa de wisk pelo gargalho.
O rótulo parecia
estranho para Dorian.
-Ainda que eu
parasse de beber... – argumentou para em seguida afirmar – Eu não conseguiria
mudar o aspecto do qual me identifico no espelho na chegada da minha velhice.
-Cuide se senhor
Gray! – disse ao acenar ao mesmo tempo em que o seu amigo se retirava do
estabelecimento.
Em seu fundo
íntimo, Kalfman desejava que Dorian realmente desse um tempo na bebida.
As portas do bar
se fecham automaticamente. Doriam Gray era vinte anos mais novo que Kalfman o
dono daquele bar, que também funcionava como lanchonete. Em seguida Dorian
acionou o carro dando a partida, estava próximo de ser bloqueado por uma blitz,
não muito longe dali. Ao perceber a viatura, estacionou o carro como exigido
pelo policial.
-Desça por
favor! – pediu gentilmente o guarda.
-Estamos
realizando uma blitz para identificar um suspeito de furto com o uso de um
veículo semelhante ao seu. – explicou um dos guardas daquela dupla.
Dorian possuía o
mesmo tom de cor preto fosco do carro procurado. Enquanto o policial pedia os
documentos, o outro fazia a vasculha no veículo de Dorian.
-O documento do
carro e habilitação estão positivos! – pode prosseguir.
O liberou após o
devolver os documentos. Porém o segundo policial, ao realizar a revista no
banco de trás, identificou uma garrafa de bebida alcoólica.
-Espere! –
gritou o guarda ao exibir a garrafa.
-Encontrei esta
garrafa de wisk!
-Andou bebendo
senhor Gray? – disse o guarda mais próximo dele.
-Não! – omitiu.
-Quero dizer...
O guarda
policial não esperou Dorian se explicar, pegou o bafômetro, ao mesmo tempo
exigindo:
-Teste! –
estendeu o aparelho.
-Sim, sem
problemas. – pegou o aparelho eletrônico do teste de bafômetro com medo. O
último drinque tinha sido uma dose dupla.
Após alguns
segundos, o teste do aparelho não acusou o uso de álcool, o guarda achou
estranho, o teste não alcançou o limite da porcentagem estabelecida.
-Ok! – está
liberado.
Logo o outro
guarda se aproxima com o litro de wisk vazia e diz:
-Tome cuidado e
não dirija sob efeito do álcool. – o devolveu a garrafa.
CAPÍTULO 2
Ao
chegar em casa Dorian ficou pasmado com o que havia ocorrido. O teste do
bafômetro não acusou nada, devido o uso da última bebida seria impossível,
misturada com o alto consumo de seis horas atrás. Dorian ficou pensando ainda
por alguns instantes, sabia que aquele drinque era o suficiente para não passar
no teste, e também pensou como não teria percebido a ausência de álcool ao
tomar toda aquela bebida.
Era domingo, dia de encontrar-se com Ane Mary
Folks. Porém Dorian ficou curioso para saber sobre o que havia ocorrido na
blitz, houve um bloqueio no efeito do drinque também, não se sentia bêbado e
por isso ficou mais fissurado, aquela bebida não tinha surtido alteração do
humor até o momento. Preocupado se levantou, reagiu impulsivamente, andou em
direção ao carro e imediatamente se retirou de volta ao bar. Logo chegaria ao
local, Dorian estava a procura da dose de um drinque de verdade.
Dorian estava
nervoso, saiu às pressas, não comunicou o seu avô Stiven Gray que se encontrava
na sala. Stiven Gray permaneceu no sofá assistindo televisão, tinha passado da
hora de almoçar e Dorian não tinha se alimentado ainda. Logo o telefone de
Dorian toca, ele atende:
-Aonde você foi
desta maneira confusa Dorian? Saiu as pressas, não avisou? – perguntou o avô
assentado no sofá em frente a televisão.
-Estou
retornando ao bar, tenho que pegar algo que acabei deixando por lá – disse ao
mesmo tempo em que apressadamente colocava o cinto de segurança.
Nesta hora
Dorian se lembrou de alguns pedidos do seu avô sobre os cuidados das leis de
transito. Mas ele não se importava mais, ele estava buscando mais uma dose de
wisk.
-Ok! Vê se não
demora. – Stiven Gray desliga o telefone, em seguida toma um gole de
refrigerante em garrafa, enquanto isso o comentarista da televisão narrava a
programação transmitida naquele momento.
O senhor Kalfman
ainda estava presente, ao chegar no bar, Dorian se antecipou e tornou-se contra
o balcão, pedindo de maneira ríspida, uma dose ao senhor Kalfman.
-Desce uma dose
senhor Kalfman! – disse ao bater a mão sobre a mesa.
-O que houve
Dorian? Está muito agitado. – falou o amigo ao pegar a garrafa de wisk.
Bebeu o drinque
e em seguida questionou:
-Estava me
devendo uma bebida com álcool meu amigo Kalfman, portanto a bebida já está paga
e estamos kits. Aproveitou da minha embriagues do dia anterior e por isso me
vendeu uma bebida sem álcool, aquela mais cedo.
-O que está
falando Dorian? Você deve estar enganado meu caro.
Dorian de
imediato, com bastante raiva, o segurou pelas bordas da gola da blusa social
semiaberta e por onde exibia se uma corrente de ouro.
-Meu caro amigo
Kalfman... – disse com ironia ao se aproximar face a face dele.
-Pensou que eu
não perceberia aquele drinque sem álcool?
Kalfman mantinha
uma garrafa de wisk com rotulo original, porém com o conteúdo falso. O liquido
apesar do gosto, não continha álcool, era apenas curtido com ervas. Era
geralmente vendido às pessoas muito embriagadas e que não podiam perceber mais
o efeito, gostava de lucrar com isto.
-Quero que você
me explica como pôde fazer isto com seu amigo cliente? – disse ao largar das
dobras da blusa de Kalfman que também reagiu contra suas mãos ao agarrá-lo.
-Caro Gray! –
suspirou – De fato não o servi uma bebida alcoólica. Na verdade coloquei uma
outra bebida que a conservei para diluir exatamente nesta garrafa. Fiz isto
para o seu próprio bem. Decidi não o prejudicar com mais uma dose, mesmo porque
eu estava ciente da blitz mais adiante no caminho de volta a sua casa. Você não
iria acreditar, pensaria que eu estivesse negando bebida para você, e mesmo se
acreditação, você não aguentaria ficar sem beber aquele drinque e por isto
evitei um problema maior.
-Antes de mais
nada... – o interrompeu – te peço desculpas. Na verdade realmente fui pego
pelos guardas, mas fui liberado após não detectarem nada no teste por causa
deste falso drinque. Aquele teste teria acusado se caso eu tivesse bebido o
drinque... Obrigado! – aliviou.
-Sabe o que eu
penso meu camarada Gray? – afagou a mão sobre a barba do queixo, fez um
instante de suspense e prosseguiu:
-Você deve
procurar ajuda!
Em seguida virou
se para o scot bar, pegou uma bebida com teor alcoólico, também pegou um copo
de vidro e despejou bebida.
-Beba! – o
entregou o copo em cima do balcão, arrastou com as pontas dos dedos e disse:
-Estamos Kits. A
blitz já não se encontra mais por este caminho. – concluiu.
Ambos sorriem,
Dorian toma o drinque em frações de segundos, mas Dorian se preocupa, precisava
comparecer ao jantar com Mary Folks naquele dia à noite.
CAPÍTULO 3
O jovem
alcoólatra, se resolveu com seu amigo Kalfman, mas na verdade sentiu que aquele
conselho era sincero da parte de Kalfman, ao dizer sua opinião sobre o
tratamento. Neste momento, em que a bebida começava a surtir efeito, seu
telefone toca, era sua vó:
-Dorian?
-Sim, em que
posso te ajudar dona Laura?
Laura Wolf era a
esposa do seu avô Stiven Gray. Após o falecimento de Lady Margaret, sua avó de
origem, Stiven Gray acabou se casando com Laura, em uma cidade do interior de
Kansas. Dona Laura passou a ser a vó de consideração de Dorian.
-Estou no
restaurante Ratna Fish, gostaria de te convidar para almoçarmos juntos?
-Mas são quase
quatro horas!
-Hoje está sendo
servindo filé de peixe frito! Seu prato predileto. Podemos fazer uma refeição
simples, não se preocupe.
-Ótimo! Estou a
caminho, mas devo demorar um pouco.
Ainda dentro do
carro, Dorian desliga o telefone, estava voltando para casa, desta forma Dorian
convergiu a rua imediatamente e como informado se dirigiu ao restaurante Ratna
Fish, não teve como se atrasar. Passando pelo hall entre a recepção e o salão,
notava-se alguns vidros ao redor da varanda de entrada, por onde o recebeu um
recepcionista que em seguida o apontou em direção a localização de Laura Wolf, como
procurado por ele.
De longe a
senhorita Laura Wolf acenava com a mão em sinal de chamado. Mais adiante
notava-se uma textura areal em torno das paredes traçadas por alguns caibros
rústicos. Nesta parte da parede, alguns quadros de peixes em estilo armênico e
também os aquários com planos de fundos artíticos.
Ao se aproxima
de Laura, a cumprimentou de modo bastante gentil, assentou-se sem embargo,
iniciou uma conversa sensata e nesta hora aproximou um garçom. Dorian, embora
estivesse sob efeito do último drinque, ainda conseguia se controlar, pediu
mais uma dose, conforme a pergunta do garçom:
-Licença! O
senhor gostaria de fazer um pedido antes do prato a ser servido?
-Sim, uma dose
de wisk, por favor. – enquanto isso o garçom anotava o pedido.
-Apenas isto
senhor?
-Sim.
-Ok, sua bebida
chegará em breve. – se retirou.
Sua vó que,
apesar de estar há quase quatro anos com o seu avô, era tratada como se fosse
sua verdadeira avó, isto, devido a ausência da sua mãe que desapareceu
misteriosamente em sua infância e também pelo falecimento da sua avó
verdadeira. Dorian acostumou com a tutela do seu avô, o qual era tido como pai.
Stiven Gray era
um senho de idade avançada, mas não se distanciava muito do seu aspecto, das
características e do modo de ser de Dorian. Há quatro anos conheceu Laura Wolf,
uma mulher que sustentava seus cinquenta e um anos.
Naquela hora
Laura observava o semblante de Dorian um pouco contristo. Após o pedido da
bebida pensou que seu aspecto, sem dúvida, era pertinente ao consumo daquela
bebida que vinha chegando.
-Dorian. – Laura
o chama a atenção – Seu rosto não me deixa mentir. Por acaso você andou
abusando da bebida em plena luz do dia de jantar à dois com Ane Mary Folks? –
perguntou Laura.
-Devo admitir
que sim dona Laura, mas não muito como eu desejava ter bebido por isto.
-Como você se
sente fazendo desta forma?
-O tanto que meu
rosto consegue descrever.
-Eu acho que
você deveria ter evitado este drinque Dorian, afinal, o seu rosto está me
descrevendo medo, desta forma não chegará a lugar nenhum.
-Mas posso
chegar a esquecer a maior parte dos meus problemas.
-Eu poderia
saber o que realmente te causa tanto problema para te fazer beber tanto assim?
-Na verdade dona
Laura, tenho medo da tenra idade e ainda que eu bebesse tanto, isto não me
manteria jovem.
Neste momento o
garçom se aproxima com uma garrafa de wisk posta sobre a bandeja, com alguns
cubos de gelo retirados por uma tenaz de um balde prateado, pondo-os sobre o
copo de vidro, em seguida despeja o drinque.
-Obrigado!
O garçom se
retira pondo seu lenço branco sobre a parte do seu acessório. Laura sugere:
-Se quiser
realmente parar de beber e conseguir resultado positivo contra seus
problemas... encontre-se com esta pessoa o quanto antes.
Laura retira um
cartão de visita de uma antigo amigo, o nome da pessoa escrito no cartão de
visita era sobre o misterioso, doutor Herman.
-Dr. Herman?
-Sim, ele é um
especialista na área mental.
-Obrigado dona
Laura, ainda hoje estarei a caminho deste endereço, assim que me despedir de
Mary... Eu prometo!
O dia estava
quase escurecendo, Dorian ainda precisava se arrumar para a janta, o crepúsculo
do dia ameaçava a noite, breve se despediu de Laura, saiu novamente impactado
com aquelas palavras e bastante interessado em se tratar, saiu à caminho
daquele estranho endereço desfazendo assim seu compromisso com Mary.
Localizado não
muito distante do restaurante Ratna Fish, Dorian finalmente alcança a entrada
de um casebre que por fora apresentava alguns detalhes da estrutura já
degradadas pelo passar dos anos e também por estar localizado na pista de
acesso e saída daquela cidade do Kansas. Por aquela época do ano este casebre
costumava se envolver com uma neblina ao amanhecer e ao anoitecer, o que também
causava a perca do brilho da madeira.
Como se não
bastasse, estava tudo nublado, não demorou menos que uma hora para alcançar a
entrada, percorreu em direção a porta a pé e bateu a porta.
-Alguém por ai?
– já era quase noite e não havia luz.
Logo bateu
novamente. Alguns segundos se passam e porta se abre sob a voz de Herman:
-Olá?
-Sou Dorian
Gray, soube deste endereço através de um breve diálogo com minha vó Laura Wolf.
-Sim, senhorita
Wolf, eu a conheço.
-O senhor foi
uma sugestão importante para expor algumas perguntas. Preciso dizer alguns motivos
que me levam ao alcoolismo, realmente preciso da sua ajuda doutor Herman.
-Entre, seja bem
vindo!
Dorian entra ,
por dentro, um cenário fúnebre. Uma casa de dois andares, mantinha ao centro
uma sala com dois sofás do tipo pérgolas. Eram apropriados para consultas.
Ambos se
assentam nos respectivos estofados e se acomodam para aquele misterioso
diálogo, que Dorian jugava ser urgente. Em seguida Dorian é questionado:
-Fique a vontade
Dorian, afinal, estamos em um dia atípico. Antes de começarmos, gostaria de
saber o principal motivo que te animou a comparecer a este diálogo?
-Como disse,
recebi uma sugestão da minha estimada vó, Laura.
-Senhorita Wolf?
-Sim, recebi
esta sugestão após ser percebido por um aspecto estranho, condicionado pela
minha embriagues.
-Gostaria que me
dissesse primeiramente sobre o que realmente te levar a contrair estes
sintomas?
-O uso de bebida
em muita quantidade, nada mais.
-E qual seria o
principal motivo deste impulso?
-Como disse a
dona Laura, eu tenho receio de envelhecer, mudar meu aspecto social e ter que
me afastar da rotina que tenho atual, utilizo da bebida entre amigos e no
relacionamento com minha namorada Ane Mary Folks, sempre pensando me manter e
sentir jovem.
-Sobre
envelhecer... diga-me qual é o seu verdadeiro desânimo? A ponto de fazer você
ficar sem a bebida.
-Seria afastar
desta mesma rotina doutor a qual eu tanto prezo, envelhecer e pensar uma vida
estranha sem o álcool.
-Gostaria de
saber se você é capaz de admitir, se conseguiria manter esta mesma rotina sem o
uso de álcool?
-Devo admitir
que não! Às vezes procuro me envolver com o próprio efeito para resolver esta
característica extrovertida, parece impossível.
-Realmente é
impossível, mesmo porque o consumo frequente, segundo a medicina, só tende a te
fazer envelhecer, por mais que você insista, não conseguirá manter seu vínculo
e nem sua jovialidade por muito tempo, caso insistir a continuar consumindo
você acabará de todas as formas perdendo o domínio.
-Mas quero te
fazer uma pergunta... Você seria capaz de abandonar a bebida, manter se sempre
sociável, vinculado e jovem com sua fisionomia inalterável, pelo resto da sua
vida?
-Se realmente eu
mantivesse este vinculo social e permanecesse jovial, eu seria capaz...
Dorian respondeu
após uma pausa, movido por um instante de suspense, logo conclui:
-Mas não sei se
é possível e nem se consigo.
-Muito bem,
desta forma te afirmo que é possível, te convido a voltar na semana que vem.
Conseguirá obter esta capacidade sem nenhuma dificuldade.
-Como assim?
-Perderá
instantaneamente o ânimo de beber. Apenas que cancele todos os seus
compromissos de hoje até o fim da noite, para que reflita especialmente nisto.
-Ok!
Ambos se
levantam, Herman estende a mão pronto para se despedir e em seguida conclui:
-Semana que
vem... Neste mesmo horário. – Dorian o cumprimenta e se direciona à saída.
CAPÍTULO 4
Ainda pelo centro da sala ambos andam em
direção a porta. Pelo corredor de acesso a saída, notava-se uma prateleira de
madeira Carraro em cuja gaveta Herman guardava uma câmera de retrato digital.
Por frente da prateleira Herman estaciona os passos, abre a gaveta e pega a
câmera de retrato. Logo Herman explica:
-Antes que você
vá, preciso arquivar uma fotografia sua... Faz parte do processo.
-Tudo bem! –
Dorian aceita.
Em seguida se
posiciona, ajusta a jaqueta preta com bordas amarelas, um símbolo pouco
descritível, parecia ser mais um slogan de algum time de futebol americano. A
jaqueta combinava com seu estilo esportista. Rente da parede de cor vinho,
paralela a tal suporte de onde foi tirada a máquina, de dentro da gaveta de
madeira, conjugada a parede, notava-se o mesmo tom de vinho, em ambos lados do
corredor até a porta de entrada. Por cima da prateleira havia um espelho
moldurado por uma madeira semelhante ao da prateleira.
Dorian ajusta o
cabelo, logo Herman aciona o flash e focando sobre a imagem de Dorian contra a
direção da prateleira, imediatamente armazena a fotografia do visitante.
-Pronto! –
finalizou ao devolver a máquina para a gaveta da prateleira.
Alguns passos a
frente Herman abre a porta, o visitante desce um degrau da escada após a saída
da porta, e quando totalmente pelo lado de fora Dorian pergunta ao soar da
curiosidade:
-Afinal para que
serve esta fotografia?
-Saberá na
próxima semana. – o informou emitindo um discreto sorriso.
-Te vejo na
próxima.
Ambos se
despedem, Dorian desativa o alarme, aciona o carro e ainda no caminho de volta,
pega o celular e como sugerido pelo doutor Herman, Dorian cancela o jantar com
Mary Folks.
-Ane Mary?
-Dorian? –
perguntou assustada e logo questiona.
-Estou te
esperando há mais de meia hora para prepararmos a janta. O que houve?
-Na verdade
Mary... Não poderei comparecer ao jantar de hoje!
-Qual é o motivo
desta vez Dorian? Combinamos de fazer o jantar juntos, não foi? – questionou
irritada.
-Tenho algo
muito importante à fazer, não precisa se preocupar, não é nada grave, depois eu
te explico!
-E o jantar?
-Vamos marcar
para semana que vem, estarei em sua casa sem demora.
-Tudo bem!
-Nos
encontraremos antes ainda nesta semana. – desligou o celular ao mesmo tempo em
que gira o volante.
Um sonido
causado por uma buzina de outro carro o alertava da distração no trânsito,
estava realmente preocupado, continuou em direção a sua casa, estava curioso
para saber como seria cumprir com àquele pedido de Herman e de como seriam
cumpridas as propostas do doutor.
Ao chegar em
casa procurou refletir sobre o assunto, sabia que não seria tarefa fácil
abandonar a bebida, e como isto seria possível, nada sabia além do que Herman
prometeu na próxima consulta. Depois disso, Dorian ficou imaginando como seria
permanecer jovem até o final da vida, e também como seria parar de beber de
repente, e perder totalmente a vontade de pelo menos uma dose de whisky, e como
manter um vínculo social duradouro.
Dorian era um
adulto, que por muitas vezes tentou parar de beber por vontade própria, mas
todas as tentativas eram fracassadas pela preocupação de perder um dia Ane Mary
Folks, e também pela vinda da sua tenra idade e ainda por cima ter que se
desvincular do seu ciclo social.
Na vida todos
passamos por diversas transformações, sabemos que um dia já não estaremos mais
ligado a uma determinada área social. Uma discussão, uma mudança de plano até
mesmo o desgaste físico ou mental fazem com que pessoas um dia realizem
mudanças, quer seja geográfica, profissional, do modo de se vestir até mesmo do
relacionamento. Mas Dorian sonhava em permanecer naquele mesmo estilo de vida
até o findar dos seus dias.
CAPÍTULO 5
No outro dia
Dorian amanheceu exausto, não conseguiu dormir direito, esteve pensando
seriamente sobre a proposta daquele suposto doutor, mas que na verdade, não se
passava de um mago. Herman possuía poderes místicos, capaz de realizar desejos
inimagináveis em seus pacientes escolhidos.
Logo se arrumou
ao se levantar, imediatamente começou a pensar numa festa, esta seria feita em
sua própria residência e precisamente num final de semana, ou seja, no sábado.
Dorian falou consigo mesmo:
_Se eu tiver que
parar definitivamente com a bebida, como proposto pelo doutor Herman, então
sábado será o dia em que eu me embriagarei até a última gota, da última dose,
da última garrafa.
Dorian desejava
aproveitar o pouco tempo que tinha ainda alcoólatra, para beber e se despedir
da embriagues. Ele desejava passar seus últimos momentos embriagado, antes de
ter que parar com a bebida pra sempre.
_Será que isso é
possível? – Dorian pensava e sorria para si mesmo.
Domingo era o
dia da consulta como combinado, portanto, Dorian começou a fazer alguns
convites para a festa de sábado:
_Dorian? – Henry
atendeu o telefone.
Henry era amigo
de conclusão do colegial.
_Henry! Estou
programando uma festa de arromba aqui em casa para este sábado à noite.
_Ok! Mas qual
seria a motivação?
_Surpresa!
_Que máximo!
Estarei presente, não posso perder essa, ainda mais quando se trata de festa
surpresa. – sorriu.
_Combinado. Nos
encontraremos à noite.
E Dorian foi
convidando um à um, seus amigos de infância, amigos íntimos, conhecidos,
vizinhos e parentes mais chegados. Assim também convidou ao senhor Kalfman e
outro amigo, chamado intimamente pelo grupo de Cambridge.
_Cambridge? –
Dorian fala novamente ao telefone após várias ligações realizadas.
_Este sábado
estrei fazendo uma festa. Vamos disputar a queda do litro!
_Uau. Estarei
treinando com uma garrafa de Vodca por enquanto. – ambos deixaram sair uma
gargalhada.
Cambridge
continua, após a gargalhada tentava tomar folego:
_Combinado.
Vamos entornar o litro.
Dorian também convidou sua namorada Any Mary Folks, Sany,
amiga íntima de Mary Folks, Albert e Marshall. Ao longo de toda semana convidou
todos os amigos e nenhum recusou o convite feito, e assim, rapidamente, entre
drinques e Chopps, consumidos assiduamente por Dorian durante aquela semana,
chega finalmente o dia de sábado, cuja festa seria em sua própria residência.
Para Dorian, este seria o dia em que ele consumiria todas as bebidas, como em
nenhum dos dias daquela semana, como jamais bebeu na sua vida.
A noite logo caiu,
era sábado de clima fresco, a casa de Dorian se encontrava totalmente cheia, em
torno da sala e dos dois quartos dos fundos, próprios para visitas, bem como a
sala de estar e a sala de vídeo, estavam completamente ocupadas pelos
convidados de Dorian, que se divertia com bebidas, petiscos, conversações e
muita música eletrônica.
_Então Dorian? –
se apresentou Henry e Cambridge com bebias nas mãos.
_São altas horas
da noite e seus pais ainda não chegaram para atrapalhar a festa? Eles estão
sabendo? – perguntou Henry.
_Eles não se
importam com esta festa? – perguntou Cambridge.
_Caro amigos, -
disse em tom de descontração e com sintoma de embriagues – meus pais foram
passar o final de semana no sul de Kansas. Eles voltam só na metade da semana
que vem. Portanto, vamos beber até o dia amanhecer. – disse por uma risada
seguida por mais um gole de Chopp e brinde entre os amigos.
Após a
meia-noite, ainda pelo escuro do dia anterior, faltando pouco para amanhecer,
Dorian sobe por cima de uma mesa grande no centro da sala, para isto derrubou
todas as bebidas dos copos e garrafas deixados por ali, como também alguns
aperitivos em pequenas vasilhas. Então se sustenta de pé sobre a mesa com um
pouco de dificuldade, faz um pedido pela interrupção da música, que foi reforçado
pelo amigo ao lado, imediatamente a música para e logo acontece um instante de
silêncio.
_Pessoal! –
Dorian deixa escapar um soluço causado pelo excesso da bebida.
_Um minuto da
atenção de todos! – levantou o copo.
_Na verdade esta
festa foi realizada para comemorar o último dia em que vocês me verão bêbado.
_Afirmo a todos
vocês que estarei interrompendo com o uso da bebida hoje mesmo. – Neste
instante acontece uma gargalhada unanime em toda a casa.
Os sorrisos se
misturavam com as vaias, a maioria parecia não acreditar, ou pensava ser uma
piada de Dorian. Depois começaram a conversar, não deram a mínima para o que
Dorian havia falado.
_Mas não se
preocupem! Não abandonarei nossa amizade, estaremos juntos ainda, mas sem o uso
da bebida, é claro!
_Como assim
Dorian, vou perder meu cliente preferido? – disse Kalfman em tom de piada.
Todos sorriem.
_Suponho que
estarei embriagado a todo instante sem precisar beber e...
Neste instante
Dorian desmaia, estava muito alcoolizado, levou um tombo inesperado pra traz,
caiu totalmente desajeitado e pelo acidente Mary confirma:
_Depois dessa...
realmente não precisará beber mais pra ficar tonto. – deixou escapar um sorriso
discreto.
CAPÍTULO 6
Ao amanhecer do
dia, Dorian se desperta por um água lançada de uma cuba de alumínio, estava
preenchida por gelos já praticamente derretidos. Após a água lançada por Mary,
imediatamente Dorian se levanta assustado, estava ressaqueado, logo pergunta:
_O que houve
aqui? – perguntou se estranhando com toda aquela bagunça.
_Isto foi o que
você aprontou no dia anterior Dorian Gray. Prometeu interromper a bebida por
definitivo e agora suponho que esteja louco para tomar mais uma cerveja para
curar a ressaca.
_Não estou Mary,
acredite em mim. Na verdade preciso saber quantas horas são?
_São dez horas,
mas se estiver pensando em ainda beber, saiba que você consumiu quase tudo
sozinho e ainda por cima prometeu parar.
_Any Mary! –
olhou bem fundo nos seus olhos – Hoje realmente irei parar, preciso apenas de
tempo para te provar, afinal, eu tenho uma consulta hoje ao por do sol.
_E você acha que
isto é o bastante? Acha que irá resolver de repente assim?
_Vou me arrumar!
– se levantou Dorian e começou a agir – Preciso me organizar e limpar a casa, e
com o passar do tempo irá perceber que não estarei bebendo como dito hoje.
_Até quanto
tempo Dorian? – pôs o braço esquerdo sobre a cintura e questionou:
_Até o final da
consulta? Até o final do dia? Ou quem sabe no próximo final de semana? Será
mesmo que você não voltará a beber? Quem me garante?
Mary estava
cheia de dúvida, mas no fundo Dorian estava disposto a aceitar a proposta de
Herman, e o que fora proposto era acabar de vez com seu alcoolismo.
_Fique aqui comigo até o final de semana,
porque eu realmente estou convicto da decisão.
_Irei partir
Dorian, você foi longe demais. – pegou a bolsa, andou alguns passos, virou em
seguida e disse:
_À propósito...
Já que você está tão convicto assim, eu deixo bem claro que se você não cumprir
com sua palavra, e quebrar o trato com este doutor ou quem seja, juro que me
separarei de você. – se retirou em seguida.
No restante do
dia Dorian organizou tudo que estava bagunçado. No por do sol tomou banho, se
arrumou e como combinado, se retirou para a próxima consulta com o doutor
Herman, exatamente no findar do dia.
Pelo caminho
Dorian percebia a noite se aproximar lentamente. De longe foi avistado o
casebre de madeira com detalhes rústicos, um casebre bastante antigo, era a
residência do doutor Herman. Dorian descer do carro, havia uma neblina, aparecia
comumente naquele horário, se aproximou da porta e com o som dos toques na
porta, Herman o atende sem demora. Ambos se cumprimentam, Herman escancara a
porta surpreso e diz:
_Dorian! Entre
por favor!
Ele entra, e
depois de se acomodarem nos estofados da sala, um ressoar de corvo surge ao
longo da colina distante.
_Seja bem vindo
Dorian, fique a vontade! – disse com um olhar afano.
_Obrigado
doutor! – se acomodou.
Dessa forma
Herman vai direto ao assunto:
_Primeiramente
devo realmente me apresentar a você...
_Mas já não nos
conhecemos?
_Não Dorian, na
verdade meu nome é Quick... Herman Quick. Mas Quick é apenas para os que tenho
mais afinidade, por enquanto pode continuar me chamando de Herman, além do mais
devo admitir a você que não sou um doutor que você imagina ser...
_Como assim?
_Eu sou um mago!
_O que? Não
estou entendendo!
_Antes de
entender, me responda se está realmente pronto para o que irá acontecer aqui?
Preciso ter certeza absoluta para que eu possa realizar os desejos propostos na
semana passada. Quero que me responda sim, ou não! Seja breve.
Dorian demora
algumas frações de segundos, puxou o esse na intermitência do tempo, mas
responde decididamente:
_Sim!
_Ótimo!
Por favor então me acompanhe.
Herman
foi o conduzindo até o atelier secreto dos fundos, por onde no centro podia ser
visto um objeto totalmente encoberto por um pano aveludado de cor preto. Estava
sustentado por um tripe de madeira, a única parte que podia ser vista do
objeto.
_Dorian... como prometido irei cumprir com
minha palavra, isto será uma nova realidade em sua vida, mas você precisa saber
do poder místico que está lançado por através desta proposta. Desta forma você
pode me considerar a partir do efeito, o doutor dos desejos.
Dorian acha
estranho. O doutor continua:
_Isto... é um
grande quadro artístico que eu mesmo desenhei em comparação a sua fotografia.
Você não sabia, mas aquela fotografia tirada na última visita, foi justamente
para dar prosseguimento a magia, dessa forma tive que pintar este quadro, não se
preocupe, isto faz parte do processo.
Em seguida
Herman retira o pano aveludado de cor preto e espantosamente a imagem de Dorian
Gray é revelada.
Ele admira
espantado:
_Isto é
incrível. Ficou perfeito! Como conseguiu isto em tão pouco tempo?
Dorian observa o
quadro atônito, era seu retrato, ficou estupefato e elogiou.
_Mas o que este
retrato tem a ver com a proposta feita? Por acaso não propôs outra coisa?
_Primeiramente
devo dizer que este quadro irá envelhecer no seu lugar. À medida que o tempo
for passando, o quadro envelhecerá e você, ao contrário disto, se manterá
jovem, ou seja, as características que seriam atribuídas a você, conforme o
tempo da sua idade em andamento, serão transferidas unicamente à esta imagem do
retrato desenhado neste quadro.
_Para que isto
aconteça você deverá preservar o quadro pra sempre.
_Depois você
permanecerá com a mesma disposição de sempre, e conseguirá manter seu ciclo
social por longo tempo, até onde as pessoas se afastarão e você permanecerá.
_E por último,
você conseguirá interromper o consumo da bebida alcoólica por definitivo e por
vontade própria.
_Como tudo isto
seria possível doutor? – perguntou assustado.
_Simples. Caso
queira voltar a beber, isto poderá ser fatal.
_Não entendi.
_Um mau estar o
atacará imediatamente caso ouse a beber uma gota de álcool se quer. Você não
conseguirá resistir por muito tempo, poderá te causa uma morte súbita.
_Por isto, se
caso quiser desistir e voltar ao consumo da bebida, terá antes que destruir o
quadro. Mas se quiser não voltar ao consumo da bebida, e continuar jovem, este
quadro deve permanecer intacto. Ele sofrerá com o envelhecimento em seu lugar,
cooperando assim com sua longevidade.
_Acho que
entendi! Porém não sei como retribuí-lo, caso isto realmente aconteça, só o
tempo poderá dizer. Mas afinal... o que devo fazer para me assegurar deste
pacto?
_Basta querer
Dorian Gray! – disse em tom de mistério.
Em seguida
retirou uma garrafa de bebida do scott bar, era uma bebida mágica, de uma
substância esverdeada, em seguida despejou a bebida num copo, estendeu o copo
em direção a Dorian e ofereceu:
_Beba... e o
pacto será confirmado!
_Como assim
Herman? Você deve estar enganado, isto pode conter álcool. Não pode me oferecer
uma bebida, isto não faz sentido!
_Escute! – disse
ao contornar a suas costas.
_Não se preocupe
sobre o que contém esta bebida. Saiba apenas que ela possui efeitos
poderosíssimos, e isto faz parte do pacto, acredite! – o tocou no ombro e logo
o encarou frente a frente.
Herman ergue o
copo com o drinque e ressalta:
_Basta beber a
dose deste drinque, e tudo será feito.
Dorian acredita,
e se encoraja, pois sentia um pouco de desconfiança, lentamente foi erguendo a
mão para tomar o copo e quando menos se espera, e com apenas um gole, Dorian
bebe de uma vez todo o drinque servido. Segundos se passam, e o pacto estava
feito, Dorian sente apenas uma sensação de alívio.
CAPÍTULO 7
Um mês depois,
Dorian volta a se encontrar com Ane Mary, era domingo, início de noite de um
clima frio, ventava muito pela redondeza e na casa de Mary o jantar estava
sendo preparado por ela e seu namorado Dorian. Em alguns domingos do ano, era
costume o encontro de ambos para prepararem os comedimentos para o jantar, bem
como a sobremesa.
Enquanto Dorian
picava algumas verduras Mary elogia:
_Agora vejo que
você realmente cumpriu com sua palavra, porque até agora não demonstrou vontade
de beber e está sem bebida há um bom tempo. – sorriu e logo explica:
_Se fosse há um
mês atrás você estaria quase cortando o dedo por causa da sua embriagues.
_Mary! – falou
de forma íntima ao lhe chamar – se não fosse para estar com você por perto, eu
nunca cumpriria com a minha palavra.
Mary deixa se
revolver por um beijo em segundos, o beija nos lábios como um selo na estampa
de uma correspondência. Em seguida sorri por um sorriso de satisfação, por ter
seu namorado cumprindo com a palavra de não usar bebidas alcoólicas.
CAPÍTULO 8
Passaram-se
alguns anos, Dorian definitivamente constata o fato de que estaria realmente
jovial ao passo daquele tempo. Era manhã de um dia fresco, Dorian se debruçava
sobre a pia e admirava seu rosto no espelho. Após enxaguar o rosto Dorian ainda
observava com mais precisão, nada havia se alterado, se espantava de como ficou
imutável durante todo aquele tempo.
Apesar da
juventude e de toda popularidade, Dorian tinha um receio inerente, pois um dia
as pessoas ao seu lado perceberiam sua aparência, o que inevitavelmente
causaria polêmicas relacionadas a seu rejuvenescimento. Com perseguição, muitos
chegariam até Dorian para saber quais eram os seus produtos cosméticos, o
esteticista, o remédio para tal proeza, chegaria a um ponto em que a imprensa
não o daria sossego um dia sequer. Dessa forma se cumpriria o que havia dito Herman
sobre sua popularidade.
Dorian sentiu
curiosidade em saber sobre como estaria o quadro após aqueles anos. Se arrumou
elegantemente e logo partiu rumo a casa do doutor Herman. Dorian pretendia
avaliar o quadro em comparação a sua imagem atual. O carro estaciona em frente
a imensa varanda do antigo casebre, era dia de céu aberto, Dorian desce do
carro, com seus sapatos pretos pisando sobre as britas, ele caminha em direção
a porta após fechar a porta do carro, logo bate a porta e chama pelo doutor
Herman.
Tudo que ele
queria saber era sobre como o quadro estaria, se aquele drinque esverdeado
continha alguma substância desconhecida para o rejuvenescimento, talvez Herman
pudesse ganhar muito dinheiro ao vender a fórmula. Mas Dorian tinha outra
dúvida, ele queria saber se por acaso ele poderia desfazer o pacto por algo que
lhe soava profundamente sobre a mente.
Ainda pela porta
Herman o atende e fala sobre aquela inesperada visita:
_Dorian? Há
quanto tempo não nos vemos! – o abraçou.
Herman fixa seus
olhos e diz:
_Você não mudou
nada! – sorriu - Está inalterado aparentemente.
_Inalterado da
mente também. São dezessete anos sem beber.
_Parabéns! –
escancarou a porta e disse:
_Entre!
Assentados na
sala Dorian comenta:
_Vim ver o
quadro, estou curioso! preciso saber sob análise o que deverei fazer daqui pra
frente.
_Dorian, você
sabe que a única coisa que deverá fazer é evitar a bebida, caso contrário nosso
trato será desfeito.
_Disto eu sei,
mas preciso me certificar com você se devo ou não continuar com o pacto.
_E o que o faria
desistir? Problemas emocionais poderão sim o fazer pensar nesta hipótese, mas
nunca se comparariam ao que lhe foi atribuído, pense.
_Realmente devo
admitir que tenho receio quanto a tudo que me foi dado, são dádivas das quais
não fiz um mínimo esforço para adquiri-las e pensando sobre essa graça, às
vezes penso na minha indignação, penso que também Mary poderia se envolver no
pacto, pois chegaremos a um ponto em que ela envelhecerá e eu ainda estarei
jovem.
_Não quero
desapontá-lo, mas chegaremos realmente a um ponto em que você deverá mudar seu
estilo de vida. Seus amigos partirão, sua esposa também, mas eles retornarão
para você de outras formas. Personificando a imagem deles em pessoas atuais
numa época futura você conseguirá identificar sentimentos semelhantes, conseguirá
distinguir a diferença, profundamente você entenderá que ainda são eles e será
possível reviver seus conhecidos.
_Gostaria de ver
o quadro!
Eles se levanto
e chegam em frente a porta do atelier. Após aquela conversa, Dorian se sentiu
mais entusiasmado. Herman o convida:
_Por favor
entre! – Herman o conduz ao quadro.
Ambos entram,
Herman se aproxima do quadro e o pergunta ao segurar as pontas dos dedos sobre
o grande pano preto aveludado tampando o retrato.
_Preparado?
Talvez Dorian
pensasse que Herman o enganava ao pintar uma imagem dele numa versão posterior,
mas seu rosto não o deixava sobras de dúvidas, pois ainda permanecia o mesmo, com
muita precisão. Ele ainda tinha a promessa de não voltar a beber por vontade
própria que se cumpria a cada dia que se passava.
_Preparado! –
Dorian responde.
O pano preto
aveludado é retirado, Dorian se surpreende.
_Isto é
incrível. Realmente o retrato envelheceu. – Dorian toca sobre o quadro e com as
pontas dos dedos foi passando a mão sobre a imagem.
_Não é de se
espantar Dorian. – disse ao mesmo tempo em que caminhava em direção contrária
ao quadro – Este quadro envelhecerá até onde sua vida chegar, ou seja, até sua
morte.
_Obviamente este
quadro não terá mais o que mostrar no momento de minha morte.
_Ele não terá
mais o que mostrar. Chegará um ponto em que ele estará todo escuro.
_Isto quer dizer
então que quando eu estiver nesta fase o
pacto acabará?
_Isto não te
impedirá de sofre riscos caso volte a consumir algum copo de bebida alcoólica
se quer, isto é o que faz ele envelhecer no seu lugar, e ele poderá continuar
envelhecendo até onde você suportar.
_E até onde o
retrato suportará esta desfiguração caso eu realmente resista?
_Ele escurecerá
totalmente quando próximo à um século passado. Quando chegar a desfiguração
completa do envelhecimento ele se escurecerá aos poucos em tons cinzas, esta é
a parte mais dramática do processo. Mas ficara cinzento com mais velocidade do
que os efeitos fisionômicos anteriores. Quando chegar no escurecimento completo
você viverá destituído deste pacto, ou seja, você estará livre para fazer o que
quiser.
_Poderei até
voltar a beber?
_Sim.
_Mas é preciso
se certificar de que o quadro esteja totalmente escuro. Quando chegar a
desfiguração máxima de sua velhice, a ação degeneração ocorrerá como em sua
decomposição do corpo no próprio sepulcro, neste momento a cor cinza
predominará sobre toda a imagem, e assim como se não pode ver por dentro do
sepulcro, assim ele deve continuar por cerca de cinco anos mais neste tom cinzento.
Para se certificar do fim do pacto, é necessário enxergar a cor preta em todo o
quadro, esta ação acontece rapidamente é apenas o sinal de que o pacto chegou
ao fim.
_Mas até que
você perceba o tom predominante preto sobre todo o quadro é necessário que se
espere até cerca de um século corrido.
CAPÍTULO 9
Dezessete anos
após o pacto feito, entre Dorian Gray e o retrato desenhado pelo doutor Herman,
Dorian volta a se encontrar com Mary, mas desta vez em outra ocasião.
Numa noite de
lua-cheia, a beira de uma lagoa da cidade, localizado em um dos restaurantes
mais nobre daquela região, Ane MaryFolks e Dorian Gray iniciam uma discussão
que surgiu sobre a aparência de Dorian. Por esta época Dorian se apresentava o
mesmo de dezessete anos atrás, ele estava fisicamente inalterável à vista de
Ane Mary. Seus traços fisionômicos chamava a atenção de Mary, pois Dorian só se
alterava pelos estilos, a única coisa que Dorian conseguia mudar desde quando
tomou o último drink, que a saber, era realmente um drink mágico. MaryFolks
insatisfeita com a inalteração da sua aparência de vinte e três anos de idade,
ela questiona:
_Dorian! – o
chamou a atenção – Se passaram dezessete anos desde que parou de beber o álcool
e por incrível que pareça, você continua aquele mesmo jovem do dia em que parou
de beber.
_Mary, você não
acha isso um máximo?
_Se fosse por
isto não faria a menor diferença sua interrupção pela bebida. Para ser
franca... eu prefiro você maduro e não imutável, fisionomicamente falando, por
mais que você estivesse bêbado agora.
_Isto significa
que não sou maduro o bastante para você?
_Não é isto
Dorian... na verdade você precisa acompanhar as transformações faciais, isto
faz parte das fases da vida e é relativo a seu tempo de idade. Isto deveria
passar com o tempo, é natural.
_Ane Mary! –
chamou-lhe a atenção – Talvez não queira perceber, mas por causa disto não
estou comprometendo minha saúde mais, isto significa literalmente meu
rejuvenescimento, acontece consequentemente com a cessação do álcool, eu
portanto, poderia ter mais vantagens com isto pelo tempo que terei de vida,
economizando minha saúde e ainda por uma maneira mais jovem.
_E quanto a mim
Dorian? – questionou Mary com nervosismo, mas ao mesmo tempo preocupada – Como
eu poderei continuar com alguém com traços tão joviais? Enquanto eu, pelo
contrário, pareço estar cada vez mais velha que você. Não falta nada para você
ser diagnosticado portador de uma doença rara, como por exemplo, uma estagnação
genética e por isto, seria importunado constantemente pela curiosidade de
todos, e principalmente da imprensa por tentarem extrair de você a origem e
causa deste fenômeno.
_Não se preocupe
Mary! – o tempo passará e os traços ficarão mais evidentes. – prometeu Dorian,
mesmo sabendo que seria diferente e que só dependeria dele para envelhecer –
aguarde mais um pouco e você com certeza notará alguma mudança.
_Definitivamente
não tenho mais como ter certeza. Posso te dar um prazo de um ano somente e nada
mais, se continuar o mesmo, não se envelhecer ou tratar disto terei que tomar a
decisão de romper com nosso relacionamento.
Dorian por um
instante ficou preocupado, sentiu medo, permaneceu demasiadamente aturdido,
lembrou-se das palavras que o mago lhe havia dito. Dorian não poderia tomar um
drink de álcool sequer, caso contrário o rejuvenescimento, a sua popularidade e
a rejeição da bebida seriam fracassadas, não se cumpririam e de acordo com o
pacto, seriam removidos, Dorian teria que agir sempre naturalmente. Contudo, o
mal afetado pela quebra do pacto pelo uso da bebida alcoólica, seria
extremamente forte, capaz de perder a juventude e sobretudo as suas forças, que
seriam debilitadas subitamente, a única saída para toda a consequência da
quebra do pacto seria a destruição do quadro imediatamente após o uso da bebida
e que o levaria a ter seu estado original devolvido.
No mesmo
instante lembrou-se das palavras de Herman:
_Se caso
quiser voltar a consumir a bebida alcoólica, terá que destruir o quadro à tempo
para quebrar o contra efeito, lembre-se que sofrerá um mal e não terá muito
tempo para resistir até a destruição completa do quadro, isto, se estiver longe
do alcance do quadro.
Dorian despertar
do devaneio, MaryFolks se estranha e o pergunta preocupada:
_O que houve
Dorian?
_Nada! Eu
prometo encontrar uma forma de avançar minha aparência, esta fisionomia, para
uma pessoa idêntica aos meus quarenta anos. Também te prometo tentar fazer esta
mudança dentro deste prazo de um ano. Não se preocupe Mary, acredite, as coisas
se ajustarão.
_Dorian Gray!
Porque não está conseguindo amadurecer naturalmente? Seu rosto continua sempre
o mesmo.
_Talvez um
médico poderá te ajudar. – sugeriu logo em seguida.
_Não se preocupe
Ane Mary, farei de tudo para resolver este problema. – apertou sua mão por cima
da mão de Mary e prosseguiu:
_Em um prazo de
um ano. – concluiu.
O diálogo
terminou e Dorian voltou para sua casa preocupado, perder o desenvolvimento da
aparência, pelo rejuvenescimento, mantendo sempre a mesma aparência, poderia
ser incrível, ainda mais por manter o seu vínculo social, sua popularidade e
ter a rejeição do álcool. Porem Dorian sabia que perder o namoro com Ane
MaryFolks, e mantê-la ao seu lado sempre, não estava incluído na magia imposta
por Herman, ao beber aquela última dose de drink, daquela porção esverdeada.
CAPÍTULO 10
Naquele mesmo
dia, ao chegar em casa, Dorian se apresentou exausto à vista do reflexo de sua
imagem no espelho, não sabia por onde começar, talvez procurar se envelhecer
por outros métodos científicos pudesse ser não legal comparado a energia do
poder lançado naquele retrato. No mesmo instante pensou em procurar o doutro
Herman para conseguir uma saída, sabendo que a única saída seria voltar a
beber, ficou realmente contrariado pela proposta feita por MaryFolks. Tudo
aquilo poderia acabar em frações de segundos se caso decidisse realmente beber
uma dose de álcool sequer. Para isto, teria que pensar muito antes de agir,
teria que ter uma distância aproximada em relação ao quadro, que deveria ser
destruído imediatamente para que o efeito não lhe causasse a morte. Um ataque
súbito o faria sofrer um mal estar, consequentemente o efeito progrediria, isto
não lhe daria chance se estivesse longe a ponto de conseguir destruir o quadro
a tempo. Assim, não precisaria ter que depender da proposta de um ano feito a
MaryFolks, por outro lado o rejuvenescimento seria desfeito imediatamente,
isto, após o consumo do primeiro drinque.
Um mês se
passou, em um determinado dia Dorian decidiu novamente consultar o doutor
Herman, para simplesmente observar o quadro e também para o fazer um pedido.
Lembrava-se sempre do que o doutor tinha lhe dito, isto é, após a destruição do
quadro, a magia daquela jovialidade seria desfeita.
Assim Dorian
acionou o carro, seguiu estrada rumo a casa de Herman. Pela saída em direção a
estrada principal, se aproximou com o carro devagar ao convergir, era tarde da
noite, Herman poderia estar descansando. O farol do carro é acionado, o casebre
aparentava detalhes sombrios, Dorian achava estranho aquilo, era escuro da
noite, apenas a luz do farol iluminava aquele lugar.
Dorian desce do
carro e se aproxima lentamente, em seguida a porta da casa é tocada por algumas
batidas com a mão. Como se não bastasse, Herman atende após alguns segundos de
espera:
_Dorian? – se
surpreendeu ao revê-lo – Que devo a honra de vê-lo por aqui. Entre, seja
bem-vindo.
Ambos caminham
em direção aos estofados situados ao centro da sala.
_Então Dorian...
o que me faz tanto surpreso por esta inesperada visita?
_Bom, gostaria
de ser franco com o senhor doutor. – disse um pouco arrependido de algo – Na
verdade estou querendo destruir o quadro e quebrar definitivamente o pacto.
_Para isto meu
caro Dorian, como foi dito no início, você precisa apenas de coragem para
destruir o quadro, não tem mais segredos.
_Contudo o
contra efeito você já sabe Dorian. O quadro te devolverá todo o envelhecimento
que está sendo imputado no quadro ao passar do tempo de sua idade, em poucos
segundos estará com sua imagem concernente aos dias atuais, ou seja, sua
aparência normal.
_Eu gostaria de
fazer um pedido doutor. Eu estava pensando em avaliar o quadro melhor para
isto. Talvez a minha aparência não esteja tão constrangedora assim.
_Tudo bem. –
disse o doutor – Acompanha-me por favor.
Herman o conduz
ao mesmo atelier em que estava armazenado o quadro durante todos aqueles anos
pelo pacto.
_Já se passaram
alguns anos desde a última vez que veio avaliar o quadro Dorian. – rapidamente
Herman tira o pano preto aveludado que possuía fuligens da poeira acumulada em
torno do ornamento.
_E estamos assim
nos dias de hoje! – apontou a mão em direção a pintura.
Herman não
estava muito surpreso por saber que sem dúvidas, a imagem estaria com o rosto
mais envelhecido com o passar daqueles anos.
_Como disse, seu
envelhecimento, fisicamente falando, seria todo transferido para este retrato.
Vejo que não está tão mal assim nesta imagem agora. – observou.
_Talvez esteja
doutor. Veja este cabelo grisalho, o bigode e as rugas e o supercílio.
_Então era
somente isto que veio avaliar?
_Na verdade
doutor, eu gostaria de levar o quadro comigo.
_Por
curiosidade... você está realmente pensando em quebrar o pacto?
_Não! – gaguejou
– Quero dizer... Sim. – finalmente assume – Mas preciso de tempo para decidir,
devo pensar antes de qualquer decisão.
_Tudo bem! Você
pode ficar com o quadro.
_Mas afinal,
porque lhe veio o desejo de quebrar o pacto?
_Por causa de
Ane MaryFolks! – se aborreceu por um instante – Ane Mary percebeu minha
estagnação física, reclamou da minha imagem do rosto com perfil inalterável.
Pensou até que poderia ser uma doença relacionada a genes ou algo genético.
_Saiba que
também não conseguirá mais vinculo como teve até agora, sua popularidade
diminuirá e sua resistência ao álcool também será interrompida. Os anos se
passaram e o que te mantinha vivo entre a maioria das pessoas, não era sua
aparência jovial, mas sim, a autoestima que foi introduzida no efeito também. E
isto, por fim, ocasionado pelo consumo do álcool. Como disse você pode voltar a
ter o desejo à qualquer momento. Lembre-se, esta resistência não é natural de
você!
_Eu sei que não
conseguiria parar de beber assim de repente. Também sei que posso perder todos
estes efeitos doutor, mas se for para ficar com MaryFolks... – Dorian
estranhamente se cala, por alguns segundos permaneceu pensativo, Herman indaga:
_O que houve
Dorian? É uma proposta irrecusável e isto pelo tempo que você já sabe.
_Por isto devo
pensar melhor antes.
_Certo, pode
levar o quadro.
Pelo lado de
fora Dorian se despedia de Herman após embrulhar a pintura no mesmo pano preto
aveludado que foi presenteado por Herman. O quadro é posto no porta-malas,
Dorian aciona o carro que acede o farol e segue destino de volta pra casa com a
missão cumprida.
CAPÍTULO 11
Faltava pouco
tempo para completar o prazo proposto por Ane Mary, e por incrível que pareça
Dorian ainda não tinha se decidido. Após observar um e-mail em seu notebook, se
surpreendeu com uma mensagem intimadora.
_Dorian? Bom
dia! – o e-mail era lido em voz baixa – Andei te observando durante todos estes
dias que te propus para conquistar sua aparência avançada. Não adianta se
esconder. Falta pouco para completar um ano e você ainda não mudou nada.
Somente te encontro se realmente tiver mudado.
Era início do
dia, a mensagem era recente, Dorian termina a leitura preocupado, Ane Mary não
tinha ao menos se despedido na mensagem. Dorian põe as mãos sobre a cabeça
pensativo. Ficar com Mary seria prioridade, mas difícil seria ter que perder
suas qualidades biológicas, da resistência ao álcool, física, da sua aparência
jovial e social, de sua popularidade.
Levantou-se em
direção ao quadro e parou por algum tempo, alguns segundos se passam, Dorian
não se move, refletiu, tinha que tomar uma decisão. A imagem lhe parecia
perturbadora, o tempo passava, o retrato estava cada vez mais velho e a se
decidisse destruí-lo mesmo, sua chance acabaria. Neste momento ergueu a faca
apontando sobre o quadro, tentou tomar uma decisão de uma vez por todas, se
aproximou mais com a faca, mas o orgulho falou mais alto. Dorian se lança ao
chão, a faca escorrega da mão e cai ao seu lado, Dorian lamenta. Sem muito a pensar
e ao mesmo tempo pensando em tudo, Dorian desiste.
CAPÍTULO 12
Os
anos se passaram, Dorian, como de costume, se apresenta empolgado diante de seu
estimado notebook. Enquanto isso lia alguns e-mails de amigos, de tantas
mensagens contagiantes, tais como de boas-vindas a clubes, grupos de
entretenimento, associações, convites importantes e várias entrevistas. Dorian
se tornou muito popular, consequentemente muito famoso, alguns ainda faziam
parte do seu antigo grupo de amigos, mas outros, ao passar do tempo, acabaram
se afastando, mas sempre incluindo Dorian em seus ciclos de amizades, isto tudo
através de um dos efeitos prometidos por Herman incluído no pacto, transmitido
pela última dose. Nada se sabe se aquela dose esverdeada possuía álcool ou não,
mas tudo indica que a abstinência ao álcool era de fato.
Uma
das mensagens lidas era de Cambridge, amigo antigo de Dorian:
_Como vai Dorian? Passaram-se cinquenta anos
e você não mudou nada meu caro. Veja este link... – dizia Dorian em voz baixa
enquanto lia a mensagem.
Em seguida clica
no link, a imagem da manchete do jornal do estado de Kansas informava a
seguinte notícia:
_Homem mantem
rejuvenescimento após trinta anos passados...
Dorian recitou o
anúncio da manchete ao mesmo tempo em que instantaneamente lembrou-se de Mary.
Uma mensagem é enviada quase por coincidência, era Cambridge novamente:
_Está ficando
muito famoso Dorian! – sorriu.
_Idiota. –
respondeu na caixa de bate papo.
Outra mensagem
não lida é aberta, era um e-mail do senhor Kalfman:
_Senhor Gray? -
disse novamente em tom de voz baixa – Hoje estou comemorando meus noventa e
três anos. Estou na cadeira de rodas, como você sabe e ainda não faltou em
nenhum dos meus encontros de grupo, te reforço a lembrança do convite de hoje
para nos reunimos no bar... Embora eu também tive parado com a bebida durante
muito tempo, recebi a triste notícia de que tenho pouco tempo de vida, talvez
deste ano eu não passo. Neste encontro terei a ousadia de beber como nunca
antes, e não te incitando a beber, mas a comparecer neste grande dia. Obrigado.
– Dorian termina a leitura.
Infelizmente
Dorian não aceitou a proposta de Any Mary na época em que estava encurralado
entre envelhecer e quebrar o pacto, devia encontrar saída. Sua fisionomia
continuava a mesma. Pensando na notícia anterior, imediatamente fecha o
notebook com um sentimento de remorso. Embora naquele dia fosse a comemoração
do aniversário de Kalfman, Dorian sentiu saudades, passaram-se cinquenta anos e
Dorian não tinha se decidido ainda.
CAPÍTULO 13
Naquela mesma
hora Dorian parou por alguns instantes inertes à frente da janela da sua casa.
Em seguida prosseguiu em direção ao seu quarto onde estava o quadro pintado por
Herman. Rapidamente tirou o pano preto aveludado por cima do quadro e observou
a imagem do seu retrato, que seria a imagem real pertinente a sua idade de
setenta e três anos. Por alguns segundo esteve pensante, se perguntou como o
doutor Herman poderia ter sido tão perfeito nos detalhes, que ao passar do
tempo, aconteciam naturalmente. Ao passo daqueles cinquenta anos Dorian não
tinha mais dúvidas, o efeito era real e obviamente não poderia ser o próprio
doutor nas alterações dos detalhes. Dorian procurava entender como aquilo seria
possível, o rosto aparentava uma barba, pouco senrra, mas grande e alva como a
neve, tal como parte do seu cabelo que já se encontrava junto com o contorno do
rosto, em formas desgastadas, as rugas anunciavam a velhice, todavia, sua
jaqueta preta e amarela continuava a mesma, contendo apenas cores rotas. Ali
parado Dorian pensou no convite feito por Kalfman, passou a mão sobre o rosto,
estava liso, cabelos curtos, boa aparência.
No mesmo dia à
noite Dorian se arrumou para o encontro dos amigos do bar, para a comemoração
de aniversário de Kalfman. Após colocar seu tradicional paletó cinza, se
ajustava no espelho pela gola da blusa branca semiaberta além do peito. Com
seus artigos de ouro sobre o pescoço e entre os dedos, Dorian se retira em
direção ao bar, dirigindo seu carro conversível preto.
No bar Dorian
chega entusiasmado, cumprimentou seus antigos amigos, entre estes estava
Marshall, Cambridge e Henry, Dorian era o único que se aparentava jovem ainda.
Após algumas horas, sentado sobre a mesa, tomando um refresco de limão,
conversava.
_Então Dorian? –
Marshall o chama a atenção para uma pergunta – Está entre o grupo há décadas e
nos acompanha durante as nossas embriagues e na maioria das vezes chega até o
final destes encontros... poderia nos contar como realmente consegue rejeitar a
bebida assim?
Dorian se cala
por alguns instantes após a pergunta.
_Será que por
isto você se encontra ainda jovem? – o grupo deixa sair uma gargalhada unânime.
Em seguida
Marshall toma um copo de shopp e Dorian rasponde:
_Provavelmente
isto me faz estar ainda jovem meu caro Marshall, mas não você sabe que nunca
tentei ninguém a fazer o mesmo diante desta prova, na verdade isto parte de
cada um, talvez meu organismo adquiriu mais resistência e células fortes,
contra a degeneração que o álcool poderia causar. As pessoas que não bebem
tendem a se conservarem mais. – Dorian sempre procurava desculpas para não
falar do pacto – Porém consigo rejeitar a bebida por um único motivo apenas...
O grupo se
silencia, Dorian continua:
_Pelo simples
fato de ter perdido meus pais.
_Mas você vivia
com seus avós Stive Gray e Laura Wolf... Já poderia ter se conformado mais
diante disso. – disse Cambridge.
_Bom, eu sempre
conto esta história, e parece que vocês não entendem... como vocês sabem, minha
mãe desapareceu na infância, mas sabem o quanto eu procurei pelo paradeiro
dela. Andei milhas durante anos e um certo dia decidi parar de beber.
_É um caso de se
espantar Dorian... E quanto a seu pai?
_Morreu nas
garras do álcool.
_Lamentável.
_Mas não se
preocupe, porque eu, pelo contrário, perdi meus pais, e um dos motivos que mais
me faz continuar bebendo ainda é este. – disse Henry.
_Eu não posso
deixar de beber para continuar namorando algumas garotas por ai. – disse
Cambridge, o grupo sorri e ele toma mais um gole de shoop. Cambridge era o mais
novo da turma.
_Porque não
superar o trauma e partir conosco nesta conquista? – perguntou Kalfman.
_Por mais que eu
bebesse até o coma alcoólico, não seria o bastante, precisaria apenas da volta
de MaryFolks e todas as bebidas do mundo não poderia trazer ela de volta.
_Você sempre nos
conta desta separação, que Ane Mary te deixou a pensar e você não conseguiu
convencer ela enquanto a tinha por perto. Talvez encontrando outra você
superaria essa perda? – Kalfman supõe.
_Ainda não está
perdido.
Dorian nunca
tinha desistido daquela ideia de voltar a Mary como nos velhos tempos, mesmo
tendo passado cinquenta anos, ele mantinha a ideia intacta.
_Eu insisto em
acreditar que apenas Ane Mary poderia solucionar este trauma. – Dorian continua
– É incrível porque já tentei de tudo, pois para mim seria mais fácil convencer
ela da juventude do que ela me convencer da velhice. Para ela a velhice é algo
natural e por algum tempo ela pôde perceber que eu não envelhecia naturalmente
e que algo anormal havia comigo. Por isto desejo me unir a ela para descobrir o
segredo, pois mesmo não bebendo ela já se encontra velha, juntos poderíamos
fazer com que ficássemos jovens.
_Tarde de mais
meu caro Dorian, você acha que isto seria possível? Ela não acreditaria nesta ideia.
Bebendo ou não, eu acho que isto não mudaria nada.
_Quer ver um
exemplo... – Kalfman continua, se levanta da cadeira e seguem em direção ao
scotbar, pegou uma garrafa de whisky e o serviu uma dose.
Kalfman fixa os
olhos atentos a Dorian e diz:
_A única coisa
que você deve encontrar nos dias de hoje é você mesmo! – arrastou o copo para a
direção de Dorian por cima da mesa.
_Toma!
Experimente.
No mesmo
instante Dorian acredita que seria assim. Não poderia mudar o passado, Dorian
amava muito sua namorada e sua mãe, mas não poderia alterar a distância, isto
não o impedia de sofrer mais por amor, as condições físicas, mentais e sociais,
sua autoestima, tudo dependia de alguma reação, da busca interior. Dorian ainda
não sabia que primeiro tinha que se amar. Naquela hora, por mais contraditório
que parecesse, através de um diálogo entre amigos, mais simples, por uma dose
de whisky, a pouca distância da mão, Dorian concorda, pois sabia que para estar
velho e a altura de Mary, bastava apenas uma dose.
Muito pensativo
pegou o copo, lutando contra sua rejeição e ao mesmo tempo confiante, para
tentar ainda conquistar Mary, ele bebe o drinque em frações de segundos, numa
golada só ele vira o copo e o põe sobre a mesa quase por quebra-lo.
_É isto! –
Dorian desabafa, mas algo estranho acontece. Dorian começa a sentir um calafrio
e mau estar.
_O que houve
Dorian? – perguntou Kalfman - Esta bebida ainda não chegou a seu efeito? –
colocou sua mão cuidadosamente em suas costas.
Imediatamente
Dorian se levanta cambaleante.
_Deixa-me te
ajudar. – disse Henry.
_Eu estou bem! –
Dorian omite a sua realidade, Henry se adiantou com passos inseguros e
titubeante alcança a porta de saída levando Dorian pelos braços.
_Vamos Dorian. –
Henry insiste e tomando atitude o pega pelos braços o sustentando mais ainda
até conseguir colocá-lo no carro.
Henry ofereceu
ajuda, sendo que esta seria a única saída caso não fizesse o que deveria ser
instruído por Dorian, pois para cessar aquele mau estar, segundo a orientação
de Herman, seria a destruição do quadro.
Após coloca-lo
no banco de passageiros, pegou a chave do carro no seu bolso e seguiu em
direção a casa de Dorian.
CAPÍTULO 14
O carro seguia
em direção a casa de Dorian, era tarde da noite, os ponteiros ultrapassavam a
meia-noite, Henry tinha que alcançar o destino à tempo, Dorian estava
aparentemente sofrendo um coma alcoólico, mas não poderia ser, era apenas um
gole.
Quando próximo
do local, Dorian reage e finalmente consegue falar:
_Pare o carro
Henry!
_Precisamos
pegar sua carteira.
_Pare o carro
Henry. – gritou – Não vai conseguir chegar a tempo senão à pé.
Henry o observa
de lado.
_Aguente um
pouco, estamos quase chegando.
_Eu mandei
parar. – gritou.
_Por favor. –
disse Dorian em tom natural, olhos fechados e pouca energia – Estou a ponto de
vomitar.
Imediatamente
Henry freia o carro que atinge a inércia ao derrapar dos pneus. Logo saiu e
ajudou Dorian a sair, mas não conseguiu se locomover. No mesmo momento caiu ao
chão, liberou vomito uma perturbação lhe parecia insistente e anormal, em
comparação ao pouco de bebida que ingeriu. Neste instante Dorian se recorda do
que Herman o disse:
_Um mal o
atacará subitamente sem chance de destruir o quadro à tempo, caso esteja longe.
– escutou a voz oculta de Herman em meio a sua alucinação.
_Henry. –
gritou.
_O que foi? –
assustou Henry que o socorria apoiando sua mão sobre as costas.
_Henry... –
moderou o tom de voz, Dorian tinha se recordado da instrução de Herman.
Preciso que você
vá até o quarto e destrua o quadro com meu retrato sobre um pano preto
aveludado.
_Como? Não estou
entendendo.
_Faça o que
estou te pedindo. – disse por uma voz fraca e trêmula, mas convincente, mesmo
que ainda Henry não soubesse porque.
No mesmo
instante ergue a chave da porta na mão retirada do bolso com dificuldade e o
entrega.
_Por favor, vá.
Esta é a única maneira de me melhorar.
_Tudo bem... –
Henry pega a chave e corre em direção a porta da casa que não estava muito
longe do carro estacionado.
Em
aproximadamente cem metros percorridos, pavorosamente Henry corre cambaleante,
a casa é alcançada, desesperadamente Henry abre a porta, quase deixou as chaves
cair, sobe até o quarto de Dorian localizado no segundo andar, acendeu a luz,
procurou uma ferramenta perfurocortante e ao retirar o pano preto cobrindo o
quadro, Henry assusta.
_Dorian Gray?
Naquele momento
Henry observou a velhice de Dorian, suspeitou realmente que Dorian tinha
problema com a velhice, pois o mandava destruir aquele retrato, mas Henry não
entendia porquê. Pensou que aquele retrato era uma manifestação artística dele
mesmo para expressar sua velhice. Pensou também que Dorian criou seu próprio
personagem como prova do seu interesse a convalescência. Como se por outro lado
Dorian omitisse o fato de que tinha um problema, mas que mesmo assim continuava
sendo vantagem.
A imagem estava
com o rosto de Dorian envelhecido, porém com a barba e cabelos grandes e alvos
como a neve.
Henry alçou o
estilete, não pensou duas vezes, tinha que realizar o pedido de Dorian.
_Você precisa se
cuidar meu amigo! – rapidamente Henry ataca o quadro e com alguns golpes
destruiu o retrato finalmente. Cansado, Henry continuava sem entender.
Em seguida Henry
sai correndo pelo lado de fora em direção ao carro onde Dorian se encontrava
deitado no chão quase inconsciente. Henry o alcança e desesperadamente o acudi.
Dorian estava de costas, seu corpo foi movido para frente e neste mesmo
instante Henry se assusta, algo estranho tinha acontecido.
_Dorian? –
espantou ao fitar os olhos – Dorian abre os olhos vagarosamente.
_Você pode me
explicar o que está acontecendo?
Dorian estava
exatamente como a pintura do retrato, da sua imagem original, agora, finalmente
destruída. Cabelo longo, já desgastado, barba branca por fazer, algumas rugas
na fronte, Henry não entendia, mas sentiu alivio em saber que seu amigo estava
salvo.
Dorian estava
cinquenta anos mais velho.
_Acabou meu caro
Henry! – levantou-se com as forças já revigoradas, estava totalmente
consciente, em seguida abraçou Henry.
O mal havia se
retirado, e como dito, pelo doutor Herman, a destruição do quadro o fez
retornar as características físicas originais.
Após todo
aqueles anos passados Dorian pensou sobre como Mary reagiria a sua mudança.
Naquela época revelou à Mary o motivo e apenas se lamentou por ter que abrir
mão dos três efeitos do pacto.
No dia seguinte
Dorian se levanta cansado, foi ao banheiro, fez a barba, a deixou aparada e não
muito alta, mesmo assim mantinha a tonalidade branca. Dorian cuidou da
aparência à todo momento e em certo dia vestiu-se elegantemente, sem muito a
pensar, saiu desesperadamente a procura de Mary. Na noite anterior daquele dia
Dorian esteve acordado o tempo todo, a única coisa que desejava era
reencontrá-la. Talvez não teria tomado esta decisão tão facilmente se não fosse
também por ela, mas primeiro pelo apoio dos amigos e principalmente pela
atitude de Henry, por ter acreditado.
Durante cinco
dias esteve a procura do paradeiro de Mary, procurou várias pistas em sua
cidade, até que finalmente Dorian a encontra.
Era tarde do
dia, o sol estava se pondo, Dorian quase foi preso por guardas naquela busca
incessante, que para Dorian só acabaria quando a encontrasse. Mary estava
andando, Dorian se aproxima e diz:
_Às vezes tomar
uma decisão implica na perda de tudo que se possa ter. Ainda que o tempo tanto
passasse, eu perderia primeiro todo este tempo que tive de verdade e tudo que
eu aparentemente tinha, para então dizer que você foi quem eu tive na maioria
deste tempo.
Mary estava como
sempre formosa, possuía alguns anos à menos que Dorian. Usava um batom rosado e
discreto, mas sem entender ela pergunta:
_À propósito...
posso saber quem é você?
_Alguém que
ainda não desistiu deste momento contigo.
_Desculpe, mas
ainda não entendi.
_Mary, meu nome
é Dorian... Dorian Gray.
Mary deixa
escapar um lindo sorriso, ficou surpresa ao ouvir quele nome, era o próprio
Dorian, seu antigo namorado. Aquele encontro marcou a história de ambos, eles
conversaram e se reconciliaram e estiveram namorando até o final.
Em um
determinado dia, Dorian saí com seu carro ao encontro dos seus antigos amigos.
Na mesa de uma varanda da casa de verão, Dorian se aproxima e avista Henry,
Marshall, Kalfman, Cambridge e...
_Quick? – Dorian
se surpreende, mas sem muito a agradecer pela afetividade que ambos criaram,
ele o chama pelo seu nome Quick sabendo que só seria usado entre os amigos mais
chegados de Herman.
_Vamos brindar.
– Herman ergue o copo contendo uma dose de whisky e o entrega.
Dorian bebe em
frações de segundos, em seguida bate o copo sobre a mesa daquele churrasco.
Em outra hora à
noite, em um restaurante sofisticado da cidade, Dorian se encontrava com Mary.
_O que eu disse
naquela época, simplesmente foi... não desisto nunca de você.
FIM